{"id":3500,"date":"2018-10-07T10:45:43","date_gmt":"2018-10-07T13:45:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3500"},"modified":"2018-10-07T10:45:43","modified_gmt":"2018-10-07T13:45:43","slug":"orientacao-um-inicio-de-reflexao-conexoes-e-desconexoes-em-psicanalise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/orientacao-um-inicio-de-reflexao-conexoes-e-desconexoes-em-psicanalise\/","title":{"rendered":"#Orienta\u00e7\u00e3o \u2013 Um in\u00edcio de reflex\u00e3o: conex\u00f5es e desconex\u00f5es em Psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3484\" aria-describedby=\"caption-attachment-3484\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3484\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/boletim006_002-1.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/boletim006_002-1.jpg 220w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/boletim006_002-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3484\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Instagram @artsheep<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong><em>Por Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>O tema das VIII Jornadas da EBP-SP, <strong>Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00e3o, <\/strong>aponta para o que, na psican\u00e1lise, se insere no campo da conex\u00e3o e no campo da desconex\u00e3o. Afirmar, j\u00e1 em seu t\u00edtulo, que ter\u00edamos uma desconex\u00e3o, por assim dizer \u201cespecial\u201d, em nossos tempos, leva-nos a pensar em aspectos relevantes do pr\u00f3prio corpo te\u00f3rico-cl\u00ednico psicanal\u00edtico que apontam para esta desconex\u00e3o.<\/p>\n<p>Vejamos a seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Lacan: \u201cDe cada vez que estamos na dial\u00e9tica da puls\u00e3o, outra coisa comanda. A dial\u00e9tica da puls\u00e3o se distingue fundamentalmente do que \u00e9 da <em>ordem do amor como do que \u00e9 do bem do sujeito\u201d<\/em> (1). Salientemos que\u00a0 Lacan refere-se a uma desconex\u00e3o, a uma n\u00e3o liga\u00e7\u00e3o estabelecendo assim uma diferen\u00e7a entre puls\u00e3o, amor e bem. Notemos que o amor \u00e9 um conceito presente em nosso tema.<\/p>\n<p>Mas, perguntemos novamente trazendo para o nosso cen\u00e1rio a import\u00e2ncia deste conceito t\u00e3o relevante: o que \u00e9 a puls\u00e3o, o que \u00e9 o seu \u201cmist\u00e9rio\u201d? Inserida no limite entre o ps\u00edquico e o som\u00e1tico trata-se do encontro da palavra com o corpo; inscrevendo-se no inconsciente na medida em que faz um percurso pela cadeia significante, havendo, no entanto, algo nela que n\u00e3o se inscreve, algo que n\u00e3o entra no inconsciente, algo que n\u00e3o \u00e9 simboliz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o, paradoxalmente, h\u00e1 desprazer e \u00e9 o que Lacan chamou gozo.<\/p>\n<p>O gozo inclui a satisfa\u00e7\u00e3o pulsional e, nesta medida, inclui o corpo, a zona er\u00f3gena, o som\u00e1tico, o corporal, pois Lacan descrever\u00e1 as formas do objeto <em>a<\/em>, todas elas ligadas ao corpo e seus orif\u00edcios. O amor tem a caracter\u00edstica de dar sentido e o nome de gozo apresenta uma significa\u00e7\u00e3o al\u00e9m do sentido. \u201cO \u201cHomem dos lobos\u201d n\u00e3o tem nada a ver com Serguei Petrov, e n\u00e3o tem nada a ver tampouco com a fun\u00e7\u00e3o do Nome do Pai. \u00c9 seu nome de gozo\u201d (2). Tamb\u00e9m o \u201cHomem dos ratos\u201d mostra, por sua vez, o corpo tomado pela puls\u00e3o e pelo gozo atrav\u00e9s do mal: o supl\u00edcio dos ratos \u00e9 a prova. N\u00e3o se trata a\u00ed do amor.