{"id":10115,"date":"2026-04-15T07:27:28","date_gmt":"2026-04-15T10:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?page_id=10115"},"modified":"2026-04-15T07:27:28","modified_gmt":"2026-04-15T10:27:28","slug":"xiv-jornadas-argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xiv-jornadas-bem-feito-supereu\/xiv-jornadas-argumento\/","title":{"rendered":"XIV JORNADAS &#8211; Argumento"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p style=\"text-align: justify;\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;10108&#8243;][vc_empty_space][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>Maria do Carmo Dias Batista<br \/>\n<\/strong><em>AME da EBP\/AMP<br \/>\nCoordenadora da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas XIV Jornadas da EBP-SP<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">O que \u00e9 um argumento?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A princ\u00edpio, argumento \u00e9 uma discuss\u00e3o em defesa ou refuta\u00e7\u00e3o de uma ideia, de uma tese, de um texto, de um manifesto. Faz-se por meio de um conjunto de raz\u00f5es ou provas reunidas em constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, para chegar a uma conclus\u00e3o, ou, ainda, no lugar dessa constru\u00e7\u00e3o, pode ser composto de perguntas e respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer convencer, tornar cr\u00edvel, persuadir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nosso caso, fazer crer que o tema e o t\u00edtulo das Jornadas podem propiciar efeitos de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise e aglutinar em torno deles (do tema e do t\u00edtulo) nossa comunidade de trabalho. Com tal finalidade, fornece elementos para amplia\u00e7\u00e3o do debate e desdobramento de novos textos, a serem eventualmente apresentados em plen\u00e1rias ou mesas simult\u00e2neas das Jornadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema das XIV Jornadas teve origem em uma supervis\u00e3o de Veridiana Marucio, Diretora da Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, com Jacques-Alain Miller, em novembro de 2025. Disse ela dos temas propostos at\u00e9 ent\u00e3o pela Diretoria, entre os quais o supereu. Somente este contou com o \u00e2nimo de Miller, arrancando sua conjectura sobre um poss\u00edvel t\u00edtulo: \u00ab\u00a0<em>Ah! Le mal fait e le bienfait du surmoi<\/em> \u00bb. Em seguida, perguntou como ficaria a frase em portugu\u00eas e Veridiana respondeu que talvez ficasse estranha&#8230; Ela, ent\u00e3o, prop\u00f4s \u201cO malmequer e o bem-me-quer do supereu\u201d. JAM disse n\u00e3o acompanhar essa constru\u00e7\u00e3o, acrescentando que o mais importante seria manter, no t\u00edtulo, as duas faces do supereu, ou seja, tamb\u00e9m o bem-feito e n\u00e3o somente o malfeito pelo qual \u00e9 t\u00e3o conhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muitas discuss\u00f5es e mais de 40 propostas de t\u00edtulos em torno da frase e do coment\u00e1rio de Miller, o n\u00facleo das Jornadas, formado pela Diretoria, pela Coordenadora das Jornadas e pela Coordenadora da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o, chegou ao t\u00edtulo: <strong>\u201cBem-feito, supereu!\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem-feito, como adjetivo, indica o bem realizado, bem executado [<em>bienfait<\/em>].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem feito, sem o h\u00edfen, como interjei\u00e7\u00e3o, \u00e9 a exclama\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica que se faz quando adv\u00e9m uma desdita [<em>mal fait<\/em>] a algu\u00e9m por culpa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de exclama\u00e7\u00e3o ao final reitera a ironia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo, portanto, mostra a dupla face, bem\/mal, do supereu, com ironia, gra\u00e7a, equ\u00edvoco, contradi\u00e7\u00e3o do h\u00edfen, e, certamente, fracasso em obter uma frase impec\u00e1vel no portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda sobre hifens, o tradutor de Freud no texto \u201cO Eu e o Id\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, pela Companhia das Letras, prefere usar Super-eu [<em>Uber-ich<\/em>, no original], com h\u00edfen e mai\u00fascula, por manter em destaque o \u201cEu\u201d do original. Optamos por utilizar supereu, como est\u00e1 no Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise de Laplanche e Pontalis<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, e em toda a obra de Lacan traduzida pela Zahar. Al\u00e9m disso, a grafia supereu facilita a remiss\u00e3o ao franc\u00eas <em>surmoi. <\/em>O prefixo \u201csuper\u201d [<em>\u00dcber<\/em><em> \u2013 Sur<\/em><em> \u2013 Super<\/em>] tem aqui acep\u00e7\u00e3o de \u201cem cima de\u201d, como em \u201csobrepor\u201d ou \u201csuperc\u00edlio\u201d e n\u00e3o o sentido de abund\u00e2ncia ou excesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Uma defini\u00e7\u00e3o de supereu<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto \u201cO Eu e o Id\u201d [1923], da segunda t\u00f3pica (ou segunda topologia), Freud define o supereu (ou ideal do Eu, como usa indistintamente nesse texto) como inst\u00e2ncia formada pela \u201cgrada\u00e7\u00e3o do Eu, por uma diferencia\u00e7\u00e3o em seu interior\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Uma parte do Eu se op\u00f5e \u00e0 outra, julga-a de forma cr\u00edtica e a toma como objeto. Essa acep\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m tratada em outros textos como \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao narcisismo\u201d [1914] e \u201cPsicologia das massas e an\u00e1lise do Eu\u201d [1921]. A diferencia\u00e7\u00e3o ocorre por <em>cis\u00e3o<\/em> da identifica\u00e7\u00e3o primitiva ao pai, que fica isolada, e \u201cn\u00e3o se inscreve nas numerosas identifica\u00e7\u00f5es do Eu, fundando uma inst\u00e2ncia ps\u00edquica diferente, o supereu. Este se posiciona como \u2018juiz\u2019 do Eu\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Encarna os objetos primitivos, coloca-se como guardi\u00e3o da Lei e pro\u00edbe sua transgress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratar do supereu \u00e9 um respeit\u00e1vel programa de trabalho para os seis meses que nos separam das Jornadas. Aqui, neste argumento, discutiremos, um tanto ligeiramente, sua origem, a rela\u00e7\u00e3o com a Lei, com os imperativos, com a voracidade, com a voz, com a sublima\u00e7\u00e3o e, finalmente, o que de bem pode fazer o supereu (o bem-feito!), ou seja, como ajuda a psican\u00e1lise e o psicanalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Origens do supereu: o monumento<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim (como o pai) voc\u00ea <em>deve <\/em>ser\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim (como o pai) voc\u00ea <em>n\u00e3o pode<\/em> ser, isto \u00e9, n\u00e3o pode fazer tudo o que ele faz. H\u00e1 coisas que continuam reservadas a ele\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prescri\u00e7\u00e3o da primeira frase, seguida da proibi\u00e7\u00e3o na segunda, mostram, em Freud, o funcionamento por imperativos do supereu: <em>deve!