{"id":3174,"date":"2018-07-22T05:47:54","date_gmt":"2018-07-22T08:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3174"},"modified":"2018-07-22T05:47:54","modified_gmt":"2018-07-22T08:47:54","slug":"orientacao-que-o-real-esteja-ancorado1-carmen-silvia-cervelatti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/orientacao-que-o-real-esteja-ancorado1-carmen-silvia-cervelatti\/","title":{"rendered":"#Orienta\u00e7\u00e3o &#8211; Que o real esteja ancorado![1] &#8211; Carmen Silvia Cervelatti"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3164\" aria-describedby=\"caption-attachment-3164\" style=\"width: 180px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3164\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/boletim3_004-1.png\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/boletim3_004-1.png 180w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/boletim3_004-1-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3164\" class=\"wp-caption-text\">(Escultura \u201cBeam drop\u201d, Chris Burden. Foto: Instagram @marcosvicari)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta interjei\u00e7\u00e3o de Lacan expressa um apelo em rela\u00e7\u00e3o ao real. Para entend\u00ea-la \u00e9 preciso retomar o ponto central que Lacan est\u00e1 articulando no <em>cap\u00edtulo XIII: Na base da diferen\u00e7a dos sexos<\/em> no <em>Semin\u00e1rio 19<\/em>. No que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sexuais, ele prop\u00f4s a fun\u00e7\u00e3o <strong>\u03c6x<\/strong> como um modelo que permite fundamentar algo diferente do semblante, pois o gozo sexual n\u00e3o \u00e9 semblante do sexual. O semblante permite o la\u00e7o social e um discurso que n\u00e3o fosse semblante acabaria mal, n\u00e3o seria la\u00e7o social<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Fora do semblante estar\u00edamos, ent\u00e3o, num campo em que o Outro n\u00e3o existe, n\u00e3o que ele n\u00e3o possa vir a consistir de alguma maneira, artif\u00edcios podem ser inventados para fazer supl\u00eancia \u00e0 n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Sabemos que o gozo sexual \u00e9 uma diferencia\u00e7\u00e3o do gozo constitutivo do ser falante, este muito mais dado ao real, prim\u00e1rio na constitui\u00e7\u00e3o subjetiva. O gozo sexual fracassa sempre na busca da complementaridade, do Um com o parceiro sexual. Lacan, inclusive, chegou a compar\u00e1-lo ao jogo do passa-anel: \u00e9 este objeto que corre, mas que ningu\u00e9m consegue enunci\u00e1-lo. Isso levou Lacan a afirmar que \u201c\u00e9 na pr\u00f3pria pr\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o sexual que se afirma o v\u00ednculo do imposs\u00edvel e do real que promovemos, n\u00f3s, como seres falantes, em toda parte. O real n\u00e3o tem outra atesta\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Ou seja, se trata de uma impossibilidade que demonstra o real formulado como \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d.<\/p>\n<p>Para o falasser, a rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 uma ilus\u00e3o. Diferimos dos animais, seres instintivos que sabem fazer frente ao parceiro dado biologicamente. O instinto \u00e9 um saber j\u00e1 inscrito no organismo, fazendo da c\u00f3pula uma invari\u00e1vel porque h\u00e1 um padr\u00e3o determinado pela esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>No falasser n\u00e3o h\u00e1 este saber <em>a priori<\/em>, n\u00e3o se sabe \u201cnaturalmente\u201d o que complementa os sexos, qual a devida propor\u00e7\u00e3o entre os sexos. Como seres de desejo, que subverte a necessidade, somos traumatizados pela intrus\u00e3o da linguagem no organismo; por\u00e9m nem o simb\u00f3lico nem mesmo o imagin\u00e1rio recobrem totalmente o falasser; uma parte fica exposta, fora da possibilidade de ganhar sentido, fora do simb\u00f3lico, instalando em seu cerne um fracasso, algo que rateia, por mais explica\u00e7\u00f5es, fantasias e fic\u00e7\u00f5es que se possam erigir para tentar remedi\u00e1-lo, para encontrar a justa medida que responderia \u00e0 eterna pergunta: o que o Outro quer de mim? Que posso ser para o Outro?