{"id":2657,"date":"2018-03-23T13:50:41","date_gmt":"2018-03-23T16:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=2657"},"modified":"2018-03-23T13:50:41","modified_gmt":"2018-03-23T16:50:41","slug":"o-analista-sua-pratica-e-sua-epoca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-analista-sua-pratica-e-sua-epoca\/","title":{"rendered":"O analista, sua pr\u00e1tica e sua \u00e9poca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2340 \" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Patricia-Badari-1-2-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"207\" \/>Patricia Badari <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>(EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p>O significante \u201cAno Zero\u201d \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o. Uma interpreta\u00e7\u00e3o de J.\u2013A. Miller sobre o que se passou em 2017 no Campo Freudiano, mas tamb\u00e9m em seus \u00faltimos anos. E esta interpreta\u00e7\u00e3o tem efeitos na Escola Una e no discurso anal\u00edtico. Pois, \u201calgo foi questionado no fundamento mesmo do discurso anal\u00edtico\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>E se uma interpreta\u00e7\u00e3o, em um segundo tempo, \u201ctem o efeito de significa\u00e7\u00e3o para esclarecer um enunciado, um texto a desenvolver\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, pretendo desenvolver o que Miller nos traz com Lacan sobre o analista, sua pr\u00e1tica e sua \u00e9poca. Uma pr\u00e1tica, cujos \u201cmeios s\u00e3o os da fala, na medida em que ela confere um sentido \u00e0s fun\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Uma pr\u00e1tica, cujo \u201ccampo \u00e9 o do discurso concreto, como campo da realidade transindividual do sujeito\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. E uma pr\u00e1tica cujas \u201copera\u00e7\u00f5es s\u00e3o as da hist\u00f3ria, no que ela constitui a emerg\u00eancia da verdade no real\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Uma pr\u00e1tica que exige do analista \u201calcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, da qual ele pr\u00f3prio participa. A subjetividade que \u00e9 transindividual, que n\u00e3o \u00e9 a subjetividade de um indiv\u00edduo, de outro e de outro&#8230; Trata-se, da dial\u00e9tica transindividual, pois, \u201co desejo que o sujeito visa decifrar \u00e9 sempre o desejo do Outro (&#8230;)\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan nos d\u00e1 o exemplo dos tr\u00eas prisioneiros<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, que s\u00e3o tr\u00eas indiv\u00edduos, por\u00e9m enganchados um ao outro, o que constitui a subjetividade prisioneira. Quer dizer, se constitui a subjetividade prisioneira e n\u00e3o uma. Pois, um \u00e9 igual ao outro \u201cna medida em que um e outro s\u00e3o prisioneiros da mesma \u00e9poca e est\u00e3o comprometidos na mesma dial\u00e9tica\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>E nossa \u00e9poca atual? Nela \u201cn\u00e3o podemos subestimar a verdadeira natureza do supereu, sua exig\u00eancia pulsional e seu poder ilimitado (&#8230;). (E) neste estado de civiliza\u00e7\u00e3o, a puls\u00e3o revela ainda mais sua face mortal&#8221;<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Logo, vemos mais e mais o retorno deste gozo. No entanto, o psicanalista em sua pr\u00e1tica n\u00e3o diz sim ao empuxo ao gozo. E tampouco diz n\u00e3o. Pode-se querer mais gozo. Mas, tamb\u00e9m, pode se querer a particularidade do sintoma. H\u00e1 estas duas possibilidades.<\/p>\n<p>Neste sentido, nossa \u00e9poca requer ainda mais uma an\u00e1lise, um analisante, um desejo do analista, uma Escola. Requer um analista que componha a subjetividade de sua \u00e9poca, em sua pr\u00e1tica; que reduza o campo das identifica\u00e7\u00f5es; que promova cada vez mais a separa\u00e7\u00e3o entre o Ideal e o objeto <em>a<\/em>; que fa\u00e7a com que o real insista; que constitua lugares onde alguns tra\u00e7os da particularidade do sintoma possam tomar a palavra; requer um analista que creia, sobretudo, no sintoma. Que se deixe seguir interrogado pela pr\u00e1tica anal\u00edtica. Que siga \u201capegado ao terra-a-terra do sofrimento, que interrogue a vida em seu sentido (&#8230;) \u2013 mas para dizer que tem apenas um, onde o desejo \u00e9 carregado pela morte\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>E quem n\u00e3o conseguir alcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca, que renuncie \u00e0 pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, como nos disse Lacan.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MILLER J.-A. Primeira aula do Semin\u00e1rio de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. 24 de junho de 2017, Paris.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ibid.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem\u201d. <em>Escritos<\/em>, Jorge Zahar, RJ, 1998, p. 259.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ibid.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ibid.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ibid.. 322.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> BROUSSE M.-H. <em>O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica<\/em>. EBP-SP, 2003, p. 17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> LACAN J. \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada\u201d. <em>Op. cit.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> MILLER J.-A. <em>op. cit.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> LAURENT \u00c9, A Sociedade do Sintoma. A psican\u00e1lise, hoje. Contra Capa, RJ, 2007, p. 171.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> LACAN J. \u201dA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d. <em>Op. cit.<\/em> p. 648.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Badari (EBP\/AMP) O significante \u201cAno Zero\u201d \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o. Uma interpreta\u00e7\u00e3o de J.\u2013A. Miller sobre o que se passou em 2017 no Campo Freudiano, mas tamb\u00e9m em seus \u00faltimos anos. E esta interpreta\u00e7\u00e3o tem efeitos na Escola Una e no discurso anal\u00edtico. 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