{"id":9897,"date":"2025-08-26T19:50:15","date_gmt":"2025-08-26T22:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=9897"},"modified":"2025-08-26T19:53:06","modified_gmt":"2025-08-26T22:53:06","slug":"xiii-jornadas-eixo-4-paraiso-dos-amores-infantis","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xiii-jornadas-jogos-do-amor-parcerias-contemporaneas\/eixos-tematicos\/xiii-jornadas-eixo-4-paraiso-dos-amores-infantis\/","title":{"rendered":"XIII JORNADAS &#8211; \u00a0Eixo 4: \u201cpara\u00edso dos amores infantis\u201d"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9552&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text href=&#8221;#_ftn1&#8243;]\n<h2><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Eixo 4: \u201cpara\u00edso dos amores infantis\u201d<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Carmen Silvia Cervelatti<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\"><em>Membro da EBP\/AMP<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Camila Col\u00e1s<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\"><em>Membro da EBP\/AMP<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\"><em>Participantes da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o das XIII Jornadas da EBP-SP<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"background-color: initial; color: #9e9e9e; font-size: 20.927px;\">\u201c\u00c9 claro que entre os sexos que sexuados s\u00e3o (embora o sexo s\u00f3 se inscreva pela n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o) existem encontros.<\/span><\/p>\n<p>Existe o feliz acaso [<em>bon heur]<\/em>. Ali\u00e1s, s\u00f3 existe isso: felicidade do acaso! Os \u2018seres\u2019 falantes s\u00e3o felizes, felizes por natureza, \u00e9 desta maneira, inclusive, tudo o que lhes resta.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cFalar de amor, com efeito, n\u00e3o se faz outra coisa no discurso anal\u00edtico\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, por isso se n\u00e3o existissem os impasses do amor, n\u00e3o existiria a psican\u00e1lise. As pessoas falam muito dos encontros e dos desencontros amorosos, associando-os, de alguma maneira, ao amor objetal infantil.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201cpara\u00edso dos amores infantis\u201d foi cunhada por Lacan<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> para nos dizer que o inconsciente s\u00e3o pensamentos articulados, o \u201cAlhures\u201d. Ele pode ser reduzido \u201c\u00e0 forma de uma nostalgia, de um Para\u00edso perdido ou futuro; o que encontramos a\u00ed \u00e9 o para\u00edso dos amores infantis, onde Baudelaire de Deus!, ele se abst\u00e9m de coisas escandalosas\u201d. No para\u00edso dos amores infantis n\u00e3o h\u00e1 o escandaloso do encontro com o corpo sexuado, o corpo como instrumento de gozo no encontro sexual.<\/p>\n<p>Em \u201cPara\u00edsos artificiais\u201d, Baudelaire associa tais para\u00edsos a um estado de esp\u00edrito que se busca a transcend\u00eancia, muitas vezes ligada \u00e0 arte e ao uso de drogas. S\u00e3o artif\u00edcios para fugir da realidade humana, para fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual, l\u00e1 onde n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p>Sigamos Freud com os amores infantis. O \u201camor feliz\u201d est\u00e1 relacionado \u00e0 nostalgia de um objeto perdido, o qual n\u00e3o passaria de uma cena fantasiada, que o sujeito busca repetir no decorrer de sua hist\u00f3ria. \u201cO impasse sexual secreta as fic\u00e7\u00f5es que racionalizam a impossibilidade da qual prov\u00e9m\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Do autoerotismo sobrev\u00e9m o narcisismo prim\u00e1rio como um acr\u00e9scimo, \u201cuma nova a\u00e7\u00e3o ps\u00edquica\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> na vida pulsional. O que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o para a passagem do autoer\u00f3tico ao narc\u00edsico \u00e9 o est\u00e1dio do espelho lacaniano. O mundo imagin\u00e1rio \u00e9 um mundo inst\u00e1vel, de sombras, um mundo de loucura onde reina o Desejo da M\u00e3e, ca\u00f3tico, fora das ins\u00edgnias do Nome-do-Pai. Nesta fronteira encontramos v\u00e1rios diagn\u00f3sticos: do autismo \u00e0 psicose e a neurose quando o amor se fez objetal, mas retorna narc\u00edsico. Para Freud, na parafrenia, n\u00e3o ser amado corresponde um aumento do amor pr\u00f3prio e na neurose uma diminui\u00e7\u00e3o. A devasta\u00e7\u00e3o feminina tamb\u00e9m se insere no pr\u00e9-ed\u00edpico.