{"id":6437,"date":"2022-06-26T08:29:08","date_gmt":"2022-06-26T11:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=6437"},"modified":"2022-06-26T08:29:08","modified_gmt":"2022-06-26T11:29:08","slug":"referencias-bibliograficas-xi-jornadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xi-jornadas-%e2%b1%a5-verdade-e-o-gozo-que-nao-mente\/referencias-bibliograficas-xi-jornadas\/","title":{"rendered":"REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; XI JORNADAS"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #05<\/span><\/h3>\n<figure id=\"attachment_6774\" aria-describedby=\"caption-attachment-6774\" style=\"width: 238px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6774\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/010-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6774\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @mam.rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>VERBETE EPIST\u00caMICO:<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica alcan\u00e7a o al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer?<\/p>\n<p>\u201cA potencialidade infinita do discurso livre p\u00f5e apenas como \u00fanico limite ao gozo o princ\u00edpio do prazer. O limite da interpreta\u00e7\u00e3o deve ser outro [&#8230;] Em vez de recorrer ao princ\u00edpio do prazer e \u00e0s suas possibilidades indefinidas, trata-se de introduzir a modalidade do imposs\u00edvel como limite\u201d. (LAURENT, E. \u201cO al\u00e9m do falo, a desordem do ilimitado\u201d. Op\u00e7\u00e3o lacaniana, n\u00ba. 84, 2022, p. 71)<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de aparola &#8211; a fala, mais como mon\u00f3logo e menos como comunica\u00e7\u00e3o &#8211; Laurent discorre sobre a forma de incidir a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Penso que aqui vamos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise como po\u00e9tica. \u00c9 o corpo que goza, enquanto um absoluto, que n\u00e3o tende ao infinito da representa\u00e7\u00e3o; uma esp\u00e9cie de ponto zero. Nessa l\u00f3gica, que conduz ao al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer, a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica entra como uma esp\u00e9cie de escritura de um mon\u00f3logo, ou de uma boa leitura de uma escritura j\u00e1 posta? O filme \u201cAdeus \u00e0 linguagem\u201d, do Godard, em meio a uma mistura de frases soltas, imagens com alto contraste e ru\u00eddos, nos lan\u00e7a ao universo da linguagem como um jorro, que me ilumina a algo da escuta do al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o e do recalque. Passando uma ideia de pureza, al\u00e9m e aqu\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o, o encontrar se sobrep\u00f5e ao procurar. ((Marcella Pereira de Oliveira &#8211; Associada ao CLIN-a)<\/p>\n<p>Bibliografia:<\/p>\n<p><strong>Eixo 1: O amor \u00e0 verdade e as entrevistas preliminares<\/strong><\/p>\n<p>SINATRA, Ernesto<\/p>\n<ul>\n<li>Las entrevistas preliminares y la entrada en an\u00e1lisis, 1\u00aa ed. 1\u00aa. reimp. Buenos Aires: Colegio Epistemol\u00f3gico y Experimental, 2010.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] ele j\u00e1 tinha me fornecido uma chave que, como analista, era preciso recorrer: \u2018n\u00e3o me diga o que eu j\u00e1 sei, porque n\u00e3o me serve para nada, porque outro j\u00e1 me disse isso\u2019; tal a enuncia\u00e7\u00e3o de \u2013 o que agora podemos interpretar como \u2013 sua advert\u00eancia ao analista.<\/p>\n<p>Neste exemplo, por este detalhe, se considera uma quest\u00e3o crucial: voc\u00eas comprovam como o valor de verdade verdadeira de um enunciado pode ser absolutamente ineficaz, como pode passar \u2013 absolutamente \u2013 ao largo quando formulado de modo interpretativo. Com o qual, j\u00e1 estamos sensibilizados a respeito do valor que a verdade tem em an\u00e1lise; estamos preparados para comprovar o modo como um analista pode perder a b\u00fassola, caso se fie na verdade como mestre absoluto\u201d, p. 20.<\/p>\n<p>TROBAS, Guy<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cEntrevistas prelimanares na cl\u00ednica psicanal\u00edtica com crian\u00e7as\u201d. Op\u00e7\u00e3o lacaniana, n\u00ba 84. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2022.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] em minha pr\u00e1tica, quando um dos pais me chama, j\u00e1 lhes indico que quero, em um primeiro tempo, ter uma entrevista com ambos, pelo menos, se for poss\u00edvel. [&#8230;] em primeiro lugar, parece-me adequado que o primeiro passo se d\u00ea sem a crian\u00e7a, sem coloc\u00e1-la em uma posi\u00e7\u00e3o de objeto do qual se fala. Em segundo lugar, esta entrevista somente com os pais ou com um deles \u00e9 o que permite uma liberdade maior da palavra e a possibilidade de interrogar e esclarecer a hist\u00f3ria familiar. [&#8230;] para ter uma ideia da fun\u00e7\u00e3o do sintoma da crian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade do casal e at\u00e9 do acesso que nossos interlocutores, ou somente um deles, t\u00eam ou n\u00e3o a essa verdade\u201d, p. 144.<\/p>\n<p><strong>Eixo 2: Transfer\u00eancia: paradoxos entre saber, amor e gozo<\/strong><\/p>\n<p>FUENTES, Maria Josefina Sota<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cQuando se estraga a fun\u00e7\u00e3o paterna\u201d. Carta de S\u00e3o Paulo &#8211; Revista da EBP Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, Ano 25, n\u00ba1, 2018.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cComo estrago sob transfer\u00eancia, tudo vacilava, os semblantes desaguavam e a areia tornou-se movedi\u00e7a, de tal modo que n\u00e3o encontrei outro limite sen\u00e3o a ruptura do la\u00e7o transferencial.<\/p>\n[&#8230;] Diante desse horror ao qual eu reduzira o dispositivo da an\u00e1lise &#8211; ao gozo de viver morrendo e de morrer no h\u00e1-mar a m\u00e8re que me protegeria com seu desejo da dor da inexist\u00eancia, com um desejo que por fim me parisse &#8211; digo basta, minha an\u00e1lise acabou! [&#8230;] Nada mais a esperar do inconsciente transferencial, que desmancha como um castelo na areia diante da imensid\u00e3o do real que ent\u00e3o ex-siste como um sinthoma, ao qual somente o ato anal\u00edtico servir\u00e1 de limite\u201d, p. 148-151.<\/p>\n<p>LEGUIL, Clotilde<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO novo amor, um amor que faz ponto de basta\u201d. Correio\u00a0: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, n\u00ba 87, 2022.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cSe uma an\u00e1lise se funda sobre o amor, ela tamb\u00e9m transforma a rela\u00e7\u00e3o com o amor na exist\u00eancia e na rela\u00e7\u00e3o com o Sujeito Suposto Saber que somos n\u00f3s. [&#8230;] Para al\u00e9m do pai, o novo amor se articula a este inconsciente real, \u2018isto que se l\u00ea antes de mais nada\u2019. [&#8230;] \u00e9 quando se findam os amores com a verdade que se tem algo como um axioma: alguma coisa vem se escrever, mas sobre a qual n\u00e3o h\u00e1 muita coisa a dizer\u201d, p. 115-121.<\/p>\n<p><strong>Eixo 3: A mentira ver\u00eddica e a interpreta\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia da psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>MILLER, Jacques-Alain<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cDo amor \u00e0 morte. Op\u00e7\u00e3o lacaniana online nova s\u00e9rie, Ano 1, n\u00ba 2, 2010.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cSomente no final de sua an\u00e1lise, no momento de dar a volta, \u00e9 que o sujeito poder\u00e1 saber que tudo o que falou no transcurso de sua an\u00e1lise, a refer\u00eancia de suas palavras, \u00e9 aquilo representado no quadro de Holbein como a caveira, ou seja, a verdade de que se trata no circuito do gozo\u201d, p. 15.