{"id":3176,"date":"2018-07-22T05:53:25","date_gmt":"2018-07-22T08:53:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3176"},"modified":"2018-07-22T05:53:25","modified_gmt":"2018-07-22T08:53:25","slug":"ecos-de-quarta-a-nossa-onda-de-amor-nao-ha-quem-corte-veridiana-marucio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/ecos-de-quarta-a-nossa-onda-de-amor-nao-ha-quem-corte-veridiana-marucio\/","title":{"rendered":"#Ecos de Quarta &#8211; \u201cA nossa onda de amor n\u00e3o h\u00e1 quem corte\u201d! &#8211; Veridiana Marucio"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<figure id=\"attachment_3165\" aria-describedby=\"caption-attachment-3165\" style=\"width: 149px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3165\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/boletim3_005-1.png\" alt=\"\" width=\"149\" height=\"186\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3165\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Instagram @arts_gate)<\/figcaption><\/figure>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas horas da manh\u00e3, voc\u00ea me liga\/ Pra falar coisas que s\u00f3 a gente entende\/ S\u00e3o tr\u00eas horas da manh\u00e3, voc\u00ea me chama\/ Com seu papo poesia me transcende\/ Sua voz est\u00e1 t\u00e3o longe ao telefone\/Fale alto mesmo grite n\u00e3o se importe\/ Pra quem ama a dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 lance\/ Pode ser de S\u00e3o Paulo a Nova York\/Ou t\u00e3o lindo flutuando em nosso Rio\/Ou t\u00e3o longe mambeando o mar Caribe\/<\/p>\n<p>Oh meu amor! Isso \u00e9 amor!<\/p>\n<h6>Julio Barroso<\/h6>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Qu\u00edmica ou del\u00edrio neur\u00f3tico?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Freud comparava o analista ao qu\u00edmico e n\u00e3o hesitava em equiparar o dispositivo anal\u00edtico a uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio, onde se produziria um sintoma artificial \u2013 um sintoma sint\u00e9tico &#8211; para estar \u00e0 altura da \u00e9poca, como apresenta Naparstek, ao qual se agregaria \u00e0 sua natureza autoer\u00f3tica o la\u00e7o com o Outro<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Seguindo seu racioc\u00ednio, pode-se dizer que existe uma qu\u00edmica da psican\u00e1lise: um processo de transforma\u00e7\u00e3o dos sintomas em sintoma anal\u00edticos.<\/p>\n<p>A qu\u00edmica \u00e9 tamb\u00e9m uma express\u00e3o comumente utilizada para dizer que um casal se d\u00e1 bem na cama. Pode ser que na vida n\u00e3o possam nem se ver, mas na cama, \u201ctem qu\u00edmica!\u201d. Freud buscava a qu\u00edmica que existe entre o sujeito e o sintoma, buscava o que \u00e9 que liga, <em>conecta,<\/em> de uma maneira t\u00e3o especial e inexplic\u00e1vel<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>\u2018<em>Em uma neurose demon\u00edaca do s\u00e9culo XVII<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a>\u2019<\/em> ele havia previsto que o que se revestia sob a forma de neurose demon\u00edaca reapareceria com uma roupagem hipocondr\u00edaca. Analisando a cura de Christoph Haitzmann, ressaltou que poder\u00edamos reconhecer, nos relatos de possess\u00e3o do passado, aquilo que a psican\u00e1lise havia revelado como sendo a ess\u00eancia do funcionamento neur\u00f3tico. Haveria uma part\u00edcula <em>desconectada,<\/em> que se encontraria em toda neurose como resultado daquilo que escapa \u00e0 articula\u00e7\u00e3o em palavras: um resto, ao redor do qual se ergueriam as psiconeuroses. A afirma\u00e7\u00e3o freudiana que generaliza a hipocondria ressoa na de Lacan: \u2018todo mundo \u00e9 louco\u2019.<\/p>\n<p>As montagens que o ser falante realiza veiculam desejos e fantasias que os tornam um tanto delirantes, pois essas montagens carecem de correspond\u00eancias pontuais com a realidade, o que \u00e9 v\u00e1lido para todos os sintomas. A linguagem permanece a base fundada sobre a fala e que por estrutura n\u00e3o muda. O que muda ao longo do tempo \u00e9 o la\u00e7o social, portanto o discurso.