{"id":5684,"date":"2021-06-28T19:12:41","date_gmt":"2021-06-28T22:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=5684"},"modified":"2021-06-28T19:12:41","modified_gmt":"2021-06-28T22:12:41","slug":"argumento-x-jornadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/x-jornadas-psicanalise-em-ato\/argumento-x-jornadas\/","title":{"rendered":"Argumento &#8211; X Jornadas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5670&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; link=&#8221;https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/x-jornadas-psicanalise-em-ato\/argumento-x-jornadas\/&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Argumento&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]\n<h3><strong><span style=\"color: #993300;\">X JORNADAS DA EBP-SP &#8211; \u201cPSICAN\u00c1LISE EM ATO\u201d<\/span> <\/strong><\/h3>\n<h6>Luiz Fernando Carrijo da Cunha<br \/>\nAME da EBP e da AMP<br \/>\nCoordenador da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<figure id=\"attachment_5713\" aria-describedby=\"caption-attachment-5713\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5713\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/imagem_argumento-300x300.png\" alt=\"Imagem: Instagram @artinternational\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5713\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @artinternational<\/figcaption><\/figure>\n<p>O t\u00edtulo proposto para as X Jornadas da EBP-SP, \u201cPsican\u00e1lise em ato\u201d, suscita de imediato a exist\u00eancia da psican\u00e1lise no mundo desde sua inven\u00e7\u00e3o por S. Freud no final do s\u00e9culo XIX. O contexto em que foi criada, assim como a posi\u00e7\u00e3o de seu criador, n\u00e3o s\u00e3o indiferentes quanto ao que podemos, hoje, recolher de sua presen\u00e7a no mundo. Se a psican\u00e1lise passa a existir a partir de um m\u00e9dico pesquisador e neurologista, ela deve, sobretudo, contar na sua origem o momento em que o saber da ci\u00eancia, em seu pleno florescimento, deixa entrever uma hi\u00e2ncia onde se alojar\u00e1 como pr\u00e1xis tendo como objeto o inconsciente. Logo, a \u201cfalha no saber\u201d e, mais especificamente, no saber da ci\u00eancia \u00e9 a for\u00e7a motriz que sustenta o \u201cato\u201d de cria\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. A dimens\u00e3o do ato est\u00e1 dada desde o princ\u00edpio e, mais ainda, colocado numa dimens\u00e3o pol\u00edtica na medida em que a hip\u00f3tese do inconsciente, que sustenta um saber que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, segundo a concep\u00e7\u00e3o freudiana de que \u201ch\u00e1 saber no inconsciente\u201d, subverte a raz\u00e3o. Aqui, uma refer\u00eancia de Lacan quanto a isso em seu texto \u201cA inst\u00e2ncia da letra no inconsciente ou raz\u00e3o desde Freud\u201d. Mas a pol\u00edtica que dimensiona a psican\u00e1lise n\u00e3o est\u00e1 restrita \u00e0 subvers\u00e3o da raz\u00e3o; ela se sustenta tamb\u00e9m pelo fato de que do sofrimento humano, decanta-se algo como resto incur\u00e1vel. Ponto crucial que envolve n\u00e3o apenas a delimita\u00e7\u00e3o do campo que \u00e9 pr\u00f3prio \u00e0 psican\u00e1lise, mas tamb\u00e9m do que se depreende desse fato: uma psican\u00e1lise parte de um ponto de n\u00e3o saber e desemboca em outro que tamb\u00e9m n\u00e3o tem correspond\u00eancia com o saber. As aquisi\u00e7\u00f5es de saber em uma psican\u00e1lise n\u00e3o bastam para capturar os \u201crestos sintom\u00e1ticos\u201d. Esse foi o desafio de Freud que foi passado \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte e J. Lacan o tomou como coordenada fundamental de seu ensino.