{"id":3062,"date":"2018-06-15T03:08:08","date_gmt":"2018-06-15T06:08:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3062"},"modified":"2018-06-15T03:08:08","modified_gmt":"2018-06-15T06:08:08","slug":"os-instintos-e-seus-destinos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/os-instintos-e-seus-destinos-i\/","title":{"rendered":"Os instintos e seus destinos.[i]"},"content":{"rendered":"<h6><strong>F\u00e1tima Luzia<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/strong><\/h6>\n<p>O que os homens desejam?<\/p>\n<p>Freud necessitava de uma teoria que pudesse dar conta do que pulsa no homem \u2013 o desejo de satisfa\u00e7\u00e3o. Em 1915 escreve o texto \u201cTeoria das puls\u00f5es e seus destinos\u201d.<\/p>\n<p>Ele localiza a puls\u00e3o entre o som\u00e1tico e o ps\u00edquico, diz que tem for\u00e7a constante, estabelece que ela funciona num circuito pulsional, e \u00e9 nele que localiza a satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Po\u00e9tico e ao mesmo tempo preciso, Freud considera a puls\u00e3o como \u201crepresentante ps\u00edquico dos est\u00edmulos oriundos do interior do corpo que alcan\u00e7am a alma\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>, e diz que elas t\u00eam destinos diferentes para alcan\u00e7ar a satisfa\u00e7\u00e3o, sempre faltante. Buscam para isso um objeto, que \u00e9 o mais vari\u00e1vel da puls\u00e3o: tanto pode ser uma parte do corpo, como um objeto do mundo.<\/p>\n<p>Mas o que tem a ver a puls\u00e3o com o amor e o des-amor?<\/p>\n<p>Freud nos relata que um dos destinos da puls\u00e3o \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o em seu contr\u00e1rio. Que pode ser encontrada na transforma\u00e7\u00e3o do amar em odiar, sendo comum encontrar ambos dirigidos para o mesmo objeto.<\/p>\n<p>E continua nos situando sobre os afetos, onde o amor e o \u00f3dio t\u00eam origens diferentes e tiveram uma evolu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, antes de se tornarem um par de opostos, na rela\u00e7\u00e3o prazer-desprazer.<\/p>\n<p>O amor para Freud \u00e9 originalmente narc\u00edsico, sendo que em seus est\u00e1gios preliminares do incorporar \u00e9 s\u00e1dico-anal e mal se distingue do \u00f3dio, em sua rela\u00e7\u00e3o com o objeto.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto rela\u00e7\u00e3o com o objeto, o \u00f3dio \u00e9 mais antigo que o amor, ele brota do rep\u00fadio primordial do Eu narc\u00edsico perante o mundo externo portador de est\u00edmulos\u201d.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<p>Quando se rompe a rela\u00e7\u00e3o de amor com um determinado objeto, n\u00e3o \u00e9 raro o \u00f3dio tomar o seu lugar, ele \u00e9 fortalecido pela regress\u00e3o do amor ao est\u00e1gio s\u00e1dico preliminar, onde o \u201codiar assume um car\u00e1ter er\u00f3tico e a continuidade de uma rela\u00e7\u00e3o amorosa \u00e9 garantida\u201d.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a><\/p>\n<p>Esses objetos, diz Freud, t\u00eam uma intima rela\u00e7\u00e3o com a vida sexual, mas recusa a conceber o amor como uma puls\u00e3o parcial. \u201cAs designa\u00e7\u00f5es de amor e \u00f3dio n\u00e3o se aplicam \u00e0s rela\u00e7\u00f5es das puls\u00f5es com seus objetos, mas est\u00e3o reservadas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do Eu-total com os objetos\u201d.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><\/a><\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> FREUD, S. \u201cAs puls\u00f5es e seus destinos (1915)\u201d. In: <em>Obras Completas<\/em>, v 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p 51-81.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Associada ao Clin-a<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Idem, p 57<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Idem, p 79<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a>Idem, p. 80<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Idem, p 77<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Luzia[ii] O que os homens desejam? Freud necessitava de uma teoria que pudesse dar conta do que pulsa no homem \u2013 o desejo de satisfa\u00e7\u00e3o. Em 1915 escreve o texto \u201cTeoria das puls\u00f5es e seus destinos\u201d. 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