<\/p>\n<p>Sendo esta a \u00e9poca em que o Outro n\u00e3o existe, de desconex\u00e3o, o recalque n\u00e3o faz mais sucesso, como o \u00c9dipo, porque os ideais j\u00e1 n\u00e3o servem mais de sustent\u00e1culo para a identifica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, como entender este coment\u00e1rio de Lacan, em 1973 em <em>Televis\u00e3o<\/em>?<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que as recorda\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o familiar n\u00e3o fossem verdadeiras, seria preciso invent\u00e1-las, e n\u00e3o se deixa de faz\u00ea-lo. O mito \u00e9 isso, a tentativa de dar forma \u00e9pica ao que se opera da estrutura. [&#8230;] O impasse sexual secreta as fic\u00e7\u00f5es que racionalizam o imposs\u00edvel de onde ele prov\u00e9m. N\u00e3o digo que sejam imaginadas, leio a\u00ed, como Freud, o convite ao real que responde por isso.&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Lacan l\u00ea, nesse texto, que Freud em seu &#8220;Mal-estar&#8221; evoca uma &#8220;maldi\u00e7\u00e3o sobre o sexo&#8221;, atestada pelo discurso anal\u00edtico, e que de maneira alguma seria poss\u00edvel suspend\u00ea-la. Por esta raz\u00e3o seria preciso inventar algo que se equipararia \u00e0s recorda\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o familiar. O impasse sexual vem do imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual, isso &#8220;\u00e9 de estrutura&#8221;, esclareceu Miller no <em>manuductio<\/em>.<\/p>\n<p>O imposs\u00edvel \u00e9 um dos nomes do real, e o real, <em>per si<\/em>, convida, requer que fic\u00e7\u00f5es sejam inventadas para tentar recobrir o seu furo. As fic\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma maneira de dar forma, mesmo que m\u00edtica, ao furo da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>A ordem familiar, tradicionalmente, traduz um mito, o \u00c9dipo, uma das maneiras de simbolizar algo deste real. Tentemos acompanhar Lacan quando ele diz que seria preciso inventar as recorda\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o familiar. Ele tamb\u00e9m afirma que sempre se inventa, mesmo que elas n\u00e3o sejam verdadeiras. Ou seja, a repress\u00e3o familiar \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o constru\u00edda, n\u00e3o imaginada, algo da ordem de uma necessidade l\u00f3gica para que o sujeito possa se situar frente ao desejo do Outro, fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, que organiza o caos da subjetividade, por isso \u00e9 necess\u00e1rio inventar as recorda\u00e7\u00f5es da repress\u00e3o familiar, para colocar um limite, uma barreira ao gozo autoer\u00f3tico. Freud disse, tamb\u00e9m em <em>Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>, que o Pai \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o diante do desamparo. Na neurose h\u00e1 o Nome-do-Pai e a significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, por isso a fantasia recobre e constitui o campo da realidade, lhe d\u00e1 uma fixidez, e oferece material para as fic\u00e7\u00f5es. O psic\u00f3tico faz fic\u00e7\u00f5es tecendo um del\u00edrio, porque o Nome-do-Pai n\u00e3o comparece. Para as psicoses ordin\u00e1rias, Miller prop\u00f4s o &#8220;fazer-crer compensat\u00f3rio&#8221;, uma inven\u00e7\u00e3o bem particular. O perverso, por desmentir a castra\u00e7\u00e3o, cria um substituto para o p\u00eanis, o fetiche. Todas elas s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es para tratar o real.<\/p>\n<p>Ainda em <em>Televis\u00e3o<\/em>, Lacan fala dos jovens que ao se entregarem a rela\u00e7\u00f5es sem repress\u00e3o s\u00e3o acometidos pelos sentimentos de t\u00e9dio e morosidade. Falta lembran\u00e7a da repress\u00e3o sexual, falta fic\u00e7\u00e3o, por\u00e9m \u00e9 efeito de qu\u00ea?