{"id":2801,"date":"2018-04-26T07:12:31","date_gmt":"2018-04-26T10:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=2801"},"modified":"2018-04-26T07:12:31","modified_gmt":"2018-04-26T10:12:31","slug":"argumento-viii-jornadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/viii-jornadas\/argumento-viii-jornadas\/","title":{"rendered":"Argumento &#8211; VIII Jornadas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Argumento&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h1><span style=\"color: #993300;\">Amor e Sexo em tempo de (des)conexo\u0303es<\/span><\/h1>\n<h6>por Veridiana Marucio<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2860 alignright\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/714sWnypBDL._SL1500_-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/>Sobre o impossi\u0301vel, o falasser escreve em seu corpo por suas vias de gozo, vias pelas quais transita uma satisfac\u0327a\u0303o repetitiva, desde sempre. Em tempos de (des)conexa\u0303o o impossi\u0301vel de ser escrito, ou seja, a inexiste\u0302ncia da relac\u0327a\u0303o sexual, na\u0303o apenas se mostra mas tambe\u0301m se coloca como mate\u0301ria e objeto de fetiche e de consumo.<\/p>\n<p>O presente argumento e\u0301 fruto de interlocuc\u0327o\u0303es com as diferentes comisso\u0303es organizadoras e pretende lanc\u0327ar questo\u0303es que iniciem a construc\u0327a\u0303o de nossas VIII Jornadas de estudos. Tais questo\u0303es visam despertar o interesse de nossa comunidade em produzir contribuic\u0327o\u0303es sobre o tema, a partir do vivo da cli\u0301nica psicanali\u0301tica.<\/p>\n<p>Partimos de uma constatac\u0327a\u0303o: as mutac\u0327o\u0303es dos tempos atuais ecoam nas relac\u0327o\u0303es amorosas e sexuais, sensi\u0301veis a\u0300s formas que o mal-estar na civilizac\u0327a\u0303o assume. Em nossos tempos o objeto a, e na\u0303o mais o amor ao Pai, comanda a cena conectando-se sempre ao \u201cmais ainda\u201d!<\/p>\n<p>Nesse contexto, perguntamos: Como se situam os sujeitos (falasseres) no campo da sexualidade e do amor?<\/p>\n<p>Em todas as e\u0301pocas, e\u0301 certo que todos deliramos um pouco sobre nosso ser e sobre nossa sexualidade, e que os nossos sintomas sa\u0303o produtos desse deli\u0301rio que tecemos ao redor dos acontecimentos de linguagem. Qual a diferenc\u0327a enta\u0303o?<\/p>\n<p>Uma considerac\u0327a\u0303o importante foi acrescentada por Lacan sobre o discurso dos tempos atuais, que da\u0301 a ele seu estilo capitalista, vigente em nossa e\u0301poca. Ele diz que todo discurso que se aparenta ao capitalismo deixa de fora, foraclui, isso que chamaremos as coisas do amor, ou seja, a castrac\u0327a\u0303o. Ha\u0301 uma reformulac\u0327a\u0303o hedonista moderna que propo\u0303e fazer do amor um contrato no qual cada um poderia saber de antema\u0303o aquilo que investe, o que esperar do outro e o que recuperar do mal-entendido.1<\/p>\n<p>O amor e o sexo poderiam enfim nos deixar em paz com suas surpresas e seus meandros tortuosos, seus equi\u0301vocos insistentes e suas irrupc\u0327o\u0303es inesperadas no pensamento! Enfim, o amor e o sexo poderiam ser medidos, mercantilizarem-se, fazerem parte das coisas da vida das quais usamos quando nos conve\u0302m. Isso e\u0301 o que parece querer o sujeito hipermoderno: contabilizar o mais de gozo e foracluir as coisas do amor.<\/p>\n<p>Diante disso, partindo de uma posic\u0327a\u0303o que considere a singularidade, perguntamos: quais as soluc\u0327o\u0303es encontradas pelos sujeitos frente a\u0300 acelerac\u0327a\u0303o, a\u0300 liquidez e ao empuxo ao gozo? Pelo que se mostra, a internet oferece uma soluc\u0327a\u0303o. Mas, que soluc\u0327a\u0303o e\u0301 essa?<\/p>\n<p>A web sem du\u0301vida se constitui atualmente em um lugar privilegiado de conexo\u0303es amorosas e sexuais e de impasses sintoma\u0301ticos dos sujeitos contempora\u0302neos. Essas relac\u0327o\u0303es deixam ou na\u0303o o corpo de fora?<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>A tela pode dar a falsa ideia de uma separac\u0327a\u0303o entre dois lugares, o real e o virtual, como se houvesse um espac\u0327o paralelo a\u0300 vida de verdade. Onde comec\u0327a uma e onde termina a outra? Evidentemente, o gozo do Um, autista e masturbato\u0301rio, e\u0301 muito presente na internet notadamente atrave\u0301s do porno\u0302 e de jogos, mas tambe\u0301m acontecem ai\u0301 encontros amorosos, amistosos, intelectuais e trauma\u0301ticos2. Pretendemos abordar nessas Jornadas quais as conseque\u0302ncias cli\u0301nicas dessa constatac\u0327a\u0303o sobre a expressa\u0303o dos desejos e dos gozos. Para tanto sera\u0301 necessa\u0301rio partir do final do ensino de Lacan e das conseque\u0302ncias da sua fo\u0301rmula \u201cO Outro e\u0301 o corpo\u201d. E, se o gozo e\u0301 auto ero\u0301tico, como conceber o lac\u0327o com o Outro?