{"id":1021,"date":"2016-10-27T09:29:17","date_gmt":"2016-10-27T09:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=1021"},"modified":"2016-10-27T09:29:17","modified_gmt":"2016-10-27T09:29:17","slug":"ler-um-sintoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/ler-um-sintoma\/","title":{"rendered":"Ler um sintoma*"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<figure id=\"attachment_1025\" aria-describedby=\"caption-attachment-1025\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/miller-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1025\" src=\"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/miller-1.jpg\" alt=\"Jacques-Alain Miller\" width=\"350\" height=\"274\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1025\" class=\"wp-caption-text\">Jacques-Alain Miller<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tenho que lhes revelar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo congresso da NLS, justific\u00e1-lo e apresentar algumas reflex\u00f5es sobre a quest\u00e3o que poder\u00e3o lhes servir de refer\u00eancia para a reda\u00e7\u00e3o dos trabalhos cl\u00ednicos que ele convoca *. Escolhi este t\u00edtulo para voc\u00eas, a partir de duas indica\u00e7\u00f5es que recebi da presidente de voc\u00eas, Anne Lysy. A primeira \u00e9 que o Conselho da NLS desejaria que o pr\u00f3ximo congresso fosse sobre o sintoma. A segunda \u00e9 que o lugar do congresso seria Tel-Aviv. A quest\u00e3o, portanto, era determinar que acento, que inflex\u00e3o, que impulso dar ao tema do sintoma. Pesei isso em fun\u00e7\u00e3o do meu curso que fa\u00e7o em Paris todas as semanas, onde me explico com Lacan e a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise hoje, esta pr\u00e1tica que n\u00e3o \u00e9 mais completamente, ou talvez de nenhum modo, a de Freud. E, em segundo lugar, pesei o acento a dar ao tema do sintoma em fun\u00e7\u00e3o do lugar, Israel. E, portanto, tudo bem pesado, escolhi o seguinte t\u00edtulo: ler um sintoma, <em>to read a symptom<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Saber ler<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Aqueles que l\u00eaem Lacan, sem d\u00favida reconheceram aqui, um eco de suas palavras em seu escrito \u00abRadiofonia\u00bb, que voc\u00eas podem encontrar na compila\u00e7\u00e3o dos <em>Autres \u00c9crits<\/em>, p\u00e1gina 428. Ele assinala ali, que o judeu \u00e9 aquele que sabe ler<sup>1<\/sup> . \u00c9 esse saber ler de que se trata de interrogar em Israel, o saber ler na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Direi imediatamente que o saber ler, como eu entendo, completa o bem dizer, que se tornou um slogan entre n\u00f3s. Vou sustentar com satisfa\u00e7\u00e3o, que o bem dizer na psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 nada sem o saber ler, que o bem dizer pr\u00f3prio \u00e0 psican\u00e1lise se funda sobre o saber ler. Se nos atemos ao bem dizer, n\u00e3o alcan\u00e7amos mais que a metade daquilo de que se trata. Bem dizer e saber ler est\u00e3o do lado do analista, \u00e9 propriedade do analista, mas, no curso da experi\u00eancia, trata-se de que bem dizer e saber ler se transferem ao analisante. Que aprenda de algum modo, fora de toda pedagogia, a bem dizer e tamb\u00e9m a saber ler. A arte do bem dizer \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o dessa disciplina tradicional que se chama ret\u00f3rica. Certamente, a an\u00e1lise participa da ret\u00f3rica, mas n\u00e3o se reduz a ela. Parece-me que \u00e9 o saber ler que faz a diferen\u00e7a. A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de escuta, <em>listening<\/em>, ela \u00e9 tamb\u00e9m quest\u00e3o de leitura, <em>reading<\/em>. No campo da linguagem, sem d\u00favida, a psican\u00e1lise toma seu ponto de partida da fun\u00e7\u00e3o da palavra, mas ela a refere \u00e0 escritura. H\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre falar e escrever, <em>speaking<\/em> and <em>writing<\/em>. \u00c9 nesta dist\u00e2ncia que opera a psican\u00e1lise, \u00e9 esta diferen\u00e7a que a psican\u00e1lise explora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Acrescentarei uma nota mais pessoal \u00e0 escolha que fa\u00e7o do t\u00edtulo, \u00abler um sintoma\u00bb, posto que \u00e9 o saber ler, o que Lacan me imputa. Voc\u00eas encontrar\u00e3o isto na ep\u00edgrafe de seu escrito \u00b4Televis\u00e3o\u00b4, na compila\u00e7\u00e3o dos <em>Autres Ecrits<\/em>, p\u00e1gina 509, onde eu lhe colocava, um certo n\u00famero de perguntas em nome da televis\u00e3o e ele p\u00f4s na ep\u00edgrafe do texto que reproduz com certas mudan\u00e7as, o que ele havia dito, ent\u00e3o: &#8220;Aquele que me interroga sabe tamb\u00e9m me ler\u201d<sup>2<\/sup> . Portanto, Lacan me prendeu com o saber ler, ao menos com o saber ler Lacan. \u00c9 um certificado que ele me outorgou em raz\u00e3o das anota\u00e7\u00f5es com as quais escandi seu discurso na margem, muitas das quais fazem refer\u00eancia a suas f\u00f3rmulas chamadas matemas. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o do saber ler tem todas as raz\u00f5es para me importar.<\/p>\n<p><strong>O segredo da ontologia<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Depois desta introdu\u00e7\u00e3o, vou evocar agora o ponto em que estou de meu curso deste ano e que conduz, precisamente, a esta quest\u00e3o de leitura e de leitura do sintoma. Estou, nestes dias, articulando a oposi\u00e7\u00e3o conceitual entre o ser e a exist\u00eancia. E \u00e9 uma etapa no caminho onde considero distinguir e opor o ser e o real, <em>being and the real<\/em>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Trata-se, para mim, de relevar os limites da ontologia, da doutrina do ser. Foram os Gregos que inventaram a ontologia. Mas, eles mesmos se deram conta dos limites, posto que alguns desenvolveram um discurso que se refere explicitamente a um mais al\u00e9m do ser, <em>beyond being<\/em>. Devemos crer que eles sentiram a necessidade deste mais al\u00e9m do ser e colocaram o Um, <em>the one<\/em>. Em particular, aquele que desenvolveu o culto do Um como mais al\u00e9m do ser \u00e9 o chamado Plotino. E ele o extraiu s\u00e9culos mais tarde de uma leitura de Plat\u00e3o, precisamente do <em>Parm\u00eanides<\/em> de Plat\u00e3o. Ent\u00e3o, ele o extraiu de um certo saber ler Plat\u00e3o. E antes de Plat\u00e3o est\u00e1 Pit\u00e1goras, matem\u00e1tico, mas m\u00edstico-matem\u00e1tico. Era Pit\u00e1goras que divinizava o n\u00famero e especialmente o Um e que n\u00e3o fazia uma ontologia, mas o que se chama, em termos t\u00e9cnicos a partir do grego, uma henologia, quer dizer, uma doutrina do Um. Minha tese \u00e9 que o n\u00edvel do ser chama, necessita de um mais al\u00e9m do ser.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os Gregos que desenvolviam uma ontologia sentiram a necessidade de um ponto de apoio, de um fundamento inquebrant\u00e1vel que justamente o ser n\u00e3o lhes dava. O ser n\u00e3o d\u00e1 um fundamento inquebrant\u00e1vel \u00e0 experi\u00eancia, ao pensamento, precisamente porque h\u00e1 uma dial\u00e9tica do ser. Situar o ser \u00e9, ao mesmo tempo, situar o nada. E situar o ser \u00e9 isto, \u00e9, ao mesmo tempo situar que n\u00e3o \u00e9 isso, portanto o \u00e9 tamb\u00e9m a t\u00edtulo de ser seu contr\u00e1rio. O ser, em suma, carece singularmente de ser e n\u00e3o por acidente, mas de maneira essencial. A ontologia desemboca sempre em uma dial\u00e9tica do ser. Lacan sabia t\u00e3o bem disso que, precisamente, ele define o ser do sujeito do inconsciente como uma falta a ser. Explora a\u00ed os recursos dial\u00e9ticos da ontologia. A tradu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o francesa &#8220;falta a ser\u201d por <em>want to be<\/em> agrega algo totalmente precioso, a no\u00e7\u00e3o de desejo.<em>Want<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas o ato, em <em>Want<\/em> est\u00e1 o desejo, est\u00e1 a vontade e, precisamente, o desejo de fazer ser o que n\u00e3o \u00e9. O desejo faz a media\u00e7\u00e3o entre <em>being and nothingness<\/em>. Encontramos este desejo na psican\u00e1lise no n\u00edvel do desejo do analista que anima a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica enquanto esse desejo aponta a conduzir, ao ser, o inconsciente, aponta a fazer aparecer o que est\u00e1 recalcado, como dizia Freud. Evidentemente, isso que \u00e9 recalcado \u00e9, por excel\u00eancia, um <em>want to be<\/em>, o que est\u00e1 recalcado n\u00e3o \u00e9 um ser atual, n\u00e3o \u00e9 uma palavra efetivamente dita, o que est\u00e1 recalcado \u00e9 um ser virtual que est\u00e1 no estado de poss\u00edvel, que aparecer\u00e1 ou n\u00e3o. A opera\u00e7\u00e3o que conduz ao ser, o inconsciente n\u00e3o \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o de linguagem, a que aplica a psican\u00e1lise. A linguagem \u00e9 esta fun\u00e7\u00e3o que faz ser o que n\u00e3o existe. \u00c9, inclusive, o que os l\u00f3gicos chegaram a constatar, se desesperaram pelo fato de que a linguagem seja capaz de fazer ser o que n\u00e3o existe e, ent\u00e3o, trataram de normativizar seu uso esperando que sua linguagem artificial s\u00f3 nomearia o que existe. Mas, de fato, \u00e9 preciso reconhecer a\u00ed, n\u00e3o um defeito da linguagem, mas sua pot\u00eancia. A linguagem \u00e9 criadora e, em particular, ela cria o ser. Em suma, o ser de que falam desde sempre os fil\u00f3sofos, este ser n\u00e3o \u00e9 jamais outra coisa sen\u00e3o um ser de linguagem, \u00e9 o segredo da ontologia. Ent\u00e3o, produz-se uma vertigem.