{"id":9551,"date":"2025-05-09T06:34:19","date_gmt":"2025-05-09T09:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=9551"},"modified":"2025-05-23T18:06:37","modified_gmt":"2025-05-23T21:06:37","slug":"apresentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xiii-jornadas-jogos-do-amor-parcerias-contemporaneas\/apresentacao\/","title":{"rendered":"XIII JORNADAS &#8211; Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9552&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><em><span style=\"color: #800000;\">I want love, I am in a bad romance<a style=\"color: #800000;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> &#8230;<\/span><\/em><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Veridiana Marucio\u00a0 &#8211; Membro da EBP\/AMP<br \/>\n<\/em><em>Diretora Geral da EBP-SP<\/em><\/span><\/p>\n<p>Escolher o t\u00edtulo desta jornada foi, desde o in\u00edcio, um exerc\u00edcio democr\u00e1tico \u2014 e, portanto, desafiador.<\/p>\n<p>Desde as primeiras reuni\u00f5es, entre conversas intensas e muitas escutas partilhadas, eu e minhas parceiras de diretoria come\u00e7amos a desenhar o caminho a partir de uma certeza comum: quer\u00edamos falar do amor.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o do amor idealizado, rom\u00e2ntico. Quer\u00edamos falar das suas dores. Quer\u00edamos falar do que se diz sobre o amor na cl\u00ednica \u2014 e, sobretudo, do que uma an\u00e1lise pode fazer com o amor para al\u00e9m do amor de transfer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Mas&#8230; o amor, de novo?<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9. Parece\u00a0<em>d\u00e9j\u00e0<\/em> <em>vu\u00a0<\/em>\u2014 e talvez seja mesmo. Por que esse tema insiste em voltar?<\/p>\n<p>Falar de amor \u2014 de suas dores e del\u00edcias \u2014, escutar as coisas do amor, produz satisfa\u00e7\u00e3o. Fato. E \u00e9 preciso estar advertido dos efeitos desse entusiasmo. Sobretudo do risco de ocuparmos o lugar daquele que supostamente \u201csabe\u201d sobre o amor. (<em>Spoiler<\/em>: n\u00e3o h\u00e1 garantias \u2014 e n\u00f3s definitivamente n\u00e3o somos especialistas do amor.)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Primeiro, porque, embora \u00e0 primeira vista o amor possa parecer um tema superficial diante de outras quest\u00f5es cruciais da psican\u00e1lise, ele est\u00e1 longe de ser irrelevante. Muito pelo contr\u00e1rio: o amor faz sintoma. E como faz! A enxurrada de ensaios sociol\u00f3gicos, filos\u00f3ficos (sem esquecer das <em>playlists<\/em> de sofr\u00eancia e dos memes) publicados nos \u00faltimos anos mostra o quanto ele continua tensionando o mal-estar contempor\u00e2neo. Ainda que tentemos descart\u00e1-lo, ele resiste. Insiste.<\/p>\n<p>E se vivemos, como nos ensina Lacan, sob o dom\u00ednio do discurso capitalista \u2014 esse que \u201cn\u00e3o quer saber nada das coisas do amor\u201d \u2014, ent\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel: o amor retorna. No real. Com sua estranheza, sua f\u00faria e sua absoluta falta de garantias.<\/p>\n<p>Inspiradas pela for\u00e7a do t\u00edtulo das jornadas da NLS,\u00a0<em>Painful Love<\/em>, come\u00e7amos a ensaiar algumas possibilidades. \u201cAmores dolorosos\u201d, em portugu\u00eas, n\u00e3o nos soava bem. Muitas ideias surgiram \u2014 tantas que j\u00e1 nem me lembro de todas \u2014 at\u00e9 que chegamos a uma proposta provis\u00f3ria:\u00a0\u201cPalavras de amor. \u201c<\/p>\n<p>Curiosamente, ao longo desse processo, fomos esquecendo da dor. Foi a coordenadora da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o quem nos alertou para esse apagamento:<\/p>\n<p><strong>\u201cO que voc\u00eas fizeram com a dor?