{"id":3118,"date":"2018-07-09T22:27:58","date_gmt":"2018-07-10T01:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3118"},"modified":"2018-07-09T22:27:58","modified_gmt":"2018-07-10T01:27:58","slug":"a-escola-e-o-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-escola-e-o-coletivo\/","title":{"rendered":"A Escola e o Coletivo"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2650 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Cynthia-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/>Cynthia Freitas Farias (EBP\/AMP)<\/h4>\n<h4>Parto da seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Miller: \u201cA Escola \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o coletiva na qual se sabe a verdadeira natureza do coletivo\u201d1. Ao esclarecer de que se trata a \u201cverdadeira natureza do coletivo\u201d, Miller nos remete \u00e0 refer\u00eancia que Lacan faz a Freud em \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o da certeza antecipada\u201d2, interrogando se a solu\u00e7\u00e3o do novo sofisma que apresenta poderia ser atingida na experi\u00eancia. O que podemos extrair desse escrito de 1945 para pensarmos hoje o coletivo da Escola?<\/h4>\n<h4>Freud em \u201cPsicologia das Massas\u201d3 demonstra que o que est\u00e1 em jogo na cria\u00e7\u00e3o ou surgimento dos grupos e na sua manuten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os la\u00e7os libidinais, assim como se evidenciam nas an\u00e1lises. A estrutura m\u00ednima presente nessas forma\u00e7\u00f5es \u00e9 a seguinte: \u201cindiv\u00edduos que colocaram um s\u00f3 e mesmo objeto no lugar de Ideal do eu e, consequentemente, se identificaram uns com os outros em seu eu\u201d4.<\/h4>\n<h4>Lacan em seu escrito de 1945 resume a an\u00e1lise freudiana dos grupos assim: \u201co coletivo n\u00e3o \u00e9 nada sen\u00e3o o sujeito do individual\u201d5. No sofisma dos tr\u00eas prisioneiros, Lacan apresenta uma l\u00f3gica coletiva que n\u00e3o se forma em torno de um l\u00edder, tampouco engendra o fen\u00f4meno da identifica\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas indiv\u00edduos est\u00e3o envolvidos em uma quest\u00e3o cuja solu\u00e7\u00e3o resultar\u00e1 na liberdade do primeiro que encontr\u00e1-la e puder justific\u00e1-la logicamente. Tal solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado de um \u201cmovimento de verifica\u00e7\u00e3o institu\u00eddo por um processo l\u00f3gico em que o sujeito transforma tr\u00eas combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis em tr\u00eas tempos de possibilidade\u201d: instante de ver, tempo de compreender e momento de concluir. A solu\u00e7\u00e3o enunciada \u00e9 sustentada no movimento de precipita\u00e7\u00e3o e hesita\u00e7\u00e3o que uns observam nos outros, desconhecendo a realidade uns dos outros. No movimento se produz a certeza da solu\u00e7\u00e3o encontrada por cada um. \u201cA verdade se manifesta nessa forma como antecipando-se ao erro e avan\u00e7ando sozinha no ato que gera sua certeza\u201d. Lacan\u00a0afirma que a asser\u00e7\u00e3o subjetiva antecipat\u00f3ria \u00e9 a \u201cforma fundamental de uma l\u00f3gica coletiva\u201d6. O tempo de compreender \u00e9 o momento em que o eu se apoia nos outros, mas numa determinada rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade em que eles se tornam, por um momento, \u201coutro uns para os outros\u201d7. Miller observa que s\u00e3o tr\u00eas indiv\u00edduos enganchados por uma \u201csubjetividade prisioneira\u201d, realidade transindividual do sujeito8, mas o que os liga \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria com aquilo que ocupa para ele o lugar de ideal.<\/h4>\n<h4>Freud traz \u00e0 luz a verdade das forma\u00e7\u00f5es grupais que consiste em uma multiplicidade de rela\u00e7\u00f5es individuais com seus S1 e a identifica\u00e7\u00e3o vem recobrir a solid\u00e3o radical do sujeito com a causa que o anima. Miller localiza duas formas de ocupar esse inevit\u00e1vel lugar de ideal nas forma\u00e7\u00f5es coletivas: ou orientando o grupo pelo engodo da identifica\u00e7\u00e3o, resultando na polariza\u00e7\u00e3o entre os iguais e os diferentes, ou interpretando o grupo, separando os sujeitos dos S1 que os coletivizam, \u201cisolando sua diferen\u00e7a absoluta e o objeto a que se sustenta deste vazio e o tampona ao mesmo tempo\u201d9, remetendo cada um \u00e0 solid\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o com o ideal. A causa que nos move \u00e9 a Escola colocada em posi\u00e7\u00e3o de ideal, mas cabe a cada um medir o \u201csalto entre a causa particular de seu desejo e a causa freudiana como significante ideal\u201d10.<\/h4>\n<h4>Poder\u00edamos aproximar a realidade transindividual do sofisma lacaniano e a Escola? Enquanto coletivo, constitu\u00edmos uma \u201csubjetividade prisioneira\u201d se nossas causas particulares se articulam em algum ponto \u00e0 Escola como ideal?<\/h4>\n<p>_______________________________<\/p>\n<p>1. MILLER, J.-A. \u201cTeoria de Turim: sobre o sujeito da Escola\u201d. Op\u00e7\u00e3oLacaniana online nova s\u00e9rie. Ano 7, no. 21. Novembro 2016, p. 7.http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf<\/p>\n<p>2. LACAN, J. (1945\/1998) \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o da certeza antecipada\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, p. 213.<\/p>\n<p>3. FREUD, S. (1921\/1966) \u201cPsicologia das Massas e An\u00e1lise do eu\u201d. In: ObrasCompletas, vol. 18.<\/p>\n<p>4. Idem, Ibidem, Cap. 8, p.<\/p>\n<p>5. LACAN, J. (1945\/1998), ibidem, p. 213.<\/p>\n<p>6_______. (1945\/1998) idem, p. 211.<\/p>\n<p>7_______, ibidem<\/p>\n<p>8. MILLER, J.-A.. Curso de psicoan\u00e1lisis, classe de 24 de junio de 2017. EOL Postal.<\/p>\n<p>9_______ (2016) Idem, p. 8<\/p>\n<p>10______, ibidem, p. 10.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cynthia Freitas Farias (EBP\/AMP) Parto da seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Miller: \u201cA Escola \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o coletiva na qual se sabe a verdadeira natureza do coletivo\u201d1. 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