{"id":3434,"date":"2018-09-16T07:33:21","date_gmt":"2018-09-16T10:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3434"},"modified":"2018-09-16T07:33:21","modified_gmt":"2018-09-16T10:33:21","slug":"conversa-com-felipe-futada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/conversa-com-felipe-futada\/","title":{"rendered":"#Conversa.com \u2013 Felipe Futada"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3416\" aria-describedby=\"caption-attachment-3416\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3416\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/boletim005_007-1.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/boletim005_007-1.jpg 200w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/boletim005_007-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3416\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Instagram @mariussperlich<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Camila Popadiuk e Mirmila Musse entrevistaram Felipe Futada para o Boletim da VIII Jornadas da EBP-SP.<\/h6>\n<p>Para animar a discuss\u00e3o sobre o tema, o autor enla\u00e7a, na busca por respostas sobre quest\u00f5es da exist\u00eancia humana, uma sens\u00edvel produ\u00e7\u00e3o de poesias, n\u00e3o sem antes, serem vivenciadas pel(n)o corpo.<\/p>\n<p>Felipe Futada, \u00e9 professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, atua principalmente em escolas da rede particular e em cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores. \u00c9 praticante de Yoga, Psican\u00e1lise, Poesia e outras \u00e1reas afins ao Corpo, al\u00e9m de autor do livro Foco no Todo (2017).<\/p>\n<p>1<strong>. As VIII Jornadas da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise da Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo t\u00eam como tema &#8220;Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00f5es&#8221;. O que voc\u00ea entende desse tema e como ele pode estar relacionado com suas poesias?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez uma rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel seja o inevit\u00e1vel deparar-se com algum tipo de vazio na experi\u00eancia com o outro. N\u00e3o necessariamente o vazio como a aus\u00eancia de algu\u00e9m, mas um vazio como impossibilidade de a\u00e7\u00e3o. Afinal de contas existe uma grande diferen\u00e7a entre um vazio marcado pela falta do que ali j\u00e1 se fez presente, e um vazio que nunca foi preenchido. A poesia habita essa interface, dado que \u00e9 uma materializa\u00e7\u00e3o do nada. O Amor tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O tema me sugere ainda que talvez se perceba urgente uma discuss\u00e3o a respeito da algoritmiza\u00e7\u00e3o da vida. Brinco com o termo das redes sociais pois me parece que enquanto sociedade estamos perdendo a habilidade de lidar com o diferente, com o que escapa \u00e0s nossas bolhas de convic\u00e7\u00e3o. Temos nos fechado em nossas verdades e deixado atrofiar o m\u00fasculo da percep\u00e7\u00e3o dos detalhes que nos unem enquanto esp\u00e9cie. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma pretens\u00e3o esot\u00e9rica nessa afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A panaceia da tecnologia digital, por exemplo, que nos vendeu o produto da hiperconectividade como sin\u00f4nimo de felicidade, ao fim e ao cabo apenas conseguiu nos meter goela abaixo as p\u00edlulas da experi\u00eancia de segunda m\u00e3o. Perdemos a ancoragem real do corpo. Sem ancoragem do corpo vivemos uma n\u00e3o-vida. Penso que nos deparamos com uma epidemia de sedentarismo emocional e falar de amor e sexo atrav\u00e9s da poesia \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica de redu\u00e7\u00e3o de danos.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessa perspectiva que acredito que as pessoas sempre continuar\u00e3o a falar e a querer ouvir sobre tais temas. Talvez eles, mais do que outros, devolvam um pouco do que h\u00e1 de mais humano para o ser humano.<\/p>\n<p><strong>2. Seus poemas apresentam duas facetas do amor. De um lado, tem-se a presen\u00e7a do amor rom\u00e2ntico, belo e idealizado e, de outro, a marca daquilo que n\u00e3o torna poss\u00edvel fazer estabelecer uma conex\u00e3o entre os parceiros amorosos, ou seja, a impossibilidade de inscrever uma propor\u00e7\u00e3o entre os sexos. No poema &#8220;Real&#8221;, por exemplo, o verso seguinte carrega esta dupla face do amor:<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>\u201c[&#8230;] Ainda melhor: explique-se a todos<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>que ao se dar pano pra manga tecendo hist\u00f3rias do amor eleito<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>criou-se a camisa de for\u00e7a do par perfeito.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>Met\u00e1fora que nos remete a um mundo louco<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>no qual o amor vem pronto.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em>E a escolha de amar \u00e9 s\u00f3 do outro\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\">Voc\u00ea concorda com essa leitura?<\/p>\n<p>Sim, penso que em algum momento da experi\u00eancia amorosa nos deparamos todos com essa dupla face. Ambos amores, o rom\u00e2ntico idealizado e o desconexo, s\u00e3o estados da mesma mat\u00e9ria em movimento que \u00e9 o ato de amar. Nesse sentido \u00e9 imposs\u00edvel inscrever uma propor\u00e7\u00e3o fixa entre esses sexos.<\/p>\n<p><strong>3. Em algum de seus poemas, voc\u00ea coloca amor e sexo de forma disjunta e independente um do outro. Tema este, a prop\u00f3sito, debatido desde que o mundo \u00e9 mundo. Entretanto, em alguns outros, h\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre amor e sexo. A que se refere esta (des)conex\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Nenhum dos meus poemas \u00e9 escrito com intencionalidade expl\u00edcita de se referir a um ou outro conceito. A intencionalidade que busco, por sinal, \u00e9 diametralmente oposta \u00e0 poesia enquanto um fazer cerebral. Busco sempre tomar como pedra de toque as percep\u00e7\u00f5es corporais em seu estado manifesto, a experi\u00eancia direta. Nesse sentido penso que os poemas variam apenas em tonalidade, ora elaborando sensa\u00e7\u00f5es pertinentes ao tema do sexo, ora ao amor, ou ainda \u00e0 fus\u00e3o (e confus\u00e3o) destas sensa\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que constru\u00edmos repert\u00f3rio para decodificar nossos pr\u00f3prios sentimentos.<\/p>\n<p>O processos de conex\u00e3o e desconex\u00e3o entre os seres, desde que o mundo \u00e9 mundo, se d\u00e3o nas mais variadas esferas. Do sexo ao amor, do corpo ao discurso. Se no princ\u00edpio era o Verbo, e o verbo virou carne, somos todos de palavras inscritos e em palavras descritos. Uma terra f\u00e9rtil para a (des)conex\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Popadiuk e Mirmila Musse entrevistaram Felipe Futada para o Boletim da VIII Jornadas da EBP-SP. 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