<\/p>\n<p>TELLES, Helo\u00edsa Prado Rodrigues da Silva<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cSonho, verdade e real: o que se imp\u00f5e, o que se revela\u201d. Papers, n\u00ba 4, Sonho, real, verdade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c(&#8230;) a verdade n\u00e3o resulta como efeito da interven\u00e7\u00e3o do analista, como a produ\u00e7\u00e3o de um sentido a mais; a verdade \u00e9 o que irrompe e se rompe, sob transfer\u00eancia, ao se consentir com o inconsciente. Tratar-se-ia mais propriamente do que encontramos no Semin\u00e1rio XIV: \u2018em \u00faltima inst\u00e2ncia, a verdade \u00e9 o que deve ser buscado nas falhas do enunciado\u2019, ou seja, naquilo que a estrutura do inconsciente produz\u201d, p.8.<\/p>\n<p>Eixo 4: O cogito lacaniano e o corpo que se goza<\/p>\n<p>MURTA, Alberto<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cUm psicanalista \u00e9 um sinthoma\u201d. Lacan XXI. Revista FAPOL online, vol. 1, 2020. Dispon\u00edvel em: Um psicanalista \u00e9 um sinthoma : Lacan21<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] a pr\u00e1tica da an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 somente uma pr\u00e1tica da interpreta\u00e7\u00e3o; que o esbarrar no incur\u00e1vel do gozo como vital pode constituir o que se gasta na redu\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Diante do encontro como esse gozo inerente ao real fora-sentido, como passar por ele, sendo errante e navegante? Na experi\u00eancia de fim de an\u00e1lise do falasser a condi\u00e7\u00e3o de errante \u00e9 arrolada no funcionamento do sintoma. O tornar-se tapeado pelo real comparece como via aberta. Lacan indica a desvaloriza\u00e7\u00e3o da opacidade desse gozo. Essa desvaloriza\u00e7\u00e3o sup\u00f5e, na an\u00e1lise, o recurso ao sentido. A chance de isso acontecer tem como condi\u00e7\u00e3o, o se fazer tolo do pai. Desbastando a opacidade do gozo inerente ao sintoma, o falasser permite o se fazer \u2018tapear &#8230; pelo pai\u2019\u201d.<\/p>\n<p>ULLOA, Raquel Cors<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cUm final que nasceu do real\u201d. Op\u00e7\u00e3o lacaniana, n\u00ba 83. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2021<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cComo um pesadelo me ensinou, logo ap\u00f3s pular o muro, restando em mim: \u2018Algo que nunca deixou de se tomar pelo pior\u2019. Saltar, Soltar, Sair, com um corpo solto do pesado gozo que havia. E, passar ao gozo simples e vital, de uma alegria leve que j\u00e1 n\u00e3o se engancha ao sintoma do qual sofria pelo fato de \u2018ser um peso para o Outro\u2019, isto foi e continua sendo uma transforma\u00e7\u00e3o que se sente como uma certa satisfa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser mais do que isso&#8230;\u201d, p. 96.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #04<\/span><\/h3>\n<figure id=\"attachment_6718\" aria-describedby=\"caption-attachment-6718\" style=\"width: 245px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6718\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/009-1-245x300.jpg\" alt=\"Imagem \u2013 Instagram: @montoro12_brussels\" width=\"245\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/009-1-245x300.jpg 245w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/009-1.jpg 402w\" sizes=\"auto, (max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6718\" class=\"wp-caption-text\">Imagem \u2013 Instagram: @montoro12_brussels<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>VERBETE EPIST\u00caMICO:<\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos embrulhos da verdade, o real.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso esquecer que, precisamente, onde isso fala isso mente, e depois n\u00e3o se encontra mais. Da\u00ed a propriedade que Lacan em seu avesso confere ao verdadeiro, a saber: o verdadeiro se embrulha. Disso decorre a tese: o real se encontra nas embrulhadas do verdadeiro. Na an\u00e1lise, isso faz o real depender do esfor\u00e7o para dizer o verdadeiro, ou seja, embrulhar-se nele. Essa tese \u00e9 a justificativa da an\u00e1lise.\u201d (MILLER, J.-A. Perspectivas do Semin\u00e1rio 23 de Lacan. O Sinthoma. Rio de Janeiro: Zahar, 2010, p. 114)<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de nossa cl\u00ednica pelo real n\u00e3o se d\u00e1 sem o encontro com as vicissitudes da verdade e sua impossibilidade de totaliza\u00e7\u00e3o: uma trajet\u00f3ria, tal qual um emaranhado, onde o pr\u00f3prio movimento em busca do verdadeiro \u00e9 causa da perda de sua autenticidade. Seria a justificativa da an\u00e1lise servir-se da verdade, sob a condi\u00e7\u00e3o de dispor dela? (Armando Adurens \u2013 participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas e Livraria)<\/p>\n<p>VERBETE CL\u00cdNICO:<\/p>\n<p>\u201cO curioso \u00e9 constatar como a psican\u00e1lise se obriga, como que de modo pr\u00f3prio, a reconhecer o sentido daquilo que a letra, no entanto, diz ao p\u00e9 da letra, seria o caso de dizer, quando todas as suas interpreta\u00e7\u00f5es se resumem ao gozo e o saber, a letra constituiria o litoral\u201d. (LACAN, J. O semin\u00e1rio, livro 18: de um discurso que n\u00e3o fosse semelhante. Rio de Janeiro: Zahar, DATA, ano, p. 109-110)<\/p>\n<p>Os desdobramentos da verdade, como frutos das opera\u00e7\u00f5es de meton\u00edmia e met\u00e1fora, come\u00e7am a sua queda do para\u00edso. Aquele que outrora era o recanto da interpreta\u00e7\u00e3o para Lacan passa pelo outono do seu ensino. As falhas, fall, as quedas, indicam um fim da equival\u00eancia entre a letra e o significante e novas cores germinam no ensino de Lacan. A letter, a litter, s\u00e3o os sopros que vem da Irlanda. (Magno Azevedo, Associado ao CLIN-a)<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bibliografia:<\/p>\n<p><strong>Eixo 1: O amor \u00e0 verdade e as entrevistas preliminares<\/strong><\/p>\n<p>MILLER, Jacques-Alain<\/p>\n<p>Uma psican\u00e1lise tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o, in Aposta no passe: seguido de 15 testemunhos de Analistas da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise; organiza\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Ana Lydia Santiago \u2013 RJ, Contra Capa, 2018, p.95.<\/p>\n<p>\u201cUma an\u00e1lise que se inicia ocorre em uma atmosfera de revela\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o necessariamente se inicia quando se estabelece um processo de encontros regulares, mas ela se desenvolve como fogos de artif\u00edcio de revela\u00e7\u00f5es, a partir do momento em que o sujeito se esfor\u00e7a em fazer passar o acontecimento de pensamento para a fala. O amorfo d\u00e1 lugar \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de elementos individualizados, que desse modo se mostram rastre\u00e1veis, para empregar um termo de nossos dias, demarcando-se que eles prov\u00eam de um antes \u2013 em geral, da inf\u00e2ncia \u2013 e retornam.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 2: Transfer\u00eancia: paradoxos entre saber, amor e gozo<\/strong><\/p>\n<p>MARIAGE, V\u00e9ronique<\/p>\n<p>Vers\u00f5es do amor na experi\u00eancia psicanal\u00edtica. Revista Curinga n. 24, BH, Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Minas Gerais, junho 2007.<\/p>\n<p>\u201cLacan, em continuidade com Freud, considera que o desejo do analista n\u00e3o consiste em destruir o amor de transfer\u00eancia, mas antes em servir-se dele, em situar-se em uma posi\u00e7\u00e3o que o analisante se desaloje do abrigo que constitui esse amor para ele. Para al\u00e9m do amor, trata-se de fazer perceber o real. Para o analista, trata-se de fazer com que o amor de transfer\u00eancia se consuma at\u00e9 ao ponto \u00faltimo, no qual o real \u00e9 vislumbrado. Esse real \u00e9 condi\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es do sujeito com o gozo.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 3: A mentira ver\u00eddica e a interpreta\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia da psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>FERNANDES, Carla<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA verdade, o verdadeiro e o real\u201d. Agente: Revista de psican\u00e1lise\/Escola Brasileira de Psican\u00e1lise\/Se\u00e7\u00e3o Bahia, n\u00ba 19. Salvador: EBP\/BA, 2021.