{"id":6427,"date":"2022-06-26T08:19:09","date_gmt":"2022-06-26T11:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=6427"},"modified":"2022-06-26T08:19:09","modified_gmt":"2022-06-26T11:19:09","slug":"argumento-xi-jornadas-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xi-jornadas-%e2%b1%a5-verdade-e-o-gozo-que-nao-mente\/argumento-xi-jornadas-2\/","title":{"rendered":"ARGUMENTO &#8211; XI JORNADAS"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #5e4f42;\">ARGUMENTO &#8211; XI JORNADAS DA SE\u00c7\u00c3O S\u00c3O PAULO<\/span><\/h3>\n<p><strong>\u023a VERDADE E O GOZO QUE N\u00c3O MENTE<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<h6>Comiss\u00e3o de Argumento: Angelina Harari (coord.), Camila Col\u00e1s, Eduardo Vallejos, Fabr\u00edcio Donizete da Costa, Francisco Jr. Lemes, Francisco Durante e Luisa Fromer.<\/h6>\n<figure id=\"attachment_6428\" aria-describedby=\"caption-attachment-6428\" style=\"width: 298px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6428 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boletim01_002-298x300.jpg\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6428\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @ilzehelgeland<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Amor \u00e0 verdade em Freud<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Comecemos com Freud. Podemos dizer que ele se enveredou pelas tramas do amor \u00e0 verdade, deparando-se nessa travessia com a descoberta da psican\u00e1lise. Amor \u00e0 verdade como condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua<\/em> <em>non<\/em> para a cura anal\u00edtica<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Contudo, tal rela\u00e7\u00e3o entre amor e verdade n\u00e3o se deu sem seus impasses ou mesmo, um sorriso doce de Lacan<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Tomemos um desses poss\u00edveis impasses freudianos, extra\u00eddo na parte VII de seu texto intitulado <em>An\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel<\/em>. \u00a0Freud escreve: \u201cPor fim, n\u00e3o se deve esquecer que a rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica se baseia no amor \u00e0 verdade, isto \u00e9, no reconhecimento da realidade, e exclui todo engano e apar\u00eancia&#8221;<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Verdade, engano, apar\u00eancia. Pontos reparados por Freud ainda presentes nas an\u00e1lises que conduzimos hoje? Vemos nas an\u00e1lises de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana mais a via do horror do que a do amor \u00e0 verdade, como nos indica Miller<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Deslocamentos da verdade ao longo do percurso da psican\u00e1lise e das an\u00e1lises, fato que vemos desde Freud, em que a Verdade ainda totalizada, trar\u00e1 outras repercuss\u00f5es cl\u00ednicas com o ensino de Lacan, com o advento do neologismo <em>varit\u00e9<\/em>, por exemplo, que acopla a palavra <em>v\u00e9rit\u00e9<\/em> (verdade) \u00e0 palavra <em>vari\u00e9t\u00e9<\/em> (variedade) para designar a <em>verdade vari\u00e1vel<\/em><a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, da dita Verdade totalizante, movida pelo desejo de saber, que aos poucos deixar\u00e1 de obscurecer o desejo do analista, descoberta freudo-lacaniana, nesse di\u00e1logo tenso entre leitores, ambos, tomando a verdade como fio condutor, em seus estilos singulares. A que serve aos analistas de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana tomarem a verdade enquanto um fio de Ariadne? Entramos, assim, no terreno ficcional dos percursos singulares das an\u00e1lises que conduzimos?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A verdade como estrutura de fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Assim como fez Lacan em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 no\u00e7\u00e3o da verdade em Freud, avancemos. \u201cA verdade tem uma estrutura, se podemos dizer, de fic\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. \u00c9 a partir desta afirma\u00e7\u00e3o que Miller nos conduz, em sua S\u00e9tima Li\u00e7\u00e3o, nas <em>Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan<\/em>, \u00e0 compreens\u00e3o da verdade enquanto verdade vari\u00e1vel, sob o neologismo varidade [<em>varit\u00e9<\/em>] e de fic\u00e7\u00e3o como \u201cuma fabrica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 da ordem