{"id":1018,"date":"2016-10-27T09:25:56","date_gmt":"2016-10-27T09:25:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=1018"},"modified":"2016-10-27T09:25:56","modified_gmt":"2016-10-27T09:25:56","slug":"o-passe-em-questao-da-pequena-diferenca-do-narcisismo-a-diferenca-absoluta-do-desejo-do-analista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-passe-em-questao-da-pequena-diferenca-do-narcisismo-a-diferenca-absoluta-do-desejo-do-analista\/","title":{"rendered":"O passe em quest\u00e3o: da pequena diferen\u00e7a do narcisismo \u00e0 diferen\u00e7a absoluta do desejo do analista"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<div class=\"rt-articleinfo\">\n<h5 class=\"rt-articleinfo-text\"><span class=\"rt-author\">Sandra Arruda Grostein<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"rt-article-icons\">AME-EBP<\/h6>\n<h6 class=\"rt-article-icons\"><a href=\"mailto:sgrostein@uol.com.br\">sgrostein@uol.com.br<\/a><\/h6>\n<\/div>\n<p>O t\u00edtulo de AE \u00e9 dado, por tr\u00eas anos, a aqueles que s\u00e3o suscept\u00edveis de testemunhar sobre os problemas cruciais da psican\u00e1lise, segundo os estatutos das Escolas da AMP. Desta forma o qu\u00ea se privilegia nesta titula\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto o testemunho quanto a localiza\u00e7\u00e3o dos problemas que possam obstaculizar o avan\u00e7o da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma poss\u00edvel cr\u00edtica a algumas nomea\u00e7\u00f5es poderia ser que o qu\u00ea se testemunha se atem mais ao drama edipiano e as sa\u00eddas encontradas do que propriamente aos problemas cruciais da psican\u00e1lise. Portanto, a id\u00e9ia subjacente ao testemunho que \u00e9 a de sair do \u00e2mbito do privado e se apresentar ao p\u00fablico, est\u00e1 mantida. No entanto, o conte\u00fado destes testemunhos n\u00e3o alcan\u00e7a, na maioria das vezes, uma problematiza\u00e7\u00e3o tal da psican\u00e1lise, que com isto ela possa avan\u00e7ar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir da leitura de alguns cap\u00edtulos do Semin\u00e1rio, livro XI, de Lacan, particularmente os \u00faltimos, pode-se ressaltar uma problem\u00e1tica importante relativa ao final de an\u00e1lise, com o intuito de aprofundar a quest\u00e3o sobre o passe, destacando o franqueamento do plano das identifica\u00e7\u00f5es como \u00e9 tratado neste semin\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">No desenvolvimento dos argumentos sobre as duas opera\u00e7\u00f5es essenciais para a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito \u2013 aliena\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o- Lacan exemplifica uma delas, o &#8220;n\u00e3o\/sem\u201d pr\u00f3prio \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o, com o seguinte coment\u00e1rio:<br \/>\n&#8220;Pas moyen de me suivre sans passer par mes signifiants, mais passer par mes signifiants comporte ce sentiment d\u2019 alienation que les incite a chercher, selon la formule de Freud, la petite diff\u00e9rence.\u201d (p\u00e1g. 242 da ed. Francesa)<\/p>\n<p align=\"justify\">O narcisismo da pequena diferen\u00e7a, pode-se dizer que aparece quando o &#8220;fator letal\u201d pr\u00f3prio \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o atinge o sujeito de tal maneira que ele se defende tentando eliminar o outro, atrav\u00e9s da rivalidade imagin\u00e1ria. Isto \u00e9, na articula\u00e7\u00e3o significante o sujeito est\u00e1 sempre eclipsado entre os significantes, logo a vers\u00e3o insuport\u00e1vel da af\u00e2nise, do desaparecimento, do sujeito no Outro, apresenta-se segundo esta l\u00f3gica, ou ele ou eu, se um tem que morrer, que seja ele e n\u00e3o eu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, Lacan acrescenta ao seu coment\u00e1rio uma conseq\u00fc\u00eancia desta posi\u00e7\u00e3o narcisista:<br \/>\n&#8220;Malheureusement, cette petite diff\u00e9rence leur fait perdre la pont\u00e9e de la direction que je leur designais.