{"id":4423,"date":"2020-07-27T17:48:39","date_gmt":"2020-07-27T20:48:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=4423"},"modified":"2020-07-27T17:48:39","modified_gmt":"2020-07-27T20:48:39","slug":"jornadas-fora-se-serie-referencias_bibliograficas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/jornadas-fora-se-serie-subversoes\/jornadas-fora-se-serie-referencias_bibliograficas\/","title":{"rendered":"Jornadas (Fora da s\u00e9rie) \u2013 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4375&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; link=&#8221;http:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/ix-jornadas\/apresentacao-ix-jornadas\/&#8221;][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS E MARCADORES DE LEITURA<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 05<\/span><\/h3>\n<figure id=\"attachment_4461\" aria-describedby=\"caption-attachment-4461\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4461 size-full\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/boletim_fora_da_serie_001_bibliografia.jpeg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4461\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1960\/1998). \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 807-842.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cMas o que n\u00e3o \u00e9 mito, e que Freud no entanto formulou t\u00e3o logo formulou o \u00c9dipo, \u00e9 o complexo de castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontramos neste complexo a mola mestra da pr\u00f3pria subvers\u00e3o que aqui tentamos articular com sua dial\u00e9tica. Pois, propriamente desconhecido at\u00e9 Freud, que o introduz na forma\u00e7\u00e3o do desejo, o complexo de castra\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o pode ser ignorado por nenhum pensamento sobre o sujeito.\u201d (p. 835)<\/p>\n<p>\u201cAquilo a que \u00e9 preciso nos atermos \u00e9 que o gozo est\u00e1 vedado a quem fala como tal, ou ainda, que ele s\u00f3 pode ser dito nas entrelinhas por quem quer que seja sujeito da Lei, j\u00e1 que a lei se funda justamente nessa proibi\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 836)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1958\/1998). \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 591-652.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> Quem analisa hoje?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO psicanalista certamente dirige o tratamento. O primeiro princ\u00edpio desse tratamento, o que lhe \u00e9 soletrado logo de sa\u00edda, que ele encontra por toda parte em sua forma\u00e7\u00e3o, a ponto de ficar por ele impregnado, \u00e9 o de que n\u00e3o deve de modo algum dirigir o paciente.\u201d (p.592)<\/p>\n<p><strong> Qual \u00e9 o lugar da interpreta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNossa doutrina do significante \u00e9, para come\u00e7ar, disciplina na qual aqueles a quem formamos se exercitam nos modos de efeito do significante no advento do significado, \u00fanica via para conceber que, ao se inscrever a\u00ed, a interpreta\u00e7\u00e3o possa produzir algo novo.\u201d (p. 600)\u201d<\/p>\n<p><strong> Como agir com seu ser<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que se desenvolve uma an\u00e1lise, o analista lida alternadamente com todas as articula\u00e7\u00f5es da demanda do sujeito. Mas s\u00f3 deve, como diremos mais adiante, responder a\u00ed a partir da posi\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia.\u201d (p. 625)<\/p>\n<p><strong> \u00c9 preciso tomar o desejo ao p\u00e9 da letra<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO desejo \u00e9 aquilo que se manifesta no intervalo cavado pela demanda aqu\u00e9m dela\u00a0 mesma, na medida em que o sujeito, articulando a cadeia significante, traz \u00e0 luz a falta-a-ser com o apelo de receber seu complemento do Outro, se o Outro, lugar da fala, \u00e9 tamb\u00e9m o lugar dessa falta.\u201d (p. 633)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (Novembro, 2015). \u201cNota sobre o Pai\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, (71): p.7.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cParece-me que em nossa \u00e9poca o vest\u00edgio, a cicatriz da evapora\u00e7\u00e3o do pai \u00e9 o que poder\u00edamos situar sob a rubrica e o t\u00edtulo geral de segrega\u00e7\u00e3o. \u201c(p. 7)<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que o universalismo, a comunica\u00e7\u00e3o de nossa civiliza\u00e7\u00e3o homogene\u00edza as rela\u00e7\u00f5es entre os homens. Eu penso o contr\u00e1rio: que o que caracteriza nosso s\u00e9culo \u2013\u00a0e n\u00e3o podemos deixar de perceber isto \u2013 \u00e9 uma segrega\u00e7\u00e3o ramificada, refor\u00e7ada, que se sobrep\u00f5e em todos os graus, e n\u00e3o faz sen\u00e3o multiplicar as barreiras.\u201d (p. 7)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1968-1969\/2008). <em>O Semin\u00e1rio, livro 16: de um Outro ao outro<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cO enunciado de que o Outro n\u00e3o encerra saber algum, nem j\u00e1 presente, nem a surgir num estatuto de absoluto, n\u00e3o encerra nada de subversivo.\u201d (p. 62)<\/p>\n<p>\u201cO Outro fornece apenas a textura do sujeito, ou seja, sua topologia, aquilo mediante o qual o sujeito introduz uma subvers\u00e3o, sem d\u00favida, mas que n\u00e3o \u00e9 apenas a dele. No sentido em que a destaquei e a coloquei no t\u00edtulo de um escrito, tratava-se da subvers\u00e3o do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao que se havia enunciado at\u00e9 aquele momento. Mas a subvers\u00e3o de que se trata aqui \u00e9 a que o sujeito certamente introduz, mas da qual se serve o real, que, nesta perspectiva, define-se como o imposs\u00edvel. Ora, no ponto exato em que ele nos interessa, s\u00f3 existe sujeito de um dizer.\u201d (p.64)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1972-1973\/1985).\u00a0 <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge<\/strong> <strong>Zahar Ed.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;]. O significado acha seu centro onde quer que voc\u00eas o carreguem. E, at\u00e9 nova ordem, n\u00e3o \u00e9 o discurso anal\u00edtico, t\u00e3o dif\u00edcil de sustentar em seu descentramento, e que ainda n\u00e3o teve entrada na consci\u00eancia comum, que pode de modo algum subverter o que quer que seja.&#8221; (p. 59)<\/p>\n<p>&#8220;A subvers\u00e3o, se ela existiu em algum lugar e em algum momento, n\u00e3o \u00e9 ter-se trocado o ponto de rota\u00e7\u00e3o do que gira, \u00e9 ter-se substitu\u00eddo o <em>isso<\/em> gira por um <em>isso<\/em> cai.&#8221; (p. 59)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1967\/2003). &#8220;Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola&#8221;. In <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 248-264.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&#8220;Pode algu\u00e9m duvidar agora de que, ao relacionar com o sujeito do <em>cogito<\/em> aquilo que nos revela o inconsciente, de que, ao haver definido a distin\u00e7\u00e3o entre o outro imagin\u00e1rio, familiarmente chamado pequeno outro e o lugar de opera\u00e7\u00e3o da linguagem, postulado como sendo o grande Outro, eu indique com bastante clareza que nenhum sujeito \u00e9 supon\u00edvel por outro sujeito, se esse termo tiver que ser tomado pelo lado de Descartes?\u201d (p. 252)<\/p>\n<p>&#8220;O que nos importa aqui \u00e9 o psicanalista em sua rela\u00e7\u00e3o com o saber do sujeito suposto, n\u00e3o secund\u00e1ria, mas direta.\u201d (p. 254)<\/p>\n<p>&#8220;A passagem de psicanalisante a psicanalista tem uma porta cuja dobradi\u00e7a \u00e9 o resto que constitui a divis\u00e3o entre eles, porque essa divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a do sujeito, da qual esse resto \u00e9 a causa.&#8221; (p. 259)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1970\/2003). \u201cRadiofonia\u201d. In <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 400-447.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cQue o sujeito n\u00e3o seja aquele que sabe o que diz, quando efetivamente alguma coisa \u00e9 dita pela palavra que lhe falta, bem como no \u00edmpar de uma conduta que ele julga ser sua, isso torna pouco confort\u00e1vel aloj\u00e1-lo no c\u00e9rebro com que ele parece se socorrer, sobretudo quando ele dorme (aspecto que a atual neurofisiologia n\u00e3o desmente) \u2013 \u00e9 essa, evidentemente, a ordem de fatos que Freud chama de inconsciente.\u201d (p. 403)<\/p>\n<p>\u201cO inconsciente, como se v\u00ea, \u00e9 apenas um termo metaf\u00f3rico para designar o saber que s\u00f3 se sustenta ao se apresentar como imposs\u00edvel, para que, a partir disso, confirme-se ser real (entenda-se, discurso real).\u201d (p. 423)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Freud, S. (1898-1935\/2018). \u201cSobre a Sexualidade Feminina (1931)\u201d. <em>In <\/em><em>Amor, Sexualidade, Feminilidade. Obras Incompletas de Sigmund Freud<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, p. 285-311.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] essa fase de liga\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e permite suspeitar de uma \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a etiologia da histeria, o que n\u00e3o deve surpreender, se percebemos que ambas, a fase e a neurose, pertencem ao car\u00e1ter singular da feminilidade, e, al\u00e9m disso, que podemos encontrar nessa depend\u00eancia da m\u00e3e o g\u00e9rmen da futura paranoia na mulher. Pois esse bem parece ser o medo [Angst] surpreendente, mas sistematicamente encontrado, de ser morta (devorada?) pela m\u00e3e.\u201d (p. 288)<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. S\u00f3 um terceiro desenvolvimento, bastante indireto, desemboca na normal configura\u00e7\u00e3o feminina final, a que toma o pai como objeto e assim encontra a forma feminina do complexo de \u00c9dipo. Portanto, o complexo de \u00c9dipo na mulher \u00e9 o resultado final de um longo desenvolvimento; ele n\u00e3o \u00e9 destru\u00eddo pela influ\u00eancia da castra\u00e7\u00e3o, mas criado por ele; ele escapa das intensas influ\u00eancias hostis que atuam no homem como destruidoras e, inclusive, muito frequentemente, n\u00e3o \u00e9 absolutamente superado pela mulher.\u201d (p.291)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Freud, S. (1933-1932\/ 1986) \u201cFeminilidade\u201d. In <em>Obras completas de Sigmund Freud<\/em>, vol. XXII. Rio de Janeiro: Editora Imago, p. 113-134.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. De acordo com sua natureza peculiar, a psican\u00e1lise n\u00e3o tenta descrever o que \u00e9 uma mulher \u2013 seria esta uma tarefa dif\u00edcil de cumprir -, mas se empenha em indagar como \u00e9 que a mulher se forma, como a mulher se desenvolve desde a crian\u00e7a dotada de disposi\u00e7\u00e3o bissexual.\u201d (p. 117)<\/p>\n<p>\u201cA descoberta de que \u00e9 castrada representa um marco decisivo no crescimento da menina. Dai partem tr\u00eas linhas de desenvolvimento poss\u00edveis: uma conduz \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o sexual ou \u00e0 neurose, outra, \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter no sentido de um complexo de masculinidade, a terceira, finalmente, \u00e0 feminilidade normal.\u201d (p. 126)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Freud, S. (1924\/1986) &#8220;A dissolu\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo\u201d.<\/strong> In <strong><em>Obras completas de Sigmund Freud<\/em>, vol. XIX. Rio de Janeiro: Editora Imago, p. 191-199.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Se a satisfa\u00e7\u00e3o do amor no campo do complexo de \u00c9dipo deve custar \u00e0 crian\u00e7a o p\u00eanis, est\u00e1 fadado a surgir um conflito entre seu interesse narc\u00edsico nessa parte de seu corpo e a catexia libidinal de seus objetos parentais. Nesse conflito, triunfa normalmente a primeira dessas for\u00e7as: o ego da crian\u00e7a volta as costas ao complexo de \u00c9dipo.\u201d (p. 196)<\/p>\n<p>\u201cUma crian\u00e7a do sexo feminino, contudo, n\u00e3o entende sua falta de p\u00eanis como sendo um car\u00e1ter sexual; explica-a presumindo que, em alguma \u00e9poca anterior, possu\u00edra um \u00f3rg\u00e3o igualmente grande e depois perdera-o por castra\u00e7\u00e3o. Ela parece n\u00e3o estender essa infer\u00eancia de si pr\u00f3pria para outras mulheres adultas, e sim, inteiramente segundo as linhas da fase f\u00e1lica, encar\u00e1-las como possuindo grandes e completos \u00f3rg\u00e3os genitais \u2013 isto \u00e9, masculinos. D\u00e1-se assim a diferen\u00e7a essencial de que a menina aceita a castra\u00e7\u00e3o como um fato consumado, ao passo que o menino teme a possibilidade de sua ocorr\u00eancia.\u201d (p. 198)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Miller, J-A. (Fevereiro, 2005) Uma fantasia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana <\/em>(42), p. 7-18<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cVemos aqui onde conduz minha fantasia. E n\u00e3o posso fazer outra coisa sen\u00e3o prosseguir, o que me leva a pensar que o discurso da civiliza\u00e7\u00e3o hipermoderna tem a estrutura do discurso do analista!\u201d (p. 9)<\/p>\n<p>\u201cHoje, se isso for verdade, se minha fantasia conduz a algum lugar \u2013 o que ainda est\u00e1 para ser visto -, o discurso da civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais o avesso da psican\u00e1lise. \u00c9 seu sucesso. Bravo! Bela jogada! Mas, de sa\u00edda, isso p\u00f5e em quest\u00e3o tanto o meio da psican\u00e1lise, isto \u00e9, a interpreta\u00e7\u00e3o, quanto seu fim e at\u00e9 mesmo seu come\u00e7o.\u201d (p. 10)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Miller, J-A. (2011) \u201cA salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos\u201d. In <em>Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, p. 227-233<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 o dejeto? O termo tem muitas resson\u00e2ncias para aqueles que, mesmo que rapidamente, percorrem o ensino de Lacan. \u00c9 o que \u00e9 rejeitado e especialmente rejeitado ao cabo de uma opera\u00e7\u00e3o onde s\u00f3 se ret\u00e9m o ouro, a subst\u00e2ncia preciosa a que ela leva. O dejeto \u00e9 o que os alquimistas chamavam de <em>caput mortuum<\/em>. \u00c9 o que cai, \u00e9 o que tomba quando, por outro lado, algo se eleva.\u201d (p. 228)<\/p>\n<p>\u201cQuando o gozo \u00e9 elevado \u00e0 dignidade de Coisa, ou seja, quando ele n\u00e3o \u00e9 rebaixado a indignidade do dejeto, ele \u00e9 sublimado, ou seja, socializado. O que chamamos de \u201csublima\u00e7\u00e3o\u201d efetua uma socializa\u00e7\u00e3o do gozo. O gozo \u00e9 socializado, quer dizer, integrado ao la\u00e7o social, ao circuito das trocas. Ele \u00e9 colocado a trabalho no discurso do Outro e para o seu gozo.\u201d (p. 229)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Miller, J-A. Quest\u00e3o de Escola: Proposta sobre a Garantia. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie. <\/em>Ano 8, n\u00b0 23, julho 2017, p. 1-5<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O algoritmo do mestre<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSeguindo Lacan, o capitalismo substitui o significante-mestre pelo sujeito dividido no lugar acima e \u00e0 esquerda do esquema, que \u00e9 o lugar do semblante. Em termos pol\u00edticos, dizemos \u201cindividualismo democr\u00e1tico\u201d.\u201d (p.1)<\/p>\n<p><strong>O psicanalista no plural<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQue rela\u00e7\u00e3o o psicanalista quer manter com o discurso do mestre entendido em toda a sua generalidade? Ele n\u00e3o \u00e9 reconhecido como tal no discurso do mestre e n\u00e3o demanda esse reconhecimento; pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 pede que n\u00e3o seja reconhecido.\u201d (p. 2)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Miller, J-A. (Agosto, 2004). Lacan e a pol\u00edtica. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> (40), p. 7-20.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A desidealiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 um infort\u00fanio da democracia, mas seu destino, sua l\u00f3gica, e, se assim posso dizer, seu desejo.\u201d (p.14)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A psican\u00e1lise [&#8230;]. \u00e9, portanto, incompat\u00edvel com toda a ordem do tipo totalit\u00e1rio, que re\u00fane nas mesmas m\u00e3os o pol\u00edtico, o social, o econ\u00f4mico e at\u00e9 mesmo o religioso. Ela tem parte interessada com a liberdade de express\u00e3o e com o pluralismo.\u201d (p.15)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 feita para retornar ao ponto de partida.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1ria, mas ela \u00e9 subversiva, o que n\u00e3o \u00e9 semelhante, e pelas raz\u00f5es que j\u00e1 esbocei, ou seja, porque ela vai contra as identifica\u00e7\u00f5es, os ideais, os significantes mestres.\u201d (p. 16)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Laurent, E. (2016). \u201cO falasser pol\u00edtico\u201d. <em>In O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo.<\/em> Rio de Janeiro: Contra Capa, p. 201-219.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] se a formula\u00e7\u00e3o \u201ca pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente\u201d tem validade, \u00e9 para a pol\u00edtica segundo Freud, a pol\u00edtica articulada ao pai.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o dito de Lacan\u00a0 \u2015 \u201co inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d \u2015 parte n\u00e3o do pai, e sim do inconsciente como o que est\u00e1 \u201ca ser definido\u201d [&#8230;], j\u00e1 que nos levam a considerar o acontecimento de corpo no inconsciente pol\u00edtico.\u201d (p. 201)<\/p>\n<p>\u201cA extens\u00e3o da perspectiva do inconsciente pol\u00edtico ao falasser nos leva aos limites do questionamento psicanal\u00edtico sobre a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o discurso. Ao centr\u00e1-lo sobre o acontecimento de corpo e n\u00e3o sobre uma identifica\u00e7\u00e3o, aceitamos seguir Lacan na zona em que o sujeito se mant\u00e9m fora da garantia do \u201ccomplexo de \u00c9dipo\u201d.\u201d (p. 219)<\/p>\n<p>\u201cO discurso psicanal\u00edtico \u00e9 um instrumento poderoso para que o questionamento sobre os discursos, os corpos e seus gozos, assim como sobre suas potencialidades delirantes,\u00a0 seja partilhado pelo maior n\u00famero poss\u00edvel de sujeitos do corpo pol\u00edtico.\u201d (p. 219)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Laurent, E. (Dezembro, 2013) O racismo 2.0. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana,<\/em> (67): p. 31-35.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. O\u00a0racismo efetivamente muda seus objetos \u00e0 medida que as formas sociais se modificam, mas, segundo a perspectiva de Lacan, sempre jacente em uma comunidade humana, a rejei\u00e7\u00e3o de um gozo inassimil\u00e1vel prov\u00e9m de uma barb\u00e1rie poss\u00edvel.\u201d (p. 32)<\/p>\n<p>\u201cSe Lacan insistiu nessa dimens\u00e3o do racismo na \u201cProposi\u00e7\u00e3o\u2026\u201d, foi para enfatizar que todo conjunto humano comporta em seu cerne um gozo desgarrado, um n\u00e3o-saber fundamental sobre o gozo que corresponderia a uma identifica\u00e7\u00e3o. O psicanalista \u00e9 simplesmente aquele que deve saber isto para constituir a comunidade daqueles que se reconhecem como psicanalistas.\u201d (p. 34)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Laurent, E. (2018). \u201cLa servidumbre voluntaria y la pregunta por la mujer en el siglo XXI\u201d. In: <em>Feminismos: variaciones, controversias<\/em>. Olivos: Grama Ediciones, p. 73-76.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;]. Esta denuncia de Beauvoir, de que la mujer, pura existencia, no tendr\u00eda otro ser que aquel que el discurso de los hombres pronuncian sobre ella, es lo que Lacan llam\u00f3 la difamaci\u00f3n de las mujeres&#8221;. (p. 73)<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>La tentaci\u00f3n hist\u00e9rica de Occidente<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Lo que hay, sobre todo del lado occidental, es la manera de defender el &#8220;para todo&#8221;, que es el estatuto de la histeria. [&#8230;]. Lo que solo es sostenible por Una mujer, el sujeto hist\u00e9rico se encarniza en querer que las propuestas sean tales que puedan ser dichas &#8220;para toda mujer&#8221;. Que frente al &#8220;para todo hombre&#8221;, frente a la funci\u00f3n f\u00e1lica que define el &#8220;todo hombre&#8221;, responder\u00eda en espejo el &#8220;todo mujer&#8221;. Eso es la paridad hist\u00e9rica, una manera de preservar tambi\u00e9n, aunque no al modo de la tiran\u00eda machista, la funci\u00f3n de LA mujer&#8221; (p. 74-75).<\/p>\n<p><strong><em>Introducir hombres y mujeres en la singularidad de su s\u00edntoma<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8220;En consecuencia el discurso psicoanal\u00edtico trata de operar sobre este discurso para que hombres y mujeres den un paso m\u00e1s all\u00e1 en lo que ser\u00eda el desvelamiento de su relaci\u00f3n, ya no para defender el &#8220;para todos&#8221;, de un lado y de otro, sino para introducirles en la singularidad de su s\u00edntoma, para que \u00e9ste se convierta en el operador del programa de goce que es a la vez s\u00edntoma y fantasma pero que, sobre todo, trata de situarse en la articulaci\u00f3n y m\u00e1s all\u00e1 de la cl\u00ednica en tanto que ella establece categor\u00edas generales m\u00e1s o menos extensas. El s\u00edntoma es a la vez un operador de disoluci\u00f3n de los &#8220;para todos&#8221;&#8221; (p. 75).<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Brousse, M-H. O que \u00e9 uma mulher? Entrevista com Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse In: <em>Latusa Digital<\/em>. Ano 9, n\u00b0 49, Junho de 2012, p. 1-39<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O segundo ponto: a quest\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA passagem que Lacan vai realizar, vamos dizer, a revolu\u00e7\u00e3o lacaniana, consiste em considerar novamente a quest\u00e3o do feminino, mas, dessa vez, a partir da quest\u00e3o do gozo: n\u00e3o a partir da quest\u00e3o do emblema, da ins\u00edgnia, n\u00e3o pela quest\u00e3o do fetiche, da mascarada, n\u00e3o pela quest\u00e3o das identifica\u00e7\u00f5es, e sim a partir da quest\u00e3o do gozo.\u201d (p.14)<\/p>\n<p>\u201cPara resumir, diria, ent\u00e3o, que esse gozo feminino no qual o ensino de Lacan desemboca, perto de seu final, \u00e9 um gozo outro, \u00e9 um gozo, portanto, que n\u00e3o \u00e9 ligado a um \u00f3rg\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s representa\u00e7\u00f5es e \u00e0 ordem significante, que est\u00e1, portanto, para al\u00e9m do sentido sexual ou do sexo como sentido. \u00c9, por conseguinte, a problematiza\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o feminina para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o paterna.\u201d\u00a0(p. 19)<\/p>\n<p>\u201cPortanto, podemos dizer que, para Lacan, h\u00e1 um mais al\u00e9m do \u00c9dipo e \u00e9 a partir do mais al\u00e9m do \u00c9dipo \u2014 o que quer dizer, n\u00e3o sem o \u00c9dipo, voc\u00eas podem senti-lo \u2014 h\u00e1 um mais al\u00e9m do \u00c9dipo que permite definir alguma coisa da ordem do feminino, simplesmente isso n\u00e3o se define em termos de poder, n\u00e3o se define em termos de grupo, n\u00e3o se define em termos de emblema e de identifica\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 20)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Brousse, M-H. (Agosto, 2013) Em Miami, ou o sintoma como sex-symbol. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, (66): p. 79-83.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cJoan Cpjeck, ontem \u00e0 tarde, utilizando o m\u00e9todo da an\u00e1lise dos discursos, mostrou em sua confer\u00eancia porque o discurso feminista tinha rejeitado e rejeita ainda hoje a psican\u00e1lise: esse discurso recusa o que ela chamou de <em>\u201cthe promiscuity of sexe\u201d<\/em> (\u201ca promiscuidade do sexo\u201d). Tentarei, utilizando o m\u00e9todo cl\u00ednico, mostrar porque o feminismo \u00e9 um modo de fazer sintoma desta mesma \u201c<em>promiscuidade do sexo<\/em>.\u201d (p.79)<\/p>\n<p>\u201cComo ressaltou magistralmente Miller em uma confer\u00eancia dada nos EUA, na Kent State University, o \u00c9dipo freudiano, quer dizer, o complexo de castra\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma m\u00e1quina de produzir uma identifica\u00e7\u00e3o e uma escolha de objeto.\u201d (p. 80)<\/p>\n<p>\u201cPassar do feminismo como sintoma ao sintoma anal\u00edtico \u00e9 passar do discurso do mestre ao discurso anal\u00edtico. Este \u00faltimo n\u00e3o coloca no lugar de poder um significante, homem ou mulher, por exemplo, mas um objeto pulsional, qualquer que seja, para um dado sujeito. O discurso anal\u00edtico n\u00e3o gere, portanto, os grupos sociais. Ele visa os uns, sozinhos. A defini\u00e7\u00e3o do feminino que Lacan d\u00e1 no <em>Semin\u00e1rio Mais ainda<\/em> \u00e9 uma tentativa de subverter o julgamento universal. \u00c9, a meu ver, a \u00fanica possibilidade de p\u00f4r em xeque a segrega\u00e7\u00e3o, sem, nela, negar a necessidade l\u00f3gica.\u201d (p.83)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Bassols, M. O feminino, entre centro e aus\u00eancia<em>\u00a0 <\/em>In:<em> Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie<\/em>. Ano 8, n\u00b0 23, julho 2017, p. 1-15<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Borda, limite e fronteira<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Uma borda que tende ao infinito, um limite que deixa sempre aberta a s\u00e9rie de seus elementos. De fato, o que chamamos de corpo falante e seus orif\u00edcios se apresentam muitas vezes na experi\u00eancia subjetiva, seja no sonho ou na experi\u00eancia de um gozo estranho, com esta dimens\u00e3o de borda sem limites. Esta dificuldade de localiza\u00e7\u00e3o do feminino que necessita recorrer a uma l\u00f3gica e a uma topologia distintas da l\u00f3gica bin\u00e1ria do significante e do espa\u00e7o m\u00e9trico do cont\u00e1vel, tem muito em comum com o espa\u00e7o e a posi\u00e7\u00e3o do analista tal como Lacan a situou na experi\u00eancia anal\u00edtica.\u201d (p.3)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A b\u00fassola do objeto<\/strong><\/p>\n[&#8230;] \u201cQuando falamos de litoral n\u00e3o h\u00e1 &#8220;entre&#8221;, n\u00e3o h\u00e1 reciprocidade nem h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o proporcional poss\u00edvel entre os dois espa\u00e7os. Esta \u00e9 a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o entre os sexos produzida pelo campo do gozo. O feminino n\u00e3o sabe de fronteiras.\u201d (p.7)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Solid\u00e3o \u00e0 segunda pot\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO espa\u00e7o do feminino se produz, existe, entre centro e aus\u00eancia, entre o centro simbolizado pelo falo e a aus\u00eancia mais radical, a que se produz na solid\u00e3o do gozo feminino quando o sujeito se confronta com sua pr\u00f3pria aus\u00eancia. \u00c9 a solid\u00e3o, se me permitem dizer assim, elevada \u00e0 segunda pot\u00eancia, dif\u00edcil de alcan\u00e7ar. Na realidade \u00e9 uma aus\u00eancia e uma solid\u00e3o para ningu\u00e9m, porque \u00e9 aus\u00eancia s\u00f3 para outra aus\u00eancia.\u201d (p.8)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Holguin, C. (Septiembre de 2017) En la pol\u00edtica de los seres hablantes, el analista es un arma. In: Bit\u00e1cora Lacaniana 6, Revista de Psicoan\u00e1lisis de la Nueva Escuela Lacaniana, Olivos: Grama Ediciones, p.19.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cAl tiempo que se interroga, c\u00f3mo hacer existir el psicoan\u00e1lisis hoy, c\u00f3mo podr\u00e1 sobrevivir el psicoan\u00e1lisis confrontado a la inexistencia del A y el retorno &#8220;sensacional&#8221; del amo, donde predominan los actos de segregaci\u00f3n, exterminio y violencia, que amenazan el discurso anal\u00edtico y la democracia que es su condici\u00f3n; se propone que el campo de la pol\u00edtica aparezca como un nuevo frente de acci\u00f3n para el psicoanalista. Debe el psicoan\u00e1lisis conservar la misma distancia frente a la pol\u00edtica que antes?\u201d (p.19)<\/p>\n<p>\u201cEs una convocatoria al analista-ciudadano. Tomar posici\u00f3n p\u00fablica, adem\u00e1s de redoblar la apuesta hecha por Lacan frente al malestar de la civilizaci\u00f3n: retoma &#8220;la pol\u00edtica&#8221; como inherente al psicoan\u00e1lisis.\u201d (p.20)<\/p>\n<p>\u201cPara hacer existir el psicoan\u00e1lisis, y que no se rindan las armas frente a los <em>impasses <\/em>de la civilizaci\u00f3n, Lacan propone a trav\u00e9s de su met\u00e1fora b\u00e9lica, un analista-arma y una Escuela-base-de-operaciones. Que un analista pueda responder a la altura de la civilizaci\u00f3n que le corresponde y que su Escuela sirva de resguardo al malestar propio de ella, fue la preocupaci\u00f3n de Lacan, que hacemos nuestra.\u201d (p.21)[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Marcadores de leitura<\/span><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre <em>O Semin\u00e1rio, livro 17: o avesso da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/span> <\/strong><\/p>\n<h6>Ant\u00f4nio Alberto Peixoto de Almeida (Associado ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>O gozo, em Lacan\u00a0 , \u00e9, antes de tudo, sexual \u2013 o que tem diversas incid\u00eancias na vida do sujeito. Dentre as muitas exposi\u00e7\u00f5es, o autor elabora a teoria dos discursos tendo este elemento como mote principal. Ela gira em torno de quatros elementos fundamentais: $, a, S1 e S2.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-seminario-livro-17-o-avesso-da-psicanalise-rio-de-janeiro-jorge-zahar\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre \u201cPsicologia de grupo e an\u00e1lise do ego\u201d. In\u00a0<\/strong><em><strong>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira,\u00a0<\/strong><\/em><strong>vol. XVIII. Rio de Janeiro: Editora Imago, p. 79-154.\u00a0\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<h6><em>Tissiane Gushiken da Silva (Associada ao CLIN-a)<\/em><\/h6>\n<p>O que se mant\u00e9m nos grupos \u00e9 que os discordantes do enamoramento com determinadas ideias, ideais ou l\u00edderes, s\u00e3o considerados inimigos, dignos de \u00f3dio e repulsa. Muito evidente na polariza\u00e7\u00e3o vista em coment\u00e1rios e na \u201ccultura de cancelamento\u201d . Na era digital, pode haver um l\u00edder, uma ideia para todos, ou para cada um, ou seja, cada um o toma a sua maneira e faz um uso dele, simultaneamente, o \u00e1libi \u00e9 o grupo.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-psicologia-de-grupo-e-analise-do-ego-in-obras-psicologicas-completas-de-sigmund-freud-edicao-standard-brasileira-vol-xviii-rio-de-janeiro-editora-ima\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre \u201cIntui\u00e7\u00f5es Milanesas II\u201d. In\u00a0Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie. Ano 2, n\u00ba 6, novembro 2011, p.1-21<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Gabriela Ponte Rodrigues (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>\u201cAo lado do corpo anat\u00f4mico, seria poss\u00edvel colocar em quest\u00e3o o corpo vivo, distingui-lo dele. Sobre o corpo vivo, na medida em que ele fala e que a palavra condiciona seu gozo, talvez fosse poss\u00edvel dizer que ele faz o destino. Mas nessa passagem do seu Semin\u00e1rio, Lacan realiza um deslocamento de \u201ca anatomia \u00e9 o destino\u201d para o \u201cinconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-intuicoes-milanesas-ii-in-opcao-lacaniana-online-nova-serie-ano-2-no-6-novembro-2011-p-1-21\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre <\/strong><em><strong>\u201cMulheres e discursos\u201d<\/strong><\/em><strong>. Rio de Janeiro, Contra Capa. (Cole\u00e7\u00e3o Op\u00e7\u00e3o Lacaniana).