{"id":3124,"date":"2018-07-09T22:41:16","date_gmt":"2018-07-10T01:41:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3124"},"modified":"2018-07-09T22:41:16","modified_gmt":"2018-07-10T01:41:16","slug":"um-breve-relato-de-um-texto-de-freud1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/um-breve-relato-de-um-texto-de-freud1\/","title":{"rendered":"Um breve relato de um texto de Freud\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2918 size-full\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Cassia.jpg\" alt=\"\" width=\"112\" height=\"116\" \/>C\u00e1ssia Maria R. Guardado (EBP\/AMP)<\/h4>\n<h4>Freud come\u00e7a o texto fazendo uma compara\u00e7\u00e3o entre a forma como os poetas e a ci\u00eancia tratam a quest\u00e3o da vida er\u00f3tica humana. Diz que os poetas percebem os movimentos subjetivos dos demais, como tamb\u00e9m deixam falar seu pr\u00f3prio inconsciente. Mas, como est\u00e3o implicados em provocar prazer est\u00e9tico e intelectual, n\u00e3o apresentam a realidade tal como \u00e9, isolando alguns fragmentos, excluindo elementos indesej\u00e1veis e introduzindo outros, que completam o conjunto, suavizando a aspereza do mesmo. J\u00e1 a ci\u00eancia maneja os mesmos elementos com m\u00e3o mais dura e menos produ\u00e7\u00e3o de prazer.<\/h4>\n<h4>Freud passa ent\u00e3o a descrever \u201cum tipo especial de escolha masculina do objeto amoroso\u201d, em fun\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de \u201ccondi\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas\u201d a\u00ed implicadas. \u00c9 o que se conhece como \u201co amor \u00e0 m\u00e3e ou \u00e0 prostituta\u201d. \u00c9 importante notar que \u00e9 nesse texto que Freud usa, pela primeira vez, o termo \u201cComplexo de \u00c9dipo\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 por acaso, uma vez que a primeira das condi\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas descrita \u00e9 a de que \u201cexista uma terceira pessoa prejudicada\u201d, ou seja, a mulher, que exerce atra\u00e7\u00e3o para um homem \u00e9, nesse caso, aquela que j\u00e1 tem rela\u00e7\u00f5es amorosas com outro homem, o que constitui ent\u00e3o um preju\u00edzo para o terceiro.<\/h4>\n<h4>A segunda condi\u00e7\u00e3o \u00e9 que a mulher que exerce atra\u00e7\u00e3o para esse tipo de homem \u00e9 aquela cuja pureza e fidelidade s\u00e3o postas em d\u00favida, ou seja, as sexualmente suspeitas, e n\u00e3o as castas e inatac\u00e1veis.<\/h4>\n<h4>O terceiro tipo \u00e9 aquele que, paradoxalmente, se empenha muito na rela\u00e7\u00e3o amorosa com mulheres com conduta sexual duvidosa, por\u00e9m esse empenho, diz Freud, n\u00e3o significa que essa rela\u00e7\u00e3o preencha a vida de tal sujeito, sendo a \u00fanica. Ao contr\u00e1rio, essas rela\u00e7\u00f5es se repetem, constituindo muitas vezes longas s\u00e9ries de relacionamento para o homem desse tipo, do qual Freud sublinha o car\u00e1ter obsessivo.<\/h4>\n<h4>O quarto tipo \u00e9 o que se destaca pela tentativa de salvar a mulher escolhida: considera-se necess\u00e1rio e imprescind\u00edvel para ela; sem ele, ela perderia toda a moral e cairiaa um n\u00edvel deplor\u00e1vel. \u201c[ele] A salva pois, n\u00e3o a abandonando, custe o que custar\u201d (&#8230;) \u201cconservando suas amantes no caminho da virtude\u201d, diz Freud.<\/h4>\n<h4>Para Freud, \u201cesses tipos de escolha de objeto, t\u00e3o singularmente determinadas, e sua estranha conduta amorosa, t\u00eam a mesma origem ps\u00edquica que a vida er\u00f3tica do indiv\u00edduo normal. Derivam da fixa\u00e7\u00e3o infantil do carinho \u00e0 pessoa da m\u00e3e e constituem um dos desenlaces de tal fixa\u00e7\u00e3o.\u201d Com a diferen\u00e7a de que a vida er\u00f3tica normal denota muito poucos tra\u00e7os dessa fixa\u00e7\u00e3o na escolha posterior de objeto, tendo a libido do sujeito j\u00e1 se desligado relativamente r\u00e1pido da m\u00e3e. No tipo de escolha em quest\u00e3o nesse texto, a libido continua ainda ligada \u00e0 m\u00e3e depois da puberdade, e ainda por muito tempo, de tal forma que os caracteres maternos permanecem impressos nos objetos er\u00f3ticos escolhidos depois.<\/h4>\n<h4>Essas caracter\u00edsticas determinam as diferentes formas de escolha de objeto no homem, tecendo inclusive rela\u00e7\u00f5es entre tais formas.<\/h4>\n<p>_____________________________<\/p>\n<p>1. FREUD, S. &#8220;Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (Contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor I)&#8221;. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard. Imago, S\u00e3o Paulo. Vol. XI. S\u00edntese da apresenta\u00e7\u00e3o de C\u00e1ssia M. R. Guardado, em &#8220;Leituras na Biblioteca: Freud e o amor&#8221;, em 10 de maio de 2018, na EBP-Se\u00e7\u00e3o SP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e1ssia Maria R. Guardado (EBP\/AMP) Freud come\u00e7a o texto fazendo uma compara\u00e7\u00e3o entre a forma como os poetas e a ci\u00eancia tratam a quest\u00e3o da vida er\u00f3tica humana. Diz que os poetas percebem os movimentos subjetivos dos demais, como tamb\u00e9m deixam falar seu pr\u00f3prio inconsciente. 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