<\/p>\n<p>O discurso, no qual os neur\u00f3ticos se situam e fazem la\u00e7os, \u00e9 uma defesa do ponto de vista do Real. Podemos pensar que, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qu\u00edmica, ou sua falta, um neur\u00f3tico pode acreditar nela, e por acreditar, ela existe. Isso deixa claro que n\u00e3o h\u00e1 estrutura na natureza e que a linguagem n\u00e3o d\u00e1 conta do Real, ou seja, essas part\u00edculas isoladas por Freud podem se desconectar. Seria necess\u00e1rio ent\u00e3o uma an\u00e1lise para que se decomponham. Do ponto de vista da psicose, a qu\u00edmica seria uma grande loucura. Ou haveria qu\u00edmica no Real? A qu\u00edmica medicamentosa seria aqui uma tentativa de faz\u00ea-la existir no Real?<\/p>\n<p>Miller<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> op\u00f5e \u00e0 cl\u00ednica diferencial uma cl\u00ednica que seria <em>ir\u00f4nica<\/em>, tomando a ironia como a arma com a qual o esquizofr\u00eanico conta para minimamente tratar o Real, j\u00e1 que ele est\u00e1, por estrutura, fora de qualquer discurso, denunciando a fragilidade do la\u00e7o social. Quando se est\u00e1 mais do lado da impossibilidade da cren\u00e7a na qu\u00edmica, seria a performance uma sa\u00edda?<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\"><em>\u2018Lugar nenhum\u2019!<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>No semin\u00e1rio <em>Pe\u00e7as Avulsas<\/em> Jacques Allain Miller<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> prop\u00f5e o termo modernidade ir\u00f4nica, aproximando o sujeito contempor\u00e2neo da ironia do esquizofr\u00eanico: \u201c<em>A modernidade ir\u00f4nica, a modernidade que sabe que tudo n\u00e3o passa de semblante<\/em>\u201d. Vale lembrar que Lacan diz \u2018todos loucos\u2019, e n\u00e3o todos psic\u00f3ticos. H\u00e1 ent\u00e3o uma aproxima\u00e7\u00e3o que a cl\u00ednica contempor\u00e2nea p\u00f5e em evid\u00eancia.<\/p>\n<p>Distintos mundos se tornam poss\u00edveis ao ser falante, esse \u2018<em>pleonasmo<\/em>\u2019. \u00c9 justamente porque fala que \u00e9 um ser pois s\u00f3 h\u00e1 ser na linguagem, diz Lacan na confer\u00eancia de Louvain de 1972,<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> enfatizando a cren\u00e7a na defini\u00e7\u00e3o precisa que ele d\u00e1 do discurso &#8211; quest\u00e3o fundamental para pensar os sujeitos na contemporaneidade.<\/p>\n<p>Marie H\u00e9l\u00e8ne Brousse<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> retoma essa cita\u00e7\u00e3o de Lacan em um trabalho de pesquisa sobre a identifica\u00e7\u00e3o e o la\u00e7o social que pode nos levar a pontos que nos interessam para o desenvolvimento do tema das VIII Jornadas da Se\u00e7\u00e3o SP<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> e o XXII Encontro Brasileiro<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. Segundo Brousse, a cren\u00e7a faz inverter o axioma que define a identifica\u00e7\u00e3o ligada ao discurso do mestre, como o conjunto de significantes que representa o sujeito para outro significante, sendo o ego essa estrutura que a sustenta. O sujeito \u00e9 que se cr\u00ea ser representado por um significante para outro sujeito.<\/p>\n<p>O Outro, correlativo ao Nome do Pai, hier\u00e1rquico e tradicional, se apresenta hoje sem a hegemonia que o caracterizava no passado, e que funcionava de forma classificat\u00f3ria e segregativa a partir do \u201cVoc\u00ea \u00e9 um x!\u201d. Brousse ainda retoma a defini\u00e7\u00e3o de Lacan do discurso do mestre, que na l\u00edngua francesa vem do magist\u00e9rio, mas que anteriormente era do discurso da <em>domina\u00e7\u00e3o<\/em>. Verifica-se uma mudan\u00e7a na ordem da domina\u00e7\u00e3o pelo m\u00faltiplo e pela tecnoci\u00eancia. O que se passa hoje, no campo do debate pol\u00edtico sobre as identidades, popularizado pelos estudos de g\u00eaneros, colocou os marcadores identificat\u00f3rios em quest\u00e3o ao n\u00e3o se basearem mais na natureza e na diferen\u00e7a da imagem perceptiva do corpo.