{"id":3653,"date":"2018-11-20T10:29:38","date_gmt":"2018-11-20T12:29:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3653"},"modified":"2018-11-20T10:29:38","modified_gmt":"2018-11-20T12:29:38","slug":"interpretar-a-escola%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/interpretar-a-escola%c2%b9\/","title":{"rendered":"Interpretar a Escola\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3092 size-full\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Luc\u00edla.jpeg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"261\" \/>Lucila M. Darrigo (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>Pensar o que \u00e9 interpretar a Escola implica indagar o que significa subjetivar a experi\u00eancia de Escola.<\/h4>\n<h4>Na \u201cTeoria de Turim\u2026\u201d(2), Miller indica que o processo de forma\u00e7\u00e3o de uma Escola lacaniana precisa se desenvolver a c\u00e9u aberto, pois se trata de uma comunidade que s\u00f3 pode se constituir no pr\u00f3prio movimento de sua subjetiva\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Saber onde est\u00e1 a Escola n\u00e3o se deduz de uma pr\u00e1tica contemplativa. A pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o deste saber \u00e0 comunidade da Escola em forma\u00e7\u00e3o, tem um efeito de interpreta\u00e7\u00e3o, pois modifica o sujeito em via de realiza\u00e7\u00e3o. \u201cA vida de uma Escola deve se interpretar\u201d.(3) Essa \u00e9 a tese que Miller, ent\u00e3o, defende.<\/h4>\n<h4>Se a interpreta\u00e7\u00e3o tem sempre um efeito desagregador, como se sustenta uma comunidade? Trata-se de outra l\u00f3gica que, para fazer existir a Escola, precisa deste efeito disruptivo, remetendo cada um \u00e0 sua solid\u00e3o subjetiva, e do trabalho para sustentar essa experi\u00eancia.<\/h4>\n<h4>O passe que nomeia um AE resultar\u00e1 num texto escrito sobre o que se produziu quando se tocou o real em jogo na experi\u00eancia anal\u00edtica. Ser\u00e1 o testemunho de um imposs\u00edvel de dizer. Nesse sentido, o AE interpreta a Escola pela transmiss\u00e3o de sua diferen\u00e7a absoluta. Ele o faz no mesmo sentido de Lacan no Ato de funda\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas o AE que interpreta a Escola.<\/h4>\n<h4>Angelina Harari(4) delimita dois lugares diferentes de interpretar a experi\u00eancia institucional: o do AE, por um lado, e o do Presidente e Diretor da Escola, por outro. Eles protagonizam ordens distintas do imposs\u00edvel. Cabe ao AE interpretar o imposs\u00edvel pr\u00f3prio \u00e0 psican\u00e1lise, cernindo o ponto de real da experi\u00eancia institucional; enquanto que a fun\u00e7\u00e3o de governar se faz a partir da enuncia\u00e7\u00e3o analisante.<\/h4>\n<h4>A pr\u00e1tica da conversa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 um dispositivo que pode ser usado como um modo da Escola ser interpretada, pois abre a possibilidade de que cada Membro se posicione em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa anal\u00edtica a partir de sua enuncia\u00e7\u00e3o analisante.<\/h4>\n<h4>Miller fala, reiteradamente, de seu lugar de enuncia\u00e7\u00e3o como \u201cao menos um\u201d que interpreta a Escola, n\u00e3o se deixando tomar como Um da exce\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Na \u201cTeoria de Turim\u2026\u201d, ele diz:<\/h4>\n<h4>\u201cJacques-Alain Miller n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1rio, \u00e9 um ao menos um que d\u00e1 testemunho de sua diferen\u00e7a e que n\u00e3o economiza esfor\u00e7os para que haja outros que o fa\u00e7am. E \u00e9 porque h\u00e1 outros que uma Escola \u00e9 poss\u00edvel. [\u2026] Faz parte da minha felicidade que outros compreendam o que eu compreendi de Lacan, da psican\u00e1lise, da Escola e em particular da emin\u00eancia deste lugar a partir do qual a Escola \u00e9 interpret\u00e1vel e de onde se espera seus analistas\u201d(5).<\/h4>\n<h4>Na aula \u201cPonto de basta\u201d, ele ensina sobre os dois tempos de uma interpreta\u00e7\u00e3o:<\/h4>\n<h4>\u201cO encontro desta manh\u00e3 nasceu de um desejo, o meu, de situar o ponto de basta do per\u00edodo transcorrido a partir de 1 de mar\u00e7o deste ano. Aconteceu alguma coisa bastante marcante, bastante impactante para que eu possa dizer que, em seguida a ela, se abria para o Campo Freudiano, um ano zero\u201d(6).<\/h4>\n<h4>Conclui que o ponto de basta \u00e9 justamente este significante \u201cano zero\u201d que interpreta o per\u00edodo que acaba de acontecer no Campo freudiano. Explica que \u00e9 justo chamar isso de interpreta\u00e7\u00e3o, pois:<\/h4>\n<h4>\u201c[\u2026] uma interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, um significante que percute, que produz ondas. [\u2026]. Uma interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um significante que percute e, em um segundo tempo, \u00e9 um efeito de significa\u00e7\u00e3o a ser esclarecido, um enunciado, um texto a desenvolver. \u00c9<\/h4>\n<h4>disto que se trata aqui\u201d(7).<\/h4>\n<h4>Sim, o segundo tempo \u00e9 o da convoca\u00e7\u00e3o da comunidade ao trabalho para sustentar a Escola a partir deste novo significante. E aqui estamos!<\/h4>\n<p>_____________________________________<\/p>\n<p>1 N.E.: Atividade \u201cEscola \u2013 sujeito\u201d, realizada na EBP-Se\u00e7\u00e3o SP em 05.09.2018.<\/p>\n<p>2Miller, J.-A. \u201cA teoria de Turim sobre o sujeito da Escola\u201d. In Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online, n. 21, nov\/2016. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero21\/index.html<\/p>\n<p>3Ibid., p. 2.<\/p>\n<p>4Harari, A. \u201cEntrevista\u201d. In Correio n.74, jul\/2014, p.12.<\/p>\n<p>5Miller, J-.A. Op.cit., p. 15.<\/p>\n<p>6Miller, J.-A. \u201cPonto de basta\u201d. In Op\u00e7\u00e3olacaniana, n. 79, jul\/2018 , p. 23.<\/p>\n<p>7Ibid, p. 23.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucila M. Darrigo (EBP\/AMP) Pensar o que \u00e9 interpretar a Escola implica indagar o que significa subjetivar a experi\u00eancia de Escola. 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