<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>A mal-di\u00e7\u00e3o sobre o sexo<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d [1929], Freud postula a ren\u00fancia pulsional, que o desvio dos objetivos sexuais ou a inibi\u00e7\u00e3o da finalidade sexual da puls\u00e3o constitui a base do processo civilizat\u00f3rio. Esta ren\u00fancia deve ser economicamente compensada para que n\u00e3o se traduza em dist\u00farbios, pois a puls\u00e3o sempre busca a satisfa\u00e7\u00e3o, \u00e9 seu prop\u00f3sito e sua voca\u00e7\u00e3o. Uma das sa\u00eddas se d\u00e1 pela forma\u00e7\u00e3o do sintoma, uma satisfa\u00e7\u00e3o substitutiva, um modo de obter satisfa\u00e7\u00e3o frente \u00e0 defasagem instalada pela inser\u00e7\u00e3o do ser na linguagem, frente \u00e0 castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando Lacan fala em &#8220;maldi\u00e7\u00e3o sobre o sexo&#8221;, implica n\u00e3o uma promessa de bem-estar e sim a impossibilidade do \u201cbem-dizer\u201d sobre o sexo. \u201cMal-di\u00e7\u00e3o\u201d porque renuncia-se \u00e0 possibilidade de dois fazer um, renuncia-se a satisfa\u00e7\u00e3o autoer\u00f3tica, instalando uma impossibilidade l\u00f3gica, de haver um saber fazer com o Outro sexo por n\u00e3o haver um parceiro sexual \u201cnatural\u201d para a esp\u00e9cie humana. A impossibilidade de um saber no real sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Como recuperar algo desta perda, patente pelo advento da linguagem, da perda da satisfa\u00e7\u00e3o? Como bem-dizer o sexo? O gozo primordial perdido, ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o, pode ser recuperado por uma opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que localiza, orienta o gozo, antes ca\u00f3tico, desorganizado. O falo d\u00e1 um contorno ao caos inicial; para Lacan, trata-se de uma fun\u00e7\u00e3o, operada atrav\u00e9s da castra\u00e7\u00e3o que permite ao sujeito organizar simbolicamente o gozo e encontrar satisfa\u00e7\u00e3o a partir do Outro. O falo \u00e9 um instrumento com o qual se pode lidar com a falta de um parceiro natural.<\/p>\n<p>Para os dois sexos, l\u00e1 onde falta um saber sobre o sexo, no inconsciente, inscreve-se a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. O falo \u00e9 ent\u00e3o o referente comum para os sexos, masculino e feminino, por\u00e9m cada um deles sustentar\u00e1 e exercer\u00e1 esta fun\u00e7\u00e3o de maneira diferente. N\u00e3o se trata de pap\u00e9is imagin\u00e1rios, nem de conceitos ou comportamentos esperados para o homem ou para a mulher, ainda mais nos tempos atuais onde impera a diversidade. O viril orienta o comportamento do falasser homem, por sua subjetividade estar praticamente toda recoberta por esta fun\u00e7\u00e3o, a f\u00e1lica, o que permite tom\u00e1-lo num conjunto; o mesmo n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido para a mulher, parte de sua subjetividade fica fora deste referente, conserva-se fora desta l\u00f3gica, impedindo a universaliza\u00e7\u00e3o do feminino. Por esta raz\u00e3o, Lacan fala que a mulher, n\u00e3o-toda submetida \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, somente pode possuir o homem, o seu falo. O homem, \u201caquele que se v\u00ea macho sem saber o que fazer disto\u201d (Lacan, <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>), aborda a mulher atrav\u00e9s do objeto causa do desejo; \u00e0s vezes um pequeno detalhe no corpo da mulher pode funcionar como condi\u00e7\u00e3o para o homem se apaixonar. Estas s\u00e3o as maneiras do homem e da mulher buscarem recuperar a perda de gozo, pois o sexo biol\u00f3gico por si mesmo n\u00e3o indica o parceiro a nenhum dos indiv\u00edduos da esp\u00e9cie humana; e mais, n\u00e3o \u00e9 isto que faz com que dois sujeitos se tornem parceiros. E mais, a busca n\u00e3o converge em encontro.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise lacaniana, quando h\u00e1 parceria, ela \u00e9 sempre sintom\u00e1tica, pois o sintoma, al\u00e9m de obst\u00e1culo, \u00e9 media\u00e7\u00e3o, \u00e9 o melhor a ser feito. Neste sentido, bem-dizer o sexo \u00e9 estabelecer uma parceria com o Outro sexo, cada um pode seduzir o parceiro a partir da particularidade da posi\u00e7\u00e3o feminina ou masculina e de sua posi\u00e7\u00e3o de sujeito.