{"id":2646,"date":"2018-03-23T13:35:20","date_gmt":"2018-03-23T16:35:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=2646"},"modified":"2018-03-23T13:35:20","modified_gmt":"2018-03-23T16:35:20","slug":"o-amor-a-verdade-e-o-desejo-do-analista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-amor-a-verdade-e-o-desejo-do-analista\/","title":{"rendered":"O amor \u00e0 verdade e o desejo do analista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2350 \" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Cec\u00edlia-300x286.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"221\" \/>Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>(EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p>Dentre os temas tratados por Jacques- Alain Miller em sua primeira aula do <em>Curso de psican\u00e1lise <\/em>de 24 de junho de 2017, saliento aquele referente \u00e0 quest\u00e3o da verdade em sua articula\u00e7\u00e3o com o desejo do analista.<\/p>\n<p>Gostaria de iniciar este pequeno coment\u00e1rio com uma refer\u00eancia ao <em>Semin\u00e1rio 17 \u2013 O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, e mais especificamente aos cap\u00edtulos intitulados \u201cA impot\u00eancia da verdade\u201d e \u201c O poder dos imposs\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Lacan cita a\u00ed o texto de Freud, <em>Analise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel<\/em>, afirmando que para Freud, neste momento, caberia ao analista n\u00e3o esquecer que \u201ca rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica (&#8230;) est\u00e1 fundada no amor \u00e0 verdade (&#8230;)\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Lacan, j\u00e1 de posse de sua conceitua\u00e7\u00e3o do real como imposs\u00edvel, vai apontar para outra dire\u00e7\u00e3o, afirmando que o analista n\u00e3o deve se interessar, nestes termos t\u00e3o incisivos, pela rela\u00e7\u00e3o do analista com a verdade. Lacan j\u00e1 anunciara a irmandade da verdade com o gozo e com igual for\u00e7a dir\u00e1 que \u201c(&#8230;) \u00e9 tentador sugar o leite da verdade, mas \u00e9 t\u00f3xico (&#8230;)\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Feitas estas refer\u00eancias aos importantes desenvolvimentos levados a cabo por Lacan no referido semin\u00e1rio acima citado, podemos ver como Jacques-Alain Miller liga o tema do amor \u00e0 verdade ao desejo do analista. Miller parte da afirma\u00e7\u00e3o de Lacan no texto \u201dProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola<em>\u201d<\/em>: \u201cO desejo do analista \u00e9 sua enuncia\u00e7\u00e3o, a qual s\u00f3 pode operar se caso venha ali na posi\u00e7\u00e3o do X&#8230;.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Miller nos diz que h\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o no que se trata de obter. Quais os pontos destacados que seriam mirados pelo analista ao longo de uma an\u00e1lise? Se, num primeiro momento, o analista engaja o analisante na articula\u00e7\u00e3o do sintoma com o significante, por outro lado, trata-se de colocar a \u00eanfase sobre \u201ca defesa contra o real sem lei e fora do sentido\u201d. Com efeito, o inconsciente transferencial \u00e9 uma defesa contra o real. Se, em sua \u00faltima formula\u00e7\u00e3o sobre o inconsciente, Lacan o caracterizou como real, a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica vai contra o inconsciente, trata-se do t\u00e9rmino do inconsciente transferencial. Assim, \u00e9 ao final de uma an\u00e1lise que o inconsciente como real tem sua presen\u00e7a garantida, demonstrando uma satisfa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada e a desist\u00eancia da eterna busca do sentido.<\/p>\n<p>Concluo, ent\u00e3o, com uma afirma\u00e7\u00e3o de Jacques-Alain Miller na aula aqui comentada: \u201co analista n\u00e3o \u00e9 indiferente, nem \u00e9 aquele que n\u00e3o elege porque tem uma \u00e9tica. Lacan desenvolveu uma \u00e9tica da psican\u00e1lise que admite que na posi\u00e7\u00e3o mesma do analista h\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o. Assinalemos que o termo \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 uma moral e inclui a pol\u00edtica\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, Livro 17, O avesso da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992, p. 157.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 175.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista de Escola\u201d<em>. <\/em>In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: <em>Jorge<\/em> Zahar Ed., 2003, p. 257.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> MILLER J.-A. Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. 24 de junho de 2017, Paris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti (EBP\/AMP) Dentre os temas tratados por Jacques- Alain Miller em sua primeira aula do Curso de psican\u00e1lise de 24 de junho de 2017, saliento aquele referente \u00e0 quest\u00e3o da verdade em sua articula\u00e7\u00e3o com o desejo do analista. 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