{"id":3121,"date":"2018-07-09T22:36:26","date_gmt":"2018-07-10T01:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3121"},"modified":"2018-07-09T22:36:26","modified_gmt":"2018-07-10T01:36:26","slug":"o-que-quer-dizer-a-escola-como-ideal-para-um-coletivo-de-praticantes-da-psicanalise-de-orientacao-lacaniana1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-que-quer-dizer-a-escola-como-ideal-para-um-coletivo-de-praticantes-da-psicanalise-de-orientacao-lacaniana1\/","title":{"rendered":"O que quer dizer \u201cA Escola como Ideal\u201d para um coletivo de praticantes da psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana?1"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2923 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Teresinha-3-300x221.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" \/>Teresinha N. Meirelles do Prado (EBP\/AMP)<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">\u00a0\u201cFundo \u2013 t\u00e3o sozinho quanto sempre estive em minha\u00a0 \u00a0 \u00a0rela\u00e7\u00e3o com a causa psicanal\u00edtica \u2013 a Escola\u00a0Francesa de Psican\u00e1lise (&#8230;)\u201d2<\/h4>\n<h4>Freud n\u00e3o se prop\u00f4s a interpretar a sociedade psicanal\u00edtica por ele criada (IPA), ao contr\u00e1rio de Lacan em sua rela\u00e7\u00e3o com a causa anal\u00edtica, desde o in\u00edcio.<\/h4>\n<h4>Um coletivo \u00e9 uma multiplicidade de indiv\u00edduos tendo como denominador comum o mesmo Ideal do Eu. Pode-se, ent\u00e3o, analisar esse coletivo Escola, tomando-o como uma multiplicidade de rela\u00e7\u00f5es individuais com o Um do Ideal do Eu. Como?<\/h4>\n<h4>Nos fen\u00f4menos de massa est\u00e1 em jogo a reuni\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica, ou que se identificam como tal. O l\u00edder, ou a ideia dominante tomada como ideal a ser seguido, re\u00fane os integrantes por meio de v\u00ednculo afetivo e de segrega\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, operando por sugest\u00e3o; no funcionamento da Escola concebido por Lacan essa figura tomada em posi\u00e7\u00e3o ideal interpreta o grupo, analisa a sugest\u00e3o, remete cada um \u00e0 solid\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o com um Ideal.<\/h4>\n<h4>A frase de Lacan, no \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d, demonstra isto. Ao dizer \u201c(Eu) Fundo\u201d, ele se coloca a partir de um lugar de enuncia\u00e7\u00e3o claro (\u00e9 seu projeto, sua aspira\u00e7\u00e3o, seu ato, no qual est\u00e1, portanto, implicado). Em \u201ct\u00e3o s\u00f3 como sempre estive\u201d, evidencia que n\u00e3o se apoia nas ilus\u00f5es de um grupo, est\u00e1 advertido de que este ato \u00e9 solit\u00e1rio como o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a causa que o move. Isto se evidencia na terceira parte da frase: \u201cna minha rela\u00e7\u00e3o com a causa anal\u00edtica&#8230;\u201d, ao enunciar que o que o move \u00e9 a causa anal\u00edtica.<\/h4>\n<h4>Seu discurso funda a Escola ao mesmo tempo em que se dirige a ela na solid\u00e3o de um sujeito que se relaciona com uma causa que pretende promover e defender. Lacan n\u00e3o se apresenta ali como um Ideal, mas como um sujeito que tem uma rela\u00e7\u00e3o com um Ideal. A\u00a0esse Ideal, d\u00e1 o nome de \u2018causa anal\u00edtica\u2019, e \u00e9 desse lugar que convida seus pares a juntar-se a ele na sua Escola.<\/h4>\n<h4>Ao enunciar deste modo, Lacan remete cada um \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com o significante-mestre do Ideal sob o qual se situa, Um por Um, sem a ilus\u00e3o reconfortante de um \u2018n\u00f3s\u2019.<\/h4>\n<h4>Com esse ato, ele institui uma forma\u00e7\u00e3o coletiva fundada na solid\u00e3o subjetiva. N\u00e3o pretende dissolver a solid\u00e3o, mas coloc\u00e1-la na linha de frente, o que evidencia um paradoxo: embora a Escola seja uma forma\u00e7\u00e3o coletiva, o que a sustenta n\u00e3o \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o com o grupo atrav\u00e9s da figura do l\u00edder (ou da ideia dominante, cf. Freud) tomado como Ideal.