<\/em> <em>n\u00e3o pode!<\/em> Por\u00e9m, mais importante, as frases marcam a origem do supereu na identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da crian\u00e7a ao pai, \u201co pai da pr\u00e9-hist\u00f3ria pessoal\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> A frase prescritiva ordena uma identifica\u00e7\u00e3o simples e positiva, e a frase com a proibi\u00e7\u00e3o indica uma rea\u00e7\u00e3o, uma \u201cen\u00e9rgica forma\u00e7\u00e3o reativa\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> ao Id. Essa dupla face do supereu forma-se na repress\u00e3o ao complexo de \u00c9dipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da dissolu\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo, h\u00e1, no Eu, uma substitui\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o objetal dos pais. De objeto da libido, pai e m\u00e3e passam a figurar como duas identifica\u00e7\u00f5es. Essa substitui\u00e7\u00e3o deixa res\u00edduos e, do conte\u00fado restante, surge o ideal do Eu, o supereu<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Mesmo devendo sua exist\u00eancia a essa reviravolta, o supereu se empenha na repress\u00e3o ao complexo de \u00c9dipo. Diz Freud em \u201cO Eu e o Id\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO supereu conservar\u00e1 o car\u00e1ter do pai, e quanto mais forte foi o complexo de \u00c9dipo tanto mais rapidamente (sob a influ\u00eancia de autoridade, ensino religioso, escola, leituras) ocorreu sua repress\u00e3o, tanto mais severamente o supereu ter\u00e1 dom\u00ednio sobre o Eu como consci\u00eancia moral, talvez como inconsciente sentimento de culpa\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na g\u00eanese do supereu temos ainda de considerar a longa imaturidade-depend\u00eancia infantil do humano e, como vimos, o seu complexo de \u00c9dipo. O supereu representa a introje\u00e7\u00e3o das influ\u00eancias parentais e de suas proibi\u00e7\u00f5es. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 impor limites, cobrar condutas e gerar sentimentos de culpa ou orgulho, regulando a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com as normas sociais e culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vertente \u201cideal do Eu\u201d, como quer Freud ao ligar os conceitos<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, satisfaz a tudo o que se espera de \u201celevado\u201d no ser humano, ou seja, o \u201cbem-feito\u201d do supereu, sua fun\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria. Como substituto ao anseio dos pais, cont\u00e9m o princ\u00edpio gerador de todas as religi\u00f5es, o sentimento de humildade, inspira professores e autoridades a continuar a tarefa dos pais, exerce a censura moral e forja o sentimento de culpa \u2013 religi\u00e3o, moral, sentimento social, ci\u00eancia e arte: as conquistas \u00e9ticas do humano nele t\u00eam sua g\u00eanese ps\u00edquica<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud, ao discorrer sobre As Rela\u00e7\u00f5es de Depend\u00eancia do Eu, na parte V de \u201cO Eu e o Id\u201d, chega a uma preciosa sinopse sobre as origens e as fun\u00e7\u00f5es do supereu:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO supereu deve sua especial posi\u00e7\u00e3o no Eu [&#8230;] a dois fatos: \u00e9 a primeira identifica\u00e7\u00e3o, acontecida quando o Eu ainda era fraco, e \u00e9 o herdeiro do complexo de \u00c9dipo, ou seja, introduziu no Eu os mais imponentes objetos. [Ele] conserva por toda a vida o car\u00e1ter que lhe foi dado por sua origem no complexo paterno, ou seja, a capacidade de confrontar o Eu e domin\u00e1-lo. <strong>\u00c9<\/strong><strong> o monumento<\/strong> que recorda a anterior fraqueza e depend\u00eancia do Eu e que mant\u00e9m seu predom\u00ednio sobre o Eu maduro\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Supereu: Lei e identifica\u00e7\u00e3o ao pai<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito, desde antes de sua primeira \u201crespira\u00e7\u00e3o\u201d, pura carne voraz, antes dos balbucios de lal\u00edngua, est\u00e1 submetido \u00e0 Lei simb\u00f3lica. A fala e a linguagem s\u00e3o sua maneira de existir, de encontrar um lugar no mundo e, \u00f3bvio, s\u00e3o fundamentais para a psican\u00e1lise. Lacan, no in\u00edcio de seu ensino, instaura o supereu em uma posi\u00e7\u00e3o essencial para a aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem. Como diz Adriana Campos, \u201co supereu \u00e9 a marca da inscri\u00e7\u00e3o do sujeito na Lei da linguagem, \u00e9 \u2018o caro\u00e7o\u2019 da linguagem. Pelo fato de ser a primeira inscri\u00e7\u00e3o e, por esse motivo, n\u00e3o estar submetido \u00e0 dial\u00e9tica simb\u00f3lica, comporta um aspecto insensato, feroz e ilegal\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, \u00e9 o pr\u00f3prio simb\u00f3lico a introduzir a insensatez da Lei, tendo como n\u00facleo o supereu. No caro\u00e7o, na raiz do imperativo, a Lei se reduz a um inexplic\u00e1vel \u201c<em>Tu deves!<\/em>\u201d, sem qualquer sentido, e, por isso, caprichoso e tir\u00e2nico. Assim, ao mesmo tempo, o supereu \u00e9 a Lei e sua destrui\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> Diz Lacan no Semin\u00e1rio 1:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c[&#8230;] o supereu acaba por se identificar \u00e0quilo que h\u00e1 somente de mais devastador, de mais fascinante nas experi\u00eancias primitivas do sujeito. Acaba por se identificar ao que chamo <em>figura feroz<\/em>, \u00e0s figuras que podemos ligar aos traumatismos primitivos, sejam eles quais forem, que a crian\u00e7a sofreu\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, a identifica\u00e7\u00e3o ao \u201ccomplexo paterno\u201d \u00e9 anterior ao decl\u00ednio do \u00c9dipo, anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do supereu. A Lei simb\u00f3lica se instaura desde o princ\u00edpio, por\u00e9m, segundo Freud, o supereu somente \u00e9 incorporado como inst\u00e2ncia ps\u00edquica a partir do complexo