<\/p>\n<p><strong>Um discurso que seria do real<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Uma vertigem se produz para os fil\u00f3sofos, que \u00e9 a vertigem da dial\u00e9tica. Porque o ser \u00e9 o oposto da apar\u00eancia, mas tamb\u00e9m o ser n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o apar\u00eancia, uma certa modalidade da apar\u00eancia. Ent\u00e3o, \u00e9 esta fragilidade intr\u00ednseca ao ser, o que justifica a inven\u00e7\u00e3o de um termo que reune o ser e a apar\u00eancia, o termo semblante. O semblante \u00e9 uma palavra que utilizamos na psican\u00e1lise e com a qual tratamos de cernir o que \u00e9, ao mesmo tempo, ser e apar\u00eancia, de maneira indissoci\u00e1vel. Uma vez, tratei de traduzir esta palavra em ingl\u00eas com a express\u00e3o <em>make believe<\/em>. Com efeito, se se cr\u00ea nisso, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre a apar\u00eancia e o ser. \u00c9 uma quest\u00e3o de cren\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ent\u00e3o, minha tese, que \u00e9 uma tese sobre a filosofia a partir da experi\u00eancia anal\u00edtica, \u00e9 que os Gregos, justamente porque lidaram eminentemente com esta vertigem, buscaram um mais al\u00e9m do ser, um mais al\u00e9m do semblante. O que n\u00f3s chamamos o real \u00e9 esse mais al\u00e9m do semblante, um mais al\u00e9m que \u00e9 problem\u00e1tico. Existe um mais al\u00e9m do semblante? O real seria, se queremos, um ser, mas n\u00e3o seria ser de linguagem, estaria intocado pelos equ\u00edvocos da linguagem, seria indiferente ao <em>make believe<\/em>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este real, onde os Gregos o encontravam? Encontravam nas matem\u00e1ticas e em outras partes, desde ent\u00e3o, onde as matem\u00e1ticas continuaram como continuou a filosofia, os matem\u00e1ticos se dizem sempre, de bom grado, plat\u00f4nicos, no sentido de que n\u00e3o pensam, em absoluto, que criam seu objeto a n\u00e3o ser para soletrarem um real que j\u00e1 est\u00e1 ali. E isso, isso permite sonhar, em todo caso fazia sonhar a Lacan.<\/p>\n<p align=\"justify\">Lacan fez, uma vez, um semin\u00e1rio que se intitulava \u00b4De um discurso que n\u00e3o fosse semblante\u00b4<sup>3<\/sup> . \u00c9 uma f\u00f3rmula que permaneceu misteriosa, mesmo uma vez que o semin\u00e1rio foi publicado, porque o t\u00edtulo deste semin\u00e1rio se apresenta sob uma forma condicional e negativa, ao mesmo tempo. Mas, sob esta forma, evoca um discurso que seria do real, \u00e9 isso o que quer dizer. Lacan teve o pudor de n\u00e3o dizer-lhe sob esta forma que revelo, ele disse sob uma forma apenas condicional e negativa: de um discurso que seria do real, de um discurso que tomaria seu ponto de partida a partir do real, como as matem\u00e1ticas. Era o sonho de Lacan, por a psican\u00e1lise ao n\u00edvel das matem\u00e1ticas. A respeito disto, \u00e9 preciso dizer que s\u00f3 nas matem\u00e1ticas o real n\u00e3o varia \u2013 ainda que nas margens, varia de todas as maneiras. Na f\u00edsica matem\u00e1tica, que incorpora e que se sustenta, no entanto, nas matem\u00e1ticas, a no\u00e7\u00e3o de real \u00e9 completamente escorregadia porque \u00e9, de algum modo, herdeira da velha ideia de natureza e que, com a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, com as investiga\u00e7\u00f5es do ser mais al\u00e9m do \u00e1tomo, podemos dizer que o real na f\u00edsica tornou-se incerto. A f\u00edsica conhece pol\u00eamicas entre f\u00edsicos ainda mais vivazes que na psican\u00e1lise. O que para um \u00e9 real, para um outro n\u00e3o \u00e9 mais que semblante. Fazem propaganda de sua no\u00e7\u00e3o de real porque a partir de um certo momento fizeram entrar na conta, a observa\u00e7\u00e3o. A partir desse momento, o complexo composto do observador e dos instrumentos de observa\u00e7\u00e3o interfere e, ent\u00e3o, o real torna-se relativo ao sujeito, quer dizer, cessa de ser absoluto. Podemos dizer que deste modo, o sujeito faz tela ao real. N\u00e3o \u00e9 esse o caso nas matem\u00e1ticas. Como se acede nas matem\u00e1ticas, ao real, por qual instrumento? Acede-se pela linguagem, sem d\u00favida, mas uma linguagem que n\u00e3o faz tela ao real, uma linguagem que \u00e9 o real. \u00c9 uma linguagem reduzida a sua materialidade, \u00e9 uma linguagem que est\u00e1 reduzida a sua mat\u00e9ria significante, \u00e9 uma linguagem que se reduz \u00e0 letra. Na letra, contrariamente \u00e0 homofonia, n\u00e3o se encontra o ser, <em>being, in the letter is not being that you find, \u00e9 the real.