{"id":2842,"date":"2018-05-03T11:24:28","date_gmt":"2018-05-03T14:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=2842"},"modified":"2018-05-03T11:24:28","modified_gmt":"2018-05-03T14:24:28","slug":"apresentacao-viii-jornadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/viii-jornadas\/apresentacao-viii-jornadas\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o &#8211; VIII Jornadas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Apresenta\u00e7\u00e3o das VIII Jornadas da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]Caros colegas,<\/p>\n<p>\u00c9 com satisfa\u00e7\u00e3o que lan\u00e7amos as VIII Jornadas \u2013 <em>Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00f5es<\/em>. Quero inicialmente contar-lhes como sua tem\u00e1tica foi concebida.<\/p>\n<p>Especialmente neste ano, a Diretoria da Se\u00e7\u00e3o promove v\u00e1rias atividades articuladas ao tema geral do la\u00e7o social, que funcionar\u00e1 como orientador de nossos trabalhos: nas conversa\u00e7\u00f5es da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, nas atividades na Se\u00e7\u00e3o, nas leituras na biblioteca, nas VIII Jornadas, nas Jornadas de cart\u00e9is e outras. Mas este movimento n\u00e3o se circunscreve somente \u00e0s atividades; trata-se de uma pol\u00edtica para a Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo. Queremos cuidar de nossos la\u00e7os: entre n\u00f3s (tanto entre os Membros da EBP em S\u00e3o Paulo como entre todos os participantes das atividades), com a Escola, com os Institutos, com a cidade, cuidando da transfer\u00eancia de trabalho, privilegiando-a.<\/p>\n<p>As Jornadas est\u00e3o no centro desta proposta. Ningu\u00e9m melhor que Christiane Alberti para falar de la\u00e7o social, ela que tanto trabalha esta tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ano passado trabalhamos as Pai-vers\u00f5es, com o objetivo de discutir a cl\u00ednica atual a partir das leituras de Lacan sobre o tema. Em 2018, continuamos com a atualidade, com a cl\u00ednica, mas com uma pegada mais aberta, mais <em>light<\/em>, talvez. \u201cAmor e sexo em tempos de (des)conex\u00f5es\u201d guardam uma conex\u00e3o com as pai-vers\u00f5es.<\/p>\n<p>Pensei que teria tudo a ver tratar de um texto de Lacan, <em>Estou falando com as paredes<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>, dizendo de meu amor pela psican\u00e1lise. Contempor\u00e2neo ao <em>Semin\u00e1rio 19, ou pior<\/em>, quase \u00e9 poss\u00edvel ouvir Lacan falando nas (para) as paredes da Capela de Sainte-Anne, onde estavam os jovens internos da Psiquiatria.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o Lacan disse estar falando sozinho, e que era isso que interessava \u00e0queles que o escutavam, porque cabia a eles interpret\u00e1-lo. As paredes s\u00e3o feitas para circundar um vazio, algo do real se circunscreve. Instalam um lugar onde se fala, fazendo com que a voz ressoe e retorne pela interpreta\u00e7\u00e3o, sempre particular a cada um. Lacan j\u00e1 dissera que a mensagem retorna de forma invertida. Nesse ressoar est\u00e1 o objeto <em>a<\/em>, voz, com o qual cada um tem uma liga\u00e7\u00e3o singular.<\/p>\n<p>No mundo h\u00e1 um la\u00e7o determinando o modo como \u00e9 poss\u00edvel se situar; estamos mergulhados no discurso capitalista, do qual Lacan diz: \u00e9 a \u201c<em>Verwerfung<\/em>, a rejei\u00e7\u00e3o para fora de todos os campos do simb\u00f3lico, a rejei\u00e7\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o (&#8230;). Toda ordem, todo discurso aparentado com o capitalismo deixa de lado (&#8230;) coisas do amor\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e traz uma desorienta\u00e7\u00e3o subjetiva. A castra\u00e7\u00e3o for\u00e7ou a porta de entrada com o discurso anal\u00edtico \u2013 eis o analista que \u201cbanca o objeto <em>a <\/em>em pessoa\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Estamos n\u00f3s aqui, analistas lacanianos, mais uma vez tratando da rela\u00e7\u00e3o amor e sexo no contexto das (des)conex\u00f5es. Desde nossas solid\u00f5es subjetivas nos enla\u00e7amos ao trabalho coletivo de nossa Escola.