{"id":3635,"date":"2018-11-20T09:47:50","date_gmt":"2018-11-20T11:47:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3635"},"modified":"2018-11-20T09:47:50","modified_gmt":"2018-11-20T11:47:50","slug":"em-ti-mais-do-que-tu-%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/em-ti-mais-do-que-tu-%c2%b9\/","title":{"rendered":"\u201cEm ti mais do que tu&#8230;\u201d\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2350 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cec\u00edlia-300x286.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"286\" \/><strong>Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>O contexto no qual a frase aqui comentada est\u00e1 inserida \u00e9 o da transfer\u00eancia pois, como esclarece Lacan, ele est\u00e1 sublinhando o que o analisante <em>fundamentalmente<\/em> diz ao analista. Lacan a utiliza com a inten\u00e7\u00e3o de presentificar de maneira mais sincopada um objeto paradoxal, \u00fanico e especificado que se chama objeto a. S\u00e3o citados os objetos: oral, anal e esc\u00f3pico.<\/h4>\n<h4>Entendo que o verbo \u201cmutilar\u201d esteja sendo empregado em seu sentido figurativo, mostrando um dos momentos nos quais Lacan coteja a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre o amor e o \u00f3dio. Esta maneira de abordar tal frase conhecida e instigante de Lacan, encontra igualdade de interpreta\u00e7\u00e3o entre colegas de nossa Escola: \u201ca agressividade do filho pode revelar-se como tentativa de fazer borda a um amor sem limites, que pode chegar \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o: \u2018eu te amo, mas porque amo em ti mais do que tu, o objeto a min\u00fasculo, eu te mutilo\u2019. A frase \u00e9 de Lacan, que sempre nos apontou, em diferentes momentos do seu ensino, o quanto o amor carrega, em seu bojo, o \u00f3dio\u201d(2).<\/h4>\n<h4>Mas, o que \u00e9 o objeto a min\u00fasculo? \u00c9 preciso considerar que \u201co objeto causa de desejo \u00e9 o que Lacan denomina objeto a, ou seja, o que do gozo resiste \u00e0 significa\u00e7\u00e3o\u201d(3).<\/h4>\n<h4>No <em>Semin\u00e1rio 10<\/em>, A ang\u00fastia, h\u00e1 um importante desenvolvimento: o desejo \u00e9 abordado n\u00e3o na sua intencionalidade, mas na sua causalidade. N\u00e3o se trata mais de desejo de algo (como para a fenomenologia de Husserl, a consci\u00eancia \u00e9 consci\u00eancia<\/h4>\n<h4>de), mas do objeto que causa o desejo, isto \u00e9, vem antes dele. O desejo \u00e9 causado por a.<\/h4>\n<h4>O melhor exemplo \u00e9 que consideremos o fetiche: o desejo n\u00e3o se dirige ao fetiche, mas \u00e9 totalmente necess\u00e1rio que na cena ele esteja presente, pois \u00e9 isto que causa o surgimento do desejo. O objeto-meta \u00e9 diferente do objeto-causa na medida em que o primeiro pertence ao registro do imagin\u00e1rio, \u00e0s \u201cilus\u00f5es pr\u00f3prias \u00e0 tragicom\u00e9dia do amor\u201d. O segundo \u00e9 a raz\u00e3o de ser do desejo, rela\u00e7\u00e3o complexa, pois o desejo \u00e9 inconsciente e recalcado, resto de gozo escapando da opera\u00e7\u00e3o de significantiza\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Se, tal como afirma Lacan no <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>, quando o homem aborda a mulher, trata-se da abordagem de sua causa de desejo e se, tamb\u00e9m como a\u00ed afirma, \u201cn\u00e3o h\u00e1 amor sem \u00f3dio\u201d, cabe perguntar qual seria uma sa\u00edda para o amor.<\/h4>\n<h4>Levemos em conta outra frase de Lacan igualmente importante: \u201cEu te pe\u00e7o que recuses o que te ofere\u00e7o porque n\u00e3o \u00e9 isso, isso \u00e9 o objeto a\u201d, atrav\u00e9s desta frase busca-se uma sa\u00edda para o amor mais ligada \u00e0 castra\u00e7\u00e3o do que \u00e0 fus\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Para finalizar, duas refer\u00eancias: para Lacan, o amor fus\u00e3o e completude, na rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a m\u00e3e, deve ser quebrado ao compreender-se que o corpo da crian\u00e7a n\u00e3o corresponda, para a m\u00e3e, ao objeto a. O ensino do passe mostra, em muitos casos, como por exemplo aquele de Veronique Mariage, os caminhos percorridos pelo objeto a. Neste, o objeto voz \u00e9 alojado de uma nova forma a suplantar a rela\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica com o analista e um espec\u00edfico modo de gozo.<\/h4>\n<p>________________________________<\/p>\n<p>1 N.A.: Este texto e suas demais cita\u00e7\u00f5es ser\u00e3o publicados na \u00edntegra em \u201cCarta de SP\u201d impressa. N.E.: Noite \u201cEnsino dos AMEs\u201d, ocorrido na EBP-Se\u00e7\u00e3o SP em 26 de setembro de 2018.<\/p>\n<p>2 ALVARENGA, E. Apresenta\u00e7\u00e3o. In: A viol\u00eancia: sintoma social da \u00e9poca. Machado, O.M.R. e Derezensky, E. (Orgs.). Belo Horizonte. Scriptum Livros, 2013, p.10.<\/p>\n<p>3 VIVAS, H. C. Causa de desejo. In: Scilicet: Os objetos a na cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2008, p. 48.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti (EBP\/AMP) O contexto no qual a frase aqui comentada est\u00e1 inserida \u00e9 o da transfer\u00eancia pois, como esclarece Lacan, ele est\u00e1 sublinhando o que o analisante fundamentalmente diz ao analista. 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