de \u00c9dipo, mais precisamente, de sua dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mito, quando \u00c9dipo, movido pelo desejo de saber e tendo realizado o maior desejo do humano, o incesto, descobre a trag\u00e9dia de sua vida at\u00e9 ent\u00e3o bem-aventurada, e enuncia <em>me phynai<\/em> (preferiria n\u00e3o ser, preferiria n\u00e3o ter nascido), cegando-se, funda a Lei da proibi\u00e7\u00e3o do incesto. Em Totem e Tabu, o assassinato do pai (da horda) \u201c\u00e9 de revolta, de necessidade [&#8230;], proveniente de uma conjura\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. Como salienta Carolina Koretzky<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>, Lacan, no Semin\u00e1rio 18, contrap\u00f5e \u00c9dipo a Totem e Tabu. Diz ele: \u201c[&#8230;] a fun\u00e7\u00e3o-chave do mito se op\u00f5e rigorosamente nos dois. Lei desde o come\u00e7o, no primeiro, t\u00e3o primordial que exerce suas repres\u00e1lias mesmo quando os culpados s\u00f3 a violam inocentemente, e \u00e9 a Lei, ainda, a sa\u00edda da profus\u00e3o do gozo. No segundo, [ao contr\u00e1rio], originalmente gozo, depois Lei [&#8230;]\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuando com Carolina Koretzky: \u201cPassar do mito de \u00c9dipo ao mito de Totem e Tabu implica, pois, passar da m\u00e3e \u2013 como o pr\u00f3prio modelo de objeto perdido \u2013 \u00e0 mulher, o que constitui uma mudan\u00e7a profunda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei e ao que funda o pacto social\u201d.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no Semin\u00e1rio 7, diz: \u201cMas, atenhamo-nos ao supereu edipiano. Que ele nas\u00e7a no decl\u00ednio do \u00c9dipo quer dizer que o sujeito incorpora sua inst\u00e2ncia. Isso deveria coloc\u00e1-los na trilha\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>incorpora\u00e7\u00e3o <\/em>do supereu equivale \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o dos objetos prim\u00e1rios e a trilha, para Lacan, \u00e9 a trilha da melancolia, paradigma freudiano das manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do supereu, junto com a neurose obsessiva. Ainda em Freud, \u00e0 cl\u00ednica do supereu correspondem: \u201cOs arruinados pelo \u00eaxito\u201d, \u201cOs criminosos por sentimento de culpa\u201d e \u201cAs neuroses de destino\u201d. Fen\u00f4menos nos quais a palavra tem um peso oracular, a Lei insensata se apresenta como um destino implac\u00e1vel e, como afirma Lacan, a voz do imperativo \u00e9 instaurada no lugar do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Supereu: os imperativos<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa \u00e9poca, marcada pelo decl\u00ednio das refer\u00eancias paternas e pela queda dos ideais, pode ser considerada <em>a \u00e9poca dos imperativos<\/em>, na qual \u201co imperativo supereg\u00f3ico se desenvolve em sua dimens\u00e3o de puro imperativo de gozo, de puro capricho, esvaziado de toda a rela\u00e7\u00e3o com a moral\u201d.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> \u00c9poca das depress\u00f5es e das infinitas apropria\u00e7\u00f5es das categorias da doen\u00e7a mental, com o imperativo \u201ceu sou isso, essa sigla\u201d: TDAH, TOC, Bipolaridade, Bulimia, Toxicomanias, Alcoolismo, Obesidade, Consumismo, Compuls\u00f5es. \u00c9poca da revolu\u00e7\u00e3o bari\u00e1trica e das canetas emagrecedoras. Das cirurgias pl\u00e1sticas e dos procedimentos dermatol\u00f3gicos deformadores. Do Triunfo da Religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> Da <em>Deep Web<\/em>. Da pornografia. Da psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9poca, conforme Laurent Dupont, de uma \u201ccl\u00ednica do significante-mestre inst\u00e1vel [&#8230;] que provoca flutua\u00e7\u00e3o. [&#8230;] o significante-mestre n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o mestre para ancorar o sujeito, tornando-o ainda mais flutuante\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud j\u00e1 se perguntava de onde o supereu tira for\u00e7as para o dom\u00ednio sobre o Eu, para \u201co car\u00e1ter coercitivo que se manifesta como imperativo categ\u00f3rico\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>. Da proximidade com o Id, no n\u00f3 das puls\u00f5es. Nomeadamente, tira for\u00e7as da puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, desde Freud, o imperativo do supereu <em>Tu deves!<\/em> obedece \u00e0 l\u00f3gica do imperativo categ\u00f3rico kantiano, ou seja, \u201c<em>Tu deves<\/em> agir de maneira tal que a m\u00e1xima de tua vontade possa sempre valer como princ\u00edpio de uma legisla\u00e7\u00e3o que seja para todos\u201d. Kant visa ao bem comum. Ou ao Bem Supremo, como diz Lacan. No contempor\u00e2neo, o imperativo poderia expressar-se em linguagem tecnol\u00f3gica, de computa\u00e7\u00e3o: <em>\u201cNunca ajas sen\u00e3o de modo que a tua a\u00e7\u00e3o possa ser programada\u201d. <\/em>Desse modo, para Lacan, o contempor\u00e2neo estaria, como est\u00e1, acentuadamente desprendido do Bem Supremo<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA efetua\u00e7\u00e3o de uma subjetividade que mere\u00e7a ser chamada de contempor\u00e2nea, de um homem de nossos dias, que tem a sorte de ter nascido em nossa \u00e9poca, n\u00e3o pode ignorar esse texto [Cr\u00edtica da raz\u00e3o pr\u00e1tica]. [&#8230;] \u00e9 preciso ter atravessado a prova de sua leitura para medir o car\u00e1ter extremista, e quase insensato, do ponto em que nos acua algo que possui, contudo, sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria \u2013 a exist\u00eancia, a insist\u00eancia da ci\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kant publicou a Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pr\u00e1tica em 1788. Sete anos depois, em 1795, foi lan\u00e7ado o livro A Filosofia na Alcova, do marqu\u00eas de Sade. Estamos na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. O livro preconiza incesto, adult\u00e9rio, roubo, e a queda dos imperativos da Lei moral kantiana. Seu imperativo: \u201cTomemos como m\u00e1xima universal de nossa a\u00e7\u00e3o o direito de gozar de outrem, quem quer que seja, como instrumento de nosso prazer\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>. Sade responde a Kant com o Ser Supremo em Maldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No escrito Kant com Sade, Lacan articula os dois imperativos, responde \u00e0 moral kantiana com a antimoral sadiana e concentra-se no imperativo sadiano: <em>Goza!