\u201d (idem)<\/p>\n<p align=\"justify\">Donde se conclui que \u00e9 necess\u00e1rio suportar o desaparecimento nos significantes para que um sujeito possa advir e conseq\u00fcentemente abrir m\u00e3o, deixar cair suas identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias sustentadas num suposto eu ideal.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, para que este desaparecimento n\u00e3o seja vivido como uma oferta ao sacrif\u00edcio, outra opera\u00e7\u00e3o se faz a\u00ed necess\u00e1ria- a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 de fundamental import\u00e2ncia lembrar que se trata do terreno da transfer\u00eancia, pois como dizia Freud, o urso polar a principio n\u00e3o poder\u00e1 estar frente a frente com uma on\u00e7a pintada, pois eles vivem em territ\u00f3rios diferentes. De uma maneira aleg\u00f3rica poder\u00edamos dizer que o ajuste para que este encontro se d\u00ea, \u00e9 a transfer\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ou ainda seguindo Lacan no mesmo semin\u00e1rio, a transfer\u00eancia \u00e9 o qu\u00ea leva a demanda na dire\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o, o franqueamento da mesma que implica em seguir a dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria at\u00e9 o desejo do analista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, a opera\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o, fundamental para que sujeito da psican\u00e1lise possa advir, exige ao menos duas condi\u00e7\u00f5es, uma opera\u00e7\u00e3o anterior de aliena\u00e7\u00e3o e um terreno pr\u00f3prio \u2013 o da transfer\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para que a separa\u00e7\u00e3o ocorra \u00e9 necess\u00e1rio uma tor\u00e7\u00e3o, para que o sujeito se liberte do &#8221; efeito af\u00e2nisico do significante bin\u00e1rio\u201d ( S2) , o que resulta no recobrimento de duas faltas, logo n\u00e3o se trata mais de ou ele ou eu, mas de contornar o vazio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dito de outra maneira, n\u00e3o se sabe o que faz com o analista queira analisar, mas sabe-se que este desejo nada tem a ver com a demanda do analisante.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ainda com Lacan no mesmo semin\u00e1rio, &#8221; h\u00e1 uma diferen\u00e7a essencial entre o objeto definido como narcisico i (a) e a fun\u00e7\u00e3o do objeto a.\u201dp\u00e1g. 303.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para melhor compreender o resultado da opera\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o podemos esquematicamente propor que de um lado temos o sujeito e sua falta, de outro o objeto a que n\u00e3o recobre a falta, mas ao contr\u00e1rio sobra como um resto, que o sujeito tem que se haver com o que fazer com ele. J\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem se livrar, atribuindo-o a um outro, nem incorpor\u00e1-lo como anteriormente o fazia no conte\u00fado fantasm\u00e1tico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m disso, por mais paradoxal que possa parecer &#8220;o desejo de obter a diferen\u00e7a absoluta , que \u00e9 o desejo do analista\u201d, s\u00f3 se sustenta se houver um assujeitamento a esta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para retomar a quest\u00e3o do passe nas Escolas, se passamos numa an\u00e1lise do lugar da demanda de analisante para o do desejo do analista, os testemunhos s\u00e3o muito ricos em detalhes sobre os desdobramentos da demanda atrav\u00e9s da transfer\u00eancia indo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es, o que mapeia muito bem o drama edipiano, mas fracassa muitas vezes na articula\u00e7\u00e3o destes elementos ao desejo do analista. O que faz com que os testemunhos do passe sejam fundamentais para um maior entendimento da cl\u00ednica, mas nem tanto para os aspectos epist\u00eamicos.<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Sandra Arruda Grostein AME-EBP sgrostein@uol.com.br O t\u00edtulo de AE \u00e9 dado, por tr\u00eas anos, a aqueles que s\u00e3o suscept\u00edveis de testemunhar sobre os problemas cruciais da psican\u00e1lise, segundo os estatutos das Escolas da AMP. 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