{"id":6914,"date":"2023-04-15T11:17:01","date_gmt":"2023-04-15T14:17:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=6914"},"modified":"2023-10-09T06:21:57","modified_gmt":"2023-10-09T09:21:57","slug":"xii-jornadas-r-i-s-o-apresentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xii-jornadas-r-i-s-o\/xii-jornadas-r-i-s-o-apresentacao\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;8970&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]\n<h3><strong>APRESENTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<h6><em>Niraldo de Oliveira Santos<\/em><br \/>\n<em>Membro da EBP\/AMP<\/em><br \/>\n<em>Diretor Geral da EBP-SP<\/em><\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Por que a Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, realiza suas Jornadas anuais?<\/p>\n<p>Uma jornada, no singular, \u00e9 uma marcha ou um percurso que se faz em um dia; \u00e9 uma viagem por terra, uma caminhada, uma andada; pode ser tamb\u00e9m uma empreitada militar, uma campanha, uma expedi\u00e7\u00e3o. \u00c9 derivada da palavra\u00a0<em>viaticum<\/em>: do latim, <em>via<\/em>, \u201ccaminho\u201d, \u201cestrada\u201d; sendo \u201cviagem\u201d e \u201cjornada\u201d, sin\u00f4nimos\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. No sentido figurado, tamb\u00e9m designa uma transi\u00e7\u00e3o de um fato ou conjunto de fatos que digam respeito a uma ou mais pessoas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Portanto, nossas Jornadas, no plural &#8211; pois ser\u00e3o feitas em dois dias &#8211; visam a passagem de um ponto ao outro, n\u00e3o s\u00f3 no tempo, mas tamb\u00e9m na finalidade. Trata-se de um caminho que n\u00e3o pretendemos realizar sozinhos. Podemos dizer que esta viagem ter\u00e1 seu \u00e1pice nos dias 27 e 28 de outubro, mas come\u00e7am desde j\u00e1. A proposta \u00e9 a de fazermos o percurso inteiro inserindo o corpo nesta expedi\u00e7\u00e3o; por isso, resolvemos faz\u00ea-la exclusivamente presencial.<\/p>\n<p>Para estas Jornadas que agora se iniciam, a Diretoria da EBP-SP escolheu Gustavo Oliveira Menezes para a Coordena\u00e7\u00e3o Geral; R\u00f4mulo Ferreira da Silva, para a Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o; e Gustavo Stiglitz, AME, membro da EOL e da AMP, como nosso convidado internacional. Juntamente com uma ampla Comiss\u00e3o Organizadora tra\u00e7amos um roteiro inusitado, servindo-nos dos mapas elaborados por Freud e Lacan &#8211; que s\u00e3o constantemente atualizados pelo Campo Freudiano &#8211; para nos lan\u00e7armos no territ\u00f3rio do R.I.S.o e sua (re)percuss\u00e3o no tratamento psicanal\u00edtico e na nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por que escolhemos este tema? Podemos iniciar dizendo que ele j\u00e1 estava no meio de n\u00f3s. Vez por outra, nas reuni\u00f5es da ent\u00e3o Diretoria Adjunta e nos intervalos das atividades de psican\u00e1lise neste \u00faltimo ano, o tema do <em>Witz<\/em> e do riso voltava, e nos causava desejo de empreender um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o coletiva. Como o riso se articula ao objeto <em>a<\/em>, tema de trabalho proposto pela Diretoria da EBP-SP neste bi\u00eanio? Lidar com os restos de nossas fantasias pode levar ao riso?<\/p>\n<p>Frequentemente o riso e o c\u00f4mico s\u00e3o associados ao divertimento e a algo de pouco s\u00e9rio. \u00c9 o caso do riso imotivado das crian\u00e7as; dos idiotas, que riem com frequ\u00eancia e de modo barulhento; e dos deuses da mitologia, que gargalham da exuber\u00e2ncia de suas a\u00e7\u00f5es. Este \u201cpouco s\u00e9rio\u201d do riso \u00e9 suscet\u00edvel de se tornar anti-s\u00e9rio, ou at\u00e9 mesmo, subversivo<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Diferentemente do sorriso, associado \u00e0 est\u00e9tica do belo, do disciplinado e do comedido, o riso distorce a simetria facial e faz contorcer o corpo, leva-o \u00e0 descompostura. Com seu efeito liberador, o riso pode ser uma via de transgress\u00e3o do pacto de obedi\u00eancia do humano aos signos dos costumes na ordem social.<\/p>\n<p>Por eclipsar nossa subjetividade, o riso, mesmo que apenas por um espa\u00e7o de um instante, falseia o que Kant chamou de Compreens\u00e3o. Essa peculiaridade d\u00e1 m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o ao riso, pois o coloca em uma vizinhan\u00e7a com a loucura<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>O riso e o s\u00e9rio s\u00e3o concili\u00e1veis? \u00c9 poss\u00edvel fazer do territ\u00f3rio do riso um lugar de verifica\u00e7\u00e3o dos conceitos fundamentais para a cl\u00ednica psicanal\u00edtica em nossa \u00e9poca? O que faz rir e vibrar o corpo em uma sess\u00e3o de an\u00e1lise?