{"id":6905,"date":"2023-04-15T11:08:12","date_gmt":"2023-04-15T14:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=6905"},"modified":"2023-10-13T08:20:55","modified_gmt":"2023-10-13T11:20:55","slug":"xii-jornadas-r-i-s-o-eixos-tematicos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xii-jornadas-r-i-s-o\/xii-jornadas-r-i-s-o-eixos-tematicos\/","title":{"rendered":"Eixos Tem\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;8970&#8243; add_caption=&#8221;yes&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]\n<h3>EIXOS TEM\u00c1TICOS<\/h3>\n<h3>Eixo I<\/h3>\n<p><strong>S\u00d3 RISO?!<\/strong><\/p>\n<p>Em Freud<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o c\u00f4mico, que se contenta com duas pessoas, e o chiste, em que a terceira pessoa \u00e9 indispens\u00e1vel. Lacan ressalta o efeito de surpresa onde algo escapa ao sentido provocando o riso. Diferente do c\u00f4mico que \u00e9 dual, onde o riso se d\u00e1 no eixo a\u2013a\u2019, o <em>Witz<\/em> inclui o Outro, enquanto \u201cfiador da linguagem\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Por ser um dizer espirituoso, o <em>Witz<\/em> provoca o riso, fonte de satisfa\u00e7\u00e3o, de gozo. Trata-se do \u201cinconsciente em sua mais pura ess\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Em seu acontecer fortuito, constata-se que no instante seguinte o furo \u00e9 tampado e j\u00e1 \u201cn\u00e3o h\u00e1 mais nada a encontrar\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Onde podemos localizar o riso em uma an\u00e1lise? Qual sua fun\u00e7\u00e3o? Onde o riso interessa mais, ao lado do c\u00f4mico ou do chiste? Lacan equivale o \u00e2ngulo do humor ao reconhecimento do c\u00f4mico<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, e este, ao objeto velado. Refere-se \u00e0 excomunh\u00e3o da qual foi alvo, apontando a dimens\u00e3o c\u00f4mica de se ver no lugar de negociado. A\u00ed surge o objeto, velado por natureza: o c\u00f4mico puro. O valor de troca revela o c\u00f4mico puro e o objeto. Na com\u00e9dia dos sexos, o falo faz com que, ao se levantar o v\u00e9u, aquilo que se v\u00ea seja irris\u00f3rio. H\u00e1 algo de c\u00f4mico neste desmascaramento. Para Lacan, o falo \u201cirrealiza\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, levando \u00e0 com\u00e9dia das estrat\u00e9gias ps\u00edquicas imagin\u00e1rias para fazer a rela\u00e7\u00e3o sexual existir. N\u00e3o seria justamente por isso que este tema \u00e9 representado t\u00e3o ami\u00fade na com\u00e9dia?<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Eixo II<\/h3>\n<p><strong>O RISO E A POL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p>O riso, como objeto, \u00e9 um resto de opera\u00e7\u00e3o do c\u00f4mico. O que temos no c\u00f4mico? Os equ\u00edvocos, os erros, os enganos e os fracassos. A com\u00e9dia \u00e9 o universo dos v\u00edcios dos homens, suas paix\u00f5es, seus objetos de gozo, seus desejos. Seriam todas as aspira\u00e7\u00f5es humanas ris\u00edveis? Estaria a ironia fadada \u00e0 impot\u00eancia nestes tempos de identifica\u00e7\u00f5es t\u00e3o consistentes? Em um mundo de cancelamentos, <em>trollagens<\/em> e <em>fake News<\/em>, qual posi\u00e7\u00e3o ocuparia a psican\u00e1lise: ir\u00f4nica ou ironizada? Como ela poderia fazer obst\u00e1culo a essa s\u00e9rie? Lacan, em \u201cO Aturdito\u201d, sugere que a aposta na \u201cordem c\u00f4mica\u201d opere esse limite pela redu\u00e7\u00e3o do sentido e extra\u00e7\u00e3o do gozo. O riso tamb\u00e9m ocupa o lugar do rancor, da inveja e da malevol\u00eancia na vida dos homens e em seu habitat pol\u00edtico. \u00c9 o riso da <em>Schadenfreude<\/em>, a alegria de ver a desgra\u00e7a alheia. \u00c9 o esc\u00e1rnio, onipresente em nossos debates pol\u00edticos, que se utiliza da ilus\u00e3o da Universal e transforma a Particular, a exce\u00e7\u00e3o, em um p\u00e1ria, um ser abjeto e ultrajante. Seria o deboche um riso que anula os corpos e comportamentos que n\u00e3o fazem parte do apetite das maiorias ou uma potente arma frente \u00e0 trucul\u00eancia do discurso do mestre? No mundo dos tribunais virtuais, ser\u00e1 que teremos leitores capazes de diferenciar uma risada provocada por um Supereu fac\u00ednora de uma risada ir\u00f4nica?