\u00a0<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Fulgor do inconsciente e desejo do analista<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A partir destas premissas, proponho interrogar a psican\u00e1lise. Na psican\u00e1lise, onde est\u00e1 o real? \u00c9 uma pergunta urgente, na medida em que um psicanalista n\u00e3o pode n\u00e3o experimentar a vertigem do ser, desde o momento em que em sua pr\u00e1tica, ele est\u00e1 invadido pelas cria\u00e7\u00f5es, pelas criaturas da palavra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Onde est\u00e1 o real em tudo isto? O inconsciente \u00e9 real? N\u00e3o! De toda forma, \u00e9 a resposta mais f\u00e1cil de dar. O inconsciente \u00e9 uma hip\u00f3tese, o que resta como uma perspectiva fundamental, mesmo se podemos prolong\u00e1-la, faz\u00ea-la variar. Para Freud, lembrem que o inconsciente \u00e9 o resultado de uma dedu\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que Lacan traduz de modo mais aproximado, salientando que o sujeito do inconsciente \u00e9 um sujeito suposto, quer dizer, hipot\u00e9tico. N\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, um real. Inclusive nos colocamos a quest\u00e3o de saber se \u00e9 um ser. Voc\u00eas sabem que Lacan prefere dizer que \u00e9 um desejo de ser, mais que um ser. O inconsciente n\u00e3o tem mais ser que o sujeito mesmo. Isso que Lacan escreve S barrado \u00e9 algo que n\u00e3o tem ser, que s\u00f3 tem o ser de falta e que deve advir. E n\u00f3s sabemos bem que basta simplesmente extrair as consequ\u00eancias disso. Sabemos bem que o inconsciente na psican\u00e1lise est\u00e1 submetido a um dever ser. Est\u00e1 submetido a um imperativo que, como analista, representamos. E \u00e9 nesse sentido que Lacan diz que o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico. Se o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico, n\u00e3o \u00e9 da ordem do real, \u00e9 isso o que quer dizer. O estatuto do real n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico. O real em suas manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 muito mais unethical, n\u00e3o se comporta segundo nossa conveni\u00eancia. Dizer que o estatuto do inconsciente \u00e9 \u00e9tico \u00e9, precisamente, dizer que \u00e9 relativo ao desejo e, primeiro, ao desejo do analista que trata de inspirar o analisante a assumir esse desejo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em que momento na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, necessitamos de uma dedu\u00e7\u00e3o do inconsciente? Simplesmente, por exemplo, quando vemos retornar na palavra do analisante, lembran\u00e7as antigas que haviam esquecido at\u00e9 este momento. Somos for\u00e7ados a supor que essas lembran\u00e7as no intervalo residiam em algum lugar, em um certo lugar do ser, um lugar que permanece desconhecido, inacess\u00edvel ao conhecimento, do qual dizemos, precisamente, que ele n\u00e3o conhece o tempo. E, para imitar ainda mais o estatuto ontol\u00f3gico do inconsciente, tomemos o que Lacan chama suas forma\u00e7\u00f5es, que p\u00f5em em relevo, precisamente, o estatuto fugitivo do ser. Os sonhos se apagam. S\u00e3o seres que n\u00e3o consistem, dos quais frequentemente s\u00f3 temos fragmentos na an\u00e1lise. O lapso, o ato falho, o chiste, s\u00e3o seres instant\u00e2neos que fulguram, aos quais damos na psican\u00e1lise, um sentido de verdade, mas que se eclipsam imediatamente.