<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 5, Lacan referiu que a quest\u00e3o do riso se achava longe de ser resolvida<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. E que, mesmo o fato de dizer que este \u00e9 pr\u00f3prio do homem, n\u00e3o \u00e9 absolutamente certo. Para ele, o riso vai al\u00e9m tanto do espirituoso quanto do c\u00f4mico. Diz-nos Lacan:<\/p>\n<blockquote><p>Existe a simples comunica\u00e7\u00e3o do riso, o riso do riso. H\u00e1 o riso ligado ao fato de que n\u00e3o conv\u00e9m rir. O riso incontido das crian\u00e7as em certas situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m merece reter a aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda um riso de ang\u00fastia e at\u00e9 o da amea\u00e7a iminente, o riso nervoso da v\u00edtima que de repente se sente amea\u00e7ada por algo que ultrapassa at\u00e9 mesmo os limites de sua expectativa, o riso do desespero. E h\u00e1 at\u00e9 o riso do luto do qual se \u00e9 bruscamente informado<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por\u00e9m, Lacan nos adverte de que devemos ser prudentes e termos cautela neste campo, para n\u00e3o corrermos o risco de resvalar para uma fenomenologia ou uma psicologia do riso. Ele nos convoca a irmos al\u00e9m do conjunto dos fen\u00f4menos do prazer.<\/p>\n<p>Neste momento de seu ensino, Lacan situa o riso do lado do imagin\u00e1rio, quando se produzem quedas de tens\u00e3o decorrentes da liberta\u00e7\u00e3o da imagem<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. No \u00e2mbito do imagin\u00e1rio, Lacan exp\u00f5e a vertente dual do riso. No <em>Witz<\/em>, termo que ele preferiu manter em alem\u00e3o, fica expl\u00edcita a estrutura lingu\u00edstica, fazendo com que um tern\u00e1rio seja necess\u00e1rio: aquele que fala, o outro e a linguagem. Mas \u00e9 no final de seu ensino que Lacan indica mais precisamente a marca do <em>Witz<\/em> para al\u00e9m do chiste. Como o riso pode tocar o corpo, liberando-o dos dom\u00ednios da verdade? Ser\u00e1 que aqui o riso seria esse lado do <em>Witz<\/em> capaz de tocar o corpo para al\u00e9m do sentido? Qual a vertente real do riso?<\/p>\n<p>Para Gustavo Stiglitz, \u201ch\u00e1 um efeito de afeto no corpo, trat\u00e1vel pelo significante, e um excedente\/faltante que localizamos com os conceitos de objeto, letra, borda de semblante, umbigo, sinthoma\u201d. E o <em>Witz<\/em>, continua Stiglitz, \u201creenla\u00e7a esse imposs\u00edvel de dizer, a fim de que algo do excedente fique enodado para o ser falante\u201d, destacando que, por ser fundado no equ\u00edvoco, o <em>Witz<\/em> teria a propriedade de articular \u201co Um e o vazio onde se situa o faltante\/excedente\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o algumas vias pelas quais pretendemos caminhar nestas Jornadas. De todo modo, o que sabemos de partida \u00e9 que nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a de fazermos este percurso deixando de lado a tristeza e a covardia. Escolhemos a via do gaio saber! <strong>Gaio<\/strong>, o que revela alegria de modo jovial, foi o nome que escolhemos para o Boletim destas Jornadas. \u201cCom seu gaio saber, Lacan nos lembra: nisso pode-se tamb\u00e9m rir\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Em nome da Diretoria da EBP-SP, agrade\u00e7o desde j\u00e1 as Comiss\u00f5es Organizadoras destas Jornadas, ao tempo em que convido a todos para o trabalho de pesquisa, escrita e transmiss\u00e3o em torno do nosso tema.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> www.etymonline.com\/word\/journey<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/michaelis.uol.com.br\/moderno-portugues\/busca\/portugues-brasileiro\/jornada\">Jornada | Michaelis On-line (uol.com.br)<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Arkhipov, G. <em>Le spectre du rire et la clinique du sujet \u2013 Varias th\u00e9oriques et psychopathologiques<\/em>. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2021, p. 19.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Arkhipov, G. <em>Op. cit<\/em>., p. 17.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 5: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>. RJ: Jorge Zahar Ed., 1999, p.134.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Idem, p. 135.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Idem, p. 137.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Stiglitz, G. \u201cWitz, o peor\u201d. In: <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/em>. Publicaci\u00f3n de la Escuela de la Orientaci\u00f3n Lacaniana. Ano XVI, n\u00famero 29. Abril de 2021, p. 106.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Vieira, M.A. \u201cO resto e o riso\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00famero 62; dezembro de 2011, p. 197.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9243&#8243; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;8970&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text] APRESENTA\u00c7\u00c3O Niraldo de Oliveira Santos Membro da EBP\/AMP Diretor Geral da EBP-SP \u00a0Por que a Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, realiza suas Jornadas anuais? 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