{"id":2643,"date":"2018-03-23T13:27:56","date_gmt":"2018-03-23T16:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=2643"},"modified":"2018-03-23T13:27:56","modified_gmt":"2018-03-23T16:27:56","slug":"a-diferenca-do-psicanalista-da-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-diferenca-do-psicanalista-da-escola\/","title":{"rendered":"A diferen\u00e7a do psicanalista da Escola"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1892 \" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carmem-1-280x300.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"263\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0Carmen Silvia Cervelatti <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>(EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEm uma Escola, tudo \u00e9 da ordem do anal\u00edtico. \u00c9 um axioma, a condi\u00e7\u00e3o para que uma Escola seja interessante.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p>Uma pequena articula\u00e7\u00e3o entre dois momentos da enuncia\u00e7\u00e3o de Miller: 2000 \u2013 Teoria de Turim, quando articulou a Escola \u00e9 um sujeito e o Semin\u00e1rio de 24 de junho de 2017, nomeado como passe da Escola, ap\u00f3s pontuar as repeti\u00e7\u00f5es do mesmo nos diversos momentos da espiral da hist\u00f3ria do Campo freudiano, desde a funda\u00e7\u00e3o da Escola freudiana de Paris em 1964, passando pela ECF em 1980. Tr\u00eas momentos \u201cano zero\u201d.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica da Escola est\u00e1 assentada no n\u00e3o-todo, no mais-al\u00e9m do \u00c9dipo, das identifica\u00e7\u00f5es e do funcionamento do grupo baseado na exce\u00e7\u00e3o do sujeito todo saber. Nela n\u00e3o h\u00e1 lugar para o \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d, reino do imagin\u00e1rio e da rivalidade. Suposi\u00e7\u00e3o de saber e la\u00e7os agalm\u00e1ticos s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para sua ex-sist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA Escola-sujeito quer dizer que a Escola \u00e9 uma experi\u00eancia inaugural, no sentido da experi\u00eancia anal\u00edtica. A Escola \u00e9 inaugural na medida em que ela inaugura um novo sujeito suposto saber, e que sua hist\u00f3ria \u00e9 uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos analis\u00e1veis.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[2]<\/a> Miller tamb\u00e9m aproximou a Escola-sujeito enquanto Escola sujeito suposto saber, a partir da frase de Lacan: \u201cVoc\u00ea pode saber o que pensa a Escola freudiana de Paris\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[3]<\/a> Sim, nossa Escola sujeito suposto saber, tamb\u00e9m objeto libidinal, objeto agalm\u00e1tico, a outra face da transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>O desejo do analista n\u00e3o \u00e9 um desejo puro, meton\u00edmico, sem ponto de capiton\u00ea, n\u00e3o \u00e9 um desejo de nada ou de algo. O desejo de Freud era obter a verdade; j\u00e1 para Lacan o desejo do analista \u00e9 o desejo de \u201cobter a constru\u00e7\u00e3o do fantasma fundamental, a defla\u00e7\u00e3o do desejo, a redu\u00e7\u00e3o dos objetos do desejo ao objeto a\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[4]<\/a>. Nada de indiferen\u00e7a!<\/p>\n<p>O desejo de Freud em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psican\u00e1lise, como todo desejo, encontrou sustenta\u00e7\u00e3o no fantasma. Na rela\u00e7\u00e3o do sujeito, vazio, com o objeto causa, ele soube ressoar, a transmiss\u00e3o funcionando como causa a muitos outros que se uniram em torno dele, formando a IPA.<\/p>\n<p>\u201cLacan interpretou, decantou, formalizou, o salto que h\u00e1 entre a causa do desejo de Freud e a causa freudiana como tal. Aplicou a l\u00f3gica ao desejo de Freud para separ\u00e1-lo de sua particularidade, desenraiz\u00e1-lo da fantasia paterna, liberar a forma dita do desejo do analista.\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[5]<\/a> Como disse Lacan no <em>Semin\u00e1rio 11, <\/em>se trata de obter a diferen\u00e7a absoluta: \u201cseparar o sujeito dos significantes mestres que o coletivizam, de circunscrever a solid\u00e3o subjetiva, e tamb\u00e9m o objeto mais de gozar que se sustenta deste vazio e o tampona ao mesmo tempo\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan foi mais al\u00e9m do \u00c9dipo, e seu desejo era formar uma Escola, n\u00e3o uma sociedade. Por isso nela n\u00e3o h\u00e1 lugar para uma exce\u00e7\u00e3o, a do pai todo gozo. Re\u00fane uma s\u00e9rie de sujeitos divididos, cada um com seu pr\u00f3prio mais-de-gozar, cada um em sua solid\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, cada um traz em si a capacidade do ato.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m do \u00c9dipo implica tamb\u00e9m que todos seus membros est\u00e3o submetidos \u00e0 solid\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o com a Escola. Por esta raz\u00e3o, h\u00e1 uma inquietude, uma intranquilidade. Raz\u00e3o da proposi\u00e7\u00e3o de que o analista n\u00e3o \u00e9 indiferente porque a forma\u00e7\u00e3o do analista n\u00e3o o protege do real. Alguma diferen\u00e7a para os dias que se seguem ao \u00faltimo \u201cano zero\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0MILLER, J.-A. \u201cTeoria de Turim: sobre o sujeito da Escola\u201d. In\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>\u00a0Ano 7, N. 21, novembro 2016, p.12<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[2]<\/a>\u00a0<em>Idem<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[3]<\/a> MILLER, J.-A. <em>Pol\u00ed<\/em><em>tica lacaniana. <\/em>Colecci\u00f3n Diva, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p.25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[4]<\/a> MILLER, J.-A. Semin\u00e1rio de 24 de junho de 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[5]<\/a> MILLER, J.-A.<em> Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola<\/em>, p.8<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[6]<\/a> <em>Idem.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Carmen Silvia Cervelatti (EBP\/AMP) \u201cEm uma Escola, tudo \u00e9 da ordem do anal\u00edtico. \u00c9 um axioma, a condi\u00e7\u00e3o para que uma Escola seja interessante.\u201d[1] Uma pequena articula\u00e7\u00e3o entre dois momentos da enuncia\u00e7\u00e3o de Miller: 2000 \u2013 Teoria de Turim, quando articulou a Escola \u00e9 um sujeito e o Semin\u00e1rio de 24 de junho de 2017,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-2643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carta-de-sao-paulo","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2643"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=2643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}