{"id":3639,"date":"2018-11-20T09:55:32","date_gmt":"2018-11-20T11:55:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3639"},"modified":"2018-11-20T09:55:32","modified_gmt":"2018-11-20T11:55:32","slug":"leituras-da-biblioteca-sobre-a-sexualidade-feminina-s-freud-1931%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/leituras-da-biblioteca-sobre-a-sexualidade-feminina-s-freud-1931%c2%b9\/","title":{"rendered":"Leituras da Biblioteca \u201cSobre a sexualidade feminina\u201d (S. Freud &#8211; 1931)\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3616 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Cristiana-Gallo-2-300x279.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"279\" \/><strong>Cristiana Gallo (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>O texto \u201cSobre a sexualidade feminina\u201d de Freud nos remete a uma importante quest\u00e3o cl\u00ednica ao tratar da fase pr\u00e9-ed\u00edpica na menina, na qual se situa a original vincula\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e.<\/h4>\n<h4>Nestas suas \u00faltimas formula\u00e7\u00f5es sobre o tema, Freud considera a import\u00e2ncia de tratar tal vincula\u00e7\u00e3o, sens\u00edvel \u00e0s \u201cvozes do feminismo\u201d(2) presentes ao movimento psicanal\u00edtico da \u00e9poca, como as de Jeanne Lampl-de Groot, Helene Deutsch e Ruth Mack Brunswick.<\/h4>\n<h4>Da leitura destacam-se as raz\u00f5es que conduziriam ao desligamento da m\u00e3e, com \u00eanfase no que Freud apresenta como a \u201cinferioridade org\u00e2nica\u201d da menina que, uma vez reconhecida, faz com que ela se rebele contra a m\u00e3e. A inveja f\u00e1lica na menina se coloca como elemento fundamental nos destinos da sexualidade feminina, uma vez que pode determinar a deten\u00e7\u00e3o do \u201ccaminho evolutivo\u201d que conduz ao pai, fazendo restar um complexo de masculinidade ao inv\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o da feminilidade.<\/h4>\n<h4>No entanto, interessante foi notar que, a despeito das m\u00faltiplas raz\u00f5es que podem conduzir ao desprendimento da m\u00e3e, Freud destaca que tal vincula\u00e7\u00e3o est\u00e1 destinada a \u201cperecer\u201d, uma vez que estaria dominada por uma poderosa ambival\u00eancia \u2013 amor e \u00f3dio.<\/h4>\n<h4>O \u201cam\u00f3dio\u201d se colocou nos termos que se desprenderam do texto e conduziram \u00e0s evid\u00eancias cl\u00ednicas do que se revela em termos absolutos na rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha, em que \u2018o caso a caso\u2019 pode fazer ressaltar o que n\u00e3o foi cedido em termos da original satisfa\u00e7\u00e3o a\u00ed obtida.<\/h4>\n<h4>Pontualmente, a leitura do texto de 1931 conversou com o texto de 1932 \u201cA feminilidade\u201d(3), fazendo notar que a sexualidade feminina resta enigm\u00e1tica para Freud, n\u00e3o se obtendo uma final correspond\u00eancia entre feminilidade e anatomia.<\/h4>\n<h4>Neste sentido, a disposi\u00e7\u00e3o bissexual, apontada como mais evidente nas mulheres do que nos homens, dada a exist\u00eancia de duas zonas sexuais dominantes (clit\u00f3ris e vagina), pareceu encontrar uma nova perspectiva pela indica\u00e7\u00e3o de Freud de que a psican\u00e1lise<\/h4>\n<h4>nos ensina a manejar com uma s\u00f3 libido, ainda que seus fins e modos de gratifica\u00e7\u00e3o possam ser ativos e passivos.<\/h4>\n<h4>Contudo, acrescentou-se \u00e0 leitura algo das posi\u00e7\u00f5es da mulher e do homem no amor, introduzindo-se a assertiva de Freud que aponta o que a\u00ed est\u00e1 separado por uma \u201cdefasagem psicol\u00f3gica\u201d. Ponto que pode inaugurar uma nova conversa de Freud a Lacan.<\/h4>\n<h4>Concluiu-se com a indica\u00e7\u00e3o de Freud, ao final do texto \u201cA feminilidade\u201d, que parece nos lan\u00e7ar num caminho para al\u00e9m do \u00c9dipo, ao falar da mulher para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o sexual: para al\u00e9m ela \u201c\u00e9 um ser humano\u201d e Freud nos convida a buscar em nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, na poesia ou na ci\u00eancia, os meios de avan\u00e7ar sobre o \u201cenigma da feminilidade\u201d. Com Lacan, seguimos a partir de sua formula\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o-toda f\u00e1lica\u201d que nos dirige \u201c\u00e0s mulheres e seus nomes\u201d.<\/h4>\n<p>___________________________________<\/p>\n<p>1FREUD, S. (1931) \u201cSobre la sexualidad femenina\u201d. Em: Obras Completas III. Madrid: Editorial Biblioteca Nueva, 1981.<\/p>\n<p>2FUENTES, M.J.S As mulheres e seus nomes:Lacan e o feminino. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012, p.91<\/p>\n<p>3FREUD. S. (1932) \u201cA feminilidade. Confer\u00eancia 33\u201d. Em: O feminino que acontece no corpo: a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise nos confins do simb\u00f3lico.Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristiana Gallo (EBP\/AMP) O texto \u201cSobre a sexualidade feminina\u201d de Freud nos remete a uma importante quest\u00e3o cl\u00ednica ao tratar da fase pr\u00e9-ed\u00edpica na menina, na qual se situa a original vincula\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e. 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