\u201d<\/strong><\/p>\n<p><em>Pra que rimar amor e dor?<\/em><\/p>\n<p>Essa sugest\u00e3o de t\u00edtulo que, a princ\u00edpio, nos seduzia pela beleza da can\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o nos parecia suficiente \u2014 algo nele n\u00e3o tocava o ponto certo.<\/p>\n<p><em>Amores que machucam?<\/em><\/p>\n<p>Retomamos a discuss\u00e3o. Afinal, n\u00e3o era apenas das dores de amor que quer\u00edamos falar. Chegamos, inclusive, a propor\u00a0\u201cO amor em todos os seus estados\u201d\u00a0\u2014 um t\u00edtulo ambicioso, sim, mas que j\u00e1 partia de um certo fracasso.<\/p>\n<p>Foi assim que, em vez de buscar diretamente um nome, come\u00e7amos a levantar as perguntas que realmente quer\u00edamos colocar em <strong>jogo<\/strong>:<\/p>\n<p>Ainda nos apaixonamos? Ainda apostamos no amor?<\/p>\n<p>Se, em\u00a0O Semin\u00e1rio, Livro 10: A Ang\u00fastia, Lacan p\u00f4de afirmar que \u201cs\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d, como isso se coloca hoje?<\/p>\n<p>Quando elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de verdade, o amor revela sua fragilidade: decepciona com rapidez e, muitas vezes, n\u00e3o resiste \u00e0 dura prova da conviv\u00eancia \u2014 a dois, a tr\u00eas, a quatro&#8230;<\/p>\n<p>Seria a perda de gozo que o amor implica o que afasta os casais contempor\u00e2neos?<\/p>\n<p>O amor exige, de fato, um certo consentimento \u00e0 falta \u2014 e cabe perguntar se, na cl\u00ednica de hoje, essa falta ainda opera como alavanca ou se ela passou a funcionar como um buraco a evitar a todo custo.<\/p>\n<p>Somamos a essas perguntas algumas constata\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>O \u201camor da minha vida\u201d parece ter sa\u00eddo de cena. Deu lugar ao\u00a0<em>speed dating<\/em>, ao\u00a0<em>speed loving<\/em>\u00a0e a toda uma coreografia de encontros amorosos que podem ser alternativos, sucessivos \u2014 e, por que n\u00e3o, simult\u00e2neos.<\/p>\n<p>Por outro lado, convivemos com o crescimento de pedidos de noivado perform\u00e1ticos e casamentos cada vez mais tradicionais que tamb\u00e9m figuram entre as exig\u00eancias do amor contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que, nesse processo democr\u00e1tico (e nada linear) de constru\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo, algu\u00e9m da comiss\u00e3o soltou, quase como quem n\u00e3o quer nada:\u00a0\u201co que se joga no amor? Os Jogos do Amor\u201d.<br \/>\nE outro emendou, sem perder o <em>timing<\/em>:\u00a0\u201cParcerias contempor\u00e2neas\u201d.<\/p>\n<p>Pronto. A coisa pegou. Entre <em>matches<\/em> que duram 10 minutos e casamentos que custam o pre\u00e7o de um apartamento, entre promessas de eternidade e sil\u00eancios no <em>WhatsApp<\/em>, os famosos <em>ghostings<\/em>, parecia que t\u00ednhamos achado o tom certo.<\/p>\n<p>Faltava decidir se eram os jogos, ou jogos, e enfim decidimos por: <strong>\u201cJogos do amor, parcerias contempor\u00e2neas\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Para finalizar essa apresenta\u00e7\u00e3o, deixo algumas perguntas que me pareceram especialmente pertinentes \u2014 e que, confesso, tocaram algo em mim quando iniciamos a nossa divulga\u00e7\u00e3o nas redes:<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as can\u00e7\u00f5es de amor que ecoam os encontros amorosos contempor\u00e2neos?