da poiesis, da produ\u00e7\u00e3o, do fazer. Uma fic\u00e7\u00e3o \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o que traz a marca do semblante\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia anal\u00edtica traz consigo a verdade enquanto subst\u00e2ncia e a fic\u00e7\u00e3o como um saber que repousa sobre um dizer. Aqui \u00e9 importante marcar a oposi\u00e7\u00e3o da verdade em rela\u00e7\u00e3o ao real, \u201cO real engana a verdade. Em rela\u00e7\u00e3o ao real faz sentido dizer que a verdade vari\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 mais que um semblante. O correlato do real n\u00e3o \u00e9 a verdade, e sim a certeza, que \u00e9, se quiserem, uma verdade que n\u00e3o muda. Se chega a certeza do real somente pelo significante como saber e n\u00e3o como verdade\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. \u00c9 neste sentido que Lacan avan\u00e7a em seu ensino orientando-o ao simb\u00f3lico, ao formalizar que a verdade do inconsciente tem estrutura de linguagem, mas que, ao final do ensino, veremos que o inconsciente tomado nesses termos \u201cn\u00e3o passa de uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber sobre a lal\u00edngua&#8221;<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> e que, portanto, \u201ca ordem simb\u00f3lica \u00e9 da ordem da fic\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Da prosopop\u00e9ia da verdade \u00e0 verdade que toca o real<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Assim disse Lacan: \u201cEu, a verdade, falo\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. Assim n\u00e3o disse s\u00f3, introduz Miller. Conquanto precisou repeti-lo: \u201cEu, a verdade, falo\u201d. Talvez por isso \u201cforam t\u00e3o irris\u00f3rios de imediato os esfor\u00e7os para saber se Lacan dizia verdadeiramente o que Freud havia dito: \u201cFreud disse? Mostra-me o par\u00e1grafo!\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. Assim se ambrosia a inibi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o digamos que o bruxo de Paris n\u00e3o foi um m\u00edstico exemplar na igreja. N\u00e3o s\u00f3 levou seus c\u00e3es, ati\u00e7ou-os a latir<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>! Tantos desarranjos! Foi exato na geometria dos puros esp\u00edritos<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. Mas um herege, rigorosamente convertido, em <em>C\u00e9rbero <\/em>n\u00e3o estaria erigido? <em>\u201cFlectere si nequeo superos, Acheronta movebo\u201d<\/em> (Se n\u00e3o posso vencer os c\u00e9us, moverei os Infernos)<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> .<\/p>\n<p>Lacan vociferava aquela verdade que fala nas entrelinhas, no lapso, no ato falho\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>, aquela verdade de que existe o verdadeiro. \u201cEle n\u00e3o a cuspiu, mas a repetiu autenticamente, o que pressup\u00f5e uma alian\u00e7a sempre equ\u00edvoca com a cria\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. E essa repeti\u00e7\u00e3o operada implica que se desloquem as entranhas. O resultado, dir\u00e1 Miller, \u201c\u00e9 que Lacan mesmo se tornou um real\u201d<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>. Quer dizer, que se atravessou contra o arrebatamento homeost\u00e1tico da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Como o guardi\u00e3o do Hades condiria n\u00e3o produzindo repeti\u00e7\u00f5es t\u00e3o desagrad\u00e1veis, de duplo sentido? Pois exatamente ali, no <em>Inferno dos Gulosos<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\"><sup><strong>[20]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, assentou que n\u00e3o est\u00e1 de sa\u00edda o que revira nossas tripas, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o seja pessoalmente afetado pela verdade\u201d<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>. Tanto que a Quimera se assoma. Ainda mais onde \u201cs\u00f3 habitam os seres da maior pureza\u201d<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>, os que compreendem, porque ali, a verdade permanece em trabalho de fraldas, n\u00e3o se quer saber do parto. Donde que, se afeitos por palavras subversivas, vigiemos \u201cpara que elas n\u00e3o se grudem demais no caminho da verdade\u201d<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>. <em>Hadisterias<\/em> nos mordam!