{"id":3656,"date":"2018-11-20T10:37:07","date_gmt":"2018-11-20T12:37:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3656"},"modified":"2018-11-20T10:37:07","modified_gmt":"2018-11-20T12:37:07","slug":"supervisao-e-passe-descontextualizados-da-experiencia-analitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/supervisao-e-passe-descontextualizados-da-experiencia-analitica\/","title":{"rendered":"Supervis\u00e3o e passe: descontextualizados da experi\u00eancia anal\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2914 size-full\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/foto_m_carmo-2.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Maria do Carmo Dias Batista (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>A \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967\u201d est\u00e1 inscrita em um contexto cient\u00edfico, como aponta Miller nos cap\u00edtulos XXI e XXII de \u201cO Banquete dos Analistas\u201d(1). Esta inscri\u00e7\u00e3o permitiria \u00e0 \u201cProposi\u00e7\u00e3o\u201d ser avaliada em termos de fracasso ou sucesso, bem como a experi\u00eancia do passe dela decorrente.<\/h4>\n<h4>Lacan, no Semin\u00e1rio 24(2), identificado \u00e0 escrita joyceana, atribui o <em>fracasso<\/em> \u00e0 experi\u00eancia do passe, pois o elemento de \u201cinicia\u00e7\u00e3o\u201d tendia a prevalecer sobre o cient\u00edfico e uma esp\u00e9cie de \u201ccomunh\u00e3o da verdade\u201d \u2013 criticada por ele por oposta \u00e0 verdade mentirosa, conceito relativo ao passe trabalhado em 1976(3) \u2013, poderia vir a substituir a transmiss\u00e3o inspirada na ci\u00eancia.(4) O passe \u00e9 um procedimento de avalia\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de uma an\u00e1lise e responde \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o de inscrever a psican\u00e1lise na ci\u00eancia, declinada \u201ccom todas as suas letras na Proposi\u00e7\u00e3o\u201d(5). A psican\u00e1lise, n\u00e3o sendo inef\u00e1vel, mas uma experi\u00eancia de fala, tem estatuto cient\u00edfico.<\/h4>\n<h4>O estatuto da psican\u00e1lise como inef\u00e1vel a coloca apartada. \u00c9 a extraterritorialidade da psican\u00e1lise e dos psicanalistas, alijados da transmiss\u00e3o cient\u00edfica atual, dominada por <em>gadgets<\/em>. A marca da exclus\u00e3o atinge os psicanalistas e os psicanalistas amam a segrega\u00e7\u00e3o!(6)<\/h4>\n<h4>H\u00e1 um incomunic\u00e1vel na experi\u00eancia anal\u00edtica, por\u00e9m a entrada e o final da an\u00e1lise s\u00e3o pass\u00edveis de formaliza\u00e7\u00e3o. Trata-se de entregar o \u00edntimo com palavras, e ser interpretado, o que se restringe ao consult\u00f3rio do analista, a uma situa\u00e7\u00e3o que Lacan chamou de<em> convencionada<\/em>, em que aparecem as emerg\u00eancias da verdade.<\/h4>\n<h4>Como tirar do contexto as emerg\u00eancias da verdade? As verdades v\u00e1lidas na experi\u00eancia podem estar tanto no contexto da an\u00e1lise como descontextualizadas. Fora do contexto, podem se dar de forma te\u00f3rica, na literatura e na ci\u00eancia, ou pr\u00e1tica, na supervis\u00e3o e no passe.<\/h4>\n<h4>Na supervis\u00e3o, a experi\u00eancia vai para uma situa\u00e7\u00e3o cuja <em>conven\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 completamente diferente. O passe \u00e9 uma descontextualiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica inventada por Lacan que se liga a um dispositivo constru\u00eddo, vinculado \u00e0 experi\u00eancia anal\u00edtica. Ambos se prestam a um tratamento simult\u00e2neo e comparativo. Na supervis\u00e3o, toma-se o texto sem o paciente e, no passe, sem o psicanalista. O passe \u00e9 um tipo de supervis\u00e3o: o paciente no passe faz supervisionar seu analista! A supervis\u00e3o sup\u00f5e que o essencial de uma an\u00e1lise seja preservado como relato, ainda que o analista supervisor n\u00e3o compartilhe com o supervisionado o contato v\u00edvido com o paciente.<\/h4>\n<h4>No passe voltamos a encontrar o elemento da media\u00e7\u00e3o, de maneira calculada. O dispositivo do passe implica uma interposi\u00e7\u00e3o, materializando a transmiss\u00e3o ao encarnar o mensageiro, o mediador.<\/h4>\n<h4>Da mesma forma que o supervisor n\u00e3o v\u00ea o paciente, o cartel do passe n\u00e3o v\u00ea o candidato e o passe parece modelado segundo a pr\u00e1tica da supervis\u00e3o. O paciente em geral n\u00e3o est\u00e1 informado de que o analista supervisiona seu caso. No passe, o candidato n\u00e3o se relaciona com psicanalistas como tais. Ambas as pr\u00e1ticas evitam \u201cinstituir\u201d o psicanalista do psicanalista. Na experi\u00eancia anal\u00edtica, entretanto, o sujeito n\u00e3o deve tratar com outro psicanalista. Existe o psicanalista do psicanalista na experi\u00eancia anal\u00edtica, indicando que n\u00e3o se faz uma an\u00e1lise sem rela\u00e7\u00e3o com a psican\u00e1lise, ela \u00e9 parte do contexto da experi\u00eancia.<\/h4>\n<h4>O final da an\u00e1lise e o dispositivo do passe, este fora do contexto, modificam essa rela\u00e7\u00e3o, marcando o predom\u00ednio da institui\u00e7\u00e3o, da Escola de Lacan, na sa\u00edda da an\u00e1lise. O passe vai do contexto (consult\u00f3rio do analista) para fora do contexto (cartel do passe \u2013 Escola \u2013 p\u00fablico).<\/h4>\n<h4>Isso se pareceria com as etapas da ci\u00eancia para atingir\/outorgar seus graus: mestrado, doutorado, livre-doc\u00eancia?<\/h4>\n<p>__________________________________<\/p>\n<p>1 MILLER, J.-A. (1989-1990) El Banquete de los analistas. Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2000, p. 380.<\/p>\n<p>2. LACAN, J. (1976-1977) O semin\u00e1rio \u2013 livro 24. L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre. Li\u00e7\u00e3o de 12 de fevereiro de 1977. In\u00e9dito.<\/p>\n<p>3 LACAN, J. \u201cPref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do Semin\u00e1rio 11\u201d. In: Outros Escritos, Rio de Janeiro, JZE, 2003, p. 569.<\/p>\n<p>4 MILLER, J.-A. Op. Cit., p. 380.<\/p>\n<p>5 Idem, p. 383.<\/p>\n<p>6 MILLER, J.-A. Op. Cit., p. 383.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do Carmo Dias Batista (EBP\/AMP) A \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967\u201d est\u00e1 inscrita em um contexto cient\u00edfico, como aponta Miller nos cap\u00edtulos XXI e XXII de \u201cO Banquete dos Analistas\u201d(1). Esta inscri\u00e7\u00e3o permitiria \u00e0 \u201cProposi\u00e7\u00e3o\u201d ser avaliada em termos de fracasso ou sucesso, bem como a experi\u00eancia do passe dela decorrente. 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