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA no\u00e7\u00e3o de verdade se modifica ao longo do ensino de Lacan. [&#8230;] \u2018quanto mais irrompe o real no ensino de Lacan, menor \u00e9 o valor atribu\u00eddo \u00e0 verdade\u2019. [&#8230;] Lacan destaca que, para Freud, \u2018a rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica deve ser fundada no amor \u00e0 verdade\u2019; por\u00e9m, considera que se h\u00e1 algo que deve inspirar a verdade em uma an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 o amor, mas a morte, \u2018o car\u00e1ter radical da repeti\u00e7\u00e3o\u2019 J\u00e1 no decorrer de sua obra, Freud se d\u00e1 conta de que h\u00e1 algo al\u00e9m, um incur\u00e1vel em quest\u00e3o, que se repete e n\u00e3o cede \u00e0 palavra, a puls\u00e3o de morte, que retorna ao mesmo lugar. \u00c9 nesse imposs\u00edvel de dizer que est\u00e1 o ponto em comum entre a verdade e o real\u201d, p. 73-74.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 4: O cogito lacaniano e o corpo que se goza<\/strong><\/p>\n<p>GOYA, Amanda<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO gozo triste\u201d. Textos de orienta\u00e7\u00e3o. Un r\u00e9el pour le XXIe si\u00e8cle. Dispon\u00edvel em: IX Congresso da AMP (congresamp2014.com)<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] depois que a ci\u00eancia e o capitalismo uniram seus esfor\u00e7os para promover esse\u00a0novo cogito\u00a0que nos dirige, hoje \u2013\u00a0compro, logo sou -,\u00a0o tratamento do real do gozo sem lei \u00e9 revisitado por novos semblantes surpreendentes, no momento em que a desordem do real invade a sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma torre de Babel envelopa essa desordem. Muitas teorias de g\u00eanero remetem a identidade sexual \u00e0 cultura e algumas falam at\u00e9 mesmo, como o faz Judith Butler, de uma \u201cautodesigna\u00e7\u00e3o do sexo\u201d. O denominador comum dessas teorias nominalistas \u00e9 ignorar a dimens\u00e3o real do sexo e o car\u00e1ter de semblante de tudo o que pode, de maneira contingente, envolver e revestir esse real\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #03<\/span><\/h3>\n<p><strong>VERBETE EPIST\u00caMICO:<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_6637\" aria-describedby=\"caption-attachment-6637\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6637\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_012-1-248x300.jpg\" alt=\"Imagem \u2013 Instagram: @debra_frances\u00a0\" width=\"248\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_012-1-248x300.jpg 248w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_012-1.jpg 432w\" sizes=\"auto, (max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6637\" class=\"wp-caption-text\">Imagem \u2013 Instagram: @debra_frances<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c[&#8230;] o gozo tem suas ra\u00edzes, mergulha na abje\u00e7\u00e3o. [&#8230;]\u00a0Quando dizemos que o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0\u00e9 um rejeito, um dejeto, n\u00f3s, de fato, o qualificamos de\u00a0<em>a<\/em>bjeto, objeto de avers\u00e3o, de nojo e de repulsa que, ao\u00a0mesmo tempo, constitui um mais-gozar\u201d. (MILLER, J.- A. <em>Perspectivas dos Escritos e Outros escritos de Lacan: entre desejo e gozo<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p. 215)<\/p>\n<p>Miller destaca que a palavra abje\u00e7\u00e3o\u00a0era muito cara a Lacan. \u00c9 o\u00a0ato, estado ou condi\u00e7\u00e3o que revela alto grau de baixeza, torpeza, degrada\u00e7\u00e3o, ou ainda,\u00a0ato de rejeitar, expuls\u00e3o, reprova\u00e7\u00e3o. O gozo tem a\u00ed sua origem, nomeado como\u00a0<em>das Ding<\/em>\u00a0e, posteriormente, objeto<em>\u00a0a<\/em>, inven\u00e7\u00e3o\u00a0de Lacan. Ao sujeito, na impossibilidade de toc\u00e1-lo, s\u00f3 lhe resta demonstrar sua rela\u00e7\u00e3o [fundamental] com ele pela fantasia ($\u00a0\u25c7<em> a<\/em>) como uma janela sobre o real, faz fun\u00e7\u00e3o de real &#8211; mas puro semblante. Essa rela\u00e7\u00e3o testemunha uma repulsa e, ao mesmo tempo, uma atra\u00e7\u00e3o invenc\u00edvel por ele experimentada. Marcel Jouhandeau em sua obra\u00a0<em>De l\u2019abjection<\/em>\u00a0o demonstra e a define como sua\u00a0\u201ctend\u00eancia monstruosa\u201d\u00a0que o levou a\u00a0\u201cdescobrir sua verdade\u201d, em sua singularidade, e essa verdade \u00e9 o gozo, gozo no n\u00edvel do <em>sinthoma<\/em>. (Jos\u00e9 Wilson Ramos Braga Junior, Associado \u00e0 CLIPP)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>VERBETES CL\u00cdNICOS:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O resto em Freud e Lacan<\/strong><\/p>\n<p>O argumento dessas XI Jornadas da EBP-SP aponta que Lacan foi al\u00e9m de Freud ao abordar a verdade, articulando-a ao real e ao gozo. Trago aqui um trecho do <em>semin\u00e1rio 10: a ang\u00fastia<\/em> &#8211; o afeto que n\u00e3o engana &#8211; do qual Lacan tira consequ\u00eancias cl\u00ednicas do impasse vivido por Freud, provocado por seu amor \u00e0 verdade, localizado no caso da Jovem homossexual. A passagem pelo impasse freudiano se d\u00e1 por meio da formula\u00e7\u00e3o do objeto <em>a,<\/em> causa de desejo. (Eduardo Camargo Bueno, Associado ao CLIN-a)<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00f3pria paciente lhe diz que seus sonhos s\u00e3o mentirosos [&#8230;] E o estranho \u00e9 que Freud entrega os pontos, deixa cair, diante dessa garimpagem de todas as engrenagens. Ele n\u00e3o se interessa pelo que as faz garimpar, ou seja, o dejeto, o restinho, aquilo que det\u00e9m tudo e que \u00e9, no entanto, o que est\u00e1 em quest\u00e3o a\u00ed. [&#8230;] Esse \u00e9 o ponto em que Freud se recusa a ver na verdade, que \u00e9 sua paix\u00e3o, a estrutura de fic\u00e7\u00e3o, a estrutura de fic\u00e7\u00e3o como algo que est\u00e1 em sua origem\u201d. (LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10: a ang\u00fastia. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar<em>, <\/em>2005, p. 144)<\/p>\n<p><strong>O que um analisante fala com seu corpo?<\/strong><\/p>\n<p>Lacan, no <em>semin\u00e1rio 20<\/em>, cap\u00edtulo X &#8211; \u201cRodinhas de barbante\u201d, abordou o inconsciente freudiano, o sujeito no discurso anal\u00edtico. \u201cFalo com o meu corpo, e isto, sem saber\u201d (p. 161). O que um analisante fala com seu corpo? Seguindo Lacan, ele diferencia um saber do ser e \u201ch\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de ser que n\u00e3o se pode saber\u201d (p. 162). Faz um jogo com o equ\u00edvoco do t\u00edtulo do semin\u00e1rio \u201csegundo meu t\u00edtulo deste ano, mais, ainda. \u00c9 a incompet\u00eancia do saber ao qual ainda estamos presos\u201d (p. 162) &#8211; esse saber imposs\u00edvel encontramos no inter-dito. (LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda<\/em>, 1972-1973, cap. X &#8211; \u201cRodinhas de Barbante\u201d. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p.160-186.<\/p>\n<p>E \u00e9 por a\u00ed que esse jogo, de mais, ainda, nos conduz \u201cn\u00e3o que por sabermos mais ele nos conduziria melhor, mas talvez houvesse melhor gozo\u201d (p. 162-163), ou seja, um acordo do gozo com o seu fim. (Perp\u00e9tua Medrado &#8211; Aderente da EBP-SP, Associada \u00e0 CLIPP)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eixo 1:<\/strong> <strong>O amor \u00e0 verdade e as entrevistas preliminares<\/strong><\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO in\u00edcio do tratamento\u201d. <em>Artigos sobre a t\u00e9cnica [1913-1916] &#8211; Obras Completas<\/em>. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, vol. 10, 2019.