<\/p>\n<p>Como exemplo, podemos pensar no caso da primeira filha nascida de um homem, Thomas Beatie: <em>Apesar do fato de que meu ventre esteja crescendo com a vida nova que esta\u0301 em mim, estou est\u00e1vel e situado, permane\u00e7o o homem que sou. Tecnicamente, me vejo como minha pro\u0301pria ma\u0303e gra\u0301vida, ainda que minha identidade sexual enquanto homem seja constante.<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as em dois dos marcadores identificat\u00f3rios que ela apresenta nessa confer\u00eancia podem nos mostrar alguns caminhos para pensarmos sobre os temas de interesse, sendo o primeiro com rela\u00e7\u00e3o ao marcador esp\u00e9cie: \u201c<em>Cremos que somos animais falantes, e reduzimos o comportamento dos animais ao instinto. Por\u00e9m, percebemos, veiculados pela internet, in\u00fameros v\u00eddeos de animais, uns mais humanos que os outros. H\u00e1 um verdadeiro movimento de reintegra\u00e7\u00e3o dos animais pela vertente humana, reintegrados na humanidade\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Percebe-se uma dupla mudan\u00e7a: uma tend\u00eancia de um lado, a uma unifica\u00e7\u00e3o dos corpos animados em uma mesma esp\u00e9cie, corpos vivos, e de outro, uma tend\u00eancia a reduzir os corpos vivos em m\u00e1quinas, sejam animais ou seres humanos, gra\u00e7as ao processo cient\u00edfico, o que leva \u00e0 uma universalidade, por\u00e9m \u00e0 uma identidade menos definida. (Eu acrescentaria aqui todas as quest\u00f5es relativas \u00e0s parcerias com rob\u00f4s, intelig\u00eancias artificiais). Enfim, s\u00e3o <em>todos iguais<\/em>!<\/p>\n<p>O segundo seria com rela\u00e7\u00e3o ao marcador espa\u00e7o: a evapora\u00e7\u00e3o do Nome-do-Pai que Lacan j\u00e1 evocara, aponta claramente que estamos em dire\u00e7\u00e3o a uma multiplica\u00e7\u00e3o de fronteiras sobre o mesmo espa\u00e7o territorial. Brousse cita um artigo de Zigmunt Bauman<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> que acabara de sair na ocasi\u00e3o, que aponta para a confus\u00e3o poss\u00edvel ou a indiferencia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o virtual e real. <em>Experi\u00eancias de espa\u00e7os perceptivos virtuais perfeitamente identific\u00e1veis e que n\u00e3o correspondem a nada vem ganhando todo tipo de investimento financeiro, em jogos, tend\u00eancias, dispositivos utilit\u00e1rios<\/em>.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">Identidades Volunt\u00e1rias<a style=\"color: #993300;\" href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> &#8211; Seja o que voc\u00ea quer ser!<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Todo esse debate identit\u00e1rio d\u00e1 lugar a uma \u201cvontade subjetiva\u201d\u00a0. Ainda que a linguagem permane\u00e7a a base fundada sobre a fala, e que por estrutura ela n\u00e3o muda, como j\u00e1 apontado acima, sem d\u00favida estamos mais na linguagem do \u00faltimo Lacan, onde os S1s n\u00e3o s\u00e3o mais organizados pela ordem hier\u00e1rquica da met\u00e1fora, mas sim em uma rela\u00e7\u00e3o de vizinhan\u00e7a, como os territ\u00f3rios e fronteiras.<\/p>\n<p>As identidades s\u00e3o, como consequ\u00eancia, fragilizadas, vaporizadas e tamb\u00e9m reivindicativas, afirmadas: \u201cEu sou, volunt\u00e1rio\u201d. Essa nova identidade volunt\u00e1ria que se manifesta por um <em>eu sou<\/em> e n\u00e3o por <em>voc\u00ea \u00e9,<\/em> \u00e9 consequ\u00eancia das cirurgias e mobilizam a dimens\u00e3o da convers\u00e3o. Mudar de identidade se faz hoje por convers\u00e3o! \u201c<em>Assistiremos a convers\u00f5es e reconvers\u00f5es m\u00faltiplas, pois o que caracteriza essa muta\u00e7\u00e3o do nome do pai \u00e9 uma pluraliza\u00e7\u00e3o tamanha que cada um poder\u00e1 ter a sua par\u00f3quia individual, constituindo conjuntos fr\u00e1geis e inconsistentes\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Nesse sentido, o la\u00e7o social ser\u00e1 fortemente afetado, remanejado, a partir de um significante que Brousse elege como importante: a compatibilidade. <em>A busca de um espa\u00e7o n\u00e3o-todo, onde dois juntos poder\u00e3o fazer alian\u00e7as moment\u00e2neas. Antes, havia um corpo que era dado ao simb\u00f3lico, hoje uma multid\u00e3o de significantes, autoproclamados, conjuntos fr\u00e1geis e inconsistentes que sofrerem da falta de Um corpo, desse Um que ser\u00e1 reduzido a um corpo sozinho.