<\/p>\n<p>\u00c9 importante precisar que o gozo sexual adv\u00e9m da fala e n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual. Da\u00ed a m\u00e1xima lacaniana do <em>Semin\u00e1rio Mais, ainda<\/em>: onde isso fala, isso goza, e nada sabe. Fala-se sem saber por que se fala com o corpo, e assim fala-se mais do que se sabe \u2013 segredo da psican\u00e1lise. A descoberta da psican\u00e1lise reside na opacidade do gozo sexual que diz respeito \u00e0 castra\u00e7\u00e3o. \u201cO que quer dizer a psican\u00e1lise? Que essa rela\u00e7\u00e3o com o gozo \u00e9 a fala que garante sua dimens\u00e3o de verdade, [nem por isso a fala] pode diz\u00ea-la completamente. Ela s\u00f3 pode semidizer essa rela\u00e7\u00e3o e com ela forjar o semblante, o semblante do que \u00e9 chamado um homem ou uma mulher\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO amor, o amor, quer se comunique, quer flua, quer se funda, \u00e9 o amor, ora. O amor, o bem que a m\u00e3e quer ao filho, o (a)muro, basta por o <em>a<\/em> entre par\u00eanteses para deparar com aquilo que vemos todos os dias: que, mesmo entre m\u00e3e e filho, a rela\u00e7\u00e3o que a m\u00e3e tem com a castra\u00e7\u00e3o tem um bocado de import\u00e2ncia\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Este \u00e9 um ponto norteador da cl\u00ednica psicanal\u00edtica e guarda rela\u00e7\u00e3o com o tema do 22\u00ba Encontro Brasileiro do Campo Freudiano <em>A queda do falocentrismo \u2013 consequ\u00eancias para a psican\u00e1lise<\/em>, a ser realizado no Rio de Janeiro, de 23 a 25 de novembro.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer que o amor, por fazer supl\u00eancia \u00e0 n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o \u00e9 o que faz a fun\u00e7\u00e3o de conector, que produz enlace. O real, a impossibilidade, aquilo que faz furo encontra na conting\u00eancia algo que se escreve. No entanto, n\u00e3o \u00e9 qualquer coisa que torna poss\u00edvel o la\u00e7o social. O objeto <em>a<\/em> \u00e9 o objeto conector mor, \u00e9 a f(\u00f4)rma que o gozo sofre para fazer la\u00e7o com o outro. H\u00e1 tamb\u00e9m outros conectores al\u00e9m do objeto <em>a<\/em>, o falo, o Outro e o Nome-do-Pai.<\/p>\n<p>Ainda um pouco mais do texto de Lacan: \u201cPara se ter uma ideia sadia do amor, talvez fosse preciso partir de que, quando entra em jogo, mas a s\u00e9rio, entre um homem e uma mulher, \u00e9 sempre com o cacife da castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que \u00e9 castrador\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Um muro pode representar a castra\u00e7\u00e3o, nele cada um poderia inscrever seu objeto <em>a<\/em>. O muro est\u00e1 em toda parte, entre o homem e o mundo h\u00e1 um muro. O objeto <em>a <\/em>est\u00e1 l\u00e1 em qualquer um dos discursos, dos la\u00e7os sociais, discursos que Lacan chama de parede, entre paredes, onde se inscrevem e falam coisas, coisas de amor. Os discursos funcionam como prote\u00e7\u00e3o contra o real, disse Miller. No cartaz utilizado para representar o tema de nossas Jornadas h\u00e1 um muro onde Bansky, um nome modificado de seu nome pr\u00f3prio, um nome qualquer e an\u00f4nimo, inscreveu um rato que desenha um cora\u00e7\u00e3o donde escorre tinta vermelha em excesso. O excesso n\u00e3o \u00e9 um simples detalhe; seria, neste caso, o mais-de-gozar.<\/p>\n<p>Banksy tornou-se o an\u00f4nimo mais famoso dos \u00faltimos anos. Seu trabalho mudou o olhar sobre a arte de rua. Com <em>spray<\/em>, ele faz cr\u00edticas pol\u00edticas, \u00e0 sociedade e \u00e0 guerra, mas sempre com um humor caracter\u00edstico e com uma boa ideia. Hoje suas obras se espalham por Londres, Los Angeles, Nova Iorque, at\u00e9 no muro que separa Israel e Palestina. O rato, presentemente escondido nas galerias subterr\u00e2neas das cidades, foi sua assinatura.<\/p>\n<p>Fica aqui nosso convite para que voc\u00eas inscrevam suas coisas de amor pela psican\u00e1lise. Um amor que n\u00e3o seja an\u00f4nimo!<\/p>\n<p>Veridiana Marucio \u00e9 a coordenadora geral e Cec\u00edlia Ferretti, a coordenadora da comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o. Agrade\u00e7o a todos que se somaram a n\u00f3s, trabalhando nas mais diversas comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Carmen Silvia Cervelatti<br \/>\nDiretora geral da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. Estou falando com as paredes: conversas na Capela de Sainte-Anne. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Idem, p. 88.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ibidem, p. 89.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ibidem, p. 60.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ibidem, p. 95.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lacan, J. Estou falando com as paredes: conversas na Capela de Sainte-Anne. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p. 95.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Apresenta\u00e7\u00e3o das VIII Jornadas da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]Caros colegas, \u00c9 com satisfa\u00e7\u00e3o que lan\u00e7amos as VIII Jornadas \u2013 Amor e sexo em tempos de (des)conex\u00f5es. Quero inicialmente contar-lhes como sua tem\u00e1tica foi concebida. 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