<\/p>\n<p>Para Eric Laurent3, e\u0301 precisamente pelo afeto que vem tocar o corpo: \u201cDo corpo, certamente, se goza, mas a angu\u0301stia e\u0301 angu\u0301stia diante do desejo do Outro. Os afetos que tocam o corpo esta\u0303o ligados ao Outro. A angu\u0301stia e\u0301 essa grande paixa\u0303o freudiana, a hainamoration, amor e o\u0301dio ao mesmo tempo e esta\u0303o ligados ao Outro\u201d. Como podemos demonstrar essa afirmac\u0327a\u0303o?<\/p>\n<p>Um dos trabalhos de Banksy, artista que escolhemos para a imagem das nossas VIII jornadas, chamado Mobile lovers, parece tambe\u0301m evidenciar algo do modo de gozo da nossa e\u0301poca. Um casal se abrac\u0327a enquanto cada um olha seus celulares. Vemos enta\u0303o seus rostos iluminados, na\u0303o pelo sublime sentimento do amor, e sim pela tela de seus celulares. O dispositivo tecnolo\u0301gico desvia o olhar e a cena nos mostra que a fantasia, suporte para aceder ao encontro com outro corpo, esta\u0301 deslocada. Enquanto a tela esta\u0301 na mira, podem os amantes se manterem a salvo da angustia do mal-entendido entre os sexos? Afinal, fantasmas, deli\u0301rios, invenc\u0327o\u0303es e sintomas se localizam nesse vazio.<\/p>\n<p>Para concluir, as profundas transformac\u0327o\u0303es nos vi\u0301nculos sociais afetam os nossos estilos de vida e os de nossa existe\u0302ncia sexuada, mortal e falante. Para o psicanalista, a orientac\u0327a\u0303o de Lacan e\u0301 clara: \u201cQue antes renuncie a isso, portanto, quem na\u0303o conseguir alcanc\u0327ar em seu horizonte a subjetividade de sua e\u0301poca\u201d.4 A VIII jornada da Sec\u0327a\u0303o-Sa\u0303o Paulo pretende abrir essas questo\u0303es com a certeza de que boas surpresas nos aguardam!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr \/>\n<h6>1 Leguil, C. Les amoureuses, Vouyage au bout de la feminite\u0301. Paris: Seuil, 2009, p.9.<br \/>\n2 Leduque, C. Pre\u0301ambules a\u0300 une clinique du re\u0301seau, Internet avec Lacan. La Cause du desir 97. Paris : Navarin Editeur, 2017, p 73.<br \/>\n3 Laurent, E. Disharmonie, Affects et Passions. La cause du Desir 93. Paris: Navarin Editeur, 2016, p 9. 4 Lacan, J. (1953) Func\u0327a\u0303o e campo da fala e da linguagem em psicana\u0301lise, Escritos, Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h1><span style=\"color: #993300;\">Eixos de Trabalho<\/span><\/h1>\n<h6>por Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">O La\u00e7o Social e o gozo autoer\u00f3tico<\/span><\/h3>\n<p>No \u00faltimo ensino de Lacan, onde n\u00e3o h\u00e1 mais preponder\u00e2ncia do simb\u00f3lico, a refer\u00eancia ao Outro modifica-se pelo Um da exist\u00eancia e do gozo. \u201cExiste apenas o Um\u201d, diz Lacan no Semin\u00e1rio 19, &#8220;&#8230;ou pior&#8221;. Se frente ao real s\u00f3 h\u00e1 o la\u00e7o social, como podemos lig\u00e1-lo ao Um? Ao gozo autoer\u00f3tico? Qual a possibilidade para o amor e o sexo? Como se sustentaria a afirma\u00e7\u00e3o de Lacan no Semin\u00e1rio 17: \u201cAmar \u00e9 dar o que n\u00e3o se tem\u201d?<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Tempos de (des)conex\u00e3o<\/span><\/h3>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es para ligarmos a (des)conex\u00e3o aos nossos dias? Isso n\u00e3o \u00e9 evidente. Resta demonstr\u00e1-lo pela cl\u00ednica. A ultrapassagem do gozo f\u00e1lico como orientador da sexualidade abre para outros regimes de gozo. O axioma lacaniano \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d instiga a examinar o lugar do amor \u25ca sexo na contemporaneidade. Novas parcerias, sexo virtual, aplicativos de encontros, pornografia, desvario pulsional, solid\u00e3o, sex toys seriam algumas das formas de conex\u00e3o?<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Transfer\u00eancia: (des)conex\u00e3o?<\/span><\/h3>\n<p>O la\u00e7o social surge de maneira privilegiada no discurso anal\u00edtico atrav\u00e9s do que Lacan chamou \u201ca presen\u00e7a do analista\u201d, no Semin\u00e1rio 11. O analista, ao dirigir o tratamento e atento ao engodo da l\u00f3gica f\u00e1lica, propicia algo novo, uma inven\u00e7\u00e3o singular que torna suport\u00e1vel o real em jogo em uma parceria sintom\u00e1tica. A pr\u00e1tica psicanal\u00edtica muda. Ent\u00e3o, como pensar a transfer\u00eancia em tempos de (des)conex\u00e3o?[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Argumento&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text] Amor e Sexo em tempo de (des)conexo\u0303es por Veridiana Marucio Sobre o impossi\u0301vel, o falasser escreve em seu corpo por suas vias de gozo, vias pelas quais transita uma satisfac\u0327a\u0303o repetitiva, desde sempre. 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