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO primeiro m\u00f3vel da terapia \u00e9 o sofrimento do paciente, e o desejo de cura da\u00ed resultante. A magnitude dessa for\u00e7a motriz \u00e9 diminu\u00edda por v\u00e1rias coisas que apenas no decorrer da an\u00e1lise se revelam, sobretudo o ganho secund\u00e1rio da doen\u00e7a, mas a for\u00e7a motriz mesma deve se conservar at\u00e9 o fim do tratamento; cada melhora produz uma diminui\u00e7\u00e3o dela\u201d, p.191.<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jaques-Alain <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO avesso do passe\u201d. <em>Aposta no passe: seguido de 15 Testemunhos de Analistas da Escola, membros da EBP<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2018 (Cole\u00e7\u00e3o Op\u00e7\u00e3o lacaniana, v.14)<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO que do ponto de vista do simb\u00f3lico, cham\u00e1vamos demanda \u00e9, na verdade, um pedido de urg\u00eancia. E esse pedido \u00e9 o que se avalia durante as entrevistas preliminares: h\u00e1 ou n\u00e3o urg\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o? O sujeito chegou ao ponto de j\u00e1 n\u00e3o saber lidar bem com o seu sintoma?\u201d, p.77-78.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 2: Transfer\u00eancia: paradoxos entre saber, amor e gozo<\/strong><\/p>\n<p><strong>BRIOLE, Guy<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA inven\u00e7\u00e3o erotoman\u00edaca\u201d. <em>Papers<\/em>, n\u00ba6, Rumo \u00e0 Barcelona 2018: as psicoses ordin\u00e1rias e as outras, sob transfer\u00eancia, 2018.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cNa transfer\u00eancia erotoman\u00edaca haveria ent\u00e3o um deslizamento do amor &#8211; ele me ama &#8211; para o gozo &#8211; ele quer gozar de mim. Assim, quando um gozo n\u00e3o barrado \u00e9 deslocado pelo analisante para com o analista, surge a erotomania de transfer\u00eancia\u201d, p.17.<\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA terceira\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba 62. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2011.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA psican\u00e1lise, socialmente, tem uma consist\u00eancia diferente dos outros discursos. Ela \u00e9 um la\u00e7o a dois. \u00c9 nisso que ela se encontra no lugar de falta de rela\u00e7\u00e3o sexual. Isto n\u00e3o basta de modo algum para fazer dela um sintoma social, pois uma rela\u00e7\u00e3o sexual falta em todas as formas de sociedades. Est\u00e1 ligado \u00e0 verdade que faz a estrutura de todo discurso\u201d, p. 19.<\/p>\n<p>\u201cO sujeito suposto saber que \u00e9 o analista na transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 suposto erroneamente se sabe em que consiste o inconsciente, em ser um saber que se articula com <em>lal\u00edngua<\/em>, o corpo que a\u00ed fala s\u00f3 est\u00e1 enla\u00e7ado a ele pelo real do qual se goza\u201d, p.21.<\/p>\n<p><strong>SANTIAGO, J\u00e9sus<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Presentismo e novos modos de relato: efeitos sobre o sujeito suposto saber. <em>asephallus<\/em>, vol.3, n\u00ba5. 2007-2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.isepol.com\/asephallus\/numero_05\/pdf\/secao_clinica.pdf\">http:\/\/www.isepol.com\/asephallus\/numero_05\/pdf\/secao_clinica.pdf<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c\u00c9 sabido que o sujeito suposto saber exige a extra\u00e7\u00e3o de uma configura\u00e7\u00e3o particular da cadeia significante que remete \u00e0s caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do chamado sujeito cartesiano. O sujeito cartesiano se define pela rela\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m com a cadeia significante visto que, para ele, esta \u00faltima toma a forma de uma cadeia dedutiva, cujos elementos se articulam entre si por uma causalidade e uma temporalidade pr\u00f3pria. Se a experi\u00eancia anal\u00edtica viabiliza a introdu\u00e7\u00e3o do inconsciente como um sujeito dotado de uma matriz de combina\u00e7\u00f5es significantes calcul\u00e1veis, ela introduz tamb\u00e9m uma temporalidade entre esses elementos que \u00e9 inteiramente singular\u201d, p. 5-6.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 3: A mentira ver\u00eddica e a interpreta\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia da psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p><strong>LAURENT, \u00c9ric <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cDisrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana<\/em>, n\u00ba 79, S\u00e3o Paulo: Eolia, 2018.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA jacula\u00e7\u00e3o inclui o valor do ardente, ou do entusiasmo, mas para designar um uso do significante tal como ele desperta no sentido de produzir o vazio da significa\u00e7\u00e3o\u201d, p. 8.<\/p>\n<p><strong>LEGUIL, Clotilde<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise com Lacan, uma arte da surpresa\u201d. <em>Jornadas de estudos interdisciplinares: T\u00e9cnicas do som e profiss\u00f5es de escuta<\/em>, 2014.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cLacan exp\u00f4s sem cessar e \u00e9 um ponto ao qual ele jamais cedeu. Para ele, o psicanalista interpreta se servindo do tempo. Ou seja, cortando as sess\u00f5es em um lugar que surpreende precisamente o analisante, a fim de produzir certo efeito de resson\u00e2ncia\u201d, p.7.<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cA Palavra que fere\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba 56\/57, 2010, p. 69-70.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO inconsciente \u00e9 um fato, mas ele \u00e9 suportado pelo que na an\u00e1lise o produz. Portanto, &#8220;ousar dizer!&#8221;, n\u00e3o ser esmagado pelo supereu da exatid\u00e3o. O int\u00e9rprete \u00e9 aqui criador.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Eixo 4: O cogito lacaniano e o corpo que se goza<\/strong><\/p>\n<p><strong>AFLALO, Agn\u00e8s<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cAto anal\u00edtico\u201d. <em>Scilicet: Semblantes e sinthoma.<\/em> S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2009.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO ato funda um novo sujeito: uma palavra corta o la\u00e7o dos significantes singulares e os reduz ao sem-sentido, depois, a passagem em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o-sentido negativiza o sentido gozado. O ato reproduz o duplo corte do sujeito e do objeto, mas efeito de verdade e sentido gozado s\u00e3o articulados\u201d, p. 53.<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>Silet: os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cNa perspectiva que tomo este ano, na mola da inven\u00e7\u00e3o conceitual de Lacan \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o m\u00faltipla e dificultosa da puls\u00e3o freudiana na ordem da linguagem.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois marcos nessa investiga\u00e7\u00e3o. O primeiro, no qual o ponto de partida \u00e9 dado pelo dizer, em que o dizer \u00e9, antes de tudo, dizer o verdadeiro, e o sintoma \u00e9 obst\u00e1culo ao dizer verdadeiro; nesse sentido, o tratamento consiste em liberar a verdade do sintoma, ao passo que o gozo \u00e9 desvalorizado. O segundo, em que o gozar \u00e9 que fornece a pr\u00f3pria raz\u00e3o do dizer. \u00c9 assim que se op\u00f5e o valor de verdade e o de gozo, criando o problema de sua concilia\u00e7\u00e3o. E conciliar o valor de verdade com o valor de gozo \u00e9 o problema do ensino de Lacan.,\u201d p. 52.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #02<\/span><\/h3>\n<figure id=\"attachment_6438\" aria-describedby=\"caption-attachment-6438\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6438\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boletim01_005-300x297.