<br \/>\nDe Lady Gaga (<em>poker face<\/em>), passando por Mar\u00edlia Mendon\u00e7a (de quem \u00e9 a culpa) a Arnaldo Antunes (O Amor \u00e9 a droga mais forte) dentre outros \u2014 o que embala os amores de hoje?<\/p>\n<p>Quais ideias de amor est\u00e3o presentes nas m\u00fasicas que ouvimos no cotidiano? O que elas nos dizem sobre os modos de amar (e desamar) atualmente?<\/p>\n<p>E como essas formas de amar chegam \u00e0 escuta do analista? E como isso ressoa na cl\u00ednica?<\/p>\n<p>Demos a largada! Agora, vamos construir juntos essa <em>playlist<\/em> \u2014 com todos os tons, pausas, refr\u00f5es e repeti\u00e7\u00f5es que o amor comporta.<\/p>\n<p><strong><em>Poker Face<\/em> \u2013 Lady Gaga<\/strong><\/p>\n<p>Aposto alto, mostro o que tenho<br \/>\nSou como ningu\u00e9m nesse cassino<br \/>\nVou deix\u00e1-lo duro como pedra<br \/>\nE ent\u00e3o jog\u00e1-lo como se fosse meu brinquedo favorito<br \/>\nE eu nunca vou contar, nunca, nunca<br \/>\nN\u00e3o se preocupe com meus segredos<br \/>\nN\u00e3o vou contar pra ele que estou apaixonada<br \/>\nN\u00e3o, ele n\u00e3o sabe o que estou sentindo<br \/>\nN\u00e3o vou contar pra ele que estou apaixonada<br \/>\nN\u00e3o, ele n\u00e3o sabe&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mar\u00edlia Mendon\u00e7a (de quem \u00e9 a culpa)\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>\u201cDeixa, deixa mesmo de ser importante<br \/>\nVai deixando a gente pra outra hora<br \/>\nE quando se der conta j\u00e1 passou<br \/>\nQuando olhar pra tr\u00e1s j\u00e1 fui embora&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arnaldo Antunes ( O Amor \u00e9 a droga mais forte)<\/strong><\/p>\n<p>O amor \u00e9 a droga mais forte<br \/>\nQue vicia logo no flerte<br \/>\nE o que vem depois se reparte<br \/>\nCicatriz por cima do corte<br \/>\nO destino faz sua parte<br \/>\nFora isso s\u00f3 mesmo a sorte<br \/>\nMais que isso s\u00f3 mesmo a morte\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cBad Romance\u201d\u00a0foi escrita por\u00a0Lady Gaga\u00a0(nome verdadeiro Stefani Germanotta) em parceria com o produtor\u00a0<em>RedOne<\/em> (Nadir Khayat). Gaga escreveu a m\u00fasica durante uma turn\u00ea, inspirada por temas como amor obsessivo, desejo torto e a dualidade entre prazer e dor \u2014 todos bem presentes nas rela\u00e7\u00f5es modernas. RedOne, que tamb\u00e9m produziu o <em>hit<\/em>, foi um colaborador frequente dela na \u00e9poca do \u00e1lbum\u00a0The Fame Monster\u00a0(2009), de onde \u201cBad Romance\u201d faz parte. Curiosidade r\u00e1pida: Gaga disse que queria capturar \u201caquela dor que vem com o amor verdadeiro\u201d \u2014 e dar a isso uma est\u00e9tica <em>pop<\/em> eletrwizante. Fonte (<em>Chatgpt<\/em>).<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;9552&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] I want love, I am in a bad romance[1] &#8230; Veridiana Marucio\u00a0 &#8211; Membro da EBP\/AMP Diretora Geral da EBP-SP Escolher o t\u00edtulo desta jornada foi, desde o in\u00edcio, um exerc\u00edcio democr\u00e1tico \u2014 e, portanto, desafiador. 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