\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Heloisa Silva Teixeira (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>Brousse se refere ao falo como \u201copera-dor\u201d de uma perda que d\u00e1 suporte ao sujeito quando este \u00e9 uma mulher. Haveria a presen\u00e7a de uma \u201cdor\u201d, indiz\u00edvel, no lugar de um vazio, uma inexist\u00eancia, litoral de aus\u00eancia em que se pode escrever algo. Uma escrita feminina, litor\u00e2nea e liter\u00e1ria, uma a uma, ou Uma-sozinha, \u00e0s escondidas.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-mulheres-e-discursos-rio-de-janeiro-contra-capa-colecao-opcao-lacaniana\/\">Leia +<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><strong>Breve coment\u00e1rio sobre o texto \u201cA subvers\u00e3o feminina\u201d \u2013 ou por que l\u00ea-lo<\/strong><\/p>\n<h6>Fl\u00e1via Machado Seidinger Leibovitz (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>Por obra deste boletim, temos a sorte de ler traduzido o texto de Gabriela Camaly (EOL\/AMP). Venho reiterar a indica\u00e7\u00e3o, buscando que singular ele agrega \u00e0s subvers\u00f5es plurais no litoral em que tra\u00e7a entre a pol\u00edtica dos feminismos e a pol\u00edtica da psican\u00e1lise.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/breve-comentario-sobre-o-texto-a-subversao-feminina1-ou-por-que-le-lo\/\">Leia +<\/a><\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;vista_blue&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4375&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; link=&#8221;http:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/ix-jornadas\/apresentacao-ix-jornadas\/&#8221;][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS E MARCADORES DE LEITURA<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 04<\/span><\/h3>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1960\/1998). \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 807-842.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cO que nos qualifica para proceder por essa via \u00e9, evidentemente, nossa experi\u00eancia dessa pr\u00e1xis. O que nos determinou a isso, como atestar\u00e3o os que nos seguem, foi uma car\u00eancia da teoria, refor\u00e7ada por um abuso em sua transmiss\u00e3o, os quais, por n\u00e3o deixarem de ser perigosos para a pr\u00f3pria pr\u00e1xis, resultam, tanto um quanto o outro, numa aus\u00eancia total de status cient\u00edfico. Formular a quest\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas exig\u00edveis para tal status n\u00e3o era, talvez, um ponto de partida desonesto. Constatou-se que ele leva longe.\u201d (p. 808)<\/p>\n<p>\u201cMas o franc\u00eas diz: <em>L\u00e0 o\u00f9 c\u2019\u00e9tait<\/em>&#8230; Sirvamo-nos do benef\u00edcio que ele nos oferece de um imperfeito claro. L\u00e1 onde isso era, estava no instante exato, l\u00e1 onde isso era, estava um pouquinho, entre a extin\u00e7\u00e3o que ainda brilha e a eclos\u00e3o que trope\u00e7a, [Eu] posso vir a s\u00ea-lo, por desaparecer de meu dito.<\/p>\n<p>Enuncia\u00e7\u00e3o que se denuncia, enunciado que renuncia a si mesmo, ignor\u00e2ncia que se dissipa, oportunidade que se perde, que resta aqui sen\u00e3o o vest\u00edgio do que \u00e9 realmente preciso que exista para cair do ser?\u201d (p. 816)<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 portanto preciso levar muito mais longe, diante de voc\u00eas, a topologia que elaboramos para nosso ensino neste \u00faltimo lustro, ou seja, introduzir um certo grafo que prevenimos garantir apenas, entre outros, o emprego que faremos dele, tendo sido constru\u00eddo e ajustado a c\u00e9u aberto para situar, em sua disposi\u00e7\u00e3o em patamares, a estrutura mais amplamente pr\u00e1tica dos dados de nossa experi\u00eancia. Ele nos servir\u00e1 aqui para apresentar onde se situa o desejo em rela\u00e7\u00e3o a um sujeito definido por sua articula\u00e7\u00e3o pelo significante.\u201d (p. 819)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Lacan, J. (1969-70\/1992). <em>O Semin\u00e1rio, livro 17: o avesso da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge<\/strong> <strong>Zahar.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Aula I \u2013 Produ\u00e7\u00e3o dos quatro discursos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o primitiva entre o saber e o gozo, e \u00e9 ali que vem se inserir o que surge no momento em que aparece o aparato do que concerne ao significante. \u00c9 desde ent\u00e3o conceb\u00edvel que, desse surgimento do significante, releiamos sua fun\u00e7\u00e3o.\u201d (p.16)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPortanto, prossigo. \u00c9 na juntura de um gozo &#8211; e n\u00e3o de qualquer um, ele sem d\u00favida deve permanecer opaco -, \u00e9 na juntura de um gozo privilegiado entre todos &#8211; n\u00e3o por ser o gozo sexual, pois o que esse gozo designa por estar na juntura \u00e9 a perda do gozo sexual, \u00e9 a castra\u00e7\u00e3o -, \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 juntura com o gozo sexual que surge, na f\u00e1bula freudiana da repeti\u00e7\u00e3o, o engendramento daquilo que lhe \u00e9 radical, e d\u00e1 corpo a um esquema articulado literalmente. Tendo surgido S<sub>1<\/sub>, primeiro tempo, repete-se junto S<sub>2<\/sub>. Desse estabelecimento de rela\u00e7\u00e3o surge o sujeito que algo representa uma certa perda, a respeito da qual vale a pena haver feito esse esfor\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o ao sentido para compreender a ambiguidade.\u201d (p.16-17)<\/p>\n<p><strong>Aula VIII- Do mito \u00e0 estrutura<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa verdade, n\u00e3o se trata s\u00f3 da morte do pai, mas do assassinato do pai, como igualmente colocou muito bem no t\u00edtulo de sua interroga\u00e7\u00e3o a pessoa de quem estou falando. \u00c9 a\u00ed, no mito de \u00c9dipo tal como nos \u00e9 enunciado, que est\u00e1 a chave do gozo.\u201d (p. 113)<\/p>\n<p>\u201cO mito de \u00c9dipo, no n\u00edvel tr\u00e1gico em que Freud se apropria dele, mostra precisamente que o assassinato do pai \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do gozo. Se Laio n\u00e3o for afastado \u2013 no decorrer de uma luta em que, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 seguro que por este passo \u00c9dipo v\u00e1 herdar o gozo da m\u00e3e \u2013, se Laio n\u00e3o for afastado, n\u00e3o haver\u00e1 esse gozo. Mas ser\u00e1 \u00e0 custa desse assassinato que ele o obt\u00e9m?\u201d (p. 113)<\/p>\n<p>\u201cTal como se enuncia, n\u00e3o mais no n\u00edvel do tr\u00e1gico, com toda a sua leveza sutil, mas no enunciado do mito de <em>Totem e Tabu<\/em>, o mito freudiano \u00e9 a equival\u00eancia entre o pai morto e o gozo. Eis o que podemos qualificar com a express\u00e3o operador estrutural.<\/p>\n<p>Aqui, o mito se transcende por enunciar, na qualidade de real \u2013 pois este \u00e9 o ponto em que Freud insiste \u2013, que isso aconteceu realmente, que \u00e9 o real, que o pai morto \u00e9 aquele que tem o gozo sob sua guarda, \u00e9 de onde partiu a interdi\u00e7\u00e3o do gozo, de onde ela procedeu.\u201d (p. 116)<\/p>\n<p>\u201cO discurso do mestre nos mostra o gozo como vindo ao Outro \u2013 \u00e9 ele quem tem os meios. O que \u00e9 linguagem n\u00e3o o obt\u00e9m a n\u00e3o ser insistindo at\u00e9 produzir a perda de onde o mais-de-gozar toma corpo.<\/p>\n<p>Primeiro, a linguagem, mesmo a do mestre, n\u00e3o pode ser outra coisa sen\u00e3o demanda, demanda que fracassa. N\u00e3o \u00e9 de seu \u00eaxito, \u00e9 de sua repeti\u00e7\u00e3o que se engendra algo que \u00e9 uma outra dimens\u00e3o, que chamei de perda \u2013 a perda de onde o mais-de-gozar toma corpo.\u201d (p.117)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. N\u00e3o h\u00e1 outro ato a n\u00e3o ser o ato que se refere aos efeitos dessa articula\u00e7\u00e3o significante e que comporta toda a sua problem\u00e1tica \u2013 com, por um lado, o que comporta, ou melhor, o que \u00e9, de queda da pr\u00f3pria exist\u00eancia do que quer que possa ser articulado como sujeito, e, por outro lado, o que ali preexiste como fun\u00e7\u00e3o legisladora.\u201d (p.118)<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira mola propulsora \u00e9 esta aqui \u2013 o gozo separa o significante-mestre, na medida em que se gostaria de atribu\u00ed-lo ao pai, do saber como verdade. Tomando o esquema do discurso do analista, o obst\u00e1culo constitu\u00eddo pelo gozo se encontra ali onde desenhei o tri\u00e2ngulo, ou seja, entre o que pode se produzir, da forma que for, como significante-mestre, e o campo de que o saber disp\u00f5e na medida em que se prop\u00f5e como verdade.\u201d (p.122)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Lacan, J. (1966\/2017). Acerca da estrutura como imis\u00e7\u00e3o de uma alteridade pr\u00e9via a um sujeito qualquer (Confer\u00eancia em Baltimore). <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> 77, p. 9-22<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>\u201cOnde est\u00e1 o sujeito? \u00c9 necess\u00e1rio situ\u00e1-lo com um objeto perdido. Mais precisamente, esse objeto perdido \u00e9 o suporte do sujeito e, frequentemente, \u00e9 algo bem mais abjeto do que voc\u00eas gostariam de considerar.\u201d (p. 13)<\/p>\n<p>\u201cQuando esse sujeito repete algo de particularmente significativo, voc\u00eas sabem que ele est\u00e1 ali, naquela coisa obscura que \u00e0s vezes chamamos de trauma, \u00e0s vezes de prazer requintado. O que acontece? Se a `coisa\u00b4 existe nessa estrutura simb\u00f3lica, se esse tra\u00e7o un\u00e1rio \u00e9 decisivo, ent\u00e3o o tra\u00e7o de <em>mesmidade<\/em> est\u00e1 ali. Para que a `coisa\u00b4 buscada esteja aqui em voc\u00eas, \u00e9 necess\u00e1rio que o primeiro tra\u00e7o seja apagado, pois o pr\u00f3prio tra\u00e7o \u00e9 uma modifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 o apagamento de toda diferen\u00e7a e, neste caso, sem o tra\u00e7o, a primeira `coisa\u00b4 est\u00e1 simplesmente perdida.\u201d (p. 16)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Em todo caso, o sujeito \u00e9 o efeito dessa repeti\u00e7\u00e3o na medida em que ela requer o <em>fading<\/em>, a oblitera\u00e7\u00e3o do primeiro fundamento do sujeito, raz\u00e3o pela qual este, estatutariamente, \u00e9 sempre apresentado como uma ess\u00eancia dividida.\u201d (p. 17)<\/p>\n<p>\u201cMas a rela\u00e7\u00e3o desse sujeito barrado com esse objeto <em>a<\/em> \u00e9 a estrutura sempre reencontrada na fantasia que sustenta o desejo, na medida em que o desejo n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o que designei pelo termo \u2018meton\u00edmia de toda significa\u00e7\u00e3o\u2019.\u201d (p. 19)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Freud, S. (1925-26\/1988). Psicologia de grupo e an\u00e1lise do ego. In <em>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira, <\/em>vol. XVIII. Rio de Janeiro: Editora Imago, p. 79-154. <\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Desse modo, uma religi\u00e3o, mesmo que se chame a si mesma de religi\u00e3o do amor, tem de ser dura e inclemente para com aqueles que a ela n\u00e3o pertencem. Fundamentalmente, na verdade, toda religi\u00e3o \u00e9, dessa mesma maneira, uma religi\u00e3o de amor para todos aqueles a quem abrange, ao passo que a crueldade e a intoler\u00e2ncia para com os que n\u00e3o lhes pertencem, s\u00e3o naturais a todas as religi\u00f5es.\u201d (p. 110)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. E, no desenvolvimento da humanidade como um todo, do mesmo modo que nos indiv\u00edduos, s\u00f3 o amor atua como fator civilizador, no sentido de ocasionar a modifica\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo em altru\u00edsmo.\u201d (p. 114)<\/p>\n<p>\u201cA identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida pela psican\u00e1lise como a mais remota express\u00e3o de um la\u00e7o emocional com outra pessoa.\u201d (p. 115)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. <em>Um grupo prim\u00e1rio \u00e9 um certo n\u00famero de indiv\u00edduos que colocaram um s\u00f3 e mesmo objeto no lugar de seu ideal do Ego e, consequentemente, se identificaram uns com os outros em seu ego<\/em>.\u201d (p. 126)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Mesmo os que n\u00e3o lamentam o desaparecimento das ilus\u00f5es religiosas do mundo civilizado de hoje, admitem que, enquanto estiveram em vigor, ofereceram aos que a elas se achavam presos a mais poderosa prote\u00e7\u00e3o contra o perigo da neurose.\u201d (p. 152)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Freud, S. (1930-29\/1988). \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. In: <em>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/em>: <em>edi\u00e7\u00e3o standard brasileira<\/em>, vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, p. <\/strong><\/span><strong><span style=\"color: #0000ff;\">65-148.<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Normalmente, n\u00e3o h\u00e1 nada de que possamos estar mais certos do que do sentimento de nosso eu, do nosso pr\u00f3prio ego. O ego nos aparece como algo aut\u00f4nomo e unit\u00e1rio, distintamente demarcado de tudo o mais. Ser essa apar\u00eancia enganadora \u2013 \u00a0apesar de que, pelo contr\u00e1rio, o ego seja continuado para dentro, sem qualquer delimita\u00e7\u00e3o n\u00edtida, por uma entidade mental inconsciente que designamos como id, \u00e0 qual o ego serve como uma esp\u00e9cie de fachada \u2013, configurou uma descoberta efetuada pela primeira vez atrav\u00e9s da pesquisa psicanal\u00edtica, que de resto, ainda deve ter muito mais a nos dizer sobre o relacionamento do ego com o id.\u201d\u00a0 (p. 74-75)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. O sofrimento nos amea\u00e7a a partir de tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es: de nosso pr\u00f3prio corpo, condenado \u00e0 decad\u00eancia e \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advert\u00eancia; do mundo externo, que pode voltar-se contra n\u00f3s com for\u00e7as de destrui\u00e7\u00e3o esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens.\u201d (p.\u00a0 84-85)<\/p>\n<p>\u201cO elemento de verdade por tr\u00e1s disso tudo, elemento que as pessoas est\u00e3o t\u00e3o dispostas a repudiar, \u00e9 que os homens n\u00e3o s\u00e3o criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no m\u00e1ximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade. Em resultado disso, o seu pr\u00f3ximo \u00e9, para eles, n\u00e3o apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas tamb\u00e9m algu\u00e9m que os tenta a satisfazer sobre ele a sua agressividade, a explorar sua capacidade de trabalho sem compensa\u00e7\u00e3o, utiliz\u00e1-lo sexualmente sem o seu consentimento, apoderar-se de suas posses, humilh\u00e1-lo, causar-lhe sofrimento, tortur\u00e1-lo e mat\u00e1-lo. \u2013 <em>Homo homini lupus<\/em>.\u201d (p. 116)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A \u00e9tica deve, portanto, ser considerada como uma tentativa terap\u00eautica \u2013 como um esfor\u00e7o por alcan\u00e7ar, atrav\u00e9s de uma ordem do superego, algo at\u00e9 agora n\u00e3o conseguido por meio de quaisquer outras atividades culturais.\u201d (p. 145).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Os homens adquiriram sobre as for\u00e7as da natureza um tal controle, que, com sua ajuda, n\u00e3o teriam dificuldades em se exterminarem uns aos outros, at\u00e9 o \u00faltimo homem. Sabem disso, e \u00e9 da\u00ed que prov\u00e9m grande parte de sua atual inquieta\u00e7\u00e3o, de sua infelicidade e de sua ansiedade.\u201d (p. 147).