<\/p>\n<p>Sobre o amor as \u00faltimas p\u00e1ginas do <em>Semin\u00e1rio 20<\/em> apresentam um quase elogio a ele: Lacan refere-o ao que se passa na rela\u00e7\u00e3o do ser ao ser (que nunca \u00e9 de harmonia), perguntando-se se a abordagem do ser n\u00e3o seria o verdadeiro amor. Refere-o tamb\u00e9m a uma rela\u00e7\u00e3o entre dois saberes inconscientes, como o afrontamento diante de um impasse, como coragem diante de um destino fatal, como ilus\u00e3o. Antes destas palavras finais Lacan abordou o amor (ainda tendo como refer\u00eancia o <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>) de v\u00e1rias maneiras, questionando o \u201c<em>n\u00f3s dois somos um s\u00f3\u201d<\/em> declarando que \u00e9 uma forma \u201cgrosseira de dar \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, a esse termo que manifestamente escapa, o seu significado\u201d(3). Questionar\u00e1 a sa\u00edda do narcisismo pelo amor. Far\u00e1 ainda uma enf\u00e1tica desconex\u00e3o entre o sexo e o amor!<\/p>\n<p>O caminho est\u00e1 aberto para uma outra desconex\u00e3o bastante conhecida na psican\u00e1lise: a \u201cn\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d: \u201cTer superado o horror ligado ao fato de que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, saber que h\u00e1 esse furo e que <em>o amor lhe faz supl\u00eancia<\/em>, pode com efeito, ter consequ\u00eancias, at\u00e9 mesmo aquela de tornar o amor mais digno do que a tagarelice que dele se produz a todo instante para o barco sexual\u201d(4).\u00a0 Este enunciado ao mesmo tempo em que mostra o horror diante do fato de que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, afirma que h\u00e1 sa\u00edda, que h\u00e1 uma supl\u00eancia a ser realizada.<\/p>\n<p>O tema de nossas Jornadas ao inserir o tema do contempor\u00e2neo, incluindo a\u00ed os meios que hoje o fala-ser tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para conectar-se, aponta tamb\u00e9m, sem d\u00favida, para a quest\u00e3o de investigar em que medida a \u201crealidade virtual\u201d, que tanto se desenvolveu com a Internet, conecta ou desconecta os sujeitos.<\/p>\n<p>Investiguemos de que maneira a resposta da psican\u00e1lise \u00e9 capaz de, atrav\u00e9s das desconex\u00f5es que aponta, amenizar a satisfa\u00e7\u00e3o paradoxal que assola o fala-ser, seu \u201csofrer demais\u201d(5).\u00a0 Como mostra Lacan no <em>Semin\u00e1rio 20,<\/em> \u201ca realidade \u00e9 abordada com os aparelhos do gozo\u201d (6) e \u201ceste gozo a gente recalca\u201d (7)\u00a0 pois \u201ccomo gozo, ele n\u00e3o conv\u00e9m\u201d(8) . Esta resposta da psican\u00e1lise aplica-se ao contempor\u00e2neo, tamb\u00e9m ele, em tempos de desconex\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Cita\u00e7\u00f5es:<\/h6>\n<ol>\n<li>\n<h6>Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, Livro 11, Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar Editores 1979, p. 196.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Miller, J.A. <em>Comentario del semin\u00e1rio inexistente. <\/em>Buenos Aires: Manantial, 1992, ps.30-31.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan, J.<em> O Semin\u00e1rio, Livro 20, Mais, ainda. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982, p. 64.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Naveau, L. \u201cN\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. In: <em>Scilicet: Semblantes e sinthoma. <\/em>Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2009, p. 230.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, Livro 11, Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de janeiro: Zahar Editores 1979, p. 158.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, Livro 20, Mais, Ainda, <\/em>Rio de Janeiro: Zahar Editores 1982, p. 75.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>p. 83.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>p. 83<\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti O tema das VIII Jornadas da EBP-SP, Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00e3o, aponta para o que, na psican\u00e1lise, se insere no campo da conex\u00e3o e no campo da desconex\u00e3o. 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