<\/em> Que nunca se satisfaz. Diz ele, ainda no Semin\u00e1rio 7<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>: \u201cEm suma, Kant tem a mesma opini\u00e3o de Sade. Pois, [&#8230;] para abrir todas as comportas do desejo, o que Sade nos mostra no horizonte? Essencialmente a dor. A dor de outrem e, igualmente, a dor pr\u00f3pria do sujeito [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Supereu: voracidade, gulodice, glutonaria<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan utiliza o significante <em>gourmandise<\/em> (voracidade, gulodice, glutonaria) duas vezes a prop\u00f3sito do supereu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00aa) Em Televis\u00e3o, diante da afirma\u00e7\u00e3o de J.-A. Miller de que gozamos t\u00e3o mal porque existe repress\u00e3o ao sexo, por culpa da fam\u00edlia e da sociedade, Lacan responde dizendo ser o recalque o gerador da repress\u00e3o e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Essa foi a virada da segunda t\u00f3pica. Em seguida, diz: \u201ca gulodice pela qual Freud denotou o supereu \u00e9 estrutural \u2013 n\u00e3o \u00e9 um efeito da civiliza\u00e7\u00e3o, mas um <em>mal-estar (sintoma) na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>. Lacan faz, portanto, uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o recalque e a voracidade do supereu, ambos estruturais, prim\u00e1rios, e n\u00e3o produtos da cultura. Reaparece a identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria ao pai na origem do supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00aa) No Semin\u00e1rio 18, ao falar do mito de \u201cTotem e Tabu\u201d, Lacan afirma que, nele, \u201co pai goza de todas as mulheres, at\u00e9 ser abatido pelos filhos, sem que tenha havido entendimento pr\u00e9vio entre eles, de modo que nenhum deles sucede o pai em sua glutonaria de gozo\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>. Ao inv\u00e9s disso, os filhos devoram o pai em comunh\u00e3o tot\u00eamica. O contrato social <em>ningu\u00e9m tocar\u00e1 na m\u00e3e<\/em> se produz a partir da\u00ed. Onde estaria a manifesta\u00e7\u00e3o do supereu? Tanto na glutonaria de gozo do pai tot\u00eamico quanto na Lei estabelecida pelos filhos com o imperativo <em>Nemo matrem tanget<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> esclarece que, em Televis\u00e3o, quando Lacan nomeia de gulodice a exig\u00eancia de gozo do supereu, responde \u00e0 frase freudiana de \u201cO mal-estar\u201d, \u201ccada ren\u00fancia \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o pulsional refor\u00e7a a severidade do supereu\u201d<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>. Quanto mais severo o supereu, mais guloso, mais ordena o gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O supereu \u00e9, ao mesmo tempo, legislador e transgressor. Lacan se vale dos mitos de \u201c\u00c9dipo\u201d e de \u201cTotem e Tabu\u201d, no Semin\u00e1rio 18, para ilustrar o paradoxo do supereu, como j\u00e1 havia feito antes com Kant e Sade. Na \u00e9poca do decl\u00ednio do pai, fica patente a glutonaria, a voracidade do gozo, como forma de apresenta\u00e7\u00e3o do supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imperativo de gozo: <em>Goza!<\/em> produz o empuxo a gozar cada vez mais. Trata-se da ordem de ferro, particularmente eficaz na neurose obsessiva: trabalhe! n\u00e3o admita falhas! submeta-se!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Supereu: a voz<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J.-A. Miller, na confer\u00eancia \u201cDo supereu \u00e0 voz como objeto <em>a<\/em>-f\u00f4nico\u201d, diz que o supereu freudiano \u00e9 o nome mais pr\u00f3ximo da divis\u00e3o do sujeito no sentido de Lacan ($). O supereu em Freud pode ser a causa de fen\u00f4menos cl\u00ednicos derivados dessa divis\u00e3o, tendo o fantasma como paradigma. Fantasma que se poderia traduzir como \u201cUm sujeito \u00e9 barrado\u201d, em jogo com \u201cUma crian\u00e7a \u00e9 espancada\u201d<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cl\u00ednica do in\u00edcio da an\u00e1lise, o momento em que fica patente a divis\u00e3o ($) do sujeito \u00e9 aquele onde o supereu interv\u00e9m na experi\u00eancia. \u00c9 o inerte, o congelado, o n\u00e3o-dialetizado na palavra do analisante<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>. O momento af\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz est\u00e1 em primeiro plano no supereu, diz Miller<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>. Lacan, no Semin\u00e1rio 16, \u00e9 enf\u00e1tico: \u201c\u00c9 imposs\u00edvel conceber a fun\u00e7\u00e3o do supereu sem compreender o que acontece com a fun\u00e7\u00e3o do <strong>objeto <em>a<\/em><\/strong> efetivada pela voz como suporte da articula\u00e7\u00e3o significante, a voz pura, tal como \u00e9 instaurada [&#8230;] no lugar do Outro [&#8230;]\u201d<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\"><sup>[36]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundamental saber se a voz est\u00e1 ou n\u00e3o no lugar do Outro para se falar de supereu e, ainda, levar em conta que a voz habita a linguagem, assombra-a, \u00e9 o suporte gozoso da articula\u00e7\u00e3o significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz dos imperativos do supereu aparece, paradoxalmente, nos momentos de eclipse do sujeito, um sujeito, cito Miller, \u201cabsorto e eclipsado nos enunciados do supereu, com eles confundido durante toda a sua exist\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\"><sup>[37]<\/sup><\/a> &#8230; at\u00e9 que seja capaz de produzir uma enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sigamos com Lacan: \u201cUma voz n\u00e3o \u00e9 assimilada, mas incorporada. \u00c9 isso que pode conferir-lhe uma fun\u00e7\u00e3o que serve de modelo para o nosso vazio\u201d<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><sup>[38]<\/sup><\/a>. O vazio da castra\u00e7\u00e3o. Portanto, a voz n\u00e3o se escuta no registro sonoro, \u00e9 pr\u00f3prio dela ser \u00e1fona. \u00c9 a opera\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que esvazia a voz de sua substancialidade sonora e abre passagem \u00e0 fun\u00e7\u00e3o significante<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre a voz e o que vem do Outro. Lacan aponta: \u201cH\u00e1 alguma coisa na voz que se especifica topologicamente, uma vez que em parte alguma o sujeito fica mais interessado no Outro do que atrav\u00e9s desse objeto <em>a<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\"><sup>[40]<\/sup><\/a>. Refere-se aqui \u00e0 topologia do furo em uma esfera dobrada sobre si mesma. Algo semelhante ao \u00f3rg\u00e3o auditivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">Supereu e sublima\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas umas poucas palavras para situar a rela\u00e7\u00e3o do supereu com a sublima\u00e7\u00e3o, um dos destinos da puls\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sublima\u00e7\u00e3o consiste em desviar as for\u00e7as pulsionais sexuais para um alvo n\u00e3o sexual, para atividades socialmente valorizadas como a arte, a ci\u00eancia e o esporte. \u00c9 preciso destacar sua liga\u00e7\u00e3o com o desejo, motor da cria\u00e7\u00e3o, e com o humor, que minora o sofrimento<sup> <a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da introdu\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte, por Freud, a sublima\u00e7\u00e3o passa a ser vista como liberadora das puls\u00f5es agressivas do supereu, as quais lutavam contra a libido, deixando o Eu exposto a maus-tratos e morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no Semin\u00e1rio 7<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\"><sup>[42]<\/sup><\/a>, relaciona a sublima\u00e7\u00e3o \u00e0 libido objetal, coisa n\u00e3o evidente, pois, a princ\u00edpio, a forma\u00e7\u00e3o de um ideal sublimat\u00f3rio pareceria descartar a libido. Por\u00e9m, a sublima\u00e7\u00e3o satisfaz a puls\u00e3o, deslocando o alvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da rela\u00e7\u00e3o entre sublima\u00e7\u00e3o e supereu se disse pouco. Lacan, ainda no Semin\u00e1rio 7, aponta o <em>Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> como um desregramento no qual o supereu encontra em si mesmo seu pr\u00f3prio agravamento por ruptura dos freios que o sustentavam. No interior desse desregramento, no fundo da vida ps\u00edquica, as tend\u00eancias podem encontrar sua justa sublima\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\"><sup>[43]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #ffcc00;\">O bem-feito do supereu: conclus\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, pode o supereu fazer algo bem-feito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fazer bem-feito com esses elementos d\u00edspares que o caracterizam?\u00a0 Em Freud, cito Paula Maia: \u201c[&#8230;] Pai edipiano, amea\u00e7a de castra\u00e7\u00e3o e lei interditora\u201d. Em Lacan: \u201cPai real\/origin\u00e1rio, castra\u00e7\u00e3o estrutural e Lei insensata do gozo\u201d<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\"><sup>[44]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pode fazer bem-feito se habita o paradoxo legislador-transgressor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre Lei, voracidade, voz, e os imperativos (<em>Tu deves!<\/em>), o que do supereu pode vir em aux\u00edlio do sujeito, de sua an\u00e1lise ou mesmo da psican\u00e1lise?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Satisfa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, no texto \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache\u201d<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\"><sup>[45]<\/sup><\/a>, utiliza o termo lugar de <em>Mais-Ningu\u00e9m<\/em> para ali isolar a defesa primordial do sujeito, defesa ligada ao supereu. Uma clareira na floresta das puls\u00f5es, ou, como ele escreve \u201cc\u00edrculo queimado na mata das puls\u00f5es\u201d<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00edrculo \u00e9 o <em>lugar de uma aus\u00eancia<\/em>. Diz Lacan: \u201cessa aus\u00eancia do sujeito coerente \u00e9 o que melhor caracteriza a organiza\u00e7\u00e3o do Id [&#8230;]. Toda coisa \u00e9 chamada para esse lugar para ser <em>lavada da falha <\/em>[&#8230;]. Nesse lugar de <em>Mais-Ningu\u00e9m <\/em>s\u00f3 se faz ouvir o sil\u00eancio da puls\u00e3o de morte\u201d<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\"><sup>[47]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cito Licene Garcia: \u201carrisco a dizer que esse c\u00edrculo [&#8230;] \u00e9 o lugar do qual se decantaria a letra, na medida em que, ao demarcar uma borda, delimita um dentro e um fora topologicamente a partir do furo. Uma vez que \u00e9 somente do lugar de <em>Mais-Ningu\u00e9m<\/em> que cada um est\u00e1 sozinho em seu modo de gozar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, no mesmo texto, S\u00e9rgio Laia, \u201cum tratamento conduzido por um analista pode transmutar o <em>lugar nenhum<\/em>, marcado e assolado pela segrega\u00e7\u00e3o e pelo negativo, em <em>lugar de mais-ningu\u00e9m<\/em>, eivado de gozo, ou seja, de uma satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-negativiz\u00e1vel\u201d.<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, no <em>lugar da aus\u00eancia<\/em>, do furo, da marca inaugural da linguagem no corpo, onde se inscreve a identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria ao pai e <em>se engendra<\/em> o supereu, pode tamb\u00e9m surgir uma satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos leva \u00e0 quest\u00e3o: seria poss\u00edvel satisfa\u00e7\u00e3o sem supereu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria poss\u00edvel satisfa\u00e7\u00e3o sem os ecos da puls\u00e3o de morte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gozo feminino<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paula Maia prop\u00f5e que o supereu, embora n\u00e3o equivalha ao gozo feminino, tem afinidades com ele: \u201cO supereu \u00e9 um comando que enuncia uma ordem que visa ao gozo pleno. Se o gozo feminino \u00e9 um real sem lei, [&#8230;] o sujeito masculino tenta fazer disso uma lei de ferro\u201d<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o gozo feminino como lei de ferro que tem afinidades com o supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, dizem \u00e0 boca pequena ser o supereu feminino, veiculado pela m\u00e3e ou pelo desejo da m\u00e3e&#8230; Sigo com Paula Maia. Nas meninas, por serem sempre castradas, e pelo fato de a dissolu\u00e7\u00e3o de seu complexo de \u00c9dipo s\u00f3 ocorrer com a maternidade, \u201co supereu jamais se torna t\u00e3o inexor\u00e1vel, t\u00e3o independente de suas origens afetivas, como se requer que seja no homem\u201d, ela cita Freud, questionando tamb\u00e9m a solidez da moral feminina<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\"><sup>[50]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gozo reenvia ao desejo da m\u00e3e como fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica irrefre\u00e1vel. Teria a mulher supereu? Ou sua dificuldade com o universal o impediria?