<\/p>\n<p>Freud observou que \u201ctodo ser humano tem originalmente dois objetos sexuais: ele pr\u00f3prio e a mulher que o cria\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, deixando tra\u00e7os ps\u00edquicos que se manifestam na vida amorosa, nas rela\u00e7\u00f5es de objeto. A libido, sempre narc\u00edsica, circula entre o eu e o outro, seus objetos, podendo retornar ao eu. \u201cO retorno da libido objetal ao Eu, sua transforma\u00e7\u00e3o em narcisismo, representa como que um amor feliz novamente e, por outro lado, um real amor feliz corresponde ao estado primordial em que libido de objeto e libido do Eu n\u00e3o se distinguem uma da outra\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>No enamoramento h\u00e1 transbordamento da libido do Eu para o objeto. \u201cEle tem o poder de levantar repress\u00f5es e restaurar pervers\u00f5es. Ele eleva o objeto sexual a ideal sexual. Como, no tipo objetal ou de apoio, ele sucede com base no cumprimento de condi\u00e7\u00f5es de amor infantis, pode-se dizer que tudo o que preencher tal condi\u00e7\u00e3o de amor ser\u00e1 idealizado\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Se levanta o recalque e restaura pervers\u00f5es, situamos aqui os amores loucos?<\/p>\n<p>\u201cO que ele projeta diante de si como seu ideal \u00e9 o substituto para o narcisismo perdido da inf\u00e2ncia, na qual ele era seu pr\u00f3prio ideal\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>; n\u00e3o h\u00e1 ren\u00fancia da satisfa\u00e7\u00e3o infantil, o sujeito n\u00e3o quer se privar da perfei\u00e7\u00e3o narcisista. V\u00ea-se a\u00ed a busca apaixonada pelos corpos perfeitos, pelos ideais de beleza como ideal narc\u00edsico.<\/p>\n<p>Enquanto \u201co amor, em sua ess\u00eancia, \u00e9 narc\u00edsico\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, trata-se, portanto, do amor imagin\u00e1rio, especular porque \u00e9 o amor que se joga entre o eu e o outro, seus objetos. Nessa parceria, o eu funciona como sombra do outro, e o jogo se d\u00e1 mediante uma identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem do outro, visando a uma imagem una, como se voltasse ao para\u00edso perdido, ao j\u00fabilo do est\u00e1dio do espelho. O corpo sob as vestimentas, o corpo nu, talvez seja o objeto <em>a<\/em>, um resto que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem e n\u00e3o faz signo ao amor. Por isso, ainda que rec\u00edproco, diz Lacan, o amor \u00e9 impotente \u201cporque ignora que \u00e1 apenas o desejo de ser Um, o que nos conduz ao imposs\u00edvel de estabelecer a rela\u00e7\u00e3o dos &#8230; dois sexos\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o da vestimenta da imagem de si, que vem envolver o objeto causa do desejo, que se sustenta mais frequentemente \u2013 \u00e9 mesmo a articula\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise \u2013 a rela\u00e7\u00e3o objetal\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>O mal-estar contempor\u00e2neo se traduz em rivalidade, em choque, percept\u00edvel nas guerras entre civiliza\u00e7\u00f5es diversas, por vezes antag\u00f4nicas, por disputas de territ\u00f3rios e pela hegemonia de poder. Estamos num mundo aguerrido, belicoso, presente nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas. Miller pontua que \u201co Simb\u00f3lico se consagra \u00e0 imagem\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> porque n\u00e3o consegue perfurar o Imagin\u00e1rio, gerando a decad\u00eancia da virtude ficcional da verdade em nossos tempos.<\/p>\n<p>Depois da conex\u00e3o dos discursos do capitalista e da ci\u00eancia se faz crer na possibilidade de um gozo sem o perturbador que h\u00e1 no amor. A promessa \u00e9 de um gozo imediato, vislumbrado nas mais diversas pr\u00e1ticas, e saci\u00e1vel pelas fantasias, com ou sem a presen\u00e7a dos corpos. Os corpos cobertos por tatuagens, m\u00fasculos, destitu\u00eddos das carnes da sexualidade, tanto pelo desaparecimento (anorexia) quanto pelo encobrimento (obesidade), enaltecendo um ego diferente do freudiano, inspirado em Joyce? Contrata-se maneiras de gozo que ignoram o amor e o desejo. Como pensar a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece com a intelig\u00eancia artificial, qual \u00e9 essa nova forma de gozo que passa por n\u00e3o ter o encontro com o corpo sexuado? Um amor ainda solit\u00e1rio, mas nem tanto?<\/p>\n<p>Dos amores infantis, da rela\u00e7\u00e3o com os primeiros objetos, tamb\u00e9m convidamos a um passeio pela cl\u00ednica das adi\u00e7\u00f5es, das compuls\u00f5es, dos amores sem o Outro, narc\u00edsicos por excel\u00eancia, do amor na psicose, dos amores imposs\u00edveis, dos amores solit\u00e1rios e outros temas. Haveria amor poss\u00edvel, quando o mais-de-gozar oferece aquilo que se vislumbra como um para\u00edso artificial?