<\/p>\n<p>Portanto, uma verdade, se bem dita, n\u00e3o vangloria <em>c\u00e3oceito<\/em>, aceita n\u00e3o. Um conceito jaz. Uma verdade <em>jouisse<\/em>. Ela <em>re-esiste<\/em>, escandalosa mente. Sua prosopopeia sentinela o horror, na epopeia que enoda a n\u00f3s: \u201cn\u00e3o h\u00e1 metalinguagem\u201d, n\u00e3o h\u00e1 \u201co verdadeiro sobre o verdadeiro\u201d<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>. \u201cEu, a verdade, falo\u201d enuncia esse vazio, que, em <em>Televis\u00e3o<\/em>, \u00e9 retomado para enunciar outra coisa: \u201cdiz\u00ea-la toda n\u00e3o se consegue [&#8230;] porque ela toca o real\u201d<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> . O que nos permite, nota Miller, \u201cmedir o deslocamento de Lacan, pois introduz o termo <em>real<\/em> nesse \u2018Eu, a verdade, falo\u2019, na falta que isso designa\u201d<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u201cconhecereis a verdade e a verdade vos libertar\u00e1?\u201d<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> O golpe \u00e9 de lei, deleite t\u00f3xico, tentador! Nos <em>ev-angelhos<\/em> a verdade n\u00e3o varia: este pretende <em>liber-tor\u00e1<\/em>. J\u00e1 a verdade que fala n\u00e3o diz \u201cEu sou\u201d, a verdade que fala diz \u201cEu falo\u201d.<\/p>\n<p>Mirem que os ab-inferos s\u00e3o poemas, cujas palavras s\u00e3o intoler\u00e1veis. In-<em>feroz<\/em> que experimentam avarias da verdade, que t\u00e3o louca-mente n\u00e3o se locupleta. O que nela n\u00e3o cr\u00ea, mas que nela v\u00ea cr\u00ea-ser, sabe o que, com o que dela se satisfaz? Que <em>actif\u00edcio<a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\"><sup><strong>[28]<\/strong><\/sup><\/a><\/em> mant\u00e9m a quimera? Em termos de fic\u00e7\u00e3o isso se diz! Em posi\u00e7\u00e3o de semblante isso se escuta! Em prosopop\u00e9ia isso se ladra! Isso faz at\u00e9 com\u00e9dia, e sua loucura se elogia, mas seu horror n\u00e3o abaixa a guarda. \u201cEu, a verdade, falo\u201d: empresteis-<em>voz<\/em> \u00e0 verdade e a verdade vos excomungar\u00e1!<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O parentesco da verdade com o gozo<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Em <em>Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan<\/em>, J.-A. Miller faz uma b\u00e1scula sobre a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a verdade em uma an\u00e1lise que come\u00e7a e em uma que dura. Na an\u00e1lise que come\u00e7a a verdade se manifesta por revela\u00e7\u00f5es daquilo que n\u00e3o se sabia sobre a puls\u00e3o, sustentadas na oposi\u00e7\u00e3o freudiana cl\u00e1ssica entre consciente\/inconsciente. O in\u00edcio de uma an\u00e1lise \u00e9 marcado portanto, sob o signo da revela\u00e7\u00e3o, como &#8220;fogos de artif\u00edcio&#8221;<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>. Na an\u00e1lise que dura, contudo, tais revela\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais raras e a verdade como revela\u00e7\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda pela repeti\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Com a introdu\u00e7\u00e3o da teoria dos discursos no semin\u00e1rio 17, <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, Lacan nos indica que ao mesmo tempo em que o sujeito barrado surge como um \u201cefeito de verdade\u201d<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> do discurso do mestre, de tal opera\u00e7\u00e3o significante permanece um resto que resiste ao saber, trata-se do objeto <em>a<\/em> com seu car\u00e1ter de mais-de-gozar. Neste sentido, em uma an\u00e1lise que dura seu eixo se desloca da oposi\u00e7\u00e3o consciente\/inconsciente para a oposi\u00e7\u00e3o entre inconsciente e gozo, que verifica o sujeito como efeito de verdade, mas tamb\u00e9m o parentesco da verdade com o gozo que sobra desta opera\u00e7\u00e3o de causa\u00e7\u00e3o do sujeito. Trata-se do que Lacan desenvolveu no cap\u00edtulo IV deste mesmo semin\u00e1rio, da verdade como irm\u00e3 do gozo. Nomear a verdade como irm\u00e3 do gozo, seria o mesmo que dizer que ela \u00e9 \u201cinsepar\u00e1vel dos efeitos de linguagem [&#8230;]\u201d<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>, uma vez que ela se liga ao gozo enquanto barrado ocupando o lugar daquilo que \u00e9 mortificado pelo significante. Aqui, o acesso ao gozo se faz pela via da entropia, do desperd\u00edcio produzido pela opera\u00e7\u00e3o significante.