<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Miller, J-A. Intui\u00e7\u00f5es Milanesas I. In <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em> <em>nova s\u00e9rie.<\/em> Ano 2, n\u00ba 5, julho 2011<\/strong><\/span><strong><span style=\"color: #0000ff;\">, p. 1-15<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Eis a proposi\u00e7\u00e3o: &#8220;N\u00e3o digo &#8216;a pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente&#8217;, mas simplesmente &#8216;o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8217;.\u201d (p. 2)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. O totalitarismo foi uma bela esperan\u00e7a que encantou as massas do s\u00e9culo XX e cuja lembran\u00e7a n\u00f3s, do s\u00e9culo XXI, quase perdemos. Era a esperan\u00e7a de suprimir a divis\u00e3o da verdade, de instaurar o reino do Um na pol\u00edtica, conforme o modelo da &#8220;Psicologia das massas&#8221;. No n\u00edvel dessa aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 conc\u00f3rdia, \u00e0 harmonia, \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, o totalitarismo \u00e9 impec\u00e1vel, como ecoam seus termos no discurso do Presidente Schreber.\u201d (p. 5)<\/p>\n<p>\u201cA defini\u00e7\u00e3o do inconsciente pela pol\u00edtica tem ra\u00edzes profundas no ensino de Lacan. &#8220;O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8221; \u00e9 um desenvolvimento de &#8220;O inconsciente \u00e9 o discurso do Outro&#8221;.\u201d (p. 6)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] \u2013 Depois vem a transi\u00e7\u00e3o em que Lacan realiza uma subvers\u00e3o de Freud, via a subvers\u00e3o do Nome-do-Pai, que ele pluraliza e tamb\u00e9m desloca quando atribui a opera\u00e7\u00e3o de recalcamento n\u00e3o ao interdito mas ao pr\u00f3prio fato da linguagem; via a subvers\u00e3o do conceito de desejo ligado ao interdito, conceito que ele substitui pelo de gozo \u2013 bem mais do que a falta; ele enfatiza o que preenche a falta; via estabelecimento da no\u00e7\u00e3o de objeto<em> a<\/em>, que permanece atrelado ao tema da falta, mas na qual o que prevalece \u00e9 o que vem preencher a falta.\u201d (p. 10)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Miller, J.-A. \u201cIntui\u00e7\u00f5es Milanesas II\u201d. In <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie<\/em>. Ano 2, n\u00ba 6, novembro 2011, p.1-21<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>\u201cAo lado do corpo anat\u00f4mico, seria poss\u00edvel colocar em quest\u00e3o o corpo vivo, distingui-lo dele. Sobre o corpo vivo, na medida em que ele fala e que a palavra condiciona seu gozo, talvez fosse poss\u00edvel dizer que ele faz o destino. Mas nessa passagem do seu Semin\u00e1rio, Lacan realiza um deslocamento de &#8220;a anatomia \u00e9 o destino&#8221; para o &#8220;inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8221;. E o explica: &#8220;o que liga os homens entre eles, o que os op\u00f5e, deve ser motivado pela l\u00f3gica que tentamos articular&#8221; \u2013 e naquele tempo, se tratava da l\u00f3gica da fantasia. &#8220;O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8221; prov\u00e9m do que liga e op\u00f5e &#8220;os homens&#8221; \u2013 entre aspas \u2013 entre eles, ou seja, o inconsciente prov\u00e9m do la\u00e7o social.\u201d (p.4-5)<\/p>\n<p>\u201cNo pr\u00f3prio movimento de produzir a f\u00f3rmula &#8220;o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica&#8221;, Lacan faz a Bergler uma obje\u00e7\u00e3o fundamental, que situa muito bem a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ele sustentou e animou em seu ensino, a saber: mas porque ent\u00e3o ele precisaria ser mais aceito do que rejeitado? Por que precisaria fazer o que era necess\u00e1rio para ser aceito? Por acaso a mesa em que desejaria ser aceito seria sempre ben\u00e9fica? O que est\u00e1 por tr\u00e1s \u00e9 a met\u00e1fora do <em>Banquete<\/em> e daqueles que n\u00e3o s\u00e3o aceitos em seu festim. Isso situa bem a posi\u00e7\u00e3o de subvers\u00e3o de Lacan que, \u00e9 preciso reconhecer, permanece atual.\u201d (p. 6)<\/p>\n<p>\u201cO pai. Podemos ver tudo o que ainda atrela a psican\u00e1lise ao mito do pai e que a sociedade, em modifica\u00e7\u00e3o na \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o, deixou de viver sob o reinado do pai. Em nossa pr\u00f3pria linguagem, dizemos que a estrutura do todo cedeu \u00e0 do n\u00e3o-todo: a estrutura do n\u00e3o-todo comporta precisamente que n\u00e3o exista mais nada que fa\u00e7a barreira, que esteja na posi\u00e7\u00e3o do interdito.\u201d (p. 10)<\/p>\n<p>\u201cEssa cl\u00ednica do n\u00e3o-todo \u00e9 aquela em que florescem as patologias descritas como centradas na rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, ou ainda centradas no narcisismo, mas que seriam provenientes do registro pr\u00e9-ed\u00edpico, quando se dispunha da hierarquia anterior, e que ganharam de qualquer forma sua independ\u00eancia. Qualificar isso de pr\u00e9-ed\u00edpico \u00e9 evidentemente muito limitado.\u201d (p. 19)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Al\u00e9m disso, Lacan nos indicou outras vias para abordar a cl\u00ednica contempor\u00e2nea como cl\u00ednica do n\u00e3o-todo. Ele nos indicou a via do n\u00f3. N\u00e3o que em si mesmo o n\u00f3 seja &#8220;levitat\u00f3rio&#8221;, mas ele constitui de fato uma maneira de responder \u00e0 estrutura do n\u00e3o-todo, pois essa cl\u00ednica nos apresenta uma s\u00e9rie infinita de arranjos a partir de tr\u00eas rodinhas de barbante.\u201d (p. 19)<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Laurent, E. Afectos y Pasiones del cuerpo social. In <em>Neurosis del siglo XXI? El psicoan\u00e1lisis: Revista de la Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis<\/em> n\u00b0 30-31<\/strong>. Dispon\u00edvel em\u00a0 <a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/\">http:\/\/elpsicoanalisis.elp.org.es\/<\/a><\/span><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;], Lacan aprehende la cuesti\u00f3n del lazo social por otro bies, independientemente de la religi\u00f3n, en el discurso y en <em>los<\/em> discursos, donde como recuerdo de la identificaci\u00f3n con el padre s\u00f3lo subsiste el S<sub>1<\/sub>, la l\u00f3gica del significante amo. Hace un barrido completo de las mitolog\u00edas freudianas, abriendo el panorama para reducir esto a su hueso l\u00f3gico. Los matemas S<sub>1<\/sub>, S<sub>2<\/sub>, <em>a<\/em> y S barrado bastan para dar cuenta del lazo social como tal y de los discursos que pueden sostenerse en nuestra civilizaci\u00f3n.\u201d<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. En este sentido, poner el acento en estos fen\u00f3menos de masa que prescinden de la identificaci\u00f3n al padre, presentan al padre como ficci\u00f3n o fundan las operaciones de regulaci\u00f3n del goce sin la garant\u00eda del padre, nos permite seguir las relaciones del sujeto con el acontecimiento de cuerpo en los discursos religiosos. Nos recuerda que el desvanecimiento de los ideales, de los grandes relatos, no deja al sujeto en el vac\u00edo hedonista con la \u00fanica posibilidad de llenarse con los objetos del mercado. Deja todo su sitio a una certeza de goce, uno por uno, una por una, y el discurso del psicoan\u00e1lisis ser\u00e1 cada vez m\u00e1s el reverso del discurso del amo si permite precisamente descifrar los modos de goce que se proponen m\u00e1s all\u00e1 de los mecanismos engendrados por la generalizaci\u00f3n de la falta-en-gozar de la plusval\u00eda.\u201d<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Brousse, M.-H. (2019).<em> \u201cMulheres e discursos\u201d<\/em>. Rio de Janeiro, Contra Capa. (Cole\u00e7\u00e3o Op\u00e7\u00e3o Lacaniana).\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Escondido<\/strong><\/p>\n<p><strong>O objeto escondido das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, qual o objeto escondido de \u201cuma mulher\u201d? O falo, antes de tudo! Ali\u00e1s, ele pr\u00f3prio est\u00e1 oculto desde a Antiguidade, e permanece misterioso. Ou, como disse Lacan em sua confer\u00eancia em Baltimore: \u201cOnde est\u00e1 o sujeito? \u00c9 necess\u00e1rio situ\u00e1-lo como um objeto perdido. Mais precisamente, esse objeto perdido \u00e9 o suporte do sujeito\u201d (Lacan, 1966:13). O falo como objeto perdido \u00e9 o suporte do sujeito falante quando este \u00e9 \u201cuma mulher\u201d. \u00c0s vezes, at\u00e9 a loucura&#8230;\u201d (p. 40)<\/p>\n<p><strong>Fil\u00f3sofos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lacan e os Fil\u00f3sofos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por que Lacan leu tantos fil\u00f3sofos?<\/strong><\/p>\n[&#8230;] \u201cNo que concerne ao texto freudiano, Lacan busca, de acordo com uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, uma solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais exclusiva, e sim inclusiva, que lhe permite partir do que \u00e9 anterior para abordar o futuro pelo qual n\u00f3s j\u00e1 fomos tomados. Essa subtra\u00e7\u00e3o, que sup\u00f5e uma transfer\u00eancia com o saber \u201cn\u00e3o todo\u201d, \u00e9 a mesma que sustentou com os fil\u00f3sofos eleitos como parceiros. Lacan leu esses autores do passado \u00e0 luz do real mais contempor\u00e2neo, surpreendente, este desconhecido que se anuncia a partir de seus sinais antes fugidios. Ele l\u00ea Arist\u00f3teles, Descartes, Kant e Hegel como trajet\u00f3rias encerradas pelo real de seu tempo.\u201d (p. 49)<\/p>\n<p>\u201cA formaliza\u00e7\u00e3o do discurso segundo o matema de quatro lugares e quatro fun\u00e7\u00f5es, e a rota\u00e7\u00e3o que os caracteriza, permite a Lacan situar a filosofia. Trata-se do discurso do mestre, do qual o discurso anal\u00edtico \u00e9 justamente o avesso. A filosofia \u00e9, portanto, n\u00e3o uma vis\u00e3o do mundo ou um sistema, mas sim um fen\u00f4meno de discurso que situa em posi\u00e7\u00e3o de agente um significante mestre funcionando \u00e0 moda de um imperativo do gozo promovido como verdade e sentido num momento hist\u00f3rico preciso e numa determinada l\u00edngua\u201d. (p. 50)<\/p>\n<p><strong>Lantejoulas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bem \u00e0 vista<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSubvers\u00f5es: quando n\u00e3o h\u00e1 mais o pai, todo mundo pode brilhar\u201d\u00a0 (p. 86)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Uma \u00fanica diferen\u00e7a ainda resiste \u00e0 lantejoula: a diferen\u00e7a sexual. A lantejoula \u00e9 mais das \u201cUmas-sozinhas\u201d do que dos \u201cUns-sozinhos\u201d que s\u00e3o os indiv\u00edduos contempor\u00e2neos.\u201d (p. 88)<\/p>\n<p><strong>M\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora do sexo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Extens\u00e3o do circuito da m\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHoje, ser m\u00e3e \u00e9 ser<em> parent,<\/em> pois \u00e9 tamb\u00e9m ser pai: um <em>parent<\/em> \u00e9 um \u201cpai-m\u00e3e\u201d. A \u00e9poca dos Uns-sozinhos, \u00e9poca dos solteiros, mesmo quando est\u00e3o num casal, talvez em dois casais, ou seja, tr\u00eas ou quatro ligados temporariamente pelo <em>um<\/em> da crian\u00e7a, objeto desejado, torna obsoleto o significante <em>m\u00e3e<\/em>, no sentido em que se definia no sistema familiar tradicional.\u201d (p. 99)<\/p>\n<p><strong>Miami<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em Miami, ou o sintoma como s\u00edmbolo sexual<\/strong><\/p>\n[&#8230;] \u201cAtravesso minha escuta, como Lacan testemunhou isso para ele pr\u00f3prio, a ouvir <em>falasseres<\/em> inventarem seu g\u00eanero e, submetendo-se \u00e0 l\u00f3gica de seu saber inconsciente, assumirem a escolha de seu modo de gozar. Desagrega\u00e7\u00e3o. Jamais nos desembara\u00e7amos de nosso sintoma, n\u00f3s o tornamos operat\u00f3rio.\u201d (p. 112)<\/p>\n<p><strong>Realismo<\/strong><\/p>\n[&#8230;] \u201cProponho assim que, agora que estamos numa \u00e9poca de abertura da quest\u00e3o da verdade, A<em>ci\u00eancia<\/em> busca impor-se no lugar em que \u00c9dipo havia respondido \u201co Homem\u201d. Ela faz calar e apresenta-se como um imperativo, mesmo que, evidentemente, n\u00e3o deixe de existir concorr\u00eancia. Mas esse lugar de significante mestre faz com que lhe falte o real que ela pretende comandar, o real do gozo, e faz transformar a verdade em sentido.\u201d (p. 123)<\/p>\n<p><strong>Religi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>To exorcise that good old god<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO discurso anal\u00edtico, ap\u00f3s dar a Lacan a capacidade de prever um fen\u00f4meno social in\u00e9dito, permite, se seguirmos a sua orienta\u00e7\u00e3o, elucidar esse fen\u00f4meno que o esp\u00edrito iluminista tende a ordenar na categoria das supersti\u00e7\u00f5es e do obscurantismo, e que o marxismo, nova religi\u00e3o do para\u00edso sobre a terra, e o cientificismo positivista, nova religi\u00e3o dos milagres da ci\u00eancia, fracassaram em vencer, a despeito de sua ambi\u00e7\u00e3o em consegui-lo. Eles obtiveram muito mais o resultado oposto, provocando um recrudescimento da aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 transcend\u00eancia. Que esclarecimento a psican\u00e1lise pode fazer incidir sobre os fen\u00f4menos ps\u00edquicos em a\u00e7\u00e3o na transforma\u00e7\u00e3o do nome, real, em realidades temporais?\u201d (p. 131)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Camaly, G. (2018). &#8220;La subversi\u00f3n femenina&#8221;. In: Feminismos: Variaciones, Controversias. Buenos Aires: Grama Ediciones, p. 99-108<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p>\u201cDesde su origen \u2013 y tal vez hoy con mayor empuje \u2013 los movimientos feministas encarnan la puesta en cuesti\u00f3n de los dispositivos de poder que regulan y normativizan la vivencia de la sexualidad, las construcciones de saber, las referencias identitarias y los modos de gozar. El discurso femenino ha introducido un obst\u00e1culo a la homogeneizaci\u00f3n f\u00e1lica del mundo cambiando las reglas de juego. En este sentido, cuando el decir femenino se introduce en el discurso universal procede en contra de todas las tentativas de uniformizaci\u00f3n produciendo la subversi\u00f3n de los presupuestos existentes.\u201d (p. 106).<\/p>\n<p>\u201cNo obstante los logros de los movimientos feministas, se evidencia que el malestar femenino persiste bajo m\u00faltiples formas. El psicoan\u00e1lisis sabe que este malestar no depende de los modos sociales de opresi\u00f3n del g\u00e9nero sino que, m\u00e1s all\u00e1 de las luchas sociales que es necesario sostener, se anuda a un imposible de soportar. En este punto, pueden plantearse dos perspectivas: la primera, que se trata de un malestar en el que subsiste un imposible de decir y la segunda, que insiste la b\u00fasqueda de un reconocimiento por parte del Outro.\u201d (p. 106).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Ese malestar, \u00a0al que Lacan circunscribi\u00f3 y elabor\u00f3 como &#8220;goce femenino&#8221;, hace obst\u00e1culo a todas las formas de inscripci\u00f3n en el Otro. Ellas, al estar confrontadas con el no tener desde el origen, est\u00e1n menos amenazadas por la castraci\u00f3n y m\u00e1s cercanas al uso de los semblantes. A esto se suma que la sexualidad femenina no puede ser reducida a la l\u00f3gica f\u00e1lica debido a la afectaci\u00f3n de un goce en m\u00e1s imposible de significantizar. Por eso, Lacan aborda la sexualidad femenina a partir de la dualidad de los goces que habita a una mujer y del modo en el cual cada una se arregla con ese imposible de soportar, una experiencia de goce en la que puede perderse a ella misma. Por eso mismo, las mujeres pueden estar tambi\u00e9n m\u00e1s cerca del sin l\u00edmite del goce y de la locura pero tambi\u00e9n m\u00e1s propensas a inventar soluciones singulares ante el goce imposible de negativizar que se presenta siempre haciendo agujero en el Outro.