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>A dor e a del\u00edcia do falasser<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em psican\u00e1lise operamos sempre a partir da conting\u00eancia para tentar situar o real. Lacan fala em \u201cf\u00f3rmulas que, durante um tempo, elas formam uma assembleia com o real\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, em \u201cRadiofonia\u201d, ao se referir ao famoso <em>hipothesis non fingo<\/em> de Newton, n\u00e3o finjo hip\u00f3teses, para dizer que s\u00e3o f\u00f3rmulas que j\u00e1 estavam no real, escritas, prontas para serem descobertas. Para a psican\u00e1lise \u201cn\u00e3o \u00e9 que no real esteja escrita uma f\u00f3rmula, tal como Newton p\u00f4de faz\u00ea-lo. Devemos, pelo contr\u00e1rio, inferir que no real h\u00e1 uma f\u00f3rmula n\u00e3o escrita: a da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual, [&#8230;] visto haver uma f\u00f3rmula que falta e que faz com que a linguagem continue a funcionar em chicanas infinitas.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. O sentido n\u00e3o se deixa capturar como um todo, sen\u00e3o parar\u00edamos de falar, e mesmo quando o sentido foi capturado num enunciado, sempre abre para a pergunta: Mas, ent\u00e3o, o que isso quer dizer? \u2013 demonstrando assim a exist\u00eancia de algo que n\u00e3o est\u00e1 escrito, n\u00e3o se escreve no real, o \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d \u00e9 uma f\u00f3rmula que ancora o real a partir da fun\u00e7\u00e3o <strong>\u03c6x.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe falta no real, ela s\u00f3 \u00e9 apreens\u00edvel por interm\u00e9dio do simb\u00f3lico. \u00c9 o que nos esclarece o ap\u00f3logo da biblioteca: falta um volume tal em seu lugar, que d\u00e1 a devida dimens\u00e3o que ali falta aquele livro. Esse lugar \u00e9 apontado pela introdu\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do simb\u00f3lico no real. Por isso, essa falta pode ser facilmente preenchida pelo s\u00edmbolo; ela designa a aus\u00eancia e presentifica o que n\u00e3o est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>No <em>Semin\u00e1rio <\/em>19<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, h\u00e1 uma indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica bem importante de Lacan quanto ao real ancorado: a ang\u00fastia (intrus\u00e3o do Real no Imagin\u00e1rio, sem intermedia\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica). Enquanto sinal do real, a ang\u00fastia pode se apresentar sem nenhuma ancoragem, como o p\u00e2nico t\u00e3o bem exemplifica por tratar-se da ang\u00fastia pura e bruta. \u00c9 preciso fazer consistir o sintoma, sintomatizar a ang\u00fastia. Frente ao real da puls\u00e3o h\u00e1 que se erigir alguma prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sintoma, desde Freud, \u00e9 uma forma de satisfa\u00e7\u00e3o, um modo de obter gozo, de responder \u00e0 \u201cn\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d; por\u00e9m o sintoma tamb\u00e9m se constitui num envolt\u00f3rio formal, apresenta-se de uma forma e possui um sentido inconsciente, por esta raz\u00e3o ele torna-se decifr\u00e1vel pela interpreta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica. Busca-se recuperar algo perdido, o objeto primordial, para sempre perdido \u2013 isto se d\u00e1 atrav\u00e9s do Outro, fonte de eterna ang\u00fastia. Este \u00e9 o fundamento que, ao aliar as dimens\u00f5es do gozo, da satisfa\u00e7\u00e3o pulsional, e do Outro da linguagem, faz do sintoma o sustent\u00e1culo do saber-fazer frente ao mal-estar da cultura e da exist\u00eancia de cada um no mundo. Ao final, o que perdura, o sinthoma, aquilo que real-mente se \u00e9, afinal ele \u00e9 o que h\u00e1 de real! Nosso parceiro de todos os dias!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Idem, p. 175.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Ibidem, p. 167.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2003, p. 531.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2003, p.422.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. <em>Silet: os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan<\/em>. Jorge Zahar Ed., 2005, p.333.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 19: &#8230;ou pior<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2012, p.175.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta interjei\u00e7\u00e3o de Lacan expressa um apelo em rela\u00e7\u00e3o ao real. Para entend\u00ea-la \u00e9 preciso retomar o ponto central que Lacan est\u00e1 articulando no cap\u00edtulo XIII: Na base da diferen\u00e7a dos sexos no Semin\u00e1rio 19. 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