<\/p>\n<p><strong>O Outro (que n\u00e3o existe) \u00e9 o da verdade<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Neste momento do ensino de Lacan, do Semin\u00e1rio 17: <em>o avesso da psican\u00e1lise<\/em>, h\u00e1 uma equival\u00eancia entre o sujeito e o gozo. O gozo \u00e9 \u201c[&#8230;] esse ser pr\u00e9vio ao funcionamento do sistema significante. Esse ser pr\u00e9vio \u00e9 um ser de gozo, quer dizer, um corpo afetado de gozo\u201d<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>. Em <em>O osso de uma an\u00e1lise, <\/em>J.-A Miller nos indica que em seu primeiro ensino, Lacan tomou o corpo como Freud, \u201cintroduzido como puls\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>. Quando o corpo pulsional passa a articular-se \u00e0 cadeia significante h\u00e1, propriamente, uma virada lacaniana, em que o significante traduz a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a puls\u00e3o. Trata-se, neste momento, do que se chamou na Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u201ca significantiza\u00e7\u00e3o do gozo\u201d<a href=\"#_edn34\" name=\"_ednref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>, ou seja, do corpo como objeto barrado, como falo negativado (- phi) em seu gozo pelas opera\u00e7\u00f5es de deslocamento e substitui\u00e7\u00e3o significante. Este corpo mortificado se articula \u00e0 verdade como uma \u201cmentira ver\u00eddica\u201d<a href=\"#_edn35\" name=\"_ednref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> sobre o lugar enigm\u00e1tico do desejo no Outro, uma verdade que, ao ser decifrada pela via do saber (S2), n\u00e3o se esgota em sua significa\u00e7\u00e3o e volta a exigir interpreta\u00e7\u00e3o e a proliferar sentido imagin\u00e1rio sobre o gozo. Tal express\u00e3o, \u201cmentira ver\u00eddica\u201d, foi forjada por Lacan em seu Semin\u00e1rio 11 para designar, no esquema \u00f3ptico, o eu ideal constitu\u00eddo a partir e no olhar do Outro.<\/p>\n<p>Se em seu primeiro ensino a verdade do gozo se assenta em uma l\u00f3gica que prov\u00e9m do Outro simb\u00f3lico que \u201cse desenvolve essencialmente na fantasia\u201d<a href=\"#_edn36\" name=\"_ednref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> como perda, limita\u00e7\u00e3o e negatividade, no caminho para seu \u00faltimo ensino h\u00e1 uma disjun\u00e7\u00e3o entre o gozo e o Outro. Trata-se de uma mudan\u00e7a que se imp\u00f5e como uma necessidade de formaliza\u00e7\u00e3o na medida em que, ao perder sua fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico-imagin\u00e1ria de \u201cdemandar a castra\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d<a href=\"#_edn37\" name=\"_ednref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a>, esse Outro da fantasia revela sua inexist\u00eancia, o que permitiu a J.-A. Miller dizer que \u201co Outro que n\u00e3o existe \u00e9 o da verdade\u201d<a href=\"#_edn38\" name=\"_ednref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a>, \u00e9\u00a0 a passagem da significantiza\u00e7\u00e3o do gozo para o gozo imposs\u00edvel de negativar pelo simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Aqui o falo passa a ser lido como um significante paradoxal em rela\u00e7\u00e3o ao objeto<em> a<\/em>, causa de desejo, que esvazia o corpo de gozo por um lado, mas a partir do vazio pr\u00f3prio do objeto, produz um mais-de-gozar ou, em outras palavras, produz um corpo que se goza. \u201cO que significa dizer que o gozo tem um significante que n\u00e3o se negativa e, em termos precisos, que se toma emprestado o <em>Phi<\/em>, do falo, quando se inventa escrever esse significante? [&#8230;] designa um gozo mais al\u00e9m da castra\u00e7\u00e3o, ou tamb\u00e9m aqu\u00e9m dela\u201d<a href=\"#_edn39\" name=\"_ednref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>. Seguindo tal indaga\u00e7\u00e3o de Miller prosseguimos: qual o lugar do gozo f\u00e1lico como imposs\u00edvel de negativar na experi\u00eancia anal\u00edtica? Qual seria sua rela\u00e7\u00e3o com \u023a verdade? Haveria correla\u00e7\u00e3o entre o gozo f\u00e1lico n\u00e3o negativiz\u00e1vel e o gozo que n\u00e3o mente, qual?<\/p>\n<p><strong>O gozo que n\u00e3o mente \u00e9 o gozo como tal?