<\/p>\n<p><strong>Confronta\u00e7\u00e3o com os restos sintom\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Ent\u00e3o, entre essas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, est\u00e1 o sintoma. Porque colocamos o sintoma entre estas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, sen\u00e3o porque o sintoma freudiano tamb\u00e9m \u00e9 verdade. Damos-lhe um sentido de verdade, o interpretamos. Mas, ele se distingue de todas as outras forma\u00e7\u00f5es do inconsciente por sua perman\u00eancia. H\u00e1 outra modalidade do ser. Para que haja sintoma no sentido freudiano, sem d\u00favida \u00e9 preciso que haja sentido em jogo. \u00c9 preciso que isso possa ser interpretado. \u00c9 o que faz para Freud, a diferen\u00e7a entre o sintoma e a inibi\u00e7\u00e3o. A inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 pura e simplesmente a limita\u00e7\u00e3o de uma fun\u00e7\u00e3o. Enquanto tal, uma inibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sentido de verdade. Para que haja sintoma, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que o fen\u00f4meno dure. Por exemplo, o sonho muda de estatuto quando se trata de um sonho repetitivo. Quando o sonho \u00e9 repetitivo, implica um trauma. O ato falho quando se repete torna-se sintom\u00e1tico, pode, inclusive, invadir todo o comportamento. Nesse momento, lhe damos o estatuto de sintoma. Nesse sentido, o sintoma \u00e9 o que a psican\u00e1lise nos d\u00e1 de mais real.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 a prop\u00f3sito do sintoma que a quest\u00e3o de pensar a correla\u00e7\u00e3o, a conjun\u00e7\u00e3o do verdadeiro e do real torna-se ardente. Neste sentido, o sintoma \u00e9 um Janus, tem duas caras, uma cara de verdade e uma cara de real. O que Freud descobriu e que foi sensacional em seu tempo \u00e9 que um sintoma se interpreta como um sonho, se interpreta em fun\u00e7\u00e3o de um desejo e que \u00e9 um efeito de verdade. Mas, h\u00e1, como voc\u00eas sabem, um segundo tempo deste descobrimento, a persist\u00eancia do sintoma depois da interpreta\u00e7\u00e3o e Freud o descobriu como um paradoxo. \u00c9, com efeito, um paradoxo se o sintoma \u00e9 pura e simplesmente um ser de linguagem. Quando temos que nos haver com seres de linguagem na an\u00e1lise, os interpretamos, quer dizer, os reduzimos. Reconduzimos os seres de linguagem \u00e0 nada, os reduzimos \u00e0 coisa nenhuma. O paradoxo aqui \u00e9 o do resto. H\u00e1 um x que resta mais al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o freudiana. Freud se aproximou disto de distintas maneiras. P\u00f4s em jogo a rea\u00e7\u00e3o terap\u00eautica negativa, a puls\u00e3o de morte e ampliou a perspectiva at\u00e9 dizer que o final da an\u00e1lise como tal deixa sempre subsistir o que chamava restos sintom\u00e1ticos. Hoje, nossa pr\u00e1tica prolongou-se muito mais al\u00e9m do ponto freudiano, muito mais al\u00e9m do ponto em que, para Freud, a an\u00e1lise encontrava seu fim. Justamente era um fim do qual Freud dizia que sempre h\u00e1 um resto e, portanto, sempre \u00e9 preciso recome\u00e7ar a an\u00e1lise, depois de um curto tempo, ao menos para o analista. Um curto tempo de pausa e logo recome\u00e7amos. Era o ritmo <em>stop and go<\/em>, como se diz em franc\u00eas agora. Mas, isso n\u00e3o \u00e9 nossa pr\u00e1tica. Nossa pr\u00e1tica se prolonga mais al\u00e9m do ponto em que Freud considerava que h\u00e1 finais de an\u00e1lise, mesmo se houver que retomar a an\u00e1lise, nossa pr\u00e1tica vai mais al\u00e9m do ponto que Freud considerava como fim de an\u00e1lise. Em nossa pr\u00e1tica, assistimos, ent\u00e3o, \u00e0 confronta\u00e7\u00e3o do sujeito com os restos sintom\u00e1ticos. Passamos, certamente, pelo momento de decifra\u00e7\u00e3o da verdade do sintoma, mas chegamos aos restos sintom\u00e1ticos e ali, n\u00e3o dizemos stop. O analista n\u00e3o diz stop e o analisante n\u00e3o diz stop. A an\u00e1lise nesse per\u00edodo se d\u00e1 pela confronta\u00e7\u00e3o direta do sujeito com o que Freud chamava de restos sintom\u00e1ticos e aos quais damos outro estatuto muito diferente. Sob o nome de restos sintom\u00e1ticos, Freud chocou-se com o real do sintoma, com o que, no sintoma, \u00e9 fora de sentido.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0<strong>O gozo do ser falante<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 no segundo cap\u00edtulo de <em>Inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia<\/em> , Freud caracterizava o sintoma a partir do que ele chamava de satisfa\u00e7\u00e3o pulsional &#8220;como signo e o substituto (<em>Anzeichen und Ersatz<\/em>) de uma satisfa\u00e7\u00e3o pulsional que n\u00e3o aconteceu\u201d<sup>4<\/sup> . Ele explicava no terceiro cap\u00edtulo, a partir da neurose obsessiva e da paranoia, assinalando que o sintoma que se apresenta a princ\u00edpio como um corpo estranho em rela\u00e7\u00e3o ao eu, tenta cada vez mais fazer um com o eu, quer dizer, tende a incorporar-se ao eu. Ele via no sintoma, o resultado do processo do