<\/em><\/p>\n<p>A hip\u00f3tese que ela levanta nesse semin\u00e1rio, a qual retoma em uma entrevista preparat\u00f3ria ao Encontro brasileiro, \u00e9 a seguinte: n\u00e3o h\u00e1 mais o um da exce\u00e7\u00e3o do lado feminino da f\u00f3rmula da sexua\u00e7\u00e3o e sim nenhum ou v\u00e1rios e isso acarretar\u00e1 consequ\u00eancias para a psican\u00e1lise no que diz respeito \u00e0 transfer\u00eancia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>Fui comprar amor e nunca mais voltei!<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Temos, ent\u00e3o, o sujeito reduzido aos determinantes puramente significantes, tomados como objetos, formando pequenos grupos, unidos por uma rela\u00e7\u00e3o partilhada de um aspecto bem espec\u00edfico da vida. Soma-se a isso o protagonismo dos <em>gadgets<\/em>, as <em>latusas<\/em>, que como um <em>pharmakon<\/em>, apresentam suas duas faces. Trago dois exemplos que evidenciam o que Brousse desenvolve:<\/p>\n<p>O primeiro exemplo: e-harmony, aplicativo de encontros amorosos criado em 2000 por um psic\u00f3logo americano que trabalhava com aconselhamento de casais, sediado em Los Angeles. Ele declara hoje ter mais de 33 milh\u00f5es de membros, e que mais de 500 pessoas se casam todo os dias, apenas nos Estados Unidos. Seu diferencial \u00e9 que o seu algoritmo est\u00e1 baseado na cren\u00e7a de que a identifica\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas das pessoas permite <strong>conectar<\/strong> os indiv\u00edduos por um princ\u00edpio de <strong>compatibilidade<\/strong> e produzir relacionamentos mais satisfat\u00f3rios. Seu slogan <em>opposits attract, then attack.<\/em> 29 Dimensions\u00ae of Compatibility for lasting and fulfilling relationships.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O segundo \u00e9 do caso de Ian Usher, o homem que p\u00f4s sua vida a\u0300 venda na Internet. Eis os termos com os quais ele fez sua pro\u0301pria publicidade, enquanto bem de consumo deseja\u0301vel; talvez uma sa\u00edda poss\u00edvel para os sujeitos nessa conjuntura: a de gozar da posi\u00e7\u00e3o de objeto<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><em> \u201cBom dia, meu nome e\u0301 Ian Usher, eu estou \u2018cheio\u2019 da minha vida! Eu n\u00e3o a quero mais! Ela e\u0301 para voc\u00ea\u0302, se voce\u0302 a quiser! N\u00e3o, eu na\u0303o penso em suic\u00eddio, eu vou vender minha vida! Tenho minhas raz\u00f5es. Se voc\u00ea quiser mais detalhes, clique no link \u2018Why\u2019. No entanto, na\u0303o estou ainda certo se de minha parte se trata de uma loucura inspirada, de uma idiotia total ou de um g\u00eanero de crise dos quarenta. O que quer que seja, tudo esta\u0301 a\u0300 venda em leil\u00e3o. Tudo que tenho sera\u0301 vendido e regrado, tenho a inten\u00e7\u00e3o de partir de casa com minha carteira, em um bolso e meu passaporte no outro, absolutamente, nada mais, sem nenhuma ideia de onde ir nem do que o futuro me reserva\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Mas, e o amor? e o sexo?<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">\u2018<em>Ainda encontro a f\u00f3rmula do amor\u2019<\/em>!<\/span><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 amores! O amor pode bem ser uma onda, como define a poesia, que conecta dois seres falantes, n\u00e3o importa qual seja a dist\u00e2ncia, como as ondas que mantinham os astronautas com sua moral ao sentirem-se acompanhados pela voz humana, podendo permanecer na esfera da linguagem com seus efeitos de verdade.<\/p>\n<p>Depende do amor, pode ser que ele venha a se constituir como uma forma de conectividade que fa\u00e7a escoar o gozo. Por\u00e9m, estamos falando de um tempo em que n\u00e3o se pode mais pensar que exista uma \u00fanica forma de conex\u00e3o, uma qu\u00edmica, mas sim a cada vez, a cada conex\u00e3o! J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao sexo, sabemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que um mais um fa\u00e7am Um, nem dois! \u00c9 sempre cada um sozinho. A desconex\u00e3o fica evidente. \u00a0A impossibilidade da rela\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para a inven\u00e7\u00e3o, para a surpresa, para a constru\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es provis\u00f3rias e contingentes, f\u00f3rmulas singulares de amar.