<\/p>\n<p>Em 1964, Lacan p\u00f4de enunciar o \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o\u201d de sua Escola<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, sustentando na solid\u00e3o sua rela\u00e7\u00e3o com a causa freudiana, \u201ccujo objetivo de trabalho \u00e9 indissoci\u00e1vel de uma forma\u00e7\u00e3o a ser dispensada nesse momento de reconquista\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A reconquista a\u00ed a ser entendida como a proposta de uma \u201crefunda\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise\u201d, e o ato ir\u00e1 demonstr\u00e1-lo. A consequ\u00eancia vir\u00e1 em 1967 com a \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, momento em que dedica especialmente \u00e0 proposta dos \u201cgradus\u201d de AE, Analista da Escola, e AME, Analista Membro da Escola. Estes dois gradus n\u00e3o sustentam nenhuma hierarquia, mas dizem respeito diretamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do analista que, como veremos, s\u00f3 pode se sustentar em um ato.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, em Roma, Lacan retoma o tema pelo vi\u00e9s do fracasso<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><em><strong>[4]<\/strong><\/em><\/a> &#8211; fracasso n\u00e3o de sua Escola ou dos dispositivos ali propostos, mas da pr\u00f3pria psican\u00e1lise e do psicanalista, cujas garantias n\u00e3o se assentam nas bases nem do imagin\u00e1rio, ou seja, nas identifica\u00e7\u00f5es que advenham em car\u00e1ter horizontal, tampouco no simb\u00f3lico cuja estrutura demonstrada faria entrever n\u00e3o o \u201cgradus\u201d mas a hierarquia, ao passo que o \u201cato\u201d, por sua pr\u00f3pria estrutura, introduz outro elemento que faz vacilar as garantias por uma opera\u00e7\u00e3o cujo resultado \u00e9 o desaparecimento do sujeito e do Outro. \u201cA tarefa do psicanalista \u00e9 a psican\u00e1lise, diz Lacan, e o ato \u00e9 aquilo mediante o qual o psicanalista se compromete a responder por ela\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 psican\u00e1lise onde n\u00e3o h\u00e1 psicanalista e Lacan far\u00e1 do ato psicanal\u00edtico o motor de sua produ\u00e7\u00e3o. Eis porque o ato, em Lacan, ganha a dimens\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, em seu Semin\u00e1rio do mesmo ano (1967), dedicado justamente ao \u201cato psicanal\u00edtico\u201d, no resumo que aparece nos <em>Outros escritos<\/em>, Lacan atribui a si a localiza\u00e7\u00e3o do \u201cato\u201d como eixo em torno do qual giram a psican\u00e1lise e o psicanalista: \u201cO ato psicanal\u00edtico, ningu\u00e9m sabe, ningu\u00e9m viu al\u00e9m de n\u00f3s, ou seja, nunca situado e muito menos questionado, eis que n\u00f3s o supomos a partir do momento eletivo em que o psicanalisante passa a psicanalista\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Detenhamo-nos nessa passagem para destacar que se o \u201cato\u201d j\u00e1 estava l\u00e1 desde a origem da psican\u00e1lise, Lacan o colocar\u00e1 como fator fundamental, tanto na forma\u00e7\u00e3o do psicanalista quanto na exist\u00eancia pr\u00f3pria da psican\u00e1lise, e acrescenta: \u201cAssim isolado desse momento de instala\u00e7\u00e3o, o ato fica ao alcance de cada entrada numa psican\u00e1lise&#8230; o ato, puro e simples, tem lugar por um dizer e, pelo qual modifica o sujeito\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. A\u00ed tamb\u00e9m localizamos uma das caracter\u00edsticas fundamentais do ato: que ele s\u00f3 pode ser considerado enquanto tal no ao-depois, ou seja, reconhecido pelos seus efeitos. Tom\u00e1-lo tamb\u00e9m por ter lugar por \u201cum dizer\u201d implica ainda que desse dizer n\u00e3o se sup\u00f5e nenhum saber <em>a priori, <\/em>n\u00e3o h\u00e1 c\u00e1lculo que possa antev\u00ea-lo, na medida em que este \u201cum dizer\u201d se destaca da cadeia falada com a mesma estrutura de um \u201clapso\u201d, cuja significa\u00e7\u00e3o se dissolve.