<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Na aula de 10 de maio de 1977 <em>Rumo ao Significante Novo<\/em>, Lacan se pergunta: <em>o real mente<\/em>? Na an\u00e1lise pode-se dizer certamente que o verdadeiro mente (<em>vrai ment<\/em>). A an\u00e1lise \u00e9 um longo percurso (<em>chemine ment<\/em>)<a href=\"#_edn40\" name=\"_ednref40\"><sup>[40]<\/sup><\/a>. O princ\u00edpio do verdadeiro \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o, Freud da <em>Verneinung <\/em>promoveu que a nega\u00e7\u00e3o sup\u00f5e uma <em>Bejahung, <\/em>a partir de algo que se enuncia como positivo se escreve a nega\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn41\" name=\"_ednref41\"><sup>[41]<\/sup><\/a>. Segundo Lacan, \u00e9 aqui que Freud nos promoveu o essencial!<\/p>\n<p>No cogito lacaniano <em>\u201csou, logo goza-se\u201d<\/em> o que temos \u00e9 o gozo imposs\u00edvel de ser negativizado, aquilo que n\u00e3o pode ser eliminado na experi\u00eancia anal\u00edtica. O gozo opaco s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se experimentar ao lado do gozo feminino, esse que \u00e9 concebido \u201ccomo princ\u00edpio do regime do gozo como tal (&#8230;) reduzido ao acontecimento de corpo\u201d<a href=\"#_edn42\" name=\"_ednref42\"><sup>[42]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Quando chega-se ao gozo sem nome, imposs\u00edvel de negativa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata mais de retificar o sujeito, como dizia Lacan no seu primeiro ensino em rela\u00e7\u00e3o ao amor a verdade, mas sim de uma \u201cretifica\u00e7\u00e3o do gozo\u201d<a href=\"#_edn43\" name=\"_ednref43\"><sup>[43]<\/sup><\/a>. Uma retifica\u00e7\u00e3o do gozo, pois do gozo n\u00e3o h\u00e1 verdade a ser alcan\u00e7ada, resta apenas a reconcilia\u00e7\u00e3o. Algo mais do positivo, do sim, em vez do n\u00e3o, pois no cogito lacaniano <em>\u201cse goza<\/em>\u201d!<\/p>\n<p>Como nos diz Miller, trata-se de retificar o gozo, mas para isso \u00e9 preciso tomar a via do significante Um, esse que insiste e que \u00e9 correlativo a exist\u00eancia e n\u00e3o ao ser, \u201cao significante Um, significante r\u00edgido, se inscreve o gozo opaco ao sentido, o qual \u00e9 uma refer\u00eancia da ordem do real\u201d<a href=\"#_edn44\" name=\"_ednref44\"><sup>[44]<\/sup><\/a>. Se h\u00e1 significante \u201cnovo\u201d estamos ainda na linguagem, com a diferen\u00e7a que temos o corpo vivo. Dessa forma, como ter not\u00edcias do gozo que n\u00e3o mente? \u00c9 pelo estilo do analista, esse que n\u00e3o pode ser dito, mas pode ser experienciado no um a um?<\/p>\n<p>Se ao analista cabe acreditar na verdade que o sujeito traz, ao mesmo tempo \u00e9 o analista que o incita a busca pela verdade. Assim, como chegar ao gozo que n\u00e3o mente, se justamente \u00e9 o gozo, isso que o sujeito n\u00e3o quer saber? Qual a verdade que est\u00e1 em jogo na experi\u00eancia anal\u00edtica j\u00e1 que a verdade \u00e9 vari\u00e1vel na medida que a busca do sentido n\u00e3o tem fim e o seu fim s\u00f3 pode ser a mentira?<\/p>\n<p><strong>Verdade mentirosa<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>A palavra <em>verdade<\/em> est\u00e1 presente no ensino de Lacan do come\u00e7o at\u00e9 o final, embora haja uma fratura entre o que poder\u00edamos chamar de seus dois regimes<a href=\"#_edn45\" name=\"_ednref45\"><sup>[45]<\/sup><\/a>. A desvaloriza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da verdade \u00e9 consequ\u00eancia de mudan\u00e7as no estatuto do inconsciente, n\u00e3o mais considerado como lugar da verdade, mas como um saber que n\u00e3o pensa, um saber inscrito no real. No percurso de um regime a outro, Lacan articula a verdade ao paradoxo do mentiroso no Semin\u00e1rio, livro 11: <em>os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>, \u201ccom efeito, n\u00e3o haveria a verdade da mentira? \u2013 essa verdade que torna perfeitamente poss\u00edvel, contrariamente ao pretenso paradoxo, que eu afirme \u2013 Minto\u201d<a href=\"#_edn46\" name=\"_ednref46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>. Tal percurso nos leva ao sintagma lacaniano <em>verdade mentirosa<\/em>, tratando-se neste regime de uma alian\u00e7a da verdade com a mentira.