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"297\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6438\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @vikmuniz<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>VERBETE POL\u00cdTICO:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsta vontade de identificar um mundo que fosse verdade do Um ao ser, faz surgir a careta de um mestre que se erige hoje em dia como pol\u00edcia da linguagem e da Hist\u00f3ria\u201d. (LAURENT, D., \u201cChronique du malaise: \u2018Cancel culture\u2019, la v\u00e9rit\u00e9 et le Un\u201d)<\/p>\n<p>De maneira coercitiva, a cultura do cancelamento imp\u00f5e uma higieniza\u00e7\u00e3o da linguagem e tamb\u00e9m da Hist\u00f3ria, fundada no princ\u00edpio de uma verdade que n\u00e3o seria mentirosa. Ela tenta assim fazer existir um Outro absoluto, tir\u00e2nico, ali justamente onde ele \u00e9 inconsistente. Por consequ\u00eancia, a cultura do cancelamento, ao visar apagar as diferen\u00e7as, pr\u00f3pria \u00e0 linguagem, ganha cada vez mais pot\u00eancia discursiva e d\u00e1 origem aos movimentos segregativos, cuja raiz consiste em rejeitar o gozo <em>h\u00e9t\u00e9ro<\/em> que habita cada ser falante. (Camila Popadiuk &#8211; EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>VERBETES EPIST\u00caMICOS:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Freud e o gozo<\/strong><\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel dizer que Freud, a partir das formula\u00e7\u00f5es apresentadas em <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>, estava atento ao gozo ilimitado, para al\u00e9m do gozo do sentido? Dito tamb\u00e9m de outra forma, a escuta de Freud estava de acordo com a perspectiva cl\u00ednica de que <em>aonde isso fala, isso goza, e nada sabe<\/em>? Para sustentar a discuss\u00e3o, destaco algumas passagens do trabalho freudiano de 1920:<\/p>\n<p>\u201cE\u0301 claro que a maior parte do que a compulsa\u0303o de repetic\u0327a\u0303o faz reviver causa necessariamente desprazer ao Eu, pois traz a\u0300 luz atividades de impulsos instintuais reprimidos, mas e\u0301 um desprazer que ja\u0301 consideramos, que na\u0303o contraria o princi\u0301pio do prazer, e\u0301 desprazer para um sistema e, ao mesmo tempo, satisfac\u0327a\u0303o para o outro. Mas o fato novo e digno de nota, que agora temos que descrever, e\u0301 que a compulsa\u0303o a\u0300 repetic\u0327a\u0303o tambe\u0301m traz de volta experie\u0302ncias do passado que na\u0303o possibilitam prazer, que tambe\u0301m naquele tempo na\u0303o podem ter sido satisfac\u0327o\u0303es.\u201d (FREUD, S. (1920). <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>. Obras completas, v.14. Tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p.132)<\/p>\n<p>\u201cEm vista dessas observac\u0327o\u0303es, extrai\u0301das da conduta na transfere\u0302ncia e do destino das pessoas, sentimo-nos encorajados a supor que na vida psi\u0301quica ha\u0301 realmente uma compulsa\u0303o a\u0300 repetic\u0327a\u0303o, que sobrepuja o princi\u0301pio do prazer\u201d (FREUD, 1920\/2010, p.135).<\/p>\n<p>\u201cUma func\u0327a\u0303o do aparelho psi\u0301quico, que, sem contrariar o princi\u0301pio do prazer, e\u0301 independente dele e parece mais primitiva que a intenc\u0327a\u0303o de obter prazer e evitar desprazer\u201d (FREUD, 1920\/2010, p.143)<\/p>\n<p>(Mariana Galletti Ferretti &#8211; participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica e Livraria)<\/p>\n<p><strong>Ant\u00edgona e o gozo: al\u00e9m do bem e do belo<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] \u00c9 ali\u00e1s, a grande figura de Ant\u00edgona que aparece aqui em primeiro plano como franqueando a barreira da cidade, a lei, a barreira do belo, para avan\u00e7ar at\u00e9 a zona de horror que o gozo comporta. Um hero\u00edsmo do gozo, escrito por Lacan como uma esp\u00e9cie de sinfonia fant\u00e1stica como que erguida por si mesma, devendo renunciar ao rumor do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio para alcan\u00e7ar o dilaceramento do gozo\u201d. (MILLER, J-A. \u201cOs seis paradigmas do gozo\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana online<\/em>, n\u00ba7, 2012, p. 14.)<\/p>\n<p>Ant\u00edgona traz uma cr\u00edtica pol\u00edtica ao sil\u00eancio e ao poder tir\u00e2nico. Sua presen\u00e7a \u00e9 s\u00edmbolo de uma escolha: quem se agarra a uma causa, trazendo uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. O desfecho de Polinices pode representar o que est\u00e1 para al\u00e9m do bem e do belo: \u00e9 preciso enterrar os mortos; o que faz lembrar parentes de mortos em ditaduras, fazendo quest\u00e3o de encontrar os corpos.<\/p>\n<p>Lacan faz uso da dimens\u00e3o tr\u00e1gica, evidenciando a aus\u00eancia de garantias. Ant\u00edgona morre trazendo a ideia de pureza, imposs\u00edvel de conservar em vida, e que elucida algo sobre a dimens\u00e3o real do gozo. Enterrar o morto significa menos querer reencontrar o objeto, e mais uma organiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coordenadas que ele representa; sua mem\u00f3ria organiza a percep\u00e7\u00e3o de quem o perdeu.<\/p>\n<p>Ant\u00edgona opera o franqueamento da barreira do bem: do certo e o errado, podendo ser vista como a dimens\u00e3o factual do simb\u00f3lico e da verdade. Em seguida, h\u00e1 o franqueamento da barreira do belo, associada ao imagin\u00e1rio: pr\u00f3xima ao corpo. Mais al\u00e9m destas barreiras, h\u00e1 aquilo que n\u00e3o mente, e que pela resist\u00eancia ao dialeto e \u00e0 apar\u00eancia, causa horror. O semin\u00e1rio da \u00e9tica nos mostra que, para al\u00e9m de culpados e inocentes, h\u00e1 o gozo em dimens\u00e3o real, cuja incid\u00eancia em uma an\u00e1lise direciona ao desejo. (Marcella Pereira de Oliveira &#8211; Associada ao CLIN-a)<\/p>\n<p><strong>VERBETE CL\u00cdNICO:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ponto de viragem<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO pai lhe d\u00e1 10 marcos; ela paga a sua contribui\u00e7\u00e3o, deixa nove marcos sobre a escrivaninha do pai, e com 50 f\u00eanis restante compra as tintas, que esconde no arm\u00e1rio de brinquedos. O pai desconfiado, pergunta o que ela tinha feito com os 50 f\u00eanis que estavam faltando, e se acaso ela n\u00e3o havia comprado as tintas com eles. Ela nega (&#8230;)\u201d. (FREUD, S. (1913) \u201cDuas mentiras infantis\u201d. <em>Obras incompletas de Sigmund Freud<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2020, p.179.)<\/p>\n<p>A mentira ocupa um lugar sutil na pr\u00e1tica cl\u00ednica, quando escutada sob transfer\u00eancia. Ela \u00e9 um \u00edndice que permite ao analista localizar como se desenrola a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o Outro. De passiva a ativa no que cifra, decifra e entra em um discurso, a experi\u00eancia de enganar o Outro introduz algo singular que separa o campo entre certeza e d\u00favida. Portanto, nesta contabilidade do amor, Freud deixa uma pista da maneira pela qual o <em>falasser<\/em> encontra sua pr\u00f3pria nuance para sintomatizar o desejo do Outro. Deste programa de saber, o que serve ao programa de gozo? (Emelice Prado Bagnola \u2013 Associada ao CLIN-a)<\/p>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>O semin\u00e1rio, livro 7: a \u00e9tica da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1988, p. 71.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c<em>Das Ding<\/em> \u00e9 originalmente o que chamaremos de o fora-do-significado. \u00c9 em fun\u00e7\u00e3o desse fora-do-significado e de uma rela\u00e7\u00e3o pat\u00e9tica a ele que o sujeito conserva sua dist\u00e2ncia e constitui-se num mundo de rela\u00e7\u00e3o, de afeto prim\u00e1rio, anterior a todo recalque.\u201d<\/p>\n<ul>\n<li><em>O semin\u00e1rio, <\/em><em>livro 19: &#8230; ou pior, <\/em>1971-1972<em>, <\/em>Li\u00e7\u00e3o IV &#8211; \u201cDa necessidade \u00e0 inexist\u00eancia\u201d. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] \u00e9 a inexist\u00eancia do gozo que o chamado autoerotismo de repeti\u00e7\u00e3o faz vir a luz, pela inexist\u00eancia desse marcar passo na porta que se designa como sa\u00edda para a exist\u00eancia. S\u00f3 que, para al\u00e9m dela, o que os espera n\u00e3o \u00e9, em absoluto, o que se chama uma exist\u00eancia: \u00e9 o gozo, tal como funciona como necessidade de discurso, e ele s\u00f3 funciona, como voc\u00eas est\u00e3o vendo, como inexist\u00eancia\u201d, p.&gt;&gt;&gt;&gt;.<\/p>\n<ul>\n<li><em>O semin\u00e1rio, <\/em><em>livro 20: mais, ainda<\/em>, 1972-1973, Rio de Janeiro, Zahar, 1998.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Li\u00e7\u00e3o V &#8211; \u201cArist\u00f3teles e Freud: A Outra Satisfa\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>\u201cA realidade \u00e9 abordada com os aparelhos do gozo\u201d, p.75<\/p>\n<p>\u201cO gozo, ent\u00e3o, como vamos exprimir o que n\u00e3o se deveria, a seu prop\u00f3sito, sen\u00e3o por isto &#8211; se houvesse um outro gozo que n\u00e3o o f\u00e1lico, n\u00e3o teria que ser aquele\u201d, p. 81.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o VI &#8211; \u201cDeus e o Gozo D\u2019\u023a Mulher\u201d<\/p>\n<p>\u201cO pensamento \u00e9 gozo. O que traz o discurso anal\u00edtico \u00e9 isto, que j\u00e1 estava come\u00e7ado na filosofia do ser &#8211; h\u00e1 gozo do ser\u201d, p. 96.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o VII &#8211; \u201cLetra de uma Carta de Amor\u201d<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] O que o discurso anal\u00edtico nos traz &#8211; e \u00e9 esta talvez, no fim de tudo, a raz\u00e3o de sua emerg\u00eancia num certo ponto do discurso cient\u00edfico &#8211; \u00e9 que falar de amor \u00e9, em si mesmo, um gozo\u201d, p. 112.<\/p>\n<p>\u201cOutra coisa ainda nos ata quanto ao que \u00e9 da verdade: \u00e9 que o gozo \u00e9 um limite. Isto se prende \u00e0 estrutura mesma que evocavam, no tempo em que os constru\u00ed para voc\u00eas, meus quadr\u00edpodes &#8211; o gozo s\u00f3 se interpela, s\u00f3 se evoca, s\u00f3 se saprema, s\u00f3 se elabora a partir de um semblante, de uma apar\u00eancia\u201d, p. 124.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00e3o VIII &#8211; \u201cO Saber e a Verdade\u201d<\/p>\n<p>\u201cDa \u00faltima vez, eu joguei, como me permito, com o equ\u00edvoco um pouco for\u00e7ado entre ele <em>hait,<\/em> ele odeia, e ele <em>est<\/em>, ele \u00e9. N\u00e3o gozo com isto, sen\u00e3o em colocar a quest\u00e3o de que ele seja digno da tesoura. \u00c9 justamente o de que se trata na castra\u00e7\u00e3o\u201d, p. 134.<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Os seis paradigmas do gozo. <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana online:<\/em> Os seis paradigmas do gozo, n\u00ba 7, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cIsso introduz, evidentemente, uma pequena dificuldade, uma vez que se introduziu o inconsciente estruturado como uma linguagem, discurso do Outro, isto \u00e9, na medida em que o inconsciente n\u00e3o introduz esse gozo fora da simboliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 disso, de certa forma, que o inconsciente n\u00e3o pode falar. \u00c9 por isso que Lacan pode dizer, na p\u00e1gina 94 de a \u00c9tica, que no n\u00edvel do inconsciente, o sujeito mente sobre a <em>Das Ding<\/em>, que existe uma esp\u00e9cie de mentira origin\u00e1ria sobre o gozo que \u00e9 o coment\u00e1rio dessa disjun\u00e7\u00e3o separadora fundamental entre o significante e o gozo.<\/p>\n<p>O que Freud chama de defesa \u00e9 essa pr\u00f3pria mentira origin\u00e1ria, a mentira estrutural que o sujeito traz no lugar do gozo\u201d, p. 15.<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do prazer<\/em> (1920). <em>Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>. Belo Horizonte. Aut\u00eantica, 2020.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO instinto humano jamais desiste de lutar por sua completa satisfa\u00e7\u00e3o, que consistiria na repeti\u00e7\u00e3o de uma viv\u00eancia prim\u00e1ria de satisfa\u00e7\u00e3o; todas as forma\u00e7\u00f5es substitutivas e reativas, todas as sublima\u00e7\u00f5es n\u00e3o bastam para suprimir sua cont\u00ednua tens\u00e3o, e a diferen\u00e7a entre o prazer de satisfa\u00e7\u00e3o encontrada e o exigido resulta o fator impulsor que n\u00e3o admite a perman\u00eancia em nenhuma das situa\u00e7\u00f5es produzidas, mas, nas palavras do poeta, \u201csempre impele, indom\u00e1vel, para frente\u201d ( Mefist\u00f3feles, no Fausto, I, Gabinete de estudos \u2013 cena 4), p.209-210.<\/p>\n<p><strong>BATISTA, MCD<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0O elogio da mentira.<\/em> Texto de aula ministrada no IPLA em 04 de novembro de 2013.<\/p>\n<p>&#8220;Um breve e certamente incompleto percurso cronol\u00f3gico pela obra de Lacan, cada vez que menciona a mentira, nos possibilitar\u00e1 melhor esclarecer a ideia de que a cada mentira corresponde uma verdade aguda, \u00fanico caso de verdade absoluta, na medida em que, quando mentimos, sabemos bem qual objeto est\u00e1 intencionalmente escondido, oculto por detr\u00e1s do dito mentiroso. O objeto oculto permite alcan\u00e7ar toda a verdade.&#8221; <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-elogio-da-mentira\/\">(Leia +)<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #01<\/span><\/h3>\n<p>Na inten\u00e7\u00e3o de que o levantamento das refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas sobre o tema <em>\u023a<\/em><em> verdade e o gozo que n\u00e3o mente<\/em> n\u00e3o seja apenas uma lista de consulta, esta Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas prop\u00f5e uma apresenta\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas a partir de verbetes. Isto \u00e9, para cada n\u00famero do Boletim Inter-dito, ofereceremos alguns verbetes (Cl\u00ednico, Epist\u00eamico e\/ou Pol\u00edtico), constru\u00eddos a partir de uma cita\u00e7\u00e3o e seguida de um pequeno texto.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o cita\u00e7\u00e3o-verbete \u00e9 uma tentativa de introduzir nesta rubrica do Boletim, mas tamb\u00e9m nas m\u00eddias, algo do j\u00e1 escrito que toque o tema das XI Jornadas da EBP-SP, com uma leitura\/escrita breve do respons\u00e1vel por apresentar essa articula\u00e7\u00e3o. Visamos com isso levar o leitor diretamente aos textos. Este trabalho ser\u00e1 feito pelos integrantes da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas e livraria.<\/p>\n<p>Ainda nesta rubrica, ofereceremos algumas <strong>Bibliografias, <\/strong>acompanhadas de certas passagens, apoiando a pesquisa do leitor em sua investiga\u00e7\u00e3o do tema.<\/p>\n<p>Nossa proposta \u00e9 promover uma rubrica mais viva e din\u00e2mica!<\/p>\n<p><em>Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e livraria<\/em><\/p>\n<p><strong>VERBETES CL\u00cdNICOS:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u023a<\/strong><strong> verdade entre semblante e real<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDesde sua introdu\u00e7\u00e3o da categoria do semblante, Lacan anunciava que este, que se faz passar pelo que \u00e9, \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da verdade. Sem d\u00favida h\u00e1 um paradoxo na express\u00e3o, o semblante que se faz passar pelo que \u00e9, j\u00e1 que sup\u00f5e que h\u00e1 um semblante que n\u00e3o aparenta (faz semblante). Por outro lado, a verdade est\u00e1 escondida, ou seja, n\u00e3o esconde ser o que \u00e9. Por isso \u00e9 coerente com a no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 saber no real a ideia de que a verdade possui estrutura de fic\u00e7\u00e3o\u201d. (MILLER, J-A. <em>De la natureza de los semblantes,<\/em> BA. Paid\u00f3s, 2011, p.21, tradu\u00e7\u00e3o livre.)