\u00a0 Miller diz que essa pergunta \u00e9 apenas um disfarce diante do problema fundamental do gozo feminino, pois pode demonstrar \u201ca ubiquidade do gozo quando n\u00e3o se localiza como gozo f\u00e1lico\u201d<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\"><sup>[51]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gozo feminino estaria em toda parte? Ub\u00edquo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Regra Fundamental<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No artigo \u201cO supereu, aliado do analista\u201d<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\"><sup>[52]<\/sup><\/a>, Adriana Campos fala, \u201cquando o analista enuncia a regra fundamental da psican\u00e1lise a algu\u00e9m que lhe solicita ajuda, isso equivale a dizer [cita Lacan em 1975]: \u2018ser\u00e1 necess\u00e1rio sofrer um pouco para fazer alguma coisa em conjunto. [&#8230;] Ao mesmo tempo, o analista encontra um aliado no supereu\u2019\u201d<sup> .<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada menos evidente! A regra fundamental <em>diga tudo o que lhe vier \u00e0 cabe\u00e7a sem qualquer censura ou restri\u00e7\u00e3o <\/em>\u00e9, justamente, um convite a falar, a liberar a palavra, a distanciar-se dos comandos do supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, segundo Lacan, ao prescrever a regra fundamental ao paciente, o analista estimula o princ\u00edpio do prazer e, portanto, instiga-o a distanciar-se da armadilha do gozo masoquista do sintoma e da repeti\u00e7\u00e3o, para aproximar-se do gozo da associa\u00e7\u00e3o livre, da palavra, \u201cpois a fun\u00e7\u00e3o da palavra n\u00e3o est\u00e1 somente ligada \u00e0 estrutura da linguagem, mas tamb\u00e9m \u00e0 subst\u00e2ncia do gozo\u201d, conforme J.-A. Miller<a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\"><sup>[54]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, ao enunciar a regra, o analista emite o imperativo: <em>Diga tudo o que lhe vier \u00e0 cabe\u00e7a! <\/em>Fala como o supereu, incita ao<em> Goza!<\/em> E promete um gozo espec\u00edfico, o da palavra<a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\"><sup>[55]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Semblante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que podemos dizer de um certo \u201cfazer-se de supereu\u201d, semblante do analista do qual se deveria prescindir com a condi\u00e7\u00e3o de se servir dele? Lembro-me de um flash cl\u00ednico. Durante uma sess\u00e3o, a analisanda diz ter sonhado com a frase: <em>\u201cMas, a analista <\/em>[diz o nome] <em>n\u00e3o me deixaria fazer isso!<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\"><sup>[56]<\/sup><\/a> Essa analista sabe fazer o semblante de supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a diferen\u00e7a com o ato anal\u00edtico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso estar alerta para a confus\u00e3o poss\u00edvel com certa ambi\u00e7\u00e3o do analista de fazer-se de mestre e, tamb\u00e9m, com a transfer\u00eancia negativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, nesta conjectura, o supereu pode fazer<em> bem-feito<\/em> em, pelo menos, quatro condi\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia anal\u00edtica:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Prover o lugar da satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-negativiz\u00e1vel;<\/li>\n<li>Esclarecer o gozo feminino como lei de ferro;<\/li>\n<li>Auxiliar na regra fundamental;<\/li>\n<li>Possibilitar o semblante \u201cfazer-se de supereu\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Termino este argumento em companhia de Carolina Koretzky e de sua hip\u00f3tese sobre o que faria algu\u00e9m buscar a psican\u00e1lise em nossa \u00e9poca:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA demanda de certos sujeitos que hoje nos procuram n\u00e3o \u00e9 tanto a de afrouxar o cerco de sua aliena\u00e7\u00e3o ao desejo do Outro, a fim de subjetivar a l\u00f3gica do que neles se articula sem o seu conhecimento&#8230; Talvez venham cada vez mais \u00e0 procura de um espa\u00e7o outro, uma \u2018respira\u00e7\u00e3o\u2019, onde possam se refugiar de um <em>Goza! <\/em>que nunca se satisfaz\u201d<a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\"><sup>[57]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>CAMPOS, A. <\/strong><em>Ce qui commande le surmoi \u2013 Imp\u00e9ratifs et sacrifices au XXI<sup>e<\/sup> si\u00e8cle<\/em>. Presses Universitaires de Rennes : Rennes, 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>CAMPOS. A.<\/strong> \u00ab\u00a0Le surmoi, un alli\u00e9 de l\u2019analyste\u00a0\u00bb. In. : <em>La Cause du d\u00e9sir \u2013 Revue de psychanalyse. <\/em>Paris : Navarin \u00c9diteur, n. 118, d\u00e9cembre 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>DUPONT, L.<\/strong> \u201cLa mentalit\u00e9, le S1 et la certitude\u201d. In.\u00a0: <em>Mental,<\/em> n. 49, juin 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>FREUD, S.<\/strong> \u201cO Eu e o Id\u201d [1923-1925]. <em>Obras Completas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, Vol. 16, 2011.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>FREUD, S.<\/strong> \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d [1930-1936]. In.: <em>Obras Completas.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. Volume 18, 2010.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>GARCIA, L.<\/strong> \u201cUm-dizer sobre o imposs\u00edvel de dizer\u201d. Trabalho apresentado na Jornada de Cart\u00e9is 2025 da EBP-SP. Coordena\u00e7\u00e3o Mirmila Musse. S\u00e3o Paulo, 06.12.2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>KORETZKY, C.<\/strong> \u00ab\u00a0Du nouage par le social\u00a0\u00bb. <em>Mental \u2013 Revue International de Psychanalyse<\/em>. Euro F\u00e9d\u00e9ration de Psychanalyse, num\u00e9ro 50, Paris, novembre 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> \u00ab\u00a0Sur le plaisir et la r\u00e8gle fondamentale\u00a0\u00bb. In.\u00a0: <em>Lettres de l\u2019\u00c9cole freudienne de Paris<\/em>, n. 24, juillet 1978.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache\u201d [1960]. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 16. De um Outro ao outro <\/em>[1968-1969]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 10. A Ang\u00fastia<\/em> [1962-1963]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> \u201cTelevis\u00e3o\u201d [1973]. In: <em>Outros Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Triunfo da Religi\u00e3o, precedido de Discurso aos Cat\u00f3licos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 1. Os escritos t\u00e9cnicos de Freud <\/em>[1953-1954]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1983.