<\/h4>\n<h4>O paradoxo da Escola e sua aposta sup\u00f5e que \u00e9 poss\u00edvel uma comunidade entre sujeitos que sabem da natureza dos semblantes e cujo Ideal partilhado \u00e9 uma causa experimentada por cada um na sua solid\u00e3o subjetiva.<\/h4>\n<h4>Portanto, a natureza do coletivo da Escola \u00e9 conhecida: \u201cn\u00e3o se trata de uma coletividade sem Ideal, mas que sabe o que \u00e9 o Ideal e o que \u00e9 a solid\u00e3o\u201d. A Escola \u00e9 um coletivo formado pela soma de solid\u00f5es subjetivas, que sup\u00f5e um Um-a-mais: a Causa Freudiana.<\/h4>\n<h4>Dizer \u2018Causa Freudiana\u2019 \u00e9 diferente de dizer \u2018a causa do desejo de Freud\u2019; ela tem raiz na solid\u00e3o de Freud, em seu desejo, na rela\u00e7\u00e3o com seu pr\u00f3prio objeto-causa, mas vai al\u00e9m disso: Lacan logificou o desejo freudiano, desenraizando-o da fantasia paterna e extraindo da\u00ed a f\u00f3rmula do \u2018desejo do analista\u2019. Assim formalizou a disparidade entre a causa do desejo freudiano e a causa freudiana.<\/h4>\n<h4>Da\u00ed a distin\u00e7\u00e3o entre duas forma\u00e7\u00f5es coletivas distintas na psican\u00e1lise: a da \u2018sociedade\u2019, tot\u00eamica, fundada na morte do pai, constituindo um \u2018sindicato fraterno\u2019; e a da Escola, fundada a partir do desejo de Lacan de ir al\u00e9m da pris\u00e3o ed\u00edpica dos p\u00f3s-freudianos, por uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui uma exce\u00e7\u00e3o (um pai morto), mas uma s\u00e9rie de exce\u00e7\u00f5es, de solid\u00f5es incompar\u00e1veis, cada uma apoiada em seus S1 e com um mais-de-gozar particular.<\/h4>\n<h4>O \u2018al\u00e9m do \u00e9dipo\u2019, Lacan nos apresentou ao extrair do desejo de Freud a causa freudiana como ideal, fazendo cair o mito freudiano do pai, o que afetou tamb\u00e9m a estrutura conceitual da psican\u00e1lise. Com a queda da refer\u00eancia ao pai como ideal, a pr\u00f3pria psican\u00e1lise e sua forma\u00e7\u00e3o se assume como n\u00e3o-toda, s\u00e9rie sem limite, sem totaliza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, justamente porque em seu fundamento est\u00e1 a solid\u00e3o de cada um; a precariedade se torna uma for\u00e7a (o fracasso da psican\u00e1lise como ideal normativo \u00e9 sua salva\u00e7\u00e3o3).<\/h4>\n<h4>Fica ainda uma quest\u00e3o (e um desafio): se os fen\u00f4menos de grupo, tais como Freud os descreveu, s\u00e3o inelimin\u00e1veis (pode-se apenas estar advertido quanto a eles, para n\u00e3o cair em seus engodos), \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o cont\u00ednuo no sentido de escapar aos encantos de uma certa \u201cdin\u00e2mica de conformidade\u201d4 que submetem a psican\u00e1lise ao risco de apagar sua virul\u00eancia em favor de um Ideal que dita as regras.<\/h4>\n<p>_____________________________<\/p>\n<p>1. Texto elaborado a partir de trechos apresentados em atividade aberta na EBP-Se\u00e7\u00e3o SP em 20\/6\/18, dada a limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o aqui requerida.<\/p>\n<p>2. LACAN. J., \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o\u201d. In: Outros Escritos, Jorge Zahar: Rio de Janeiro, p. 235.<\/p>\n<p>3 ______ \u201cA terceira\u201d.<\/p>\n<p>4. MILLER J.-A., \u201cHeresia e ortodoxia\u201d, p.39.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresinha N. Meirelles do Prado (EBP\/AMP) \u00a0\u201cFundo \u2013 t\u00e3o sozinho quanto sempre estive em minha\u00a0 \u00a0 \u00a0rela\u00e7\u00e3o com a causa psicanal\u00edtica \u2013 a Escola\u00a0Francesa de Psican\u00e1lise (&#8230;)\u201d2 Freud n\u00e3o se prop\u00f4s a interpretar a sociedade psicanal\u00edtica por ele criada (IPA), ao contr\u00e1rio de Lacan em sua rela\u00e7\u00e3o com a causa anal\u00edtica, desde o in\u00edcio. 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