recalque. Evidentemente, s\u00e3o dois cap\u00edtulos e o conjunto do livro que se deve trabalhar na perspectiva do pr\u00f3ximo congresso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Queria assinalar isto: o gozo em quest\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio? Em certo sentido, sim. Podemos dizer que o gozo \u00e9 o pr\u00f3prio do corpo como tal, que \u00e9 um fen\u00f4meno de corpo. Nesse sentido, o corpo \u00e9 o que goza, mas, reflexivamente. Um corpo \u00e9 o que goza de si mesmo, \u00e9 o que Freud chamava o auto-erotismo. Mas, isso \u00e9 verdade para todo corpo vivo. Podemos dizer que \u00e9 o estatuto do corpo vivo, o gozar de si mesmo. O que distingue o corpo do ser falante \u00e9 que seu gozo sofre a incid\u00eancia da palavra. E, precisamente, um sintoma testemunha que houve um acontecimento que marcou seu gozo, no sentido freudiano de <em>Anzeichen<\/em>, e que introduz um <em>Ersatz<\/em>, um gozo que n\u00e3o faria falta, um gozo que transtorna o gozo que faria falta, quer dizer, o gozo de sua natureza de corpo. Portanto, nesse sentido, n\u00e3o, o gozo em quest\u00e3o no sintoma n\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio. \u00c9 produzido pelo significante. E \u00e9 precisamente esta incid\u00eancia significante o que faz do gozo do sintoma, um acontecimento, n\u00e3o apenas um fen\u00f4meno. O gozo do sintoma testemunha que houve um acontecimento, um acontecimento de corpo depois do qual, o gozo natural, entre aspas, que podemos imaginar como o gozo natural do corpo vivo, transtornou-se e se desviou. Este gozo n\u00e3o \u00e9 prim\u00e1rio, mas \u00e9 primeiro em rela\u00e7\u00e3o ao sentido que o sujeito lhe d\u00e1 e que lhe d\u00e1 por seu sintoma enquanto interpret\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Podemos recorrer, para capt\u00e1-lo melhor, \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora e da meton\u00edmia. H\u00e1 uma met\u00e1fora do gozo do corpo, esta met\u00e1fora produz acontecimento, produz este acontecimento que Freud chama a fixa\u00e7\u00e3o. Isso sup\u00f5e a a\u00e7\u00e3o do significante como toda met\u00e1fora, mas um significante que opera fora de sentido. E ap\u00f3s a met\u00e1fora do gozo h\u00e1 a meton\u00edmia do gozo, quer dizer, sua dial\u00e9tica. Nesse momento, ele se dota de significa\u00e7\u00e3o. Freud fala disso em <em>Inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia<\/em>, fala de <em>die symbolische Bedeutung<\/em>, da significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que afeta um certo n\u00famero de objetos.<\/p>\n<p><strong>Da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Podemos dizer que isso se transmite na teoria anal\u00edtica. Na teoria anal\u00edtica, durante muito tempo se contou uma pequena hist\u00f3ria sobre o gozo, uma pequena hist\u00f3ria onde o gozo primordial era encontrado na rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, onde a incid\u00eancia da castra\u00e7\u00e3o era por efeito do pai e onde o gozo pulsional encontrava seus objetos, que eram Ersatz, que tamponavam a castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um aparato muito s\u00f3lido que foi construido, que abra\u00e7a os contornos da teoria anal\u00edtica. Mas, de qualquer maneira, vou endurecer a linha, \u00e9 uma superestrutura m\u00edtica com a qual, durante um tempo se logrou, com efeito, suprimir os sintomas, interpretando-os no marco desta superestrutura. Mas, interpretando o sintoma no marco desta superestrutura, quer dizer, prolongando o que eu chamava esta meton\u00edmia do gozo, se fez inflar o sintoma tamb\u00e9m, quer dizer, ele foi alimentado com sentido. A\u00ed se inscreve meu &#8220;ler o sintoma\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ler um sintoma vai no oposto, quer dizer, consiste em privar o sintoma de sentido. Por isso Lacan substitui o aparato de interpretar de Freud &#8211; que Lacan mesmo havia formalizado, havia esclarecido, quer dizer, o tern\u00e1rio ed\u00edpico &#8211; por um tern\u00e1rio que n\u00e3o produz sentido, o do Real, do Simb\u00f3lico e do Imagin\u00e1rio. Mas, ao deslocar a interpreta\u00e7\u00e3o do quadro ed\u00edpico em dire\u00e7\u00e3o ao quadro borromeano, \u00e9 o funcionamento mesmo da interpreta\u00e7\u00e3o que muda e passa da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando se diz que a psican\u00e1lise \u00e9 uma quest\u00e3o de escuta, \u00e9 preciso estar de acordo, \u00e9 o caso de diz\u00ea-lo. O que se escuta de fato, \u00e9 sempre o