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 18. De um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em> [1971]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LACAN, J.<\/strong> <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 7. A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em> [1959-1960]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LAIA, S.<\/strong> \u201cPor que as psicoses&#8230; ainda\u201d. Texto de orienta\u00e7\u00e3o para as 26\u00aas Jornadas da EBP-MG, Belo Horizonte, 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B.<\/strong> <em>Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Pedro Tamen. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, junho de 1992.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>MAIA, P.<\/strong> \u201cSupereu na diferen\u00e7a sexual e a ubiquidade do gozo\u201d. Trabalho apresentado nas Jornadas de Cart\u00e9is 2025 da EBP-SP. Coordena\u00e7\u00e3o Mirmila Musse. S\u00e3o Paulo, 06.12.2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>MENDES, E.<\/strong> <em>Puls\u00e3o e Sublima\u00e7\u00e3o: a trajet\u00f3ria do conceito, possibilidades e limites.<\/em> Pepsic.Bvsalud.Scielo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>MILLER, J.-A.<\/strong> \u201cClinique du surmoi\u201d. <em>Mental \u2013 Revue International de Psychanalyse<\/em>. Euro F\u00e9d\u00e9ration de Psychanalyse, num\u00e9ro 50, Paris, novembre 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>MILLER, J.-A.<\/strong> \u201cDel supery\u00f3 \u00e0 la voz como objeto <em>a<\/em>-f\u00f4nico\u201d. In.: <em>Freudiana<\/em>. Revista de la ELP, n\u00famero 98, parte I, 2023.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><strong>MILLER, J.-A.<\/strong> <em>Coisas de fineza em psican\u00e1lise<\/em>. A orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. Aula de 06.05.2009. Curso In\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff9900;\">EIXOS<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>MESAS SIMULT\u00c2NEAS <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>JORNADA CL\u00cdNICA<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EIXO 1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0Apresenta\u00e7\u00e3o: EBP-SP \u2013 20\/5\/2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MANIFESTA\u00c7\u00d5ES CL\u00cdNICAS PARADIGM\u00c1TICAS DO SUPEREU<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EIXO 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Apresenta\u00e7\u00e3o: EBP-SP \u2013 17\/6\/2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A FEROCIDADE DO SUPEREU E O EMPUXO AO GOZO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EIXO 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Apresenta\u00e7\u00e3o: EBP-SP \u2013 12\/8\/2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>PARADOXOS DO <em>GOZE<\/em>! NA CULTURA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup><span style=\"font-size: 13px;\">[1]<\/span><\/sup><\/a><span style=\"font-size: 13px;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d [1923-1925]. <em>Obras Completas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, Vol. 16, 2011, p. 34.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. <em>Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Pedro Tamen. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, junho de 1992, p. 497.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. <em>Idem<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. <em>Ce qui commande le surmoi \u2013 Imp\u00e9ratifs et sacrifices au XXI<sup>e<\/sup> si\u00e8cle<\/em>. Presses Universitaires de Rennes : Rennes, 2022, p. 173. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d, op. cit., p. 43.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 38-39.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 43.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. <em>Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise<\/em>, op. cit., p. 222.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. <em>Idem.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo Miller, a diferen\u00e7a entre eles \u00e9 que o ideal do Eu sustenta uma fun\u00e7\u00e3o de idealiza\u00e7\u00e3o e o supereu de interdi\u00e7\u00e3o. MILLER, J.-A. \u201cClinique du surmoi\u201d. <em>Mental \u2013 Revue International de Psychanalyse<\/em>. Euro F\u00e9d\u00e9ration de Psychanalyse, num\u00e9ro 50, Paris, novembre 2024, p. 14. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d, op. cit., p. 46-47.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d, op. cit., p. 60.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. <em>Ce qui commande<\/em> &#8230; op. cit., p. 174.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 56.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 1. Os escritos t\u00e9cnicos de Freud <\/em>[1953-1954]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1983, p. 123, <em>apud.<\/em> Adriana Campos, op. cit. p. 56.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 18. De um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em> [1971]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o Vera Ribeiro<em>.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009, p. 150.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 KORETZKY, C. \u00ab\u00a0Du nouage par le social\u00a0\u00bb. <em>Mental \u2013 Revue International de Psychanalyse<\/em>. Euro F\u00e9d\u00e9ration de Psychanalyse, num\u00e9ro 50, Paris, novembre 2024, p.70. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 18, <\/em>op. cit., p. 148-151.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 KORETZKY, C. op. cit., p. 71.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 7. A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em> [1959-1960]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, p. 368.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. op. cit., p. 119.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Triunfo da Religi\u00e3o, precedido de Discurso aos Cat\u00f3licos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 KORETZKY, C. \u00ab\u00a0Du nouage par le social\u00a0\u00bb. In. : <em>Mental \u2013 Revue international de psychanalyse<\/em>, n. 50, novembre 2024, <em>apud.<\/em> DUPONT, L. \u201cLa mentalit\u00e9, le S1 et la certitude\u201d. In.\u00a0: <em>Mental,<\/em> n. 49, juin 2024, p. 126. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d, op. cit., p. 43.