<\/p>\n<p>Lacan nunca abandonou essa refer\u00eancia da verdade, seja a verdade no singular, sejam as verdades vari\u00e1veis para as quais criou o neologismo varidade (<em>varit\u00e9<\/em>); varidade \u00e9 como Jacques-Alain Miller entende a proposi\u00e7\u00e3o segundo a qual \u201ca verdade tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o\u201d. E, para tanto, o passe n\u00e3o \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de uma verdade, mas a revela\u00e7\u00e3o que a verdade \u00e9 mentirosa. Uma verdade aut\u00eantica, mas que \u00e9 \u201c&#8230;igualmente mentirosa aos olhos do gozo de imposs\u00edvel negativa\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn47\" name=\"_ednref47\"><sup>[47]<\/sup><\/a>. Lacan define assim, no final\u00edssimo ensino, o passe como a miragem da verdade. No regime da verdade mentirosa, como se articulam verdade e gozo que n\u00e3o mente?<\/p>\n<p>O problema da rela\u00e7\u00e3o entre a verdade e o gozo deve ser reconsiderada sob o \u00e2ngulo do gozo como de imposs\u00edvel negativa\u00e7\u00e3o, ao buscar sair do \u201cteatro do sacrif\u00edcio f\u00e1lico\u201d<a href=\"#_edn48\" name=\"_ednref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a>, onde haveria o Outro a demandar sua castra\u00e7\u00e3o para dela gozar. Em suas elabora\u00e7\u00f5es, Lacan foi obrigado a desdobrar seu s\u00edmbolo do falo: o falo marcado com um menos, como s\u00edmbolo da castra\u00e7\u00e3o e como imagin\u00e1rio. Mais adiante ele \u00e9 levado a inscrever como um <em>Phi<\/em>, chamando-o de \u201cfalo simb\u00f3lico imposs\u00edvel de negativizar\u201d<a href=\"#_edn49\" name=\"_ednref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a>, que resiste \u00e0 castra\u00e7\u00e3o e coloca em aposi\u00e7\u00e3o \u201csignificante do gozo\u201d<a href=\"#_edn50\" name=\"_ednref50\"><sup>[50]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O \u201csignificante do gozo\u201d, \u00fanica vez que essa express\u00e3o aparece nos Escritos, na leitura de Jacques-Alain Miller, \u00e9 retomado por \u00c9ric Laurent nas confer\u00eancias apresentadas no Rio de Janeiro (EBCF &#8211; 2018) e publicadas em<em> Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 84<\/em>, que destaca homologias e as diferen\u00e7as entre o texto dos <em>Escritos<\/em> (1954) e aquele dos <em>Outros Escritos<\/em> (1974). Segundo Laurent, o gozo figura no \u00edndice ponderado dos Escritos \u201c[&#8230;] como estando ligado \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, marcado com menos, negativiz\u00e1vel\u201d<a href=\"#_edn51\" name=\"_ednref51\"><sup>[51]<\/sup><\/a> e \u00e9 a partir do Semin\u00e1rio 20 que o gozo n\u00e3o \u00e9 mais negativ\u00e1vel, trata-se de uma perspectiva cujo ponto de partida \u201cn\u00e3o \u00e9 o \u2018N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u2019. Mas, ao contr\u00e1rio, um h\u00e1. H\u00e1 gozo\u201d <a href=\"#_edn52\" name=\"_ednref52\"><sup>[52]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Para concluir, na contemporaneidade vemos surgir o S1 sozinho descolado do contexto que o S2 lhe oferece, fato que j\u00e1 havia sido considerado por Lacan como risco e perigo prov\u00e1vel, mas que vemos concretamente hoje na teoria do cancelamento, que em nome da verdade se desconstr\u00f3i o S2 fazendo-a consistir como verdade totalizante. Laurent Dupont evoca a teoria do cancelamento em seu texto <em>El\u00e9ction pr\u00e9sidentielle, le d\u00e9sir et la n\u00e9cessit\u00e9 <\/em><a href=\"#_edn53\" name=\"_ednref53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> ao resgatar uma previs\u00e3o de Lacan feita no Semin\u00e1rio, livro 19: <em>\u2026 ou pior<\/em>, dando conta do efeito catastr\u00f3fico da recusa do S2, justamente neste Semin\u00e1rio que trata do advento do Um. Lacan a\u00ed nos diz \u201c&#8230;saibam que o que vem aumentando, o que ainda n\u00e3o viu suas \u00faltimas consequ\u00eancias, e que, por sua vez, se enra\u00edza no corpo, na fraternidade do corpo, \u00e9 o racismo. Voc\u00eas ainda n\u00e3o ouviram a \u00faltima palavra a respeito dele\u201d<a href=\"#_edn54\" name=\"_ednref54\"><sup>[54]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<h6><em>Prepara\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o de texto: Eduardo Vallejos.<\/em><\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Argumento das XI jornadas da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise &#8211; Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo (Jun\/2022).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Lacan aurait reconnu en M\u00e9lenchon une canaille. In: <em>Le Point <\/em>2600. 9 de junho de 2022, p 38.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> FREUD, S. An\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel. In: <em>Obras completas<\/em>. Vol. 19. SP: Cia das Letras, 1937, p. 274-326.