sentido e o sentido chama o sentido. Toda psicoterapia se sustenta nesse n\u00edvel. Isso desemboca sempre, em definitivo, em que o paciente \u00e9 o que deve escutar, escutar o terapeuta. Trata-se, ao contr\u00e1rio, de explorar o que \u00e9 a psican\u00e1lise e o que pode a n\u00edvel propriamente dito da leitura, quando se toma dist\u00e2ncia da sem\u00e2ntica \u2013 remeto-lhes aqui, \u00e0s indica\u00e7\u00f5es preciosas que h\u00e1 sobre esta leitura no escrito de Lacan que se chama \u00b4O aturdido\u00b4<sup>5<\/sup> e que voc\u00eas podem encontrar nos<em>Autres Ecrits<\/em>, p\u00e1gina 491 e seguintes, sobre os tr\u00eas pontos da homofonia, a gram\u00e1tica e a l\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Apontar o clinamen do gozo<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A leitura, o saber ler consiste em manter \u00e0 distancia, a palavra e o sentido que ela veicula, a partir da escritura como fora de sentido, como <em>Anzeichen<\/em>, como letra, a partir de sua materialidade. Enquanto que a palavra \u00e9 sempre espiritual, se posso dizer assim, e a interpreta\u00e7\u00e3o que se sustenta puramente ao n\u00edvel da palavra n\u00e3o faz mais que inflar o sentido, a disciplina da leitura aponta para a materialidade da escritura, quer dizer, a letra enquanto que ela produz o acontecimento de gozo que determina a forma\u00e7\u00e3o dos sintomas. O saber ler visa esse choque inicial que \u00e9 como um <em>clinamen<\/em> do gozo \u2013 <em>clinamen<\/em> \u00e9 um termo da filosofia dos estoicos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para Freud, como ele partia do sentido, isso se apresentava como um resto, mas, de fato, esse resto \u00e9 o que est\u00e1 nas origens do sujeito, \u00e9, de algum modo, o acontecimento origin\u00e1rio e, ao mesmo tempo, permanente, quer dizer, que se reitera sem cessar.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 o que se descobre, o que se desnuda na adic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o &#8220;mais um copo\u201d que escutamos falar h\u00e1 pouco<sup>6<\/sup> . A adic\u00e7\u00e3o \u00e9 a raiz do sintoma que \u00e9 feito da reitera\u00e7\u00e3o inextingu\u00edvel do mesmo Um. \u00c9 o mesmo, quer dizer, precisamente, n\u00e3o se adiciona. N\u00e3o teremos jamais o &#8220;bebi tr\u00eas copos, portanto, \u00e9 suficiente\u201d, bebe-se sempre o mesmo copo uma vez mais. Essa \u00e9 a raiz do sintoma. \u00c9 neste sentido que Lacan p\u00f4de dizer que um sintoma \u00e9 um <em>etc\u00e9tera<\/em>. Quer dizer, o retorno do mesmo acontecimento. Podemos fazer muitas coisas com a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo. Precisamente, podemos dizer que o sintoma \u00e9, neste sentido, como um objeto fractal, porque o objeto fractal mostra que a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo pelas aplica\u00e7\u00f5es sucessivas lhes d\u00e1 as formas mais extravagantes, inclusive se p\u00f4de dizer, as mais complexas, que o discurso matem\u00e1tico pode oferecer.<\/p>\n<p align=\"justify\">A interpreta\u00e7\u00e3o como saber ler visa reduzir o sintoma a sua f\u00f3rmula inicial, quer dizer, ao encontro material de um significante e do corpo, quer dizer, ao choque puro da linguagem sobre o corpo. Ent\u00e3o, certamente, para tratar o sintoma, \u00e9 preciso passar pela dial\u00e9tica m\u00f3vel do desejo, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio se desprender das miragens da verdade que essa decifra\u00e7\u00e3o lhes aporta e apontar mais al\u00e9m, \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o do gozo, \u00e0 opacidade do real. Se eu quisesse fazer falar a este real, lhe imputaria o que disse o deus de Israel na sar\u00e7a ardente, antes de emitir os mandamentos que s\u00e3o o revestimento de seu real: &#8220;sou o que sou\u201d<sup>7<\/sup> .<\/p>\n<h5 align=\"justify\">*Jacques Alain-Miller apresentou no final do Congresso da NLS que se realizou em Londres, nos dias 2 e 3 de abril de 2011, o tema do pr\u00f3ximo congresso que acontecer\u00e1 em Tel-Aviv, em junho de 2012. Texto estabelecido por Dominique Helvoet, n\u00e3o revisado pelo autor.