{"id":4296,"date":"2020-04-14T11:35:00","date_gmt":"2020-04-14T14:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=4296"},"modified":"2026-03-30T17:25:02","modified_gmt":"2026-03-30T20:25:02","slug":"biblioteca-em-tempo-real","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/biblioteca\/biblioteca-em-tempo-real\/","title":{"rendered":"Biblioteca em Tempo Real"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>BIBLIOTECA EM TEMPO <em>REAL<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Milena Vicari Crastelo \u2013 \u00a0EBP\/AMP\u00a0<b>(Diretora de Biblioteca EBP-SP 2019-2021)<\/b><\/strong><\/h6>\n<p>Como pensar o tempo em tempos do Coronav\u00edrus? Como manter o la\u00e7o mesmo em isolamento? Como se servir do virtual sem que ele substitua o encontro dos corpos?<\/p>\n<p>Muitas quest\u00f5es se colocaram desde que fomos invadidos pelo COVID-19 \u2013 inimigo invis\u00edvel, que chegou sem pedir licen\u00e7a, operando uma mudan\u00e7a radical em nossas vidas. Fazendo refer\u00eancia ao texto de Lacan de 1945: \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada\u201d<a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/biblioteca-em-tempo-real\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>, o instante de ver foi como um rel\u00e2mpago que imediatamente nos arremessou ao tempo para compreender.<\/p>\n<p>Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse em seu texto\u00a0<em>Os tempos do v\u00edrus<\/em>\u00a0se pergunta:<strong><em>\u00a0Diante do v\u00edrus, o que se passa?\u00a0<\/em><\/strong>E nos dir\u00e1: \u201cN\u00e3o se trata, portanto, de uma sucess\u00e3o cronol\u00f3gica que nivela o tempo como um\u00a0<em>continuum<\/em>. A \u00eanfase \u00e9 colocada sobre o que Lacan chama, ent\u00e3o, uma \u201cdescontinuidade tonal\u201d ou uma \u201csucess\u00e3o real\u201d, cada momento podendo ter ou n\u00e3o ter lugar, se resolver ou n\u00e3o, no seguinte. [\u2026] O tempo para compreender, de fato, exige uma reconfigura\u00e7\u00e3o de enquadres extremamente estreitos da realidade ps\u00edquica. Estes \u00faltimos permitem, em tempos normais, que os corpos falantes organizem sua vida cotidiana pela rotina de automatismos adquiridos a partir dos discursos que os constituem.\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/biblioteca-em-tempo-real\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Essa rotina foi abruptamente interrompida, quebrada, o Real mostrou sua face de maneira devastadora, n\u00e3o temos mais esse tempo para organizar nossa vida cotidiana, mas seguimos \u2013 operando com as inven\u00e7\u00f5es \u2013 fazendo uso da tecnologia, que pode nos aproximar, mesmo em isolamento, e permitir que algum la\u00e7o se fa\u00e7a, vamos inventando modos in\u00e9ditos e inusitados de fazer la\u00e7o.<\/p>\n<p>Nesses tempos que correm sem o encontro dos corpos, nossa biblioteca se coloca a trabalho, a partir do desejo de cada\u00a0<em>um<\/em>\u00a0dos que comp\u00f5em a comiss\u00e3o, trazendo suas elabora\u00e7\u00f5es e contribui\u00e7\u00f5es da leitura de textos de Freud, Lacan, de psicanalistas e tamb\u00e9m de outros campos do saber.<\/p>\n<p>Os textos circular\u00e3o na nossa Biblioteca em Tempo\u00a0<em>Real<\/em>\u00a0atrav\u00e9s das m\u00eddias digitais. Boa leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/biblioteca-em-tempo-real\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>\u00a0Lacan, Jacques. \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada. Um novo sofisma. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 197-213.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/biblioteca-em-tempo-real\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>\u00a0<em>\u00a0<\/em>Brousse, Marie-H\u00e9l\u00e8ne. \u201cOs tempos do v\u00edrus. In: Correio Express Extra n\u00b0 07, Abril de 2020, dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2020\/04\/04\/os-tempos-do-virus\/\">https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2020\/04\/04\/os-tempos-do-virus\/<\/a><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Reinventar a ideia de cont\u00e1gio: uma convoca\u00e7\u00e3o \u00e9tica<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Bianca Dias<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[*]<\/a><\/strong><\/h6>\n<p>Diante das imagens de horror que nos s\u00e3o arremessadas cotidianamente desde o in\u00edcio da pandemia, cabe uma pergunta que \u00e9 um chamado e um desvio: invocar o que h\u00e1 de sil\u00eancio nessas imagens e recuar frente ao excesso que delas prov\u00e9m, de forma a n\u00e3o sermos por elas destru\u00eddos.<\/p>\n<p>No ensaio \u201cSidera\u00e7\u00e3o\u201d, Marie-Jos\u00e9 Mondzain localiza o que ela chama de uma ind\u00fastria do espet\u00e1culo que anuncia e teatraliza o apocalipse. Como resistir estando diante do terror do inomin\u00e1vel ao que a autora denomina <em>uma esp\u00e9cie de imagem epil\u00e9ptica da pr\u00f3pria sociedade<\/em>?