\u201d (p. 107).<\/p>\n[&#8230;] \u201cEn este sentido, lo femenino opera una cierta subversi\u00f3n del orden simb\u00f3lico que tiene que hacer las cuentas con lo real de la sexualidad. La dignidad de la diferencia femenina es un buen modo de nombrar un cierto saber hacer con lo imposible de decir del goce y con la diferencia irreductible entre los sexos.\u201d (p. 107).[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Marcadores de leitura<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Comentario sobre <\/strong><strong>\u201cA ci\u00eancia e a verdade\u201d. In\u00a0<em>Escritos.<\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 869-892.<br \/>\n<\/strong><strong>Wo Es war, soll Ich werden<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Magno Azevedo<\/h6>\n<p><em>Zuider Zee<\/em> \u00e9 um golfo localizado nos pa\u00edses baixos &#8211; suas \u00e1guas v\u00eam do g\u00e9lido e glacial Mar do Norte. Uma grande e engenhosa opera\u00e7\u00e3o foi montada para que a regi\u00e3o fosse reestruturada com divis\u00f5es e diques de prote\u00e7\u00e3o submetida, assim, a civiliza\u00e7\u00e3o.\u00a0 As terras que estavam submersas puderam emergir e, a partir disso, surgiu uma possibilidade de saber fazer algo com o que antes era indeterminado.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-a-ciencia-e-a-verdade-in-escritos-rio-de-janeiro-jorge-zahar-p-869-892\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre \u201cO futuro de uma ilus\u00e3o\u201d. In:\u00a0<\/strong><em><strong>Obras completas de Sigmund Freud,\u00a0<\/strong><\/em><strong>vol. XXI. Rio de Janeiro: Editora Imago,<\/strong> <strong>p. 13-63<br \/>\n<\/strong><strong>Ilus\u00f5es e subvers\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<h6><strong>Marcella Pereira de Oliveira (Associada ao CLIN-a)<\/strong><\/h6>\n<p>O tema da ilus\u00e3o me remeteu \u00e0 can\u00e7\u00e3o de Marisa Monte: \u201cUma vez, eu tive uma ilus\u00e3o e n\u00e3o soube o que fazer, n\u00e3o soube o que fazer&#8230; com ela, n\u00e3o soube o que fazer. E ela se foi, porque eu a deixei, porque eu a deixei? Eu s\u00f3 sei que ela se foi&#8230;\u201d A ilus\u00e3o foi embora, sem que ela percebesse.<\/p>\n<p>Sobre ilus\u00e3o e subvers\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel pensar na primeira como um motor a um ato, para que este possa sair do \u00e2mbito de automatismo e ganhar um efeito subversivo. No \u00e2mbito das estruturas de grupo, as ilus\u00f5es permitem atos criativos cujo efeito subversivo podem ser cria\u00e7\u00f5es de novos discursos, os quais conduzem a estrutura\u00e7\u00f5es culturais. Penso que toda cria\u00e7\u00e3o comporta um ato subversivo.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-futuro-de-uma-ilusao-in-obras-completas-de-sigmund-freud-vol-xxi-rio-de-janeiro-editora-imago-p-13-63\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre <\/strong><strong><em>Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan<\/em><\/strong><strong>. Rio de Janeiro: Zahar.<br \/>\n<\/strong><strong>Entre Desejo e Gozo: Segunda Li\u00e7\u00e3o &#8211; p. 35.<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Rubens Ant\u00f4nio Fogassi Berlitz (Associado ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>O desejo do analista, tal como Lacan prop\u00f5e na \u201cdire\u00e7\u00e3o do tratamento\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><strong>, <\/strong>se diferencia radicalmente do conceito de contratransfer\u00eancia, este muito absorvido no campo do imagin\u00e1rio, \u00a0enquanto o desejo do analista n\u00e3o se restringe a ordem simb\u00f3lica, mas aponta para o real em jogo na an\u00e1lise.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-perspectivas-dos-escritos-e-outros-escritos-de-lacan-rio-de-janeiro-zahar\/\">Leia+<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre<\/strong> <strong><em>A Sociedade do sintoma: a psican\u00e1lise, hoje<\/em><\/strong><strong>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2007<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #000080;\"><strong>Cap\u00edtulo IV: Incid\u00eancias da psican\u00e1lise na sociedade contempor\u00e2nea<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #000080;\"><strong>O analista cidad\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Veridiana S. Paes de Barros (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>O texto \u201cO analista cidad\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u201d de Laurent \u00e9 bastante provocativo, pois convoca os psicanalistas a subverterem o lugar do analista pautado em uma pr\u00e1tica <em>standard, <\/em>cr\u00edtica, alienada das quest\u00f5es do mundo. O autor incentiva que o papel do analista n\u00e3o seja encerrado atr\u00e1s do div\u00e3, e ainda sustenta uma posi\u00e7\u00e3o \u00fatil, que interv\u00e9m nas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-a-sociedade-do-sintoma-a-psicanalise-hoje-rio-de-janeiro-contra-capa-2007\/\">Leia +<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Coment\u00e1rio sobre <em>O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica.<\/em>\u00a02\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #000080;\"><strong>Primeira confer\u00eancia<\/strong>. <strong>O analista e o pol\u00edtico: \u201cAlcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Luciana Ernanny Legey (Associada ao CLIN-A)<\/h6>\n<p>Um ano antes do Semin\u00e1rio \u201cO inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d proferido por Marie- H\u00e9l\u00e8ne Brousse em S\u00e3o Paulo (2002), Jacques-Alain Miller teria subvertido a ordem se manifestando \u2013 ap\u00f3s anos de sil\u00eancio a outro p\u00fablico, que n\u00e3o a comunidade anal\u00edtica \u2013 atrav\u00e9s de suas Cartas \u00e0 opini\u00e3o esclarecida. Discutia-se internacionalmente que era o momento de defesa da psican\u00e1lise frente ao avan\u00e7o de psicoterapias e outros discursos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental. O discurso anal\u00edtico deveria se tornar conhecido.<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-inconsciente-e-a-politica-2a-edicao-sao-paulo-escola-brasileira-de-psicanalise-primeira-conferencia-o-analista-e-o-politico-alcancar-em-seu-horizonte-a-subjetiv\/\">Leia +<\/a><\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;vista_blue&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 03<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Lacan, J. (1960\/1998). \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 807-842.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cO douto que faz ci\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m um sujeito, ele pr\u00f3prio, e at\u00e9 particularmente qualificado em sua constitui\u00e7\u00e3o, como o demonstra o fato de a ci\u00eancia n\u00e3o ter vindo ao mundo sozinha (de o parto n\u00e3o ter sido sem vicissitudes, e de ter sido precedido por alguns fracassos: abortos ou prematura\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Ora, esse sujeito que deve saber o que faz, ao menos segundo se presume, n\u00e3o sabe o que, de fato, nos efeitos da ci\u00eancia, interessa a todo mundo. Ao menos assim parece no universo contempor\u00e2neo \u2013 onde todos se encontram em seu n\u00edvel, portanto, quanto a esse ponto de ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Isso, por si s\u00f3, justifica que se fale de um sujeito da ci\u00eancia. Afirma\u00e7\u00e3o \u00e0 qual pretende igualar-se uma epistemologia da qual se pode dizer que, nesse aspecto, ela mostra mais pretens\u00e3o do que sucesso.\u201d (p. 808)<\/p>\n<p>\u201cAssim, \u00e9 de outro lugar que n\u00e3o o da Realidade concernida pela Verdade que esta extrai sua garantia: \u00e9 da Fala. Como \u00e9 tamb\u00e9m desta que ela recebe a marca que a institui numa estrutura de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dito primeiro decreta, legifera, sentencia, \u00e9 or\u00e1culo, confere ao outro real sua obscura autoridade.<\/p>\n<p>Tomem apenas um significante como ins\u00edgnia dessa onipot\u00eancia, ou seja, desse poder todo em pot\u00eancia, desse nascimento da possibilidade, e voc\u00eas ter\u00e3o o tra\u00e7o un\u00e1rio, que por preencher a marca invis\u00edvel que o sujeito recebe do significante, aliena esse sujeito na identifica\u00e7\u00e3o primeira que forma o ideal do eu.\u2019\u2019 (p. 822)<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Lacan, J. (1965-1966\/1998). \u201cA ci\u00eancia e a verdade\u201d. In <em>Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 869-892.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cAssim, n\u00e3o esgotei o que concerne \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia da psican\u00e1lise. Mas foi poss\u00edvel notar que tomei como fio condutor, no ano passado, um certo momento do sujeito que considero ser correlato essencial da ci\u00eancia: um momento historicamente definido, sobre o qual talvez tenhamos de saber se ele \u00e9 rigorosamente pass\u00edvel de repeti\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia: o que foi inaugurado por Descartes e que \u00e9 chamado <em>cogito.<\/em><\/p>\n<p>Esse correlato, como momento, \u00e9 o desfilamento de um recha\u00e7o de todo saber, mas por isso pretende fundar para o sujeito um certo ancoramento no ser, o qual sustentamos constituir o sujeito da ci\u00eancia em sua defini\u00e7\u00e3o, devendo este termo ser tomado no sentido de porta estreita.\u201d (p. 870)<\/p>\n<p>\u201cDizer que o sujeito sobre quem operamos em psican\u00e1lise s\u00f3 pode ser o sujeito da ci\u00eancia talvez passe por um paradoxo. \u00c9 a\u00ed, no entanto, que se deve fazer uma demarca\u00e7\u00e3o, sem o que tudo se mistura e come\u00e7a uma desonestidade que em outros lugares \u00e9 chamada de objetiva: mas que \u00e9 falta de aud\u00e1cia e falta de haver situado o objeto que malogra. Por nossa posi\u00e7\u00e3o de sujeito, sempre somos respons\u00e1veis.\u201d (p.873)<\/p>\n<p>\u201cEis por que era importante promover, antes de mais nada, e como um fato a ser distinguido da quest\u00e3o de saber se a psican\u00e1lise \u00e9 uma ci\u00eancia (se seu campo \u00e9 cient\u00edfico), exatamente o fato de que sua pr\u00e1xis n\u00e3o implica outro sujeito sen\u00e3o o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reduzir a este grau o que voc\u00eas me permitir\u00e3o induzir, atrav\u00e9s de uma imagem, como a abertura do sujeito na psican\u00e1lise, para apreender o que ele ali recebe da verdade.<\/p>\n<p>O ponto em que encontrei voc\u00eas hoje, por ser aquele em que os deixei no ano passado \u2013 o da divis\u00e3o do sujeito entre verdade e saber \u2013 \u00e9 para eles um ponto conhecido. \u00c9\u00a0aquele a que Freud os convida, sob o apelo do <em>Wo Es war, soll Ich werden<\/em>, que retraduzo, mais uma vez, para acentu\u00e1-lo aqui: l\u00e1 onde isso estava, l\u00e1, como sujeito, devo [eu] advir.\u201d (p. 878)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Freud, S. (1927\/1987) \u201cO futuro de uma ilus\u00e3o\u201d. In <em>Obras completas de Sigmund Freud, <\/em>vol. XXI. Rio de Janeiro: Editora Imago, p. 13-63.<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>\u201cPodemos, portanto, chamar uma cren\u00e7a de ilus\u00e3o quando uma realiza\u00e7\u00e3o de desejo constitui fator proeminente em sua motiva\u00e7\u00e3o e, assim procedendo, desprezamos suas rela\u00e7\u00f5es com a realidade, tal como a pr\u00f3pria ilus\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 valor \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 40)<\/p>\n<p>\u201cTendo identificado as doutrinas religiosas como ilus\u00f5es, somos imediatamente defrontados por outra quest\u00e3o: n\u00e3o poder\u00e3o ser de natureza semelhante outros predicados culturais de que fazemos alta opini\u00e3o e pelos quais deixamos nossas vidas serem governadas? N\u00e3o devem as suposi\u00e7\u00f5es que determinam nossas regulamenta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas serem chamadas tamb\u00e9m de ilus\u00f5es? E, n\u00e3o acontece que, em nossa civiliza\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos sejam perturbadas por uma ilus\u00e3o er\u00f3tica ou um certo n\u00famero dessas ilus\u00f5es? E, uma vez despertada nossa suspeita, n\u00e3o nos esquivaremos de tamb\u00e9m perguntar se nossa convic\u00e7\u00e3o\u00a0de que podemos apreender algo da realidade externa pelo emprego da observa\u00e7\u00e3o e do racioc\u00ednio no trabalho cient\u00edfico, possui um fundamento melhor.\u201d (p. 43)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Vemos que um n\u00famero estarrecedoramente grande de pessoas se mostram insatisfeitas e infelizes com a civiliza\u00e7\u00e3o, sentindo-a como um jugo do qual gostariam de se libertar; e que essas pessoas fazem tudo que se acha em seu poder para alterar a civiliza\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o v\u00e3o t\u00e3o longe em sua hostilidade contra ela, que nada t\u00eam a ver com a civiliza\u00e7\u00e3o ou com a restri\u00e7\u00e3o do instinto. Nesse ponto, ser\u00e1 objetado contra n\u00f3s que esse estado de coisas se deve ao pr\u00f3prio fato de a religi\u00e3o ter perdido parte de sua influ\u00eancia sobre as massas humanas, exatamente por causa do deplor\u00e1vel efeito dos progressos da ci\u00eancia.\u201d (p. 46)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Finalmente, tentou-se desacreditar o esfor\u00e7o cient\u00edfico de maneira radical, com o fundamento de que, achando-se ele ligado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia produzir nada mais sen\u00e3o resultados subjetivos, ao passo que a natureza real das coisas a n\u00f3s externas permanece inacess\u00edvel.\u201d (p. 63)<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Miller, J.-A. (2011) <em>Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Segunda li\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsse desejo do analista, o desejo de obter a diferen\u00e7a absoluta, na\u0303o tem a ver com pureza alguma, porque essa diferen\u00e7a nunca e\u0301 pura, ela esta\u0301, ao contra\u0301rio, conectada a alguma coisa em relac\u0327a\u0303o a\u0300 qual Lacan na\u0303o hesitava em chamar de <em>sujeira [saloperie]. <\/em>Essa diferenc\u0327a esta\u0301 sempre conectada a uma sujeira que contrai\u0301mos do discurso do Outro e que repelimos, da qual na\u0303o queremos saber. Ha\u0301 um matema para isso, o objeto <em>a. <\/em>Na pra\u0301tica, pore\u0301m, na\u0303o se pode nunca deduzi-lo, ele se apresenta. Ha\u0301 um matema, ou seja, um assunto de geometria, mas, na pra\u0301tica e\u0301, sempre, uma <em>coisa de fineza. <\/em>So\u0301 se capta de um relance, quando, ao final de um tempo para compreender, uma certeza se precipita e se condensa num <em>\u00c9 isso. <\/em>Sem du\u0301vida, eventualmente, mais de uma vez. Mas, enfim, enquanto voce\u0302s na\u0303o obtiverem um <em>E\u0301 isso, <\/em>na\u0303o adianta brincar de fazer o passe. O que Lacan chamava de <em>passe <\/em>requeria a captac\u0327a\u0303o de um <em>E\u0301 isso <\/em>na sua singularidade. Enquanto voce\u0302s pensarem pertencer a uma categoria, renunciem a tentar o passe.\u201d (p.35)<\/p>\n<p><strong>Terceira li\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>\u201cE\u0301 bonito dizer <em>falar a li\u0301ngua do Outro. <\/em>Mas e\u0301 preciso comec\u0327ar aprendendo a li\u0301ngua do Outro. Em ana\u0301lise, voce\u0302s partem, primeiro, do fato de que lhes falam uma li\u0301ngua estrangeira e de que aquilo que voce\u0302s podem dizer e\u0301 tambe\u0301m uma li\u0301ngua estrangeira para seu paciente. Portanto, e\u0301 preciso tempo para que lhes venha o sentido da li\u0301ngua do Outro. E\u0301 o que significa o aforismo de Lacan, segundo o qual <em>a interpretac\u0327a\u0303o visa a\u0300 causa do desejo.