<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Eixo III<\/h3>\n<p><strong>MANUAL DO RISO EM UMA AN\u00c1LISE<\/strong><\/p>\n<p>ou<\/p>\n<p><strong>RISO \u2013 \u2018MODOS DE USO\u2019 NA CL\u00cdNICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Como o riso irrompe na cl\u00ednica psicanal\u00edtica? Quais os seus modos de <em>uso<\/em>? Como a subvers\u00e3o c\u00f4mica aponta para o incontrol\u00e1vel no falasser, ou seja, seus modos de gozo? E quanto \u00e0 resist\u00eancia exercida pelo supereu sobre qualquer barreira imposta ao gozo? O real est\u00e1 no encal\u00e7o do falante, o sem-sentido prepondera, alijando a palavra e o sentido das possibilidades de tratamento do mal-estar. Diante do real sem lei e da constata\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, aposta-se na <em>cl\u00ednica ir\u00f4nica<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, no chiste, no <em>Witz<\/em>, no riso e no humor, tanto na entrada em an\u00e1lise como em seu percurso e no final, sem, contudo, prescindir da cren\u00e7a nos semblantes<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Se, no in\u00edcio da an\u00e1lise, h\u00e1 a hist\u00f3ria e a trag\u00e9dia, no final forja-se a <em>histoeria<\/em>, a com\u00e9dia da hist\u00f3ria, o riso e a satisfa\u00e7\u00e3o. Assim, na entrada em an\u00e1lise, como n\u00e3o rir, ou fazer rir atrav\u00e9s do gesto e do equ\u00edvoco, nas contor\u00e7\u00f5es transferenciais? Durante a an\u00e1lise, caberia o riso ou a ironia na constru\u00e7\u00e3o da fantasia? E no final, como n\u00e3o rir do <em>sinthoma<\/em>? Enfim, como n\u00e3o apreciar \u2013 por exemplo, na equivoca\u00e7\u00e3o entre sueco\/su-eco<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> \u2013 a irrup\u00e7\u00e3o do riso nos testemunhos dos AE ao evocarem suas pr\u00f3prias com\u00e9dias?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Freud, S. <em>O chiste e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente<\/em>. SP: Companhia das Letras, 2017, p.257.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 5: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>. RJ: Zahar, 1999, p.125.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J. \u201cDa psican\u00e1lise em suas rela\u00e7\u00f5es com a realidade\u201d. In: <em>Outros escritos<\/em>. RJ: Zahar, 2003, p.355.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, p.356.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. RJ: Zahar, 1979, p.12.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lacan, J. \u201cA significa\u00e7\u00e3o do falo\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. RJ: Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Miller, J.-A. \u201cCl\u00ednica ir\u00f4nica\u201d. In: <em>Matemas I. <\/em>RJ: Zahar, 1996, p.190.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Brousse, M.-H. \u201cO objeto de arte na \u00e9poca do fim do belo: do objeto ao abjeto\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise.<\/em> SP: Eolia, n\u00famero 52, p.177.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ventura, O. \u201cCuando el sue\u00f1o despierta Un cuerpo\u201d. In <em>Papers<\/em>, n\u00ba6. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/congresoamp2020.com\/en\/el-tema\/papers\/papers_006.pdf\">https:\/\/congresoamp2020.com\/en\/el-tema\/papers\/papers_006.pdf<\/a>.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;9273&#8243; add_caption=&#8221;yes&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;8970&#8243; add_caption=&#8221;yes&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text] EIXOS TEM\u00c1TICOS Eixo I S\u00d3 RISO?! Em Freud[1], h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o c\u00f4mico, que se contenta com duas pessoas, e o chiste, em que a terceira pessoa \u00e9 indispens\u00e1vel. Lacan ressalta o efeito de surpresa onde algo escapa ao sentido provocando o riso. 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