<\/p>\n<p>Tudo isso posto, interroguemos! Se o ato anal\u00edtico se sustenta desde uma \u201cfalha no saber\u201d, nos parece importante destacar qual o estatuto do inconsciente pass\u00edvel de colocar em primeiro plano o ato enquanto tal! Trata-se do Inconsciente-saber ou, tal como Lacan desenvolver\u00e1 mais tarde, do inconsciente real, definido pelo <em>parl\u00eatre<\/em>? Sem d\u00favida que o ato pode ser esperado nas duas vertentes, ainda que tenhamos uma ligeira tend\u00eancia a apoi\u00e1-lo sobre o inconsciente real. E por que temos essa tend\u00eancia? Ora, se o pr\u00f3prio ato, operado sobre aquele que fala, faz desaparecer o Outro e o pr\u00f3prio sujeito, como nos lembra Lacan, que destino seguir\u00e1 o resto sintom\u00e1tico, ele mesmo produto do ato? Ao nosso ver, \u00e9 na justa medida dessa opera\u00e7\u00e3o que Lacan vai localizar a produ\u00e7\u00e3o de um analista e este, como rebotalho da linguagem, poder\u00e1 ocupar o lugar da causa do desejo para um outro. Ainda que a opera\u00e7\u00e3o se d\u00ea sobre as bases do sujeito suposto saber, seu produto n\u00e3o carrega mais do que uma pe\u00e7a solta. Algo do real a\u00ed pode ser enla\u00e7ado e, nos parece, que podemos localizar nesse ponto o que Lacan chama de \u201craz\u00e3o de um fracasso\u201d, j\u00e1 que o semblante (imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico) \u00e9 prec\u00e1rio para absorver o real em jogo numa psican\u00e1lise. Se o ato, ent\u00e3o, pode nos fornecer tal produto, \u00e9 dele que depende a exist\u00eancia da psican\u00e1lise enquanto tal. Desse modo, o \u201cato anal\u00edtico\u201d situa-se no litoral entre o semblante e o real, possibilitando a leitura do sintoma reduzido \u00e0 letra de gozo.<\/p>\n<p>Abrem-se, por essa via, as interroga\u00e7\u00f5es que nos servir\u00e3o de guia para explorar o tema destas Jornadas! O ato anal\u00edtico sendo localizado como o eixo &#8211; o momento de tor\u00e7\u00e3o na passagem de psicanalisante a psicanalista, o sinthoma, singular a cada um \u2013 renova, em cada psican\u00e1lise levada a seu termo, o estatuto mesmo do inconsciente possibilitando, no um por um, a inscri\u00e7\u00e3o no mundo da \u201cPsican\u00e1lise em ato\u201d.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o\u201d. In: <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 235.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Idem.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J. \u201cProposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola\u201d. In: <em>Outros escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, pp. 248-287.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Lacan, J. \u201cA Psican\u00e1lise, raz\u00e3o de um fracasso\u201d. In: <em>Outros escritos. Op. cit, <\/em>pp. 341-349.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem, p. 346.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lacan, J. \u201cO ato psicanal\u00edtico\u201d. Resumo do Semin\u00e1rio de 1967-1968. In: <em>Outros escritos. <\/em>Op. cit, p. 371.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Idem.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;5670&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; link=&#8221;https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/x-jornadas-psicanalise-em-ato\/argumento-x-jornadas\/&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Argumento&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text] X JORNADAS DA EBP-SP &#8211; \u201cPSICAN\u00c1LISE EM ATO\u201d Luiz Fernando Carrijo da Cunha AME da EBP e da AMP Coordenador da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o O t\u00edtulo proposto para as X Jornadas da EBP-SP, \u201cPsican\u00e1lise em ato\u201d, suscita de imediato a exist\u00eancia da psican\u00e1lise no mundo desde sua&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":5669,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5684","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5684\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}