{"id":3662,"date":"2018-11-20T10:57:01","date_gmt":"2018-11-20T12:57:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3662"},"modified":"2018-11-20T10:57:01","modified_gmt":"2018-11-20T12:57:01","slug":"o-narcisismo-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-narcisismo-ontem-e-hoje\/","title":{"rendered":"O narcisismo ontem e hoje"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3651 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Rosangela-CLIPP-174x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"300\" \/>Ros\u00e2ngela Carboni Castro Turim (associada da CLIPP)<\/strong><\/h4>\n<h4>O tema da atividade Leituras na Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo \u201cFreud e o amor\u201d, que aconteceu na CLIPP, no dia 13 de setembro, coordenada por Perp\u00e9tua Medrado, com a convidada Marizilda Paulino, foi \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo\u201d(1), texto de Freud de 1914. Marizilda resgatou o conceito trazido para a psican\u00e1lise por Freud, contextualizando na cl\u00ednica das psicoses e nas parcerias (escolha objetal).<\/h4>\n<h4>O termo narcisista atualmente faz parte do nosso vocabul\u00e1rio, est\u00e1 inclu\u00eddo na cultura. Derivado do mito grego de Narciso, Freud retoma o termo <em>narcisismo<\/em> utilizado por P. N\u00e4cke \u201cpara designar a conduta em que o indiv\u00edduo trata o pr\u00f3prio corpo como se este fosse o de um objeto sexual\u201d, por\u00e9m afirma que \u201co narcisismo n\u00e3o seria uma pervers\u00e3o, mas o complemento libidinal do ego\u00edsmo do instinto de autoconserva\u00e7\u00e3o, do qual justificadamente atribu\u00edmos uma por\u00e7\u00e3o a cada ser vivo\u201d.<\/h4>\n<h4>A partir da no\u00e7\u00e3o de aparelho ps\u00edquico e dualidade das puls\u00f5es (sexual e autoconserva\u00e7\u00e3o) sob os princ\u00edpios do prazer, da const\u00e2ncia e da realidade, Freud pergunta qual seria o destino da libido retirada dos objetos nos parafr\u00eanicos. E desenvolve, a partir da dualidade libido do Eu e libido do objeto:\u201ca libido retirada do mundo externo foi dirigida ao Eu, de modo a surgir uma conduta que podemos chamar de narcisismo\u201d. Segundo ele, a megalomania seria a amplia\u00e7\u00e3o e a explicita\u00e7\u00e3o de um estado que j\u00e1 havia existido antes e o consequente abandono do interesse pelo mundo externo (pessoas e coisas).<\/h4>\n<h4>No entanto, Freud retoma a oposi\u00e7\u00e3o entre os instintos sexuais e os instintos do eu observadas na an\u00e1lise das neuroses de transfer\u00eancia (neurose obsessiva e histeria), para desenvolver a teoria da libido do Eu a partir do estudo das parafrenias e das neuroses narc\u00edsicas (melancolia, paranoia e esquizofrenia). Denominava neuroses atuais: a neurastenia, hipocondria e neurose de ang\u00fastia. O hipocondr\u00edaco, segundo Freud, retira o interesse e a libido dos objetos do mundo exterior e concentra ambos\u00a0no corpo. E relaciona a hipocondria com a parafrenia naquilo que ambas dependem da libido do Eu, enquanto as outras (neuroses de transfer\u00eancia) dependem da libido de objeto.<\/h4>\n<h4>Freud, com a observa\u00e7\u00e3o da vida ps\u00edquica das crian\u00e7as, forma a ideia de um \u201corigin\u00e1rio investimento libidinal do Eu, de que algo \u00e9 depois cedido aos objetos, mas que persiste, relacionando-se aos investimentos de objeto\u201d. As primeiras satisfa\u00e7\u00f5es sexuais autoer\u00f3ticas s\u00e3o experimentadas em conex\u00e3o com fun\u00e7\u00f5es vitais de autoconserva\u00e7\u00e3o. O beb\u00ea tem originalmente dois objetos sexuais: ele mesmo e a mulher que o cria. Na oposi\u00e7\u00e3o entre libido do Eu e libido do objeto, \u201cquanto mais se emprega uma, mais empobrece a outra\u201d. No enamoramento, haveria um empobrecimento libidinal do Eu em favor do objeto.<\/h4>\n<h4>Freud questiona \u201cde onde vem a necessidade que tem a psique de ultrapassar as fronteiras do narcisismo e p\u00f4r a libido em objetos?\u201d E responde: \u201cUm forte ego\u00edsmo protege contra o adoecimento, mas afinal \u00e9 preciso come\u00e7ar a amar para n\u00e3o adoecer, e \u00e9 inevit\u00e1vel adoecer, quando, devido \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode amar\u201d. A escolha objetal se d\u00e1, ou uma pessoa ama, para Freud, conforme o tipo narc\u00edsico (o que ela mesma \u00e9, foi ou gostaria de ser, ou ainda a pessoa que foi parte dela mesma) ou conforme o tipo de <em>apoio<\/em> (a mulher nutriz ou o homem protetor).<\/h4>\n<h4>Atualmente, ao se tratar da vida amorosa dos humanos, parece improv\u00e1vel que as escolhas objetais se reduzam ainda a esta categoriza\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<p>_____________________________________<\/p>\n<p>1 FREUD, S. \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao narcisismo\u201d. In: Obras Completas, volume 12, Companhia das Legras, S\u00e3o Paulo, 2010. (Publicado originalmente em 1914)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ros\u00e2ngela Carboni Castro Turim (associada da CLIPP) O tema da atividade Leituras na Biblioteca da Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo \u201cFreud e o amor\u201d, que aconteceu na CLIPP, no dia 13 de setembro, coordenada por Perp\u00e9tua Medrado, com a convidada Marizilda Paulino, foi \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo\u201d(1), texto de Freud de 1914. 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