<\/p>\n<p>Quando se trata do humano, existe conex\u00e3o porque os gozos n\u00e3o podem se compartilhar, assim como o inconsciente obedece ao la\u00e7o social porque n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de estarmos ou n\u00e3o, n\u00f3s analistas, contentes com a hipermodernidade e com seus efeitos, sejam eles tranquilizadores ou devastadores, para cada sujeito. Um <em>gadget<\/em>, n\u00e3o \u00e9 somente um deus<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>, mas tamb\u00e9m um sintoma, que suscita um gozo, que parece n\u00e3o estar no lugar que deveria. Nesse sentido, consideramos, com Lacan no semin\u00e1rio XX, que as parcerias s\u00e3o sempre sintom\u00e1ticas, apresentando uma conex\u00e3o\/desconex\u00e3o entre amor e sexo, que resulta no modo de cada um viver a puls\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Naparstek,F. <em>La qu\u00edmica del psicoan\u00e1lisis, <\/em>Lacaniana, EOL, Buenos Aires, 2010, p 33-34.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <em>Ibid.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Freud, S. <em>Uma neurose demon\u00edaca do s\u00e9culo XVII<\/em>, Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud, Imago, Rio de Janeiro, 1923, p 91-133<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Miller J.-A,. <em>Cl\u00ednica Ir\u00f4nica<\/em>, Matemas II,<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Miller J.-A., <em>Pi\u00e8ces d\u00e9tach\u00e9es<\/em>,\u00a0La Cause freudienne, n\u00b0 60, Le Seuil\/Navarin, Paris, 2005, p. 163.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=lacan+video+youtube&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwi554qUz7fbAhUDGpAKHd1XCMsQ1QIIZSgH&amp;biw=860&amp;bih=661\"> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-HBnLAK4_Cc<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Confer\u00eancia disponibilizada na radio Lacan, 2015. <a href=\"http:\/\/www.radiolacan.com\/fr\/topic\/704\/3\">http:\/\/www.radiolacan.com\/fr\/topic\/704\/3<\/a><\/h6>\n<h6>Tradu\u00e7ao livre.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> <em>Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00f5es.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> <em>A queda do falocentrismo.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> The Guardian, http:\/\/ www.guardian.co.uk\/world\/2008\/jul\/05\/gender.usa.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> https:\/\/epoca.globo.com\/ideias\/noticia\/2014\/02\/bzygmunt-baumanb-vivemos-o-fim-do-futuro.html<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-HBnLAK4_Cc<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> https:\/\/techcrunch.com\/2018\/05\/03\/facebook-dating-eharmony\/<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Voruz, V. <em>Democracia e Psicose Ordin\u00e1ria<\/em>, Latusa digital ano 6 N\u00b0 38, 2009. http:\/\/www.latusa.com.br\/pdf_latusa_digital_38_a3.pdf<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Miller,J.-A. <em>A pergunta de Madri<\/em>, Opc\u0327a\u0303o Lacaniana 13, Edic\u0327o\u0303es Eolia, S\u00e3o Paulo, agosto de 1995, pp. 9-13.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o tr\u00eas horas da manh\u00e3, voc\u00ea me liga\/ Pra falar coisas que s\u00f3 a gente entende\/ S\u00e3o tr\u00eas horas da manh\u00e3, voc\u00ea me chama\/ Com seu papo poesia me transcende\/ Sua voz est\u00e1 t\u00e3o longe ao telefone\/Fale alto mesmo grite n\u00e3o se importe\/ Pra quem ama a dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 lance\/ Pode ser de S\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-3176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornada-2018","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3176"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=3176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}