{"id":3645,"date":"2018-11-20T10:10:49","date_gmt":"2018-11-20T12:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3645"},"modified":"2018-11-20T10:10:49","modified_gmt":"2018-11-20T12:10:49","slug":"as-diversas-faces-do-suicidio%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/as-diversas-faces-do-suicidio%c2%b9\/","title":{"rendered":"As diversas faces do suic\u00eddio\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3631 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Fernando-Prota-2-246x300.jpg\" alt=\"\" width=\"246\" height=\"300\" \/><strong>Fernando Prota (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>A morte de um ente querido sempre abre uma fenda na experi\u00eancia de vida de quem fica. A morte por suic\u00eddio abre uma cratera. O n\u00e3o sentido bruto que opera o ato deixa quem fica, e toda a sociedade, tomados por uma ang\u00fastia que exige a tomada da palavra para que essa experi\u00eancia possa ser humanizada.<\/h4>\n<h4>Possibilitar um cerzimento de falas e vozes que pudessem entretecer relatos, hip\u00f3teses, manejos e ang\u00fastias em torno do tema do suic\u00eddio, foi o que nos orientou a oferecer uma Conversa\u00e7\u00e3o para o Conselho Gestor de Sa\u00fade Mental da Prefeitura de Ribeir\u00e3o Preto-SP, quando este procurou a Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo para solicitar um trabalho em torno da quest\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, pela ocasi\u00e3o do setembro amarelo. Tal convite veio na esteira dos efeitos de conversa\u00e7\u00f5es anteriores que j\u00e1 v\u00eam marcando a presen\u00e7a da EBP Se\u00e7\u00e3o-SP na cidade, com seu modo particular de operar.<\/h4>\n<h4>A comiss\u00e3o organizadora, habilmente conduzida por Silvia Sato, que tamb\u00e9m coordenou a mesa, trabalhou nessa costura nada f\u00e1cil entre os discursos da psican\u00e1lise e da sa\u00fade mental, que ora convergem e ora se distanciam. O t\u00edtulo \u201cDiversas faces do suic\u00eddio\u201d tenta contemplar esse enla\u00e7amento.<\/h4>\n<h4>Dois impasses cl\u00ednicos disparadores foram produzidos e apresentados por profissionais da rede, cujos pontos mais vivos foram ressaltados por mim enquanto debatedor da mesa.<\/h4>\n<h4>Falar de uma conversa\u00e7\u00e3o \u00e9 falar daquilo que ecoou para si. Os pontos que em mim ecoaram dizem respeito, inicialmente, ao espa\u00e7o dedicado ao que foi denominado de \u201csobrevivente\u201d. Penso que esse \u00e9 um elo da cadeia de efeitos do ato suicida pouco enfocado nos debates sobre o tema. O caso trazido por Denise Ap. de Freitas, psic\u00f3loga, trouxe o caso de uma m\u00e3e que perde uma filha de 13 anos por um ato<\/h4>\n<h4>suicida caracterizado pelo curto circuito, por ser uma \u201cgarota normal\u201d que, de repente, frente a uma frustra\u00e7\u00e3o m\u00ednima, se enforca no varal de casa.<\/h4>\n<h4>O relato exp\u00f5e a dificuldade em tantos casos de jovens que frente a uma \u201ccausa m\u00ednima\u201d colocam todo o seu ser em jogo, num ato sem restos, cujo sem sentido assola quem fica. Denise nos traz todo o trabalho dessa m\u00e3e para lidar com o sem sentido, para \u201cesculpir esse vazio\u201d. Ressaltou-se a dimens\u00e3o do tempo e da delicadeza nessa condu\u00e7\u00e3o, assim como a fun\u00e7\u00e3o da culpa no luto.<\/h4>\n<h4>A \u201ccausa m\u00ednima\u201d ou a \u201cfrustra\u00e7\u00e3o m\u00ednima\u201d circulou pela sala em busca de falas que pudessem formular hip\u00f3teses que produzissem alguma espessura para essa quest\u00e3o, mas pouco p\u00f4de ser dito. Assim como a m\u00e3e \u201csobrevivente\u201d, ainda estamos por dizer algo que possa nos amparar frente a esse ato que s\u00f3 \u00e9 experimentado como desatino.<\/h4>\n<h4>Outro caso, tamb\u00e9m um suic\u00eddio de uma garota de 13 anos, trazido por Heloisa Mian, psiquiatra infantil da rede, exp\u00f5e outra face, a da morte que ronda a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia via desamparo social, familiar e precariedades mil. A rede de sa\u00fade municipal entra como suporte solicitado, mas n\u00e3o consegue fazer borda para o sujeito se ancorar. Neste caso, a puls\u00e3o de morte tem a face da agita\u00e7\u00e3o man\u00edaca e de uma forma n\u00e3o menos mort\u00edfera. Uma colega psic\u00f3loga e tradutora, nos lembra que em alem\u00e3o suic\u00eddio tem duas formula\u00e7\u00f5es:<em> leben nehmen<\/em> (tirar a pr\u00f3pria vida) e <em>Selbstmord<\/em> (assassinar a si mesmo), nos remetendo a pensar a diferen\u00e7a entre desistir de viver e desejar morrer.<\/h4>\n<h4>Lembrando-se de Torquato Neto, \u201cmenino infeliz\u201d que se suicidou, uma voz na sala ecoa \u201cCaju\u00edna\u201d e nos lembra que a mat\u00e9ria vida \u00e9 t\u00e3o fina e que nos cabe tentar, junto com nossos pacientes, tecer algo em nossa pr\u00e1tica para que essa mat\u00e9ria, mesmo que fina, possa sustentar umas tantas vidas.<\/h4>\n<p>____________________________________<\/p>\n<p>1 N.R.: Atividade realizada dia 22 de setembro de 2018, em Ribeir\u00e3o Preto. Parceria da EBP-Se\u00e7\u00e3o e Programa de Sa\u00fade Mental da PMRP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Prota (EBP\/AMP) A morte de um ente querido sempre abre uma fenda na experi\u00eancia de vida de quem fica. A morte por suic\u00eddio abre uma cratera. 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