<\/p>\n<p>Podemos nos perguntar com Miller, se aqui haveria como ponto de partida \u201cesta figura do amor que n\u00e3o quer saber nada, do amor cego, o amor situado como contr\u00e1rio do saber. \u00c9 um amor fundado na ignor\u00e2ncia do desejo\u201d. Sabemos que o desejo \u00e9 fundado sobre um <em>eu n\u00e3o sei <\/em>e por estrutura, insatisfeito e por isso pode ir ao infinito. Miller, sobre as consequ\u00eancias que podemos extrair da cl\u00ednica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda e do que concerne ao objeto de gozo, diz: \u201cespecifiquemos o que liga a demanda ao amor \u2013 pode-se demandar amor, ao passo que n\u00e3o se pode demandar desejo\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um amor igual a outro. Quando transitamos num territ\u00f3rio que vai mais al\u00e9m da repeti\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o amor n\u00e3o \u00e9 mais sempre o mesmo, \u00e9 quando h\u00e1 a possibilidade de ser sempre Outro para cada Um<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. O amor desperta um inc\u00f4modo, busca-se a certeza, mas se d\u00e1 de cara com a falta de uma f\u00f3rmula que falta no real e que o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio tentam dar-lhe uma raz\u00e3o. \u201cO real \u00e9 o mist\u00e9rio do corpo falante, \u00e9 o mist\u00e9rio do inconsciente\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. O real, que sempre permanece como enigma, mente ao parceiro e por isso inscreve-se como neurose, pervers\u00e3o ou psicose<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. O gozo se decifra, raz\u00e3o do trabalho anal\u00edtico pela via pulsional.<\/p>\n<p>O fantasma em suas tr\u00eas dimens\u00f5es nos ajuda a pensar a cl\u00ednica atual. No imagin\u00e1rio h\u00e1 \u201ca produ\u00e7\u00e3o das imagens dos aspectos do mundo, uma produ\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria dos personagens do ambiente do sujeito\u201d. No simb\u00f3lico se trata \u201cde uma pequena hist\u00f3ria que deve obedecer a determinadas regras, certas leis de constru\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o as leis da l\u00edngua\u201d, que se decanta em uma frase. A dimens\u00e3o real, fundamental, \u201ctem um car\u00e1ter de res\u00edduo, que n\u00e3o pode ser modificada\u201d. Presente durante toda a experi\u00eancia anal\u00edtica, sua constru\u00e7\u00e3o e atravessamento, segue at\u00e9 o seu final, o qual se daria por uma modifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o real do fantasma<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico \u201ctraz uma promessa: introduzir o novo. E isso, coisa incr\u00edvel, no campo a partir do qual se produz o inconsciente, j\u00e1 que seus impasses, certamente entre outros, revelam-se no amor\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Com o amor de transfer\u00eancia \u201co sujeito \u00e9 suposto saber em que ele consiste como sujeito do inconsciente, e \u00e9 isso que \u00e9 transferido ao analista\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Tamb\u00e9m em \u201cTelevis\u00e3o\u201d<em>,<\/em> Lacan faz refer\u00eancia \u00e0 \u00e9tica do Bem-dizer, e vai contra a sexologia, pois \u201cpela pervers\u00e3o n\u00e3o se pode construir nada de novo no amor\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. \u00c9 pelo impasse de formula\u00e7\u00e3o, do imposs\u00edvel de cernir pelas palavras que impactam o corpo e pela inscri\u00e7\u00e3o dos acontecimentos de corpo que reside a chance de tocar o real e impedir que a verdade queira ser toda dita.<\/p>\n<p>\u201cO novo amor, como este signo que troca de discurso n\u00e3o \u00e9 da ordem do ideal, sendo singular a cada sujeito. Seria o novo amor a produ\u00e7\u00e3o de um novo discurso a partir de um acontecimento de corpo, como uma contrapartida singular ao amor narc\u00edsico? Seria ele o resultado da queda das identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias que propiciaram a forma\u00e7\u00e3o do Eu?\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Lacan prop\u00f4s um amor mais digno que o bl\u00e1&#8230;bl\u00e1&#8230;bl\u00e1 onde se borra sua autenticidade. Talvez uma das formas poss\u00edveis de nomear o amor mais digno nesta \u00e9poca em que os v\u00e9us se desgarram, \u00e9 aquele que possa sintomatizar-se de tal maneira que permita n\u00e3o fazer do gozo pura obscenidade<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. \u201cMais que \u2018uma constru\u00e7\u00e3o de verdade\u2019, como disse Alain Badiou, o amor \u00e9 um peda\u00e7o de real que pode ser oferecido como possibilidade de faz\u00ea-lo funcionar como sinthoma, uma forma de oferecer \u00e0 exist\u00eancia um furo atrav\u00e9s do qual possa respirar. Se o amor se amarra ao sintoma temos efetivamente a possibilidade de analis\u00e1-lo<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Laurent, em <em>O<\/em> <em>Avesso da Biopol\u00edtica<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><strong>[25]<\/strong><\/a> <\/em>na li\u00e7\u00e3o<em> \u201c<\/em>O gozo do corpo sustenta o sintoma\u201d, traz um novo ponto de partida em rela\u00e7\u00e3o ao amor que n\u00e3o se funda no narcisismo da imagem, mas na articula\u00e7\u00e3o do sujeito com o real, ou seja, \u201c\u00e9 o sinthoma que lhe d\u00e1 uma subst\u00e2ncia\u201d. Ele cita Miller \u201cUma defini\u00e7\u00e3o do amor que n\u00e3o \u00e9 narc\u00edsica; o amor narc\u00edsico \u00e9 aquele que visa a uma imagem, enquanto o amor lacaniano \u00e9 aquele que visa ao sujeito. O sujeito suposto \u00e9 amor, na medida que introduz sentido e saber no real\u201d. Como, a partir das condi\u00e7\u00f5es do amor dadas pelo amor infantil, \u00e9 poss\u00edvel sair da repeti\u00e7\u00e3o e ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a do sintoma e ao sinthoma?