{"id":3350,"date":"2018-09-11T14:42:34","date_gmt":"2018-09-11T17:42:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3350"},"modified":"2018-09-11T14:42:34","modified_gmt":"2018-09-11T17:42:34","slug":"conversacao-da-orientacao-lacaniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/conversacao-da-orientacao-lacaniana\/","title":{"rendered":"Conversa\u00e7\u00e3o da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2079 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Camila-300x288.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"288\" \/>Camila Popadiuk<\/h4>\n<h4>A Conversa\u00e7\u00e3o da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana que aconteceu no dia 22\/08\/2018, na sede da EBP-SP, teve como eixo de discuss\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o entre o saber e a verdade, tal como ela \u00e9 apresentada por Miller em suas aulas XIX e XX de seu curso \u201cO banquete dos analistas\u201d.<\/h4>\n<h4>Carmen Silvia Cervelatti e Luiz Fernando Carrijo da Cunha coordenaram esta conversa\u00e7\u00e3o que foi animada pelas contribui\u00e7\u00f5es de Teresinha Meirelles, Daniela de Camargo Barros Affonso e Milena Vicari. Cada uma das colegas relevou um ponto em particular destas aulas, como a despatetiza\u00e7\u00e3o da verdade por Lacan, ao tomar a l\u00f3gica matem\u00e1tica como uma refer\u00eancia da verdade, reduzindo-a assim a um jogo de letras; a pol\u00edtica da psican\u00e1lise lacaniana no que diz respeito \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com a ci\u00eancia, sobretudo esta ci\u00eancia que, ao fazer alian\u00e7a com o discurso capitalista, traz resson\u00e2ncias diretas em nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica; a rela\u00e7\u00e3o do saber com a verdade do inconsciente, considerando que as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente produzem efeitos de verdade em uma experi\u00eancia anal\u00edtica, e que, uma vez inscritos e depositados, estes efeitos de verdade tornam-se saber, indicando ent\u00e3o, uma passagem da verdade para o saber, sob transfer\u00eancia.<\/h4>\n<h4>Estas contribui\u00e7\u00f5es serviram como disparadores para levantar algumas quest\u00f5es, tais como:<\/h4>\n<h4>&#8211; A diferen\u00e7a entre verdade e real, uma vez que, como afirma Miller, \u201cSe confundimos verdade e real, temos ent\u00e3o uma no\u00e7\u00e3o de saber absoluto. \u00c9 bem a partir do momento em que Lacan definiu o inconsciente pelo saber, que implica um modo de inclus\u00e3o da verdade no saber, que foi necess\u00e1rio distinguir e cernir o real em rela\u00e7\u00e3o ao saber e \u00e0 verdade\u201d;<\/h4>\n<h4>&#8211; Se h\u00e1 saber no real, j\u00e1 que isto coloca uma dist\u00e2ncia ou uma aproxima\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise com a ci\u00eancia;<\/h4>\n<h4>&#8211; Onde estaria o real nas duas categorias de saber elucidadas por Miller, do lado do \u201ceu sei\u201d ou \u201cdaquilo que existe\u201d?;<\/h4>\n<h4>&#8211; A distin\u00e7\u00e3o do Passe logific\u00e1vel, cujas formula\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas elucidam o nome de gozo e do Passe do <em>Parl\u00eatre,<\/em> cujo <em>savoir-y-faire<\/em> transmite algo do gozo que n\u00e3o \u00e9 nome\u00e1vel, isto \u00e9, do gozo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber.<\/h4>\n<h4>Na abertura desta conversa\u00e7\u00e3o, Luiz Fernando Carrijo da Cunha enfatizou a import\u00e2ncia deste Semin\u00e1rio de Miller para pensar a forma\u00e7\u00e3o do analista, questionando o lugar ocupado pelo psicanalista tanto dentro de sua comunidade anal\u00edtica quanto fora dela. Ele chamou a aten\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a do estatuto da verdade no ensino de Lacan, apontando que houve uma degrada\u00e7\u00e3o da verdade em prol do saber.<\/h4>\n<h4>Miller afirma que quando a psican\u00e1lise reivindica pelo n\u00e3o-saber, a fun\u00e7\u00e3o do saber, a partir da defini\u00e7\u00e3o do inconsciente como verdade, \u00e9 colocada em quest\u00e3o. A partir desta no\u00e7\u00e3o, o saber \u00e9 o retorno da verdade recalcada &#8211; ele est\u00e1 <em>sobre<\/em> a barra (Saber\/Verdade) &#8211; e isto \u201cfaz do saber do analista o sintoma de sua ignor\u00e2ncia, ou seja, precisamente, de sua ignor\u00e2ncia da verdade do inconsciente\u201d.<\/h4>\n<h4>A defini\u00e7\u00e3o do inconsciente como saber coloca o saber sob a barra e exige diferenciar dois tipos de saber: o que sei e o que existe. \u00c9 no intervalo entre estas duas categorias de saber que se inscreve o Sujeito Suposto Saber. Trata-se de \u201cuma outra maneira de escrever o saber em posi\u00e7\u00e3o de verdade\u201d.<\/h4>\n<h4>A partir do momento em que a equival\u00eancia do inconsciente e da verdade \u00e9 questionada, a defini\u00e7\u00e3o de inconsciente sofre um deslocamento. Ele passa a ser definido como saber. Contudo, Miller afirma que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio medir exatamente [este deslocamento] para ter a chance de se encontrar ali neste <em>affaire<\/em> do n\u00e3o-saber\u201d. Miller sublinha que esta mudan\u00e7a da defini\u00e7\u00e3o do inconsciente \u00e9 fundamental para o debate que est\u00e1 em jogo no \u201cBanquete dos analistas\u201d, mas que isto n\u00e3o \u00e9 suficiente para dizer que tenhamos sa\u00eddo dele. Prossigamos ent\u00e3o com este debate.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Popadiuk A Conversa\u00e7\u00e3o da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana que aconteceu no dia 22\/08\/2018, na sede da EBP-SP, teve como eixo de discuss\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o entre o saber e a verdade, tal como ela \u00e9 apresentada por Miller em suas aulas XIX e XX de seu curso \u201cO banquete dos analistas\u201d. 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