<\/p>\n<p>Nesta cita\u00e7\u00e3o Miller aponta o paradoxo em rela\u00e7\u00e3o ao semblante, que de um lado aparenta\u00a0 ser e por outro esconde a verdade, na medida em que n\u00e3o esconde ser semblante. O que parece ser um ponto importante da passagem do significante ao semblante na cl\u00ednica, onde para al\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o se figura o que n\u00e3o mente, est\u00e1 atrelado ao real e se liga \u00e0 fix\u00e3o. (S\u00edlvia Sato \u2013 EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>Sintoma: verdade e gozo<\/strong><\/p>\n<p>\u201c&#8230;Pode-se dizer que o gozo \u00e9 o pr\u00f3prio corpo como tal, que \u00e9 um fen\u00f4meno de corpo. Nesse sentido, um corpo \u00e9 o que goza, mas reflexivamente. Um corpo \u00e9 o que goza de si mesmo, o que Freud chamava de autoerotismo. Mas isso \u00e9 verdade para todo corpo vivo. Pode-se dizer que gozar de si mesmo \u00e9 o estatuto do corpo vivo. O que distingue o corpo de ser falante \u00e9 que seu gozo sofre a incid\u00eancia da fala. E precisamente um sintoma demonstra que houve um acontecimento que marcou seu gozo no sentido freudiano de <em>Anzeichen <\/em>e que introduz um <em>Ersatz<\/em>, um gozo que n\u00e3o deveria, um gozo que perturba o gozo que deveria, isto \u00e9, o gozo de sua natureza de corpo.\u201d (MILLER, J-A. \u201cLer um Sintoma\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba 70, 2015, p.19)<\/p>\n<p>Em \u201cLer um Sintoma\u201d, Miller nos mostra a passagem do sintoma freudiano, que \u201cdeve ser interpretado como um sonho, deve ser interpretado em fun\u00e7\u00e3o de um desejo e \u00e9 um efeito de verdade\u201d, para a leitura lacaniana de sintoma. O sintoma passa a ser n\u00e3o mais do sujeito, mas do ser falante, que porta um corpo vivo e que tem como finalidade do aparelho significante, o gozo. Nesta perspectiva, o estatuto da interpreta\u00e7\u00e3o muda \u201cda escuta do sentido para \u00e0 leitura do fora de sentido\u201d, tendo em sua mira a redu\u00e7\u00e3o do sintoma em sua materialidade de letra. A interpreta\u00e7\u00e3o para al\u00e9m das miragens da verdade, visando a \u201cfixidez do gozo, a opacidade do real\u201d. (Camila Morelli \u2013 Associada ao CLIN-a)<\/p>\n<p><strong>VERBETE EPIST\u00caMICO:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>As Teorias da Verdade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSempre digo a verdade: n\u00e3o toda, porque diz\u00ea-la toda n\u00e3o se consegue. Diz\u00ea-la toda \u00e9 imposs\u00edvel materialmente: faltam palavras. \u00c9 por esse imposs\u00edvel, inclusive, que a verdade tem a ver com o real\u201d, diz Lacan em Televis\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.\u00a0 Motivo, certamente, de se ter barrado o A, de \u023a verdade, no t\u00edtulo das Jornadas da EBP-SP\/2022 \u201c\u023a verdade e o gozo que n\u00e3o mente\u201d. Al\u00e9m de n\u00e3o-toda, a verdade \u00e9 m\u00faltipla: h\u00e1, pelo menos, quatro teorias da verdade, segundo o fil\u00f3sofo Prof. Newton da Costa<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A teoria da verdade como <strong>correspond\u00eancia<\/strong>, a primeira delas, foi formulada por Arist\u00f3teles. \u201cDizer daquilo que \u00e9, que \u00e9\u201d. Uma correspond\u00eancia entre o dizer e o que est\u00e1 al\u00e9m da linguagem, na \u201crealidade\u201d. A teoria <strong>pragm\u00e1tica<\/strong> da verdade, criada por Peirce, considera verdadeiro o funcional, o \u00fatil e o que produz bons resultados. A verdade da ci\u00eancia s\u00f3 pode ser pragm\u00e1tica. E Newton da Costa sugere nela inserir os conceitos psicanal\u00edticos. A terceira teoria \u00e9 a da <strong>coer\u00eancia<\/strong>, esbo\u00e7ada em Hegel. H\u00e1 concep\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias consideradas verdadeiras pela linguagem e pelo pensamento. As novas proposi\u00e7\u00f5es ser\u00e3o aceitas por compara\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras, com as quais devem ser coerentes, compat\u00edveis e consistentes. A quarta teoria \u00e9 a da <strong>elimina\u00e7\u00e3o<\/strong>, de Frank Ramsey, onde o conceito de verdade \u00e9 desnecess\u00e1rio. \u201c\u00c9 poss\u00edvel construir linguagens extremamente potentes eliminando o conceito de verdade.\u201d (Maria do Carmo Dias Batista \u2013 EBP\/AMP)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>LACAN, Jacques<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>O semin\u00e1rio, livro 17: o avesso da psican\u00e1lise, <\/em>1969-1970, li\u00e7\u00e3o IV &#8211; \u201cVerdade, irm\u00e3 de gozo\u201d<em>.<\/em> Rio de Janeiro: Zahar, 1992, p.51-64.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, uma coisa deve ser enfatizada desde este come\u00e7o &#8211; verdade n\u00e3o \u00e9 uma palavra a ser manipulada fora da l\u00f3gica proposicional, onde se lhe d\u00e1 um valor reduzido \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o, ao manejo de um s\u00edmbolo, que em geral \u00e9 um: V mai\u00fasculo, sua inicial. Tal uso, como veremos, \u00e9 particularmente desprovido de esperan\u00e7a. E \u00e9 justamente isto o que ele tem de sadio\u201d, p.52.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] um sonho desperta justamente no momento em que poderia deixar escapar a verdade, de sorte que s\u00f3 acordamos para continuar sonhando &#8211; sonhando no real, ou, para ser mais exato, na realidade\u201d, p.54.<\/p>\n<p>\u201cA verdade, com efeito, parece mesmo ser-nos estranha &#8211; refiro-me \u00e0 nossa pr\u00f3pria verdade. Ela est\u00e1 conosco, sem d\u00favida, mas sem que nos concirna a um ponto tal que admitamos diz\u00ea-lo\u201d, p.55.<\/p>\n<p>\u201cEm torno disso h\u00e1 todo um jogo de litotes, cujo peso e acentua\u00e7\u00e3o tentei mostrar naquilo que chama de <em>n\u00e3o-sem<\/em> [pas-sansl. A ang\u00fastia n\u00e3o \u00e9 sem objeto. N\u00f3s n\u00e3o somos <em>sem<\/em> uma rela\u00e7\u00e3o com a verdade\u201d, p.55.<\/p>\n<ul>\n<li>(1972) \u201cO aturdito\u201d. <em>Outros Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p.448-497.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cPois essa segunda, que se diga fica esquecido por tr\u00e1s do que ela diz. E isso de maneira t\u00e3o mais impressionante quanto, assertiva, ela &#8211; sem remiss\u00e3o, a ponto de ser tautol\u00f3gica nas provas que prop\u00f5e -, ao denunciar na primeira o semblante, situa seu pr\u00f3prio dizer como inexistente, j\u00e1 que, ao contest\u00e1-la como dito de verdade, \u00e9 a exist\u00eancia que ela faz responder por seu dizer, n\u00e3o por fazer com que esse dizer exista, j\u00e1 que s\u00f3 ela o denomina, mas por negar sua verdade &#8211; sem diz\u00ea-lo\u201d, p.450.<\/p>\n<p>\u201cMetaforizei, por ora, pelo incesto, a rela\u00e7\u00e3o que a verdade mant\u00e9m com o real\u201d, p. 453.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] a impossibilidade de dizer verdade do real se motiva por um matema (sabe-se como eu o defino), um matema pelo qual se situe a rela\u00e7\u00e3o do dizer com o dito\u201d, p. 482.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que a opini\u00e3o verdadeira \u00e9 a verdade no real como aquilo que barra seu dizer?\u201d, p.483.<\/p>\n<p>\u201cAssim se explica o meio-dito que superamos, aquele segundo o qual a mulher seria, desde sempre, um engodo da verdade. [&#8230;]\u201d, p.495.<\/p>\n<ul>\n<li>(1973) \u201cTelevis\u00e3o\u201d. <em>Outros Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p.508-543.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 por que nos espantarmos, se o Caminho, como eu disse, passa pelo Signo. Se nisso se demonstra um impasse &#8211; digo bem: certifica-se ao se demonstrar -, essa \u00e9 nossa chance de tocarmos no real puro e simples &#8211; como o que impede que se diga toda a verdade\u201d, p.532.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] a verdade j\u00e1 \u00e9 mulher, por n\u00e3o ser toda \u2013 n\u00e3o toda a se dizer, em todo caso\u201d, p. 538.<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. <em>Scilicet: o corpo falante \u2013 sobre o inconsciente no s\u00e9culo XXI.<\/em> S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2016.