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 7<\/em>. op. cit., p. 99.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 98.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 100.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>, p. 102.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d [1973]. In: <em>Outros Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003, p. 529\/530.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 18<\/em>, op. cit., p. 148.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. \u00ab\u00a0Clinique du surmoi\u00a0\u00bb, op. cit., p. 19.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d [1930-1936]. In.: <em>Obras Completas.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras. Volume 18, 2010, p. 97\/99.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\"><sup>[33]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. \u201cDel supery\u00f3 \u00e0 la voz como objeto <em>a<\/em>-f\u00f4nico\u201d. In.: <em>Freudiana<\/em>. Revista de la ELP, n\u00famero 98, parte I, 2023. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\"><sup>[34]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. <em>Idem.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\"><sup>[35]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\"><sup>[36]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 16. De um Outro ao outro <\/em>[1968-1969]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2008, p. 250.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\"><sup>[37]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. <em>Idem.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\"><sup>[38]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 10. A Ang\u00fastia<\/em> [1962-1963]. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005, p. 301.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\"><sup>[39]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. <em>Ce qui commande&#8230;<\/em> op. cit. p. 145.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\"><sup>[40]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 16, <\/em>op. cit., p. 249.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\"><sup>[41]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MENDES, E. <em>Puls\u00e3o e Sublima\u00e7\u00e3o: a trajet\u00f3ria do conceito, possibilidades e limites. <\/em>Consulta em 8.3.2026.\u00a0http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-73952011000200007https:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-73952011000200007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\"><sup>[42]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio \u2013 Livro 7. A \u00c9tica da Psican\u00e1lise<\/em>, op. cit., p. 121.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\"><sup>[43]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. <em>Idem<\/em>, p. 178\/179.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\"><sup>[44]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MAIA, P. \u201cSupereu na diferen\u00e7a sexual e a ubiquidade do gozo\u201d. Trabalho apresentado nas Jornadas de Cart\u00e9is de 2025 da EBP-SP. Coordena\u00e7\u00e3o Mirmila Musse. S\u00e3o Paulo, 06.12.2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\"><sup>[45]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. \u201cObserva\u00e7\u00f5es sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache\u201d [1960]. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 673.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\"><sup>[46]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 GARCIA, L. \u201cUm-dizer sobre o imposs\u00edvel de dizer\u201d. Trabalho apresentado na Jornada de Cart\u00e9is de 2025 da EBP-SP. Coordena\u00e7\u00e3o Mirmila Musse. S\u00e3o Paulo, 06.12.2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\"><sup>[47]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. [1960]. op. cit., p. 674.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\"><sup>[48]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LAIA, S. \u201cPor que as psicoses&#8230; ainda\u201d. Texto de orienta\u00e7\u00e3o para as 26\u00aas Jornadas da EBP-MG, Belo Horizonte, 2023. <em>apud.<\/em> GARCIA, L. op. cit., p. 2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\"><sup>[49]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MAIA, P. op. cit., p. 2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\"><sup>[50]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. \u201cO Eu e o Id\u201d, op. cit., p. 298, <em>apud.<\/em> Maia, P. op. cit., p. 2<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\"><sup>[51]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. \u00ab\u00a0Clinique du surmoi\u00a0\u00bb, op. cit., p. 24.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\"><sup>[52]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. \u00ab\u00a0Le surmoi, un alli\u00e9 de l\u2019analyste\u00a0\u00bb. In. : <em>La Cause du d\u00e9sir \u2013 Revue de psychanalyse. <\/em>Paris : Navarin \u00c9diteur, n. 118, d\u00e9cembre 2024, p. 43. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\"><sup>[53]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. \u00ab\u00a0Sur le plaisir et la r\u00e8gle fondamentale\u00a0\u00bb. In.\u00a0: <em>Lettres de l\u2019\u00c9cole freudienne de Paris<\/em>, n. 24, juillet 1978, p. 23. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\"><sup>[54]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. <em>Coisas de fineza em psican\u00e1lise<\/em>. A orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. Aula de 06.05.2009. Curso In\u00e9dito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\"><sup>[55]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CAMPOS, A. [2024] op. cit., p. 44.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\"><sup>[56]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Relato durante reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o das Jornadas da EBP-SP 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\"><sup>[57]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 KORETZKY, C. \u00ab\u00a0Le nouage par le social\u00a0\u00bb, op. cit., p. 72.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;10108&#8243;][vc_empty_space][vc_column_text] Maria do Carmo Dias Batista AME da EBP\/AMP Coordenadora da Comiss\u00e3o de Orienta\u00e7\u00e3o das XIV Jornadas da EBP-SP O que \u00e9 um argumento? A princ\u00edpio, argumento \u00e9 uma discuss\u00e3o em defesa ou refuta\u00e7\u00e3o de uma ideia, de uma tese, de um texto, de um manifesto. 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