{"id":3556,"date":"2018-10-21T08:58:31","date_gmt":"2018-10-21T10:58:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3556"},"modified":"2018-10-21T08:58:31","modified_gmt":"2018-10-21T10:58:31","slug":"rumo-ao-encontro-brasileiro-a-mae-uma-figura-que-nao-se-adequa-aos-paraisos-falicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/rumo-ao-encontro-brasileiro-a-mae-uma-figura-que-nao-se-adequa-aos-paraisos-falicos\/","title":{"rendered":"# Rumo ao Encontro Brasileiro \u2013 A m\u00e3e, uma figura que n\u00e3o se ad\u00e9qua aos para\u00edsos f\u00e1licos."},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3553\" aria-describedby=\"caption-attachment-3553\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3553\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/008-1.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/008-1.jpg 250w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/008-1-247x300.jpg 247w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3553\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @avant.arte<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong>Por Clara M. Holguin<\/strong><\/h6>\n<p>\u201cA m\u00e3e, uma figura que n\u00e3o se ad\u00e9qua aos para\u00edsos f\u00e1licos\u201d, \u00e9 o nome que dei \u00e0 interven\u00e7\u00e3o que farei em minha passagem pelo Rio de Janeiro (em dire\u00e7\u00e3o a Santa Catarina), onde tentarei fazer conversar as Jornadas da EBP e as Jornadas da NEL. Como articular \u201cA queda do falocentrismo\u201d e \u201cQue m\u00e3es hoje\u201d? Este convite, al\u00e9m de colocar a trabalho os diferentes modos nos quais os psicanalistas do continente leem as mudan\u00e7as pr\u00f3prias de nossa civiliza\u00e7\u00e3o e seus efeitos, prop\u00f5e um la\u00e7o inovador entre nossas escolas.<\/p>\n<p>Promover a conversa entre os temas de nossas Jornadas d\u00e1 conta de uma articula\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre o enfraquecimento do Nome do Pai, que tem &#8211; entre outras consequ\u00eancias &#8211; a queda do falocentrismo, os novos ordenamentos familiares e identificat\u00f3rios das novas vers\u00f5es da m\u00e3e na contemporaneidade, onde se revela o desdobramento entre a mulher e a m\u00e3e que permanecia velado at\u00e9 o momento em que Lacan o evidenciou.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos avan\u00e7os cient\u00edficos agenciados pelo mestre capitalista, as m\u00e3es de hoje s\u00e3o mulheres que n\u00e3o se ad\u00e9quam aos para\u00edsos f\u00e1licos, elas mostram sua face \u201cmulher\u201d. Produz-se um deslocamento que, em nossos termos, situa a passagem do falo simb\u00f3lico ao falo real.<\/p>\n<p>Poderia se dizer que tanto o primeiro ensino de Lacan como o \u00faltimo d\u00e1 conta disso, por\u00e9m \u00e9 o \u00faltimo ensino que explicita o engano do primeiro. Se, num primeiro momento, constatamos que a equa\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora paterna introduz, no in\u00edcio, o gozo feminino sob a forma do Desejo da M\u00e3e (DM) que ficava velado na significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, no \u00faltimo, Lacan demonstra que a Met\u00e1fora Paterna \u00e9 s\u00f3 um engano a respeito do enigma do gozo que exclui o sentido. As m\u00e3es hoje &#8211; n\u00e3o todas &#8211; aparecem sem amarra\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, p\u00f5em em evid\u00eancia este gozo opaco, que na cl\u00ednica se apresenta atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es cada vez mais devastadoras.<\/p>\n<p>A maternidade, como experi\u00eancia libidinal, p\u00f5e em jogo a presen\u00e7a desse estranho desejo, I wanted! Mais do que uma falta, trata-se de um gozo a mais, um excesso que se define por ser suplementar e infinito. Marca da experi\u00eancia de gozo no corpo que remete ao estrago da <em>lalingua<\/em> que uma m\u00e3e pode encarnar sob a forma do rapto: \u201ca m\u00e3e \u00e9 uma raptora de corpos\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias para um sujeito (crian\u00e7a) desse estrago estrutural, que se traduz hoje no que MH Brousse denomina a \u201cextens\u00e3o do imp\u00e9rio materno\u201d, m\u00e3es sozinhas, solteiras, que se bastam a si mesmas, sem media\u00e7\u00e3o f\u00e1lica? Poderia se dizer que este sujeito est\u00e1 cada vez mais na posi\u00e7\u00e3o de objeto do desejo da m\u00e3e. A sua alternativa parece mortal: ou a rejei\u00e7\u00e3o ou a integra\u00e7\u00e3o do seu produto.<\/p>\n<p>O que acrescenta a via psicanal\u00edtica? Ao contr\u00e1rio do retorno nost\u00e1lgico ao pai, e sem desencorajar a igualdade dos direitos e as reivindica\u00e7\u00f5es femininas nas quais se incluem escolher ser ou n\u00e3o ser m\u00e3e (grupo NoMo-Not Mothers), o discurso anal\u00edtico prop\u00f5e a via propriamente feminina como solu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a n\u00e3o rejei\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o feminina. Passar da cren\u00e7a no pai \u00e0 cren\u00e7a em uma mulher (sem cair de novo na cren\u00e7a em um gozo universal).<\/p>\n<p>Como assinala E. Laurent, o discurso feminino introduz em todas as tentativas de uniformiza\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o do lado da l\u00f3gica f\u00e1lica \u2013 o Um e a exce\u00e7\u00e3o &#8211; um registro do particular e do singular que n\u00e3o se reduz ao individualismo de massa dos uns sozinhos. Entre as formas femininas que d\u00e3o conta dessa obje\u00e7\u00e3o encontramos: a falta &#8211; manque\/faute &#8211; que caracteriza a \u201cm\u00e3e do cuidado\u201d, o estilo erot\u00f4mano do amor feminino que Lacan chamou \u201co narcisismo do desejo\u201d, isto \u00e9, o amor pelo desejo e a solu\u00e7\u00e3o que abre para a mulher a possibilidade de \u201cser sintoma de outro corpo\u201d que sup\u00f5e que ela tenha diversas formas sintom\u00e1ticas de fazer condescender o gozo ao desejo, a sua exig\u00eancia de amor implica sempre na busca de um partenaire-sintoma. Todos s\u00e3o diversos modos de fazer existir o singular e contrariar a devasta\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o formas de fazer la\u00e7o com o Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o do Espanhol \u2013 Silvia Jacobo<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Maria do Carmo Dias Batista<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> BROUSSE, M.H. Estrago y deseo del analista<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Clara M. Holguin \u201cA m\u00e3e, uma figura que n\u00e3o se ad\u00e9qua aos para\u00edsos f\u00e1licos\u201d, \u00e9 o nome que dei \u00e0 interven\u00e7\u00e3o que farei em minha passagem pelo Rio de Janeiro (em dire\u00e7\u00e3o a Santa Catarina), onde tentarei fazer conversar as Jornadas da EBP e as Jornadas da NEL. 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