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Significa que a interpretac\u0327a\u0303o visa ao gozo, ou, mais precisamente, ao mais-gozar, que e\u0301 o princi\u0301pio e a mola do sentido. Na interpretac\u0327a\u0303o na\u0303o se trata somente de substituir um sentido por outro, num quiproquo\u0301. Trata-se de diferenciar esse quiproquo\u0301 para, por algum vie\u0301s, mirar, fazer ressoar, vibrar o gozo que mante\u0301m fechado, se me permitem, o <em>na\u0303o quero saber nada disso <\/em>do sujeito, de maneira a faze\u0302-lo ceder um pouquinho do gozo deste seu <em>na\u0303o quero saber nada disso.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O aforismo de Lacan surpreende porque se pensa que a interpreta\u00e7\u00e3o visa ao significante, visa a\u0300 fala. Esse aforismo, por\u00e9m, assinala que a interpreta\u00e7\u00e3o visa a aqu\u00e9m dela.\u201d (p. 52-53)<\/p>\n<p><strong>D\u00e9cima quinta li\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>\u201cAqui, nesse ponto, introduz-se uma negatividade. Na\u0303o no ni\u0301vel do <em>se goza. <\/em>A negatividade introduz-se no ni\u0301vel do <em>onde. <\/em>Isso se goza, pore\u0301m, na\u0303o se deveria gozar isso assim. Ou seja: no gozo que na\u0303o mente ha\u0301 uma interfere\u0302ncia da verdade mentirosa. Enta\u0303o, aqui, o que opera o significante? \u00c9 que ali onde na\u0303o h\u00e1 significante na\u0303o se pode ter certeza de haver gozo. Deve-se ent\u00e3o supor que o significante na\u0303o tenha apenas efeitos de significado, mas tamb\u00e9m efeitos de gozo, que seriam semelhantes a que\u0302? Ao que encontramos nos sinos quando se produz uma fissura: a cada vez que se bate o carrilha\u0303o, continua-se escutando a fenda do sino.<\/p>\n<p>Pois bem, o gozo \u00e9 fissura do sino.<\/p>\n<p>Se a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 medida pelo gozo, ent\u00e3o ela \u00e9 solicitada n\u00e3o por seus efeitos de sentido, mas por seus efeitos de gozo.<\/p>\n[\u2026], ent\u00e3o somos for\u00e7ados a elaborar a interpreta\u00e7\u00e3o como um modo de dizer especial, um modo de dizer que na\u0303o e\u0301 da dimensa\u0303o do significante, na\u0303o e\u0301 da dimensa\u0303o da verdade, mas acentua, no significante, a materialidade, o som.\u201d (p. 203)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Laurent, E. (2007). <em>A Sociedade do sintoma a psican\u00e1lise, hoje<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa.<\/span> <\/strong><\/p>\n<p><strong>IV Incid\u00eancias da psican\u00e1lise na sociedade contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0O analista cidad\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs analistas t\u00eam de passar da posi\u00e7\u00e3o de especialistas da desidentifica\u00e7\u00e3o para a de analista cidad\u00e3o. Um analista cidad\u00e3o no sentido que esse termo pode ter na moderna teoria democr\u00e1tica. Os analistas precisam entender que h\u00e1 comunh\u00e3o de interesses entre o discurso anal\u00edtico e a democracia, e precisam entend\u00ea-lo verdadeiramente! H\u00e1 que se passar do analista reservado, cr\u00edtico, a um analista que participa, a um analista sens\u00edvel \u00e0s formas de segrega\u00e7\u00e3o, a um analista capaz de entender qual foi sua fun\u00e7\u00e3o e qual lhe corresponde agora.\u201d (p.143)<\/p>\n<p>\u201cNesse sentido, o analista, mais que um lugar vazio, \u00e9 aquele que ajuda a civiliza\u00e7\u00e3o a respeitar a articula\u00e7\u00e3o entre normas e particularidades individuais. O analista, mais al\u00e9m das paix\u00f5es narc\u00edsicas das diferen\u00e7as, tem de ajudar, junto de outros, sem pensar que \u00e9 o \u00fanico que est\u00e1 nessa posi\u00e7\u00e3o. Assim, com outros, h\u00e1 de contribuir para que n\u00e3o se esque\u00e7a, em nome da universalidade ou de qualquer outro universal, tanto humanista quanto anti-humanista, a particularidade de cada um. [&#8230;] Dito de outro modo, \u00e9 preciso recordar que n\u00e3o se deve tirar de algu\u00e9m sua particularidade, a fim de mistur\u00e1-lo com todos no universal, em raz\u00e3o de algum humanitarismo ou qualquer outro motivo.\u201d (p. 144-145)<\/p>\n<p>\u201cOs analistas devem opinar sobre coisas precisas, a come\u00e7ar pelo campo das psicoterapias, a partir do qual se pode incidir de certo modo na sa\u00fade mental, e isso sem esquecer as novas formas de considera\u00e7\u00e3o ou transforma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos ideais, mais precisamente, do pai como ideal.\u201d (p. 147)<\/p>\n<p><strong>\u00a0A sociedade do sintoma<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Trata-se, sobretudo, de suportar a inconsist\u00eancia do Outro, sua aus\u00eancia de garantias, sem ceder ao imperativo de gozo do supereu. O importante n\u00e3o \u00e9 o aparente al\u00edvio do sujeito, mas o peso de sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo. Quando o sujeito est\u00e1 aliviado dos deveres da cren\u00e7a, como gozar sem que isso seja sua \u00fanica obriga\u00e7\u00e3o? O psicanalista deve permanecer at\u00f3pico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corrente principal da civiliza\u00e7\u00e3o que o arrasta. Ele n\u00e3o se contenta em encantar-se com a \u201clibera\u00e7\u00e3o\u201d dos costumes, pois percebe o seu avesso, o novo imp\u00e9rio do gozo.\u201d (p. 171-172)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. H\u00e1, portanto, dois tipos de rela\u00e7\u00e3o com o gozo, ambos necess\u00e1rios: querer mais gozo e querer a particularidade do sintoma. Tamb\u00e9m seria insensato atacar, de cabe\u00e7a baixa, o hedonismo de massa e o fetichismo da mercadoria generalizada. Dependemos dos objetos e das fantasias <em>ready made<\/em> fornecidas pela civiliza\u00e7\u00e3o, para deles extrairmos uma mais-valia de gozo. Dizer \u201cn\u00e3o\u201d consiste em impedir que o <em>pronto-para-gozar<\/em> generalizado n\u00e3o esteja \u00e0 escuta da particularidade de nosso sintoma. Seu envelope formal \u00e9 contingente, n\u00e3o pertence a todos. Nesses termos, a serenidade do sujeito \u201cigual em presen\u00e7a dos objetos de gozo\u201d \u00e9 n\u00e3o perder de vista a singularidade do caminho que lhe \u00e9 pr\u00f3prio.\u201d (p. 173)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Trata-se de indicar a via pela qual se pode viver o que n\u00e3o pode ser vivido do n\u00e3o-todo. O insuport\u00e1vel do sintoma pode se transformar em ponto de apoio para que o sujeito reinvente seu lugar no Outro. Essa inven\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o sup\u00f5e fazer existir o Um desse Outro. O Outro do sintoma \u00e9 despeda\u00e7ado. Os tipos de sintoma se distribuem em s\u00e9ries justapostas, d\u00edspares, sem constituir mundos, civiliza\u00e7\u00f5es-unas. Em um sentido, contudo, o sintoma depende da civiliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 novos sintomas toda vez que os significantes mestres se deslocam no Outro.\u201d (p. 175)<\/p>\n<p>\u201cNesse sentido, o programa de a\u00e7\u00e3o do psicanalista pode ser nomeado com a f\u00f3rmula: fazer acreditar no sintoma. Encontrar a forma de endere\u00e7ar-se \u00e0 ang\u00fastia do sujeito \u00e9 faz\u00ea-lo entender que os sintomas in\u00e9ditos de nossa civiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o leg\u00edveis. E eles o s\u00e3o a partir do estranho uso que o discurso psicanal\u00edtico faz do significante mestre. A psican\u00e1lise desencanta da boa maneira.\u201d (p. 176)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Assim, continuamos a nos inspirar na \u00e9tica da psican\u00e1lise, que visa tornar o mundo poss\u00edvel para um sujeito, ao lhe revelar o quanto os reflexos de <em>lal\u00edngua<\/em> j\u00e1 correm pelas ruas. O inconsciente que est\u00e1 a\u00ed \u00e9 um saber-fazer com <em>lal\u00edngua<\/em> e continua a assegurar o sujeito de uma nova certeza. Ele pode se virar com isso t\u00e3o bem quanto cr\u00ea faz\u00ea-lo com a imagem do seu corpo. Lacan opunha a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria do corpo \u00e0 de acontecimento de corpo. A captura do sujeito por sua imagem produz a sociedade do espet\u00e1culo. Ela se fundamenta na pseudogarantia de que a ess\u00eancia do sujeito estaria a\u00ed. Reduzir o Nome-do-Pai a um sintoma (Lacan, 1975-6: aula de 18 de novembro de 1975) \u00e9 fazer do sintoma o fundamento da sustenta\u00e7\u00e3o do Outro. A \u00e9tica da psican\u00e1lise \u00e9 a de uma \u201csociedade do sintoma\u201d.\u201d (p. 177)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Brousse, M-H. (2002\/2018). <em>O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica.<\/em> 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.<\/span> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeira confer\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p><strong>O analista e o pol\u00edtico: \u201cAlcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca\u201d <\/strong><\/p>\n<p>\u201cDiferentemente, a psican\u00e1lise \u2013 por considerar o monstruoso n\u00e3o como uma particularidade de alguns e sim como encontr\u00e1vel em todos os humanos, mesmo que com modalidades diferentes, mas certamente para todos \u2013 coloca ent\u00e3o no centro do sujeito um ponto de horror que o faz vacilar. Eis a\u00ed o retrato de Freud, aquele que n\u00e3o recuou diante disso, diante do horror. Podemos dizer que cada analista n\u00e3o deve recuar diante do horror, pois, dessa maneira, o mais horr\u00edvel \u00e9 o mais humano e, portanto, pass\u00edvel de ser analisado. Isso conduz a pensar a rela\u00e7\u00e3o entre o analista e o pol\u00edtico n\u00e3o apenas na vertente do saber, mas na vertente do ato, ou seja, a forma de responder atrav\u00e9s do ato a esse ponto central. Da\u00ed a necessidade de rever a no\u00e7\u00e3o de neutralidade anal\u00edtica.\u201d (p. 31-32)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A meu ver, \u00e9 isso que d\u00e1 ao analista o dever de pol\u00edtica: devolver ao sujeito a escolha, a escolha de decidir, ou melhor, a escolha decidida dessa rela\u00e7\u00e3o com o significante-mestre.\u201d (p.35)<\/p>\n<p><strong>Segunda confer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>A psican\u00e1lise no tempo dos \u201cmercados comuns e dos processos de segrega\u00e7\u00e3o\u201d <\/strong><\/p>\n<p>\u201cA cl\u00ednica mostra que querer atribuir ao pai essa fun\u00e7\u00e3o de significante-mestre, j\u00e1 que \u00e9 o significante que regula e produz gozo \u2013 ou melhor, que gerencia, que administra o gozo \u2013, n\u00e3o corresponde ao real que a experi\u00eancia anal\u00edtica imp\u00f5e, quer seja a experi\u00eancia das psicoses, das neuroses ou das pervers\u00f5es.<\/p>\n<p>O que mostra a cl\u00ednica? Que n\u00e3o conseguimos nos livrar do gozo atribuindo-o ao pai ou ao mestre. E, de fato, o gozo, as experi\u00eancias de gozo, a satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o, portanto, separam o saber da verdade.\u201d (p. 51)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A pol\u00edtica da psican\u00e1lise, que \u00e9 de nossa responsabilidade, nos levar\u00e1 a nos interrogarmos sobre a pol\u00edtica, sobre a vida p\u00fablica em geral, assim como a economia, isto \u00e9, inscrever nossa pr\u00e1tica, nossa cl\u00ednica no contexto que a determina.\u201d (p. 70)<\/p>\n<p><strong>Terceira confer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>O futuro da psican\u00e1lise depende da \u201cinsist\u00eancia do real\u201d <\/strong><\/p>\n<p>\u201cDe maneira precisa, o futuro da psican\u00e1lise est\u00e1 ligado ao fracasso do atendimento \u00e0 demanda terap\u00eautica na medida em que damos \u00e0 \u00a0terap\u00eautica o sentido de satisfa\u00e7\u00e3o do mestre em sua rela\u00e7\u00e3o com o real. O futuro da psican\u00e1lise, portanto, \u00e9 o de permanecer sintoma. Mas sintoma de qu\u00ea? Aqui Lacan nos mostra que o la\u00e7o vital da psican\u00e1lise \u00e9 com o real e n\u00e3o com o simb\u00f3lico.\u201d (p. 91)<\/p>\n<p>\u201cConcluindo, o futuro da psican\u00e1lise, me parece, depende de sua capacidade de implementar essa nova alian\u00e7a do real com o semblante e de mostrar que o gozo como tal n\u00e3o existe para um falasser. Nossa civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 atualmente caracterizada pela passagem ao ato e tamb\u00e9m pelo <em>acting-out<\/em>. Nela, a meu ver, a psican\u00e1lise tem a fun\u00e7\u00e3o de apresentar-se como uma pr\u00e1tica do ato. Um ato consiste em colocar-se, o pr\u00f3prio ato, de acordo com o texto e tamb\u00e9m em colocar o sentido conforme o texto.\u201d (p. 92)<\/p>\n<p><strong><em>P\u00e8re version, Perversion, P\u00e8re-formance<\/em><\/strong><strong>. A fun\u00e7\u00e3o paterna \u00e0 prova de equivocidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]? Proponho-lhes considerar que fazer de uma mulher objeto <em>a<\/em> que causa seu desejo \u00e9 fazer dessa mulher o objeto da fantasia que \u00e9, efetivamente, sempre perversa. Por a\u00ed mesmo \u2013 e n\u00e3o pela Lei \u2013 se produz um limite ao gozo, uma vez que a fantasia \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o que instaura um ordenamento e localiza, na fixidez de um dispositivo, o sujeito e o objeto. Ligar o pai \u00e0 Pai-vers\u00e3o \u00e9 mostrar que a fun\u00e7\u00e3o paterna n\u00e3o se apoia na lei e no ideal do eu, mas na fantasia do pai carnal, que coloca em seu cen\u00e1rio sexual uma mulher em posi\u00e7\u00e3o de objeto.\u201d (p. 113)<\/p>\n<p><strong>Democracias sem Pai <\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. A tese segundo a qual \u201ca pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente\u201d \u00e9 freudiana e reenvia sempre, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ao pai. A outra formula\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o reconduz ao pai, mas ao discurso do Outro barrado e \u00e0 quest\u00e3o da verdade \u2013 o tratamento anal\u00edtico nos faz toc\u00e1-la com o dedo \u2013, que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o incompleta e modificante, ou seja, dividida.\u201d (p. 131)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Bassols I Puig, M. (2015)<em> A psican\u00e1lise, a ci\u00eancia, o real<\/em>. Rio de Janeiro: Ed. Contracapa.<\/span> <\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> CI\u00caNCIA, DESEJO, FEMINIDADE<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O inconsciente, feminino, e a ci\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. Nenhum resultado cient\u00edfico pode definir a sede da linguagem. A outra impossibilidade nas ci\u00eancias modernas concerne \u00e0 consci\u00eancia: o sujeito cartesiano, fundamento da ci\u00eancia, n\u00e3o pode ser encontrado no sistema nervoso. Linguagem e consci\u00eancia s\u00e3o, portanto, os dois signos, na ci\u00eancia moderna, de um real que n\u00e3o pode ser localizado, mensurado.\u201d (p. 147)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. O sonho freudiano da mancha branca se inscreve justo no centro, no umbigo da ci\u00eancia moderna, para retornar de mil e uma maneiras em cada uma de suas escritas. Era essa a raz\u00e3o que levava Lacan a falar do sujeito foraclu\u00eddo pela ci\u00eancia, uma vez que se trata de um sujeito que retorna de uma maneira ou de outra no sintoma da ci\u00eancia moderna.\u201d (p. 150)<\/p>\n<p>\u201cEm seu discurso de Roma, Lacan afirmou: \u201ca ci\u00eancia avan\u00e7a sobre o real, ao reduzi-lo ao sinal.\/ Mas ela tamb\u00e9m reduz o real ao mutismo\u201d (Lacan, 1953a: 136-7). Assim, quanto mais a ci\u00eancia ganha, avan\u00e7a sobre seu real, em que tudo parece escrito, mas esse real n\u00e3o cessa de se escrever, mais esse real permanece mudo, mais ele se torna sem sentido, mais o sujeito do significante e do gozo \u00e9 foraclu\u00eddo para retornar como resposta do real; e mais a psican\u00e1lise encontra seu sujeito confrontado com o real do inconsciente, com seu pr\u00f3prio real, que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever. Quanto mais a ci\u00eancia avan\u00e7a em seus impasses, mais se encontra o sujeito como resposta do real.