<\/h5>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/p>\n<p>Texto\u00a0distribu\u00eddo por EBP-Veredas (EBP-Veredas \u00e9 uma lista sobre a psican\u00e1lise de difus\u00e3o privada e promovida pela Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP) em sintonia com a Escola Brasileira de Psican\u00e1lise) &#8211; E-mail: <a href=\"mailto:EBP-Veredas@yahoogrupos.com.br\">EBP-Veredas@yahoogrupos.com.br<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<div id=\"ecxyiv203023221ftn1\">\n<h6 class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteText\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn1\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[1]<\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\"><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Lacan, J. Radiophonie,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><em><span lang=\"FR\">Autres Ecrits,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/span><\/em><span lang=\"FR\">Paris, Seuil, 2001, p. 428<\/span><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<h6 align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn2\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[2]<\/span><\/span><\/a>\u00a0<span lang=\"FR\">Lacan J., \u00ab T\u00e9l\u00e9vision \u00bb,\u00a0<em>Autres Ecrits<\/em>, Paris, Seuil, 2001, p. 509<\/span><\/h6>\n<p class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteText\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn3\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[3]<\/span><\/span><\/a><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">Lacan J.,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>Le S\u00e9minaire,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/em>Livre XVIII<em>, D\u2019un discours qui ne serait pas du semblant<\/em>, Paris, PUF, 2007<\/span><\/p>\n<p class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteText\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn4\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[4]<\/span><\/span><\/a><span lang=\"FR\">Freud S.,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>Inhibition, sympt\u00f4me et angoisse<\/em>, 1926, Paris, PUF, 1986, p. 7<\/span><\/p>\n<p class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteText\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn5\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[5]<\/span><\/span><\/a><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">J. Lacan, \u00ab L\u2019\u00e9tourdit \u00bb,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>Autres Ecrits<\/em>, Paris, Seuil, 2001, pp. 491-493<\/span><\/p>\n<p class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteText\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref6\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn6\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[6]<\/span><\/span><\/a><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">J-A Miller fait r\u00e9f\u00e9rence \u00e0 l\u2019intervention de notre coll\u00e8gue Gabriela van den Hoven de la<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>London Society of the NLS<\/em><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>: \u00ab<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>The Symptom in an Era of Disposable Ideals<\/em><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>\u00bb, les sympt\u00f4mes \u00e0 l\u2019\u00e8re des id\u00e9aux jetables<\/span><\/p>\n<div id=\"ecxyiv203023221ftn7\">\n<h6 class=\"ecxyiv203023221MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/br.mc339.mail.yahoo.com\/mc\/welcome?.gx=1&amp;.tm=1312199650&amp;.rand=9vif8hsspm10c#_ftnref7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" name=\"_ftn7\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\"><span class=\"ecxyiv203023221MsoFootnoteReference\">[7]<\/span><\/span><\/a><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Disse<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">Mois\u00e9s a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a v\u00f3s e se eles me disserem: Qual \u00e9 o seu nome? Que lhes direi?<br \/>\nE disse Deus a Mois\u00e9s:\u00a0 Eu sou o que sou \u2013<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>Ehyeh asher Ehyeh<\/em><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>(La Bible, Exode 3,13-14a).<\/span><\/h6>\n<\/div>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Tenho que lhes revelar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo congresso da NLS, justific\u00e1-lo e apresentar algumas reflex\u00f5es sobre a quest\u00e3o que poder\u00e3o lhes servir de refer\u00eancia para a reda\u00e7\u00e3o dos trabalhos cl\u00ednicos que ele convoca *. Escolhi este t\u00edtulo para voc\u00eas, a partir de duas indica\u00e7\u00f5es que recebi da presidente de voc\u00eas, Anne Lysy. 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