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Lacan aurait reconnu en M\u00e9lenchon une canaille. In: <em>Le Point <\/em>2600. 9 de junho de 2022, p. 38.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LACAN. J. Rumo ao significante novo. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> 22 (agosto de 1998).\u00a0 Aula 10 de maio de 1977. Semin\u00e1rio in\u00e9dito. p. 9.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 4: a rela\u00e7\u00e3o de objeto. In: <em>Para que serve o mito. <\/em>RJ: Zahar, 1995, p. 259<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. RJ: Zahar, 2011. p. 106.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. La experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica. In:<em> El lagarto y la piedra<\/em>. In: Bsas\/Bracelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 1999, p. 362. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. RJ: Zahar, 2011. p. 106.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> LACAN, J. A coisa freudiana. In: <em>Escritos<\/em>. RJ: Zahar, 1957, p. 410.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Un esfuerzo de poes\u00eda. In:<em> Tiempos modernos<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2002, p. 49. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Um esfor\u00e7o de poesia. In: <em>Enigma e misterio<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico, 2002, p. 28. \/ Un effort de po\u00e9sie. In:<em> La logique et l\u2019oracle. <\/em>Version \u00e9tabli par Pascale Fari. 2002, p. 134.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio 2<\/em>4: L\u2019insu que sait de I\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre (Hacia un significante nuevo, 1977). In: <em>Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, La palabra que hiere<\/em>, a\u00f1o XIII, n\u00ba 25. Bsas: Publicaci\u00f3n de EOL, 2018. p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> VIRG\u00cdLIO. <em>Eneida.<\/em> Livro VI, verso 878.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Todo el mundo es loco. In: <em>Br\u00fajula de la \u00faltima ense\u00f1anza<\/em>. In: Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2002, p. 324. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Un esfuerzo de poes\u00eda. In<em>: Tiempos modernos<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2002, p. 50. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> DANTE. A Divina Com\u00e9dia. Canto VI.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> LACAN, J. A coisa freudiana. In: <em>Escritos<\/em>. RJ: Zahar, 1957, p. 406.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> LACAN, J. O poder dos imposs\u00edveis. <em>O Semin\u00e1rio, livro 17: O avesso da psican\u00e1lise.<\/em> RJ: Zahar, 1969-70, p. 175.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Un esfuerzo de poes\u00eda. In: <em>Horror ante la verdad<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2002, p. 187. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> LACAN, J. Outros Escritos. In: <em>Televis\u00e3o<\/em>. RJ: Zahar, (1973\/2011), p. 508.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Un esfuerzo de poes\u00eda. In:<em> Horror ante la verdad<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico: Paid\u00f3s, 2002, p. 187. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> B\u00edblia de Jerusal\u00e9m. <em>Evangelho segundo Jo\u00e3o<\/em>. Cap\u00edtulo 8, vers\u00edculo 32.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Um esfor\u00e7o de poesia. In: <em>Enigma e misterio<\/em>. Bsas\/Barcelona\/M\u00e9xico, 2002, p. 38. \/ Un effort de po\u00e9sie. In: <em>La logique et l\u2019oracle<\/em>. Version \u00e9tabli par Pascale Fari. p. 142.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. RJ: Zahar, 2011, p. 104.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> Ibid, p. 108.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> LACAN, J. O semin\u00e1rio, livro 17: o avesso da psican\u00e1lise. In:<em> Verdade, irm\u00e3 do gozo<\/em>.\u00a0 RJ: Zahar, 1969-70, p. 64.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Os seis paradigmas do gozo. In: <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana online<\/em>.\u00a0 Ano 3, n\u00ba 7, 2012, p. 30.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. O osso de uma an\u00e1lise + o inconsciente e o corpo falante. RJ: Zahar, 2015, p. 81.