\u201d (p. 155)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;]. O inconsciente freudiano \u00e9 o apagamento de todo tra\u00e7o operado pelo significante, \u00e9 a p\u00e1gina em branco. O que resta, o que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever nesse apagamento, \u00e9 o \u201cinconsciente real\u201d, como Lacan o indicou uma vez em seu \u00faltimo ensino e Jacques-Alain Miller o fincou, para us\u00e1-lo como base de uma maneira inteiramente nova de ler Lacan, valendo-se dessa b\u00fassola.\u201d (p. 156)[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Marcadores de leitura<\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 831-833.<\/span><\/h3>\n<h6>K\u00e1tia Ribeiro Nadeau (Associada \u00e0 CLIPP)<\/h6>\n<p>O sujeito subvertido \u00e9 aquele que se assujeita \u00e0 lei do significante.<\/p>\n<p>Lacan prop\u00f5e neste texto a id\u00e9ia de que existe um lugar a partir do qual se fala, estruturado a partir dos elementos estruturais (i(a) a imagem especular, o Outro, a demanda, a castra\u00e7\u00e3o, o desejo, o significante da falta no Outro, o gozo, a fantasia, o ponto de basta, o eu e o I(A) o ideal do eu) que permitem discernir a posi\u00e7\u00e3o do sujeito com uma articula\u00e7\u00e3o significante ordenados no grafo do desejo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-subversao-do-sujeito-e-dialetica-do-desejo-no-inconsciente-freudiano\/\">Leia +<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre \u201cDo \u201cTrieb\u201d de Freud e do desejo do psicanalista\u201d. In\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 865-868.<\/span><\/h3>\n<h6>Jos\u00e9 Wilson R. Braga J\u00fanior<\/h6>\n<p>Minha pontua\u00e7\u00e3o est\u00e1 centrada no questionamento de Lacan: \u201c<em>Qual pode ser o desejo do analista? Qual pode ser o tratamento a que ele se dedica?<\/em>\u201d, no texto-resumo de um col\u00f3quio realizado em Roma, algumas semanas ap\u00f3s sua \u201c<em>excomunh\u00e3o<\/em>\u201d da IPA e dias antes de retomar seu semin\u00e1rio, numa cr\u00edtica a uma t\u00e9cnica \u201c<em>psicologizante<\/em>\u201d voltada para os \u201c<em>bons sentimentos<\/em>\u201d. O desejo do analista vem aqui <em>subverter<\/em> a no\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o do analista como neutralidade benevolente ou indiferen\u00e7a \u2013 esta crucial na escuta anal\u00edtica, mas n\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre <em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p.160 e 169.<\/span><\/h3>\n<h6>Silvia Jacobo<\/h6>\n<p>A passagem da mitologia pulsional \u00e0 puls\u00e3o como conceito fundamental traz como consequ\u00eancia a promo\u00e7\u00e3o do gozo na estrutura mesma do inconsciente: a realidade do inconsciente \u00e9 a realidade sexual. Lacan compara a puls\u00e3o com uma montagem \u00e0 maneira da colagem surrealista e procede a sua desmontagem. A puls\u00e3o n\u00e3o cessa, \u00e9 sempre parcial, o mist\u00e9rio do encontro da palavra com o corpo faz que a sexualidade participe da vida ps\u00edquica em conson\u00e2ncia com a estrutura de hi\u00e2ncia que \u00e9 a do inconsciente. O inconciente \u00e9 trope\u00e7o, discontinuidade, falha, borda diante do real da sexualidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-seminario-livro-11%c2%b9\/\">Leia +<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre \u201cAs puls\u00f5es e seus destinos\u201d. <em>Obras incompletas de Sigmund Freud<\/em><strong>.\u00a0Belo Horizonte: Aut\u00eantica Ed., 2017, p.23-24 e 33.<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Fernanda Cristina Gomes de Carvalho (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>Logo no in\u00edcio do artigo <em>As puls\u00f5es e seus destinos<\/em>, Freud chama a puls\u00e3o de \u201cconceito fundamental\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>, a qual atua como uma \u201cfor\u00e7a constante\u201d no \u201cinterior do organismo\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>. Em seguida acentua que a puls\u00e3o \u00e9 uma exig\u00eancia de trabalho imposta \u00e0 mente em virtude de sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/5147-2\/\">Leia +<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d. In\u00a0<em>Hist\u00f3ria de uma neurose infantil: (\u201cO homem dos Lobos\u201d): Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos (1917-1920).<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p.204, 224, 228, 238.<\/span><\/h3>\n<h6>Fl\u00e1via Corpas (Associada ao CLIN-a)<\/h6>\n<p>\u201cO que n\u00e3o podemos alcan\u00e7ar voando, devemos alcan\u00e7ar claudicando\u201d.<\/p>\n<p>Assim termina <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer <\/em>que, segundo Lacan, Freud escreveu para \u201creencontrar o sentido de sua experiencia\u201d. Dos impasses colocados pela repeti\u00e7\u00e3o dos sonhos nas neuroses traum\u00e1ticas, passando pelo famoso <em>fort-da<\/em>, Freud chega a algo que insiste e se manifesta no tratamento psicanal\u00edtico, podendo ser observado nos sonhos, nos jogos infantis e na an\u00e1lise&#8230;<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-alem-do-principio-do-prazer\/\">Leia +<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;vista_blue&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 02<\/span><\/h3>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Lacan, J. (1960\/1998). \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 807-842.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>\u201cO biologismo de Freud nada tem a ver com a abje\u00e7\u00e3o pregadora que lhe chega \u00e0s lufadas da o\ufb01cina psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p>E seria preciso fazer voc\u00eas vivenciarem o instinto de morte que ali se abomina para coloc\u00e1-los no diapas\u00e3o da biologia de Freud. Pois eludir o instinto de morte da sua doutrina \u00e9 desconhec\u00ea-la em car\u00e1ter absoluto.<\/p>\n<p>Pela abordagem que lhes preparamos, reconhe\u00e7am na met\u00e1fora do retorno ao inanimado, do qual Freud reveste todo corpo vivo, a margem para-al\u00e9m da vida que a linguagem assegura ao ser pelo fato de ele falar, e que \u00e9 justamente aquela em que esse ser investe na posi\u00e7\u00e3o de signi\ufb01cante n\u00e3o somente o que se presta\u00a0 a isso em seu corpo, por ser permut\u00e1vel, mas esse pr\u00f3prio corpo. Onde se evidencia ent\u00e3o que a rela\u00e7\u00e3o do objeto com o corpo n\u00e3o se de\ufb01ne, de modo algum, como sendo de uma identi\ufb01ca\u00e7\u00e3o parcial que devesse totalizar-se nele, uma vez que, ao contr\u00e1rio, esse objeto \u00e9 o prot\u00f3tipo da dota\u00e7\u00e3o de sentido do corpo como piv\u00f4 do ser.\u201d (p. 817)<\/p>\n<p>\u201cMas, se nosso grafo completo nos permite situar a puls\u00e3o como tesouro dos significantes, sua nota\u00e7\u00e3o como (S\/&lt;&gt;a) mant\u00e9m sua estrutura, ligando-a \u00e0 diacronia. Ela \u00e9 o que adv\u00e9m da demanda quando o sujeito a\u00ed desvanece. Que a demanda tamb\u00e9m desaparece \u00e9 evidente, exceto que resta o corte, pois este continua presente no que distingue a puls\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que ela habita: ou seja, seu artif\u00edcio gramatical, muito patente nas revers\u00f5es de sua articula\u00e7\u00e3o com a fonte e com o objeto (Freud quanto a isso, \u00e9 inesgot\u00e1vel).\u201d (p. 831-32)<\/p>\n<p>\u201cO que o grafo nos prop\u00f5e agora situa-se no ponto em que toda cadeia significante se honra ao fechar sua significa\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 preciso esperar tal efeito da enuncia\u00e7\u00e3o inconsciente, \u00e9 aqui em S (A barrado), e h\u00e1 que l\u00ea-lo: significante de uma falta no Outro, inerente \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o mesma de ser o tesouro do significante. Isso, na medida em que o Outro \u00e9 solicitado (<em>che vuoi<\/em>) a responder pelo valor desse tesouro, isto \u00e9, a responder, certamente, de seu lugar na cadeia inferior, mas nos significantes que constituem a cadeia superior, ou seja, em termos de puls\u00e3o.\u201d (p. 832-833)<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Lacan, J. (1964\/1998). \u201cDo \u201cTrieb\u201d de Freud e do desejo do psicanalista\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 865-868.<\/span> <\/strong><\/h4>\n<p>\u201c\u2026 o desejo vem do Outro, e o gozo est\u00e1 do lado da Coisa.<\/p>\n<p>O que o sujeito recebe dele de esquartejamento pluralizante, eis ao que se aplica a segunda t\u00f3pica de Freud. Mais uma oportunidade para n\u00e3o se ver o que deveria impressionar nela: que as identifica\u00e7\u00f5es determinam-se ali pelo desejo, sem satisfazer a puls\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso porque a puls\u00e3o divide o sujeito e o desejo, o qual s\u00f3 se sustenta pela rela\u00e7\u00e3o, que ele desconhece, dessa divis\u00e3o com um objeto que a causa. Tal \u00e9 a estrutura da fantasia.<\/p>\n<p>Por conseguinte, qual pode ser o desejo do analista? Qual pode ser o tratamento a que ele se dedica?\u201d (p. 867)<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Lacan, J. (1964\/1985). <em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.<\/span> <\/strong><\/h4>\n<p>\u201cSe Freud nos faz esta observa\u00e7\u00e3o de que o objeto na puls\u00e3o n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia, \u00e9 provavelmente porque o seio deve ser revisado por inteiro quanto \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o de objeto.<\/p>\n<p>A esse seio, na sua fun\u00e7\u00e3o de objeto, de objeto <em>a<\/em> causa do desejo , tal como eu trago sua no\u00e7\u00e3o \u2013 devemos dar uma fun\u00e7\u00e3o tal que pud\u00e9ssemos dizer seu lugar na satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o. A melhor f\u00f3rmula nos parece ser esta \u2013 que a puls\u00e3o o contorna. Encontraremos sua aplica\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito de outros objetos. Contorna, devendo ser tomado aqui com a ambiguidade que lhe d\u00e1 a l\u00edngua portuguesa, ao mesmo tempo <em>turn<\/em>, borda em torno da qual se d\u00e1 a volta, e <em>trick<\/em>, volta de uma escamotea\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 160)<\/p>\n[&#8230;] \u00c9 preciso bem distinguir a volta em circuito de uma puls\u00e3o do que aparece &#8211; mas tamb\u00e9m por n\u00e3o aparecer, &#8211; num terceiro tempo. Isto \u00e9, o aparecimento de <em>ein neues Subjekt<\/em> que \u00e9 preciso entender assim &#8211; n\u00e3o que ali houvesse um, a saber, o sujeito da puls\u00e3o, mas que \u00e9 novo ver aparecer um sujeito. Esse sujeito, que \u00e9 propriamente o outro, aparece no que a puls\u00e3o p\u00f4de fechar seu curso circular. \u00c9 somente com sua apari\u00e7\u00e3o no n\u00edvel do outro que pode ser realizado o que \u00e9 da fun\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o.\u201d (p. 169)<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Freud, S (1915\/2017). \u201cAs puls\u00f5es e seus destinos\u201d. <em>Obras incompletas de Sigmund Freud<\/em>.\u00a0 Belo Horizonte: Aut\u00eantica Ed., p. 15-69.<\/span> <\/strong><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cVoltando-nos agora do lado biol\u00f3gico \u00e0 observa\u00e7\u00e3o a partir da vida an\u00edmica, ent\u00e3o nos aparece a \u201cpuls\u00e3o\u201d como um conceito fronteiri\u00e7o entre o an\u00edmico e o som\u00e1tico, como representante ps\u00edquico dos est\u00edmulos oriundos do interior do corpo que alcan\u00e7am a alma, como uma medida da exig\u00eancia de trabalho imposto ao an\u00edmico em decorr\u00eancia de sua rela\u00e7\u00e3o com o corporal.\u201d (p. 23-24)<\/p>\n<p>\u201cPara uma classifica\u00e7\u00e3o geral das puls\u00f5es sexuais podemos dizer o seguinte: s\u00e3o numerosas, adv\u00e9m de m\u00faltiplas fontes org\u00e2nicas, agem inicialmente de forma independente umas das outras e s\u00f3 depois se re\u00fanem em uma s\u00edntese mais ou menos acabada. A meta a que cada uma delas aspira \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do prazer do \u00f3rg\u00e3o.\u201d (p. 33)<\/p>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Freud, S. (1920\/2010). \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d. In <em>Hist\u00f3ria de uma neurose infantil: (\u201cO homem dos Lobos\u201d): Al\u00e9m do principio do prazer e outros textos (1917-1920).<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, p. 161-239.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Seria contr\u00e1rio \u00e0 natureza conservadora dos instintos que o objetivo da vida fosse um estado nunca antes alcan\u00e7ado. Ter\u00e1 de ser, isto sim, um velho estado inicial, que o vivente abandonou certa vez e ao qual ele se esfor\u00e7a por voltar, [&#8230;]. Se \u00e9 l\u00edcito aceitarmos, como experi\u00eancia que n\u00e3o tem exce\u00e7\u00e3o, que todo ser vivo morre por raz\u00f5es <em>internas<\/em>, retorna ao estado inorg\u00e2nico, ent\u00e3o s\u00f3 podemos dizer que <em>o objetivo de toda vida \u00e9 a morte<\/em>, e, retrospectivamente, que <em>o inanimado existia antes que o vivente.<\/em>&#8221; (p. 204)<\/p>\n<p><strong>VI.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Partimos de uma n\u00edtida separa\u00e7\u00e3o entre instintos do Eu = instintos de morte e instintos sexuais = instintos de vida. Dispusemo-nos a incluir os chamados instintos de autoconserva\u00e7\u00e3o entre os instintos de morte, algo que depois retificamos. Desde o princ\u00edpio nossa concep\u00e7\u00e3o era <em>dualista<\/em>, e hoje \u00e9 mais claramente dualista do que antes, desde que n\u00e3o mais denominamos os opostos instintos do Eu e instintos sexuais, mas instintos de vida e de morte.&#8221; (p. 224)<\/p>\n<p>&#8220;O fato de havermos reconhecido como tend\u00eancia dominante da vida ps\u00edquica, talvez da pr\u00f3pria vida dos nervos, o esfor\u00e7o de diminuir, manter constante, abolir a tens\u00e3o interna dos est\u00edmulos [&#8230;], tal como se exprime no princ\u00edpio do prazer &#8211; \u00e9 um dos nossos mais fortes motivos para crer na exist\u00eancia de instintos de morte.&#8221; (p. 228)<\/p>\n<p><strong>VII.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Nossa consci\u00eancia nos transmite, desde o interior, n\u00e3o apenas as sensa\u00e7\u00f5es de prazer e desprazer, mas tamb\u00e9m uma peculiar tens\u00e3o que pode ela mesma ser prazerosa ou desprazerosa. [&#8230;] Tamb\u00e9m nos chama a aten\u00e7\u00e3o que os instintos de vida tenham bem mais a ver com nossa percep\u00e7\u00e3o interna, pois se apresentam perturbando a paz, trazendo tens\u00f5es cuja elimina\u00e7\u00e3o \u00e9 sentida com prazer, enquanto os instintos de morte parecem realizar seu trabalho discretamente. O princ\u00edpio do prazer parece mesmo estar \u00e0 servi\u00e7o dos instintos de morte.&#8221; (p. 238)<\/p>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Miller, J.A. (1994-1995\/2005). <em>SILET<\/em> <em>Os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>\u201c[&#8230;] ali onde h\u00e1 recalque, ali onde o sujeito n\u00e3o \u00e9 identific\u00e1vel por um significante, ele pode ser circunscrito ao n\u00edvel da puls\u00e3o na presen\u00e7a do objeto.<\/p>\n<p>A puls\u00e3o aparece como vocabul\u00e1rio, l\u00e9xico, tesouro dos significantes \u2013 express\u00e3o preferida por Lacan para n\u00e3o encerrar a puls\u00e3o no imagin\u00e1rio da lista de elementos que encontramos no dicion\u00e1rio \u2013, da cadeia significante no inconsciente. Uma vez desbravado o aparato que envolve essa tese, \u201cA subvers\u00e3o do sujeito\u201d exp\u00f5e que o inconsciente fala em termos de puls\u00e3o.\u201d (p. 265-266)<\/p>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Miller, J-A. (Dezembro, 2004) Biologia lacaniana e acontecimentos de corpo. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana,<\/em> (41): p. 7-67.