{"id":2948,"date":"2018-05-18T18:40:39","date_gmt":"2018-05-18T21:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=2948"},"modified":"2018-05-18T18:40:39","modified_gmt":"2018-05-18T21:40:39","slug":"revisitando-a-funcao-da-fala-em-psicanalise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/revisitando-a-funcao-da-fala-em-psicanalise\/","title":{"rendered":"Revisitando a fun\u00e7\u00e3o da fala em psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<h4><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2920 size-full\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/foto_sandra-2.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><strong>Revisitando a fun\u00e7\u00e3o da fala em psican\u00e1lise<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><strong>Sandra Arruda Grostein (AME EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>O texto \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise\u201d publicado como relat\u00f3rio em 1953 e como livro em 1966, apresenta os fundamentos da releitura lacaniana do inconsciente freudiano, tornando o estudo do mesmo imperativo para quem se prop\u00f5e a uma forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise. Nele, a proposta do \u201cinconsciente estruturado como uma linguagem\u201d \u00e9 bastante aprofundada e bem ao estilo de Lacan, a partir da cr\u00edtica \u00e0 psican\u00e1lise de sua \u00e9poca, cr\u00edtica que funciona como contraponto aos seus fundamentos. Dessa forma, Lacan avan\u00e7a em sua formula\u00e7\u00e3o, num momento de cis\u00e3o institucional, ao tratar das consequ\u00eancias cl\u00ednicas e pol\u00edticas das diferen\u00e7as de entendimento dos conceitos psicanal\u00edticos. Neste contexto, Lacan prop\u00f5e:<\/h4>\n<h4>\u201cAfirmamos, quanto a n\u00f3s, que a t\u00e9cnica n\u00e3o pode ser compreendida nem corretamente aplicada, quando se desconhece os conceitos que a fundamentam. Nossa tarefa ser\u00e1 demonstrar que esses conceitos s\u00f3 adquirem pleno sentido ao se orientarem num campo de linguagem, ao se ordenarem na fun\u00e7\u00e3o da fala\u201d\u00b9.<\/h4>\n<h4>Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida at\u00e9 os dias de hoje, pois o campo da linguagem continua sendo o norte para os conceitos psicanal\u00edticos, mesmo este campo j\u00e1 tendo sido revisitado in\u00fameras vezes tanto por Lacan quanto por outros autores. No entanto, quanto \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da fala, podemos localizar mudan\u00e7as visando uma amplia\u00e7\u00e3o conceitual.<\/h4>\n<h4>Retomamos o texto parceiro de \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo&#8230;\u201d, conhecido como \u201cDiscurso de Roma\u201d, onde Lacan claramente define que o objetivo da an\u00e1lise como um tratamento do inconsciente n\u00e3o visa \u201c(&#8230;) passar de um patamar inconsciente, mergulhado na obscuridade, para o patamar da consci\u00eancia, sede da clareza, atrav\u00e9s de sabe-se l\u00e1 que misterioso elevador\u201d\u00b2, mas \u201ctrata-se, com efeito, n\u00e3o de passagem para a consci\u00eancia, mas de passagem para a fala, a despeito daqueles que se obstinam a permanecer fechados a ela e \u00e9 preciso que a fala seja ouvida por algu\u00e9m ali onde n\u00e3o podia nem sequer ser lida por ningu\u00e9m, uma mensagem cujo c\u00f3digo perdeu-se ou cujo destinat\u00e1rio morreu. A letra da mensagem \u00e9 importante e para apreend\u00ea-la, \u00e9 preciso nos determos por um instante no car\u00e1ter fundamentalmente amb\u00edguo da fala, na medida em que a fun\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto de velar quanto de desvelar. Mas mesmo nos restringindo ao que ela d\u00e1 a conhecer, a natureza da linguagem n\u00e3o permite separ\u00e1-la das resson\u00e2ncias que sempre recomendam l\u00ea-la com diversos alcances. \u00c9 esta parti\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 ambiguidade da linguagem a \u00fanica a explicar a multiplicidade de acessos poss\u00edveis ao segredo da fala. Persiste o fato de que h\u00e1 apenas um texto em que se pode ler, ao mesmo tempo, tanto o que ela diz quanto o que ela n\u00e3o\u00a0diz e que \u00e9 a esse texto que se ligam os sintomas t\u00e3o intimamente quanto um rebus se liga \u00e0 frase que o representa\u201d\u00b3.<\/h4>\n<h4>N\u00e3o se ignora, evidentemente, que h\u00e1 mensagem na fala que possa ser lida nos sintomas, por\u00e9m nem todos eles se prestam a esta decifra\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, sabe-se hoje que a fala n\u00e3o se restringe a veicular uma mensagem. Lacan acrescenta, a partir do <em>Semin\u00e1rio XX, Mais, ainda<\/em>, esta outra fun\u00e7\u00e3o da fala: \u201cAonde isto fala, isto goza e nada sabe\u201d\u2074.<\/h4>\n<h4>Portanto, cabe aos analistas de hoje bem fundamentarem o que Freud havia abandonado no desafio de \u201ctornar consciente o inconsciente\u201d e que Lacan retomou e aprimorou quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do inconsciente com a linguagem. Logo, n\u00e3o se trata de decifrar ou de adquirir um saber sobre os sintomas, mas de isolar o gozo associado a eles, para posteriormente reduzi-lo, n\u00e3o sem se valer da ambiguidade da linguagem, a \u00fanica a explicar a multiplicidade de acessos poss\u00edveis ao segredo da fala.<\/h4>\n<ol>\n<li>LACAN, J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 247.<\/li>\n<li>\u00a0____________ \u201cDiscurso de Roma\u201d. In: Outros Escritos: Op. Cit., 2003, p. 146.<\/li>\n<li>\u00a0__________ Ibid.<\/li>\n<li>\u00a0__________ \u201cDo Barroco\u201d. In: O Semin\u00e1rio, Livro 20: Mais, ainda. Op. Cit., 1982, p. 142<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando a fun\u00e7\u00e3o da fala em psican\u00e1lise Sandra Arruda Grostein (AME EBP\/AMP) &nbsp; O texto \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise\u201d publicado como relat\u00f3rio em 1953 e como livro em 1966, apresenta os fundamentos da releitura lacaniana do inconsciente freudiano, tornando o estudo do mesmo imperativo para quem se prop\u00f5e a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2948","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}