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref34\" name=\"_edn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Os seis paradigmas do gozo. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>. Ano 3, n\u00ba 7, 2012, p. 7.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref35\" name=\"_edn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. In: <em>An\u00e1lise e verdade ou o fechamento do inconsciente.\u00a0 <\/em>RJ: Zahar, 1964, p. 143.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref36\" name=\"_edn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. RJ: Zahar, 2011. p. 182.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref37\" name=\"_edn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> Ibid, 183.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref38\" name=\"_edn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref39\" name=\"_edn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a> Ibid, 185<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref40\" name=\"_edn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a> LACAN. J. Rumo ao significante novo. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> 22 (agosto de 1998).\u00a0 Aula 10 de maio de 1977. Semin\u00e1rio in\u00e9dito. p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref41\" name=\"_edn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref42\" name=\"_edn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. La jouissance f\u00e9minine n\u2019est-elle pas la jouissance comme telle? Quarto, Belgique, n. 122, juil. 2019. p. 11. (trad. livre).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref43\" name=\"_edn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. \u00a0Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. Entre desejo e gozo. RJ: Zahar, 2011, p. 204.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref44\" name=\"_edn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. O Um \u00e9 letra. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana,<\/em> n\u00ba\u00a0 83, aulas dos dias 16 e 23 de mar\u00e7o de 2011, p.54.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref45\" name=\"_edn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A.\u00a0 Perspectivas dos escritos e outros escritos de Lacan. RJ: Zahar, 2011, p. 176.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref46\" name=\"_edn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a> Lacan. J. O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. In: <em>Do sujeito da certeza.<\/em> RJ: Zahar, 1964, p. 44.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref47\" name=\"_edn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a> Ibid, p. 190.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref48\" name=\"_edn48\"><sup>[48]<\/sup><\/a> Ibid, p. 183<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref49\" name=\"_edn49\"><sup>[49]<\/sup><\/a> LACAN, J. Escritos. In: <em>Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano. <\/em>RJ: Zahar, 1960, p. 838.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref50\" name=\"_edn50\"><sup>[50]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref51\" name=\"_edn51\"><sup>[51]<\/sup><\/a> LAURENT, \u00c9. A desordem f\u00e1lica: o falo n\u00e3o negativiz\u00e1vel. In:<em> Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, <\/em>n\u00ba 84, fev. 2022, p. 49. (Confer\u00eancia apresentada no Rio de Janeiro, em 17\/11\/18, no XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref52\" name=\"_edn52\"><sup>[52]<\/sup><\/a> Ibid, p. 49.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref53\" name=\"_edn53\"><sup>[53]<\/sup><\/a> DUPONT, L. L\u2019Hebdo-blog 269.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref54\" name=\"_edn54\"><sup>[54]<\/sup><\/a> LACAN, J. O semin\u00e1rio, livro 19: \u2026ou pior. In: <em>Os corpos aprisionados pelo discurso.<\/em> RJ: Zahar, 1970-71, p. 237.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] ARGUMENTO &#8211; XI JORNADAS DA SE\u00c7\u00c3O S\u00c3O PAULO \u023a VERDADE E O GOZO QUE N\u00c3O MENTE[1] Comiss\u00e3o de Argumento: Angelina Harari (coord.), Camila Col\u00e1s, Eduardo Vallejos, Fabr\u00edcio Donizete da Costa, Francisco Jr. Lemes, Francisco Durante e Luisa Fromer. Amor \u00e0 verdade em Freud \u00a0Comecemos com Freud. 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