{"id":3642,"date":"2018-11-20T10:06:07","date_gmt":"2018-11-20T12:06:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3642"},"modified":"2018-11-20T10:06:07","modified_gmt":"2018-11-20T12:06:07","slug":"numero-transfinito-e-final-de-analise%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/numero-transfinito-e-final-de-analise%c2%b9\/","title":{"rendered":"N\u00famero transfinito e final de an\u00e1lise\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2650 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Cynthia-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><strong>Cynthia Nunes de Freitas Farias (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>Miller apresenta o passe como uma \u201ctransfinitiza\u00e7\u00e3o do dito\u201d(2) a partir do que Lacan prop\u00f5e como a passagem do \u201cn\u00e3o sabido como marco de saber\u201d(3), implicando uma passagem da inscri\u00e7\u00e3o \u00e0 escritura(4).<\/h4>\n<h4>A rela\u00e7\u00e3o ao sujeito suposto saber permite que o inconsciente, n\u00e3o sabido por excel\u00eancia, se inscreva na cadeia significante, como sabido. A palavra d\u00e1 \u00e0s suas forma\u00e7\u00f5es o sentido do qual estavam privadas, presentificando o infinito do deciframento. Por\u00e9m, n\u00e3o entrega a verdade do inconsciente(5). Como doadora de sentido, a palavra \u00e9 sem fim e o inconsciente como n\u00e3o sabido \u00e9 a \u201ctransfinitiza\u00e7\u00e3o da palavra\u201d(6).<\/h4>\n<h4>No n\u00edvel dos n\u00fameros cont\u00e1veis, <em>Alef<\/em> <em>0<\/em> indica que os elementos de um conjunto seguem ao infinito, independentemente da sele\u00e7\u00e3o que fa\u00e7amos desses elementos, pois um conjunto infinito de n\u00fameros inteiros, qualquer que seja ele, tem a mesma cardinalidade do todo. Tomar o inconsciente como transfinito indica que qualquer cadeia associativa que se organize pela palavra, reproduz o car\u00e1ter de n\u00e3o sabido do inconsciente.<\/h4>\n<h4>Em nome do sujeito suposto saber se coloca em marcha uma cadeia significante que por mais que avance em termos de deciframento ser\u00e1 sempre finita (\u201csem fim, por\u00e9m finita\u201d), visto que ser\u00e1 sempre inferior a <em>Alef 0(<\/em>7). O car\u00e1ter transfinito do inconsciente \u00e9 o que permite que se passe da inscri\u00e7\u00e3o \u00e0 escritura.<\/h4>\n<h4>Miller traduz <em>Alef 0<\/em> em termos de castra\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Alef 0<\/em> \u00e9 uma forma de escrever S(A\/), \u00e9 um significante que possui outra forma, (&#8230;) que permite designar a s\u00e9rie como o que nunca \u00e9 suficiente, como o ao menos um que falta\u201d(8). N\u00e3o pode ser inclu\u00eddo na s\u00e9rie por ser o significante da incompletude mesma, pois A \u00e9 eternamente barrado.<\/h4>\n<h4>Conclui que ao se buscar a verdade pelo deciframento, se encontra um significante diferente dos demais, que nunca ser\u00e1 encontrado numa vertente exclusiva de enumera\u00e7\u00e3o dos inteiros. \u201cS\u00f3 aparece se se forma um marco que encerra em seu inacabamento a s\u00e9rie de significantes e &#8230; se passa atrav\u00e9s dele\u201d(9). <em>Alef 0<\/em> \u00e9 um marco e, ao mesmo tempo, est\u00e1 fora dele, permitindo considerar como um todo a cadeia inacabada(10).<\/h4>\n<h4>Miller toma o final de uma an\u00e1lise como correlato da inven\u00e7\u00e3o de um <em>Alef 0<\/em>, fazendo a seguinte ressalva: encontrar esse marco que fecharia esse conjunto inacabado n\u00e3o impede que isto siga se produzindo(11). O que determina, portanto, o fato de n\u00e3o prosseguir na via associativa e tomar um sonho, um significante, uma imagem ou mesmo a aus\u00eancia de um significante, como fim de uma an\u00e1lise?<\/h4>\n<h4>Considere-se aqui a quest\u00e3o da cren\u00e7a na decifra\u00e7\u00e3o e no inconsciente como saber. A descren\u00e7a no sujeito suposto saber ao final de uma an\u00e1lise \u00e9 correlata da passagem do saber \u00e0 verdade n\u00e3o-toda do sinthoma.<\/h4>\n<h4>A possibilidade de continuar falando seria se dirigir ao passe. Mas se o passe implica a possibilidade de &#8220;falar um pouco mais&#8221; n\u00e3o se trata de relan\u00e7ar a associa\u00e7\u00e3o livre, mas de uma fala orientada pelo <em>Aleph 0<\/em>.<\/h4>\n<p>______________________________________<\/p>\n<p>1 N.A.: Quest\u00e3o sustentada elaborada a partir dos cap\u00edtulos XXI e XXII de MILLER, J.-A. (2011) El banquete de los analistas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, pp. 365 \u2013 394. N.E.: Apresentada nas \u201cConversa\u00e7\u00f5es da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana\u201d. EBP-Se\u00e7\u00e3o SP, 19.09.2018.<\/p>\n<p>2MILLER, J.-A. (2011) El banquete de los analistas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, pp. 365. Sobre os n\u00fameros transfinitos ver tamb\u00e9m: Confer\u00eancia Miller de 1981 \u201cEl todo y el uno en m\u00e1s\u201d em Conferencias Porte\u00f1as, Tomo 1, pp 33 a 64.<\/p>\n<p>3 Idem, ibidem, p. 365.<\/p>\n<p>4 Idem, ibidem, p. 371.<\/p>\n<p>5 Idem, ibidem, p. 370.<\/p>\n<p>6 Idem (2011), op. cit., p. 370.<\/p>\n<p>7Idem, ibidem, p. 372.<\/p>\n<p>8 Idem, ibidem, p. 373<\/p>\n<p>9 Idem, ibidem, p. 374.<\/p>\n<p>10 Idem, ibidem.<\/p>\n<p>11 Idem, ibidem, p. 370.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cynthia Nunes de Freitas Farias (EBP\/AMP) Miller apresenta o passe como uma \u201ctransfinitiza\u00e7\u00e3o do dito\u201d(2) a partir do que Lacan prop\u00f5e como a passagem do \u201cn\u00e3o sabido como marco de saber\u201d(3), implicando uma passagem da inscri\u00e7\u00e3o \u00e0 escritura(4). 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