{"id":13884,"date":"2025-08-13T10:26:55","date_gmt":"2025-08-13T13:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?p=13884"},"modified":"2025-08-13T10:26:55","modified_gmt":"2025-08-13T13:26:55","slug":"a-parceria-sintomatica-por-uma-escrita-plena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/a