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>\u201c[&#8230;] h\u00e1 uma segunda condi\u00e7\u00e3o, que se junta \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de corpo, para que obtenhamos qualquer coisa como a condi\u00e7\u00e3o suficiente. \u00c9 a condi\u00e7\u00e3o de significante, se nos regularmos por esta f\u00f3rmula de Lacan, de que o significante \u00e9 causa do gozo.<\/p>\n<p>Eis a perspectiva &#8211; a vida condi\u00e7\u00e3o do gozo, a condi\u00e7\u00e3o de corpo, a condi\u00e7\u00e3o de significante &#8211; com a qual conto avan\u00e7ar nesta biologia lacaniana.\u201d (p.19)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Se o sintoma \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o, se ele \u00e9 gozo condicionado pela vida sob forma do corpo, isto implica que o corpo vivo \u00e9 prevalente em todo sintoma.\u201d (p.19)<\/p>\n<p>\u201cO que for\u00e7a Freud a pensar na morte como destino do vivo alcan\u00e7ado por uma repeti\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma tend\u00eancia para a morte? O que o for\u00e7a a introduzir esta concep\u00e7\u00e3o? O que for\u00e7a Freud a pensar nisso, diz Lacan, n\u00e3o \u00e9 a morte dos seres vivos, mas o vivido humano, express\u00e3o que, mais ou menos, ele precisa como sendo a troca humana, a inter-subjetividade, o fato da l\u00edngua.\u201d (p. 21)<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #3366ff;\">Miller J.A.\u00a0(2000). \u201cEl lenguaje, aparato del goce\u201d In <em>Conferencias en Nueva York y Cursos en Par\u00eds<\/em>. Buenos Aires: Colecci\u00f3n, p.119-139.<\/span> <\/strong><\/h4>\n<p>\u201cLa pulsi\u00f3n es palabra<\/p>\n<p>Una vez aparejada la pulsi\u00f3n, la pulsi\u00f3n en el esquema de comunicaci\u00f3n, satisface tan poco las exigencias de dar cuenta de lo que se trata, que ya se hace necesaria esta extracci\u00f3n del concepto del goce. Y Lacan hace un agregado que concierne al goce en tanto tal, el goce como algo completamente diferente a aquello de lo que se trata en el concepto de pulsi\u00f3n. No habla para nada del goce como un mensaje que tiene su tesoro de significantes, su punto de almohadillado, etc. Tenemos un desarrollo sobre el goce como tal. Indudablemente, se las arregl\u00f3 al conectarlo especialmente sobre ese S(A barrado), ese punto de almohadillado.\u201d (p.131)<\/p>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Brousse, M-H. (1997). \u201cA puls\u00e3o I\u201d In\u00a0Feldstein, R., Fink e Jaanus, M. (orgs.) <em>Para ler o Semin\u00e1rio 11 de Lacan: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, p. 115-124.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>\u201cLogo, a pulsa\u00e7\u00e3o do inconsciente \u00e9 a demanda do Outro, e a realidade social est\u00e1 ligada \u00e0 demanda do Outro, sendo o desejo o resultado. De certo modo, Lacan prov\u00ea aqui uma nova articula\u00e7\u00e3o entre necessidade, puls\u00e3o e desejo, sendo a puls\u00e3o definida em termos de demanda do Outro. Em &#8220;Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo&#8221;, ele tamb\u00e9m enfatiza essa articula\u00e7\u00e3o entre puls\u00e3o, necessidade e desejo. N\u00e3o existe puls\u00e3o sem a demanda do Outro. E quando se introduz a demanda do Outro introduz-se o Outro como combinat\u00f3ria de significantes. Introduz-se tamb\u00e9m o princ\u00edpio do sacrif\u00edcio do gozo, introduz-se deste modo o desejo; porque o desejo se origina n\u00e3o do que se tem, mas daquilo que falta. \u00c9 por isso que Lacan diz, na \u00e9poca, que \u201ca puls\u00e3o nunca \u00e9 sen\u00e3o uma puls\u00e3o parcial (<em>Escritos<\/em> 1998, p. 863).\u201d (p. 123)<\/p>\n<h4><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>Laia, S. (Novembro, 2016) \u201cSubvers\u00e3o do sujeito&#8230;\u201d<\/strong><strong> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana,<\/em> (74): p. 68-71.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cA puls\u00e3o, por\u00e9m \u2013 termo-chave da cita\u00e7\u00e3o que nos serve aqui de t\u00edtulo \u2013 , n\u00e3o implica propriamente uma \u201cregularidade\u201d capaz de garantir uma \u201cordem\u201d como aquela que viria do Outro e, a meu ver, devido \u00e0 pluralidade e \u00e0 plasticidade concernentes \u00e0 sua montagem, \u00e9 apresentada, ent\u00e3o, como \u201ctesouro \u2018dos\u2019 significantes.\u201d(p.68)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cO modo como o que \u00e9 vivo ganha corpo nos investimentos pulsionais faz Lacan afirmar que o Outro \u2013 lugar no inicio do seu ensino e no primeiro patamar do grafo do desejo, associado a uma ordem e n\u00e3o propriamente a um corpo \u2013 \u00e9 requisitado a responder, \u201cem termos de puls\u00e3o\u201d, o que antes se encontrava como \u201ctesouro do significante\u201d. Nessa \u201crequisi\u00e7\u00e3o\u201d, \u2018uma dimens\u00e3o corporal\u2019 \u00e9 conferida ao Outro.\u201d (p. 69)<\/p>\n<p>\u201cA cita\u00e7\u00e3o-t\u00edtulo deste texto n\u00e3o deixa de ser uma esp\u00e9cie de antecedente, a meu ver, da defini\u00e7\u00e3o lacaniana das puls\u00f5es como \u201cno corpo, o eco do fato de que h\u00e1 um dizer\u201d. \u00c9 bem mais conhecida a formula\u00e7\u00e3o de que \u201co sujeito \u00e9 mais falado do que fala\u201d.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] se h\u00e1 Outro de onde prov\u00e9m esse \u201cdizer\u201d, trata-se de um Outro solicitado a responder \u201cem termos de puls\u00e3o\u201d, ou seja, em significantes referentes ao que se goza, ao que se satisfaz pulsionalmente e n\u00e3o ao que se \u00e9 sujeit\u00e1vel ou mesmo subjetiv\u00e1vel.[&#8230;]. Trata-se de um dizer que se imp\u00f5e \u2013 e n\u00e3o exatamente como um \u201cdiscurso\u201d \u2013 porque desarticula, dessubjetiva, a-cefaliza o \u201csujeito\u201d em quest\u00e3o, tal como em uma \u201ccolagem surrealista\u201d associada, por Lacan, \u00e0 \u201cmontagem da puls\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 decisivo ressaltar, na defini\u00e7\u00e3o apresentada no <em>Semin\u00e1rio 23, <\/em>que as puls\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o diretamente o \u201cfato de que h\u00e1 um dizer\u201d que toma o corpo como um \u201cparasita\u201d, uma \u201cexcrec\u00eancia\u201d, um \u201cc\u00e2ncer\u201d: elas s\u00e3o o eco relativo \u00e0 exist\u00eancia desse dizer.\u201d (p. 70)[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Marcadores de leitura<\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Subvers\u00e3o do sujeito<\/span><\/h3>\n<h6>Maria de Lourdes Mattos (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>Nesse texto, Lacan se prop\u00f5e a apresentar o que foi a subvers\u00e3o implementada por Freud. A discuss\u00e3o com a ci\u00eancia e a filosofia, sempre inclu\u00edda em seu ensino, ao mesmo tempo que fundamenta, marca a dist\u00e2ncia entre a psican\u00e1lise e as duas \u00e1reas, na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o saber.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/subversao-do-sujeito1\/\">Leia +<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre o escrito \u201cPosi\u00e7\u00e3o do inconsciente\u201d<\/span><\/h3>\n<h6>Milena Vicari Crastelo (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p><em>Posi\u00e7\u00e3o do inconsciente<\/em>, texto originado das interven\u00e7\u00f5es no Congresso de Bonneval, porta a marca do corte, o corte do tempo. Da interven\u00e7\u00e3o em 1960, at\u00e9 sua retomada em 64.<\/p>\n<p>Para comentar esta cita\u00e7\u00e3o, me sirvo do semin\u00e1rio 11, contempor\u00e2neo a este escrito, onde Lacan formaliza a articula\u00e7\u00e3o do inconsciente freudiano e a puls\u00e3o, uma nova alian\u00e7a entre significante e gozo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-escrito-posicao-do-inconsciente\/\">Leia +<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Coment\u00e1rio sobre \u201cO Chiste e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente\u201d<\/span><\/h3>\n<h6>Perp\u00e9tua Medrado (Aderente EBP-SP)<\/h6>\n<p>No texto, de 1905, Freud questiona a forma\u00e7\u00e3o dos sintomas neur\u00f3ticos e v\u00ea nos sonhos, atos falhos e chistes, mecanismos id\u00eanticos, estreitando o la\u00e7o entre o chiste e o inconsciente. Revela interesse no c\u00f4mico e conceitua o chiste como uma das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. Traz o exemplo do efeito c\u00f4mico de \u2018Familion\u00e1rio\u2019 em que parte da palavra \u2018familiar\u2019 \u00e9 condensada e desaparece, enquanto a outra se imiscui com a palavra \u2018milion\u00e1rio\u2019. O efeito depende da interpreta\u00e7\u00e3o da palavra sem sentido.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-chiste-e-sua-relacao-com-o-inconsciente\/\">Leia +<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;vista_blue&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 01<\/span><\/h3>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><b><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Lacan, J. Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano. In: Escritos, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1998, p. 807-842.<\/span><\/b><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201c[&#8230;] para deixar claro, para as finalidades de forma\u00e7\u00e3o que nos s\u00e3o pr\u00f3prias, o que acontece com a quest\u00e3o do sujeito, tal como a psican\u00e1lise propriamente a subverte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">O que nos qualifica para proceder por essa via \u00e9, evidentemente, nossa experi\u00eancia dessa pr\u00e1xis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u00c9 propriamente a subvers\u00e3o que tentaremos definir [&#8230;]\u201d. p. 808.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cUma vez reconhecida \u00e0 estrutura da linguagem no inconsciente, que tipo de sujeito podemos conceber-lhe?\u201d. p. 814.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cQual seja, a maneira certa de responder \u00e0 pergunta \u201cQuem est\u00e1 falando?\u201d, quando se trata do sujeito do inconsciente. Pois esta resposta n\u00e3o poderia provir dele, se ele n\u00e3o sabe o que diz e nem sequer o que est\u00e1 falando, como nos ensina a experi\u00eancia da an\u00e1lise\u201d. p. 815.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><b><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Lacan, J. Posi\u00e7\u00e3o do inconsciente no Congresso de Bonneval (1960, retomado em 1964). In: Escritos, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1998, p. 843-864.<\/span><\/b><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cO efeito de linguagem \u00e9 a causa introduzida no sujeito. Por esse efeito, ele n\u00e3o \u00e9 causa dele mesmo, mas traz em si o germe da causa que o cinde. Pois sua causa \u00e9 o significante sem o qual n\u00e3o haveria nenhum sujeito no real. Mas esse sujeito \u00e9 o que o significante representa, e este n\u00e3o pode representar nada sen\u00e3o para outro significante: ao que se reduz, por conseguinte, o sujeito que escuta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">Com o sujeito, portanto, n\u00e3o se fala. Isso fala dele [&#8230;]\u201d. p. 849.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cO sujeito, o sujeito cartesiano, \u00e9 o pressuposto do inconsciente, como demonstramos no devido lugar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">O Outro, \u00e9 a dimens\u00e3o exigida pelo fato de a fala se afirmar como verdade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">O inconsciente \u00e9, entre eles, seu corte em ato.\u201d p. 853.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><b><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Freud, S. (1905) O Chiste e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente. Obras Completas, volume 7. S\u00e3o Paulo: Companhia Das Letras, 2017.<\/span><\/b><\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">A. Parte Anal\u00edtica<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">I \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">[1]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201c\u00c9 significativa, pois, a descri\u00e7\u00e3o do chiste feita por Lipps. \u201cO chiste diz o que tem a dizer nem sempre em poucas, mas sempre em palavras de menos, isto \u00e9, em palavras que, segundo uma l\u00f3gica estrita ou o modo comum de pensar e falar, n\u00e3o seriam suficientes para diz\u00ea-lo. No fim das contas, ele pode inclusive dizer o que tem a dizer silenciando\u201d (Lipps, p. 90).\u201d p.23.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">C. Parte Te\u00f3rica<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">VI \u2013 A Rela\u00e7\u00e3o do Chiste com o Sonho e o Inconsciente<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">[&#8230;] \u201cO Chiste tem, de maneira destacada, a natureza de algo que nos \u201cocorre\u201d involuntariamente. Um minuto antes, digamos, n\u00e3o sabemos ainda o chiste que faremos, e que s\u00f3 precisar\u00e1 ser dotado de palavras.\u201d p. 239.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; color: #3366ff;\">Freud, S. (1900). A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, volume. V. Rio de Janeiro: Imago, 1996.<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">VII (E) &#8211; Os processos prim\u00e1rio e secund\u00e1rio- recalcamento<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cPortanto, somos levados a concluir que dois tipos fundamentalmente diferentes de processos ps\u00edquicos participam da forma\u00e7\u00e3o dos sonhos. Um deles produz pensamentos on\u00edricos perfeitamente racionais, com a mesma validade que o pensamento normal; j\u00e1 o outro trata esses pensamentos de um modo que \u00e9 excepcionalmente desconcertante e irracional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">Por conseguinte, tomamos da teoria da histeria a seguinte tese: uma cadeia de pensamento normal s\u00f3 \u00e9 submetida a esse tratamento ps\u00edquico anormal que vimos descrevendo quando um desejo inconsciente, derivado da inf\u00e2ncia e em estado de recalcamento, se transfere para ela.\u201d p. 623-24.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 sem inten\u00e7\u00e3o que falo em \u201cnosso\u201d inconsciente, pois o que assim descrevo n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que o inconsciente dos fil\u00f3sofos ou mesmo o inconsciente de Lipps. Neles, esse termo \u00e9 usado simplesmente para indicar um contraste com o consciente: a tese que eles contestam com tanto ardor e defendem com tanta energia \u00e9 a tese de que, \u00e0 parte os processos conscientes, h\u00e1 tamb\u00e9m processos ps\u00edquicos inconscientes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">Mas que papel resta em nosso esquema para a consci\u00eancia, outrora t\u00e3o onipotente e que ocultava tudo o mais? Apenas a de um \u00f3rg\u00e3o sensorial para a percep\u00e7\u00e3o de qualidades ps\u00edquicas.\u201d p. 639-40.<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4375&#8243; img_size=&#8221;large&#8221; alignment=&#8221;center&#8221; onclick=&#8221;custom_link&#8221; link=&#8221;http:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/ix-jornadas\/apresentacao-ix-jornadas\/&#8221;][vc_column_text] REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS E MARCADORES DE LEITURA Jornadas Fora da S\u00e9rie \u2013 Subvers\u00f5es \u2013 Boletim 05 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas Lacan, J. (1960\/1998). \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano\u201d. In Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 807-842. \u201cMas o que n\u00e3o \u00e9 mito, e que Freud no&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4377,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4423","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4423\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4377"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}