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos <em>Escritos<\/em>. <em>In<\/em>: <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 553<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. (1972-1973) O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, p. 89.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose. <em>In<\/em>: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, p. 554<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, J. Televis\u00e3o. <em>In:<\/em> <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 531.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> FREUD, S. Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo. Ensaios de metapsicologia e outros textos. <em>In<\/em>: Obras Completas. Vol. 12, p.19.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> FREUD, S. Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo. Ensaios de metapsicologia e outros textos. <em>In:<\/em> Obras Completas. Vol. 12, p.33.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Idem, pp.47-48<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Idem, p.49.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Idem, p.40.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> LACAN, J. (1972-1973) O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar Ed. 1982, p. 14.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Idem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Idem, p.125.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> MILLER, J-A. El Outro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005, p.14.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> MIILER, J. Objeto gozo. <em>In: <\/em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, n.82, 2020, p.31-32.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/texto4_oscar-ventura.pdf<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> LACAN, J. (1972-1973) O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, p. 178.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> LACAN, J. Televis\u00e3o. <em>In:<\/em> <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 515<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> MILLER, J<em>. <\/em>Introducci\u00f3n a la cl\u00ednica lacaniana. \u2013 Conferencias em Espa\u00f1a. Barcelona: Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, 2006, pp. 30-31.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Idem, p. 529.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Idem, p. 529-530,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Idem, p. 532.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/texto4_oscar-ventura.pdf<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/texto4_oscar-ventura.pdf<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2020\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/texto4_oscar-ventura.pdf<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> LAURENT, E<em>. O <\/em>Avesso da biopol\u00edtica, uma escrita para o gozo. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016, p.73.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #616161; font-size: 17px;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/h3>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9552&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text href=&#8221;#_ftn1&#8243;] \u00a0Eixo 4: \u201cpara\u00edso dos amores infantis\u201d Carmen Silvia Cervelatti Membro da EBP\/AMP Camila Col\u00e1s Membro da EBP\/AMP Participantes da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o das XIII Jornadas da EBP-SP &nbsp; \u201c\u00c9 claro que entre os sexos que sexuados s\u00e3o (embora o sexo s\u00f3 se inscreva pela n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o) existem encontros. Existe o feliz acaso&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":9627,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-9897","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9897"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9904,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9897\/revisions\/9904"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/9627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}