<\/p>\n<p>\u201cAntigamente falava-se das indica\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise. Avaliava-se se tal estrutura se prestava \u00e0 an\u00e1lise e se indicava a recusa da an\u00e1lise para quem a demandava por falta de indica\u00e7\u00f5es. Na \u00e9poca do <em>falasser<\/em>, digamos a verdade, analisa-se qualquer um. Analisar o <em>falasser<\/em> demanda jogar uma partida entre del\u00edrio, debilidade e tapea\u00e7\u00e3o. \u00c9 dirigir um del\u00edrio de maneira que sua debilidade ceda \u00e0 tapea\u00e7\u00e3o do real. Freud tinha ainda de se haver com o que ele chamava de recalque. E pudemos constatar, nos relatos de passe, a que ponto essa categoria \u00e9, doravante, pouco utilizada. Claro, h\u00e1 relembran\u00e7as. Mas nada atesta a autenticidade de alguma delas. Nenhuma \u00e9 final. O chamado retorno do recalcado \u00e9 sempre arrastado no fluxo do <em>falasser<\/em>, no qual a verdade se revela incessantemente mentirosa. No lugar do recalcado, a an\u00e1lise do <em>falasser<\/em> instala a verdade mentirosa que decorre do que Freud reconheceu como o recalque origin\u00e1rio. Isso quer dizer que a verdade \u00e9 intrinsicamente da mesma ess\u00eancia que a mentira. O\u00a0<em>proton pseudos<\/em>\u00a0\u00e9 tamb\u00e9m o falso \u00faltimo. O gozo, ou os gozos do corpo falante, por\u00e9m, \u00e9 aquilo que n\u00e3o mente\u201d, p.31-32.<\/p>\n<p>\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fragmento de constru\u00e7\u00e3o incidindo sobre um elemento isolado do recalque, como o pensava Freud. Ela n\u00e3o \u00e9 a elucubra\u00e7\u00e3o de um saber. Ela n\u00e3o \u00e9 tampouco um efeito de verdade logo absorvido pela sucess\u00e3o das mentiras. A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dizer que visa ao corpo falante para produzir nele um acontecimento, para\u00a0<em>passar para as tripas,\u00a0<\/em>dizia Lacan. Isso n\u00e3o se antecipa, mas se verifica\u00a0<em>a posteriori<\/em>, pois o efeito de gozo \u00e9 incalcul\u00e1vel. Tudo o que a an\u00e1lise pode fazer \u00e9 afinar-se com a pulsa\u00e7\u00e3o do corpo falante para se insinuar no sintoma. Quando se analisa o inconsciente, o sentido da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdade. Quando se analisa o <em>falasser<\/em>, o corpo falante, o sentido da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 o gozo. Esse deslocamento da verdade ao gozo d\u00e1 a medida do que se torna a pr\u00e1tica anal\u00edtica na era do <em>falasser<\/em>\u201d, p.32.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cO Um \u00e9 letra\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba 83. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2021, p.44-66.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cQuando Lacan afirma que a \u2018verdade tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o\u2019, \u00e9 para dizer que ela s\u00f3 sustenta o seu ser pelo discurso \u2013 sem discurso n\u00e3o h\u00e1 verdade\u201d, p. 57.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>FREUD, Sigmund<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cOs chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente\u201d [1905].<em> Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1980. v. VIII, p.21 -265.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Atribu\u00edmos sentido a um coment\u00e1rio e sabemos que logicamente ele n\u00e3o pode ter nenhum. Descobrimos nele uma verdade, fato imposs\u00edvel de acordo com as leis da experi\u00eancia ou com nossos h\u00e1bitos gerais de pensamento. [&#8230;] Em todos os casos, o processo psicol\u00f3gico que o coment\u00e1rio chistoso nos provoca, e sobre o qual repousa o processo c\u00f4mico, consiste na imediata transi\u00e7\u00e3o dessa atribui\u00e7\u00e3o de sentido, dessa descoberta da verdade, dessa concess\u00e3o de consequ\u00eancias, \u00e0 consci\u00eancia ou impress\u00e3o da relativa nulidade\u201d, p.24-25.<\/p>\n<p>\u201cHist\u00f3ria de dois judeus que se encontram num vag\u00e3o de trem em uma esta\u00e7\u00e3o da Gal\u00edcia. [&#8230;] Essa excelente est\u00f3ria, que impressiona pelo extremo refinamento, opera evidentemente pela t\u00e9cnica do absurdo. O segundo judeu \u00e9 censurado por mentir porque diz estar indo \u00e0 Crac\u00f3via que \u00e9 seu verdadeiro destino! Mas o poderoso m\u00e9todo t\u00e9cnico do absurdo conecta-se aqui \u00e0 outra t\u00e9cnica, a representa\u00e7\u00e3o pelo oposto, pois de acordo com a asser\u00e7\u00e3o n\u00e3o contradita do primeiro judeu, o segundo est\u00e1 mentindo quando fala a verdade e fala a verdade por meio da mentira. Mas a mais s\u00e9ria subst\u00e2ncia do chiste \u00e9 o problema do que determina a verdade. [&#8230;]\u201d, p.136.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>DUPONT, Laurent<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00ab\u00a0Chronique du malaise: \u2018Cancel culture\u2019, la v\u00e9rit\u00e9 et le Un\u00a0\u00bb. Dispon\u00edvel em\u00a0: <a href=\"https:\/\/www.hebdo-blog.fr\/cancel-culture-la-verite-et-le-un\/\">CHRONIQUE DU MALAISE : \u00ab Cancel culture \u00bb, la v\u00e9rit\u00e9 et le Un &#8211; L&#8217;HEBDO-BLOG<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201c&#8230; a cultura do cancelamento cr\u00ea no Um, na Verdade enquanto Um sozinho. Calar o outro n\u00e3o \u00e9 censura, seria proteger A verdade. \u00c9 a subida ao z\u00e9nite do sujeito da certeza\u201d. (Tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/p>\n<p><strong>HARARI, Angelina<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u201cVerdade\/Mentira\u201d. <em>Scilicet. A ordem simb\u00f3lica no s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 mais o que era. Quais as consequ\u00eancias para o tratamento?, <\/em>2011, p. 404.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] o mentir verdadeiro n\u00e3o se confunde com a verdade mentirosa de Lacan, pois, nesta, segundo Jaques-Alain Miller, \u201ca \u00eanfase a ser posta no adjetivo mentirosa n\u00e3o est\u00e1 na oposi\u00e7\u00e3o verdade ver\u00eddica e verdade mentirosa, mas sim na alian\u00e7a da verdade com a mentira\u201d, ao passo que, \u201c[&#8230;] O mentir-verdadeiro \u00e9 uma mentira que vai ao encontro da verdade, que a revela. A verdade mentirosa diz outra coisa mais radical: a pr\u00f3pria verdade \u00e9 uma mentira\u201d. (citando Jacques-Alain Miller em Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan, p.125). [&#8230;], o sintagma lacaniano de verdade-mentirosa \u00e9 outra coisa, raz\u00e3o pela qual escolhi abordar o tema Verdade\/Mentira, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana que o faz pelo vi\u00e9s de uma alian\u00e7a da verdade com a mentira, conforme citado anteriormente\u201d, p. 404-405.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d. <em>Outros Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Zahar, 2002, p. 508.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> DA COSTA, N. C. A. Teorias da Verdade. <em>Cap\u00edtulos de Psican\u00e1lise. <\/em>S\u00e3o Paulo: Biblioteca Freudiana Brasileira, n. 10, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, novembro 1991. Confer\u00eancia pronunciada no \u00e2mbito do semin\u00e1rio de Jorge Forbes na Sociedade Psicanal\u00edtica de S\u00e3o Paulo, em 10 de novembro de 1988.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS &#8211; INTER-DITOS #05 VERBETE EPIST\u00caMICO: A interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica alcan\u00e7a o al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer? \u201cA potencialidade infinita do discurso livre p\u00f5e apenas como \u00fanico limite ao gozo o princ\u00edpio do prazer. O limite da interpreta\u00e7\u00e3o deve ser outro [&#8230;] Em vez de recorrer ao princ\u00edpio do prazer e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":6416,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6437","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6437\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}