[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;Leia mais&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febp.org.br%2Fsp%2Freinventar-a-ideia-de-contagio-uma-convocacao-etica%2F|title:BIBLIOTECA%20EM%20TEMPO%20REAL||&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>5 CENT\u00cdMETROS POR SEGUNDO<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Niraldo de Oliveira Santos &#8211; <\/strong>EBP\/AMP<\/h6>\n<p>A Comiss\u00e3o de Biblioteca da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, determinada a manter palpitante nossa rela\u00e7\u00e3o com os livros em tempos de isolamento social decorrente do Covid-19, lan\u00e7ou a tarefa de escolhermos um texto e coment\u00e1-lo a partir do momento atual. Prontamente, escolhi o texto \u201c<em>Transitoriedade<\/em>\u201d (Freud, 1916), inserido no volume \u201cArte, literatura e os artistas\u201d, da editora Aut\u00eantica<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Trata-se de um pequeno texto no qual Freud descreve um passeio \u201cem meio a uma florescente paisagem de ver\u00e3o\u201d, na companhia de um conhecido poeta e de um amigo. Hoje sabemos que se tratava do poeta Rainer Maria Rilke, e que o amigo \u201ctaciturno\u201d era, na verdade, Lou Andreas Salom\u00e9, a companheira de Rilke, que tempos depois se tornou psicanalista. Este acontecimento se d\u00e1 em agosto de 1913, um ano antes da eclos\u00e3o da primeira guerra mundial.[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;Leia mais&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febp.org.br%2Fsp%2F5-centimetros-por-segundo%2F|title:BIBLIOTECA%20EM%20TEMPO%20REAL||&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>PERGUNTAS PARA OS TEMPOS DO V\u00cdRUS &#8211; O QUE PODEMOS EXTRAIR DE \u201cREFLEX\u00d5ES PARA OS TEMPOS DE GUERRA E MORTE\u201d, DE FREUD<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><em><strong>Fabiola Ramon &#8211; <\/strong><strong>EBP\/AMP<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>Esse tempo de compreender sobre o impacto do coronav\u00edrus, experimentado por nossa comunidade anal\u00edtica, nos leva at\u00e9 alguns textos de Freud. Um deles \u00e9 \u201cReflex\u00f5es para os tempos de guerra e morte\u201d (1915), composto por dois ensaios: \u201cA desilus\u00e3o da guerra\u201d e \u201c Nossa atitude para com a morte\u201d, escritos seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio da primeira guerra mundial (1914-1918), certamente tamb\u00e9m em um tempo de compreens\u00e3o da ruptura ocasionada pelo acontecimento mais brutal e mort\u00edfero vivido pela civiliza\u00e7\u00e3o ocidental desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o industrial at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n<p>Nesses ensaios, Freud faz uma leitura inicial atenta dos impactos da guerra e da presen\u00e7a ostensiva da morte advinda disso. Apesar de mostrar-se impactado pela devasta\u00e7\u00e3o de tal acontecimento, Freud se apresenta extremamente implicado em extrair consequ\u00eancias para a psican\u00e1lise. Sabemos a import\u00e2ncia dessas consequ\u00eancias para suas formula\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas, que seguiram sendo extra\u00eddas ao longo de muitos anos, uma delas \u00e9 o conceito de puls\u00e3o de morte.[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;Leia mais&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febp.org.br%2Fsp%2Fperguntas-para-os-tempos-do-virus-o-que-podemos-extrair-de-reflexoes-para-os-tempos-de-guerra-e-morte-de-freud%2F|title:BIBLIOTECA%20EM%20TEMPO%20REAL||&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>DO CONFINAMENTO DOS CORPOS AO DESCONFINAMENTO DA PULS\u00c3O<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Camila Popadiuk<br \/>\n<\/strong>Associada ao CLIN-a<\/h6>\n<p>Em certo tom chistoso, essa m\u00fasica poderia atualizar-se assim: O pulso ainda pulsa\/E o corpo ainda \u00e9 pouco\/Ainda pulsa\/Ainda \u00e9 pouco\/ \u201chisteria\u201d, \u201cgripezinha\u201d, Covid e pandemia.<\/p>\n<p>Desde que iniciamos o distanciamento social como sa\u00edda necess\u00e1ria \u00e0 crise sanit\u00e1ria atual, esta m\u00fasica cantada pela voz pulsante de Arnaldo Antunes se apresenta frequentemente em minha cabe\u00e7a. Lembro-me que ela tamb\u00e9m se fez presente em uma das quest\u00f5es de biologia na ocasi\u00e3o do vestibular.[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;Leia mais&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febp.org.br%2Fsp%2Fdo-confinamento-dos-corpos-ao-desconfinamento-da-pulsao%2F|title:BIBLIOTECA%20EM%20TEMPO%20REAL||&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>AND YET, AND YET\u2026<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Silvia Jacobo<br \/>\n<\/strong>Associada ao CLIN-a<\/h6>\n<p>Borges sonhava o seu Para\u00edso como uma esp\u00e9cie de biblioteca, mas n\u00e3o como uma biblioteca infinita, j\u00e1 que considerava que havia algo inc\u00f4modo e enigm\u00e1tico em todo infinito, ele a imaginava feita \u201csob medida do homem, uma biblioteca que permitisse o prazer da releitura, o sereno e fiel prazer do cl\u00e1ssico e as agrad\u00e1veis surpresas do achado e do imprevisto\u201d.[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;Leia mais&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; link=&#8221;url:http%3A%2F%2Febp.org.br%2Fsp%2Fand-yet-and-yet%2F|title:BIBLIOTECA%20EM%20TEMPO%20REAL||&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] BIBLIOTECA EM TEMPO REAL \u00a0Milena Vicari Crastelo \u2013 \u00a0EBP\/AMP\u00a0(Diretora de Biblioteca EBP-SP 2019-2021) Como pensar o tempo em tempos do Coronav\u00edrus? Como manter o la\u00e7o mesmo em isolamento? Como se servir do virtual sem que ele substitua o encontro dos corpos? Muitas quest\u00f5es se colocaram desde que fomos invadidos pelo COVID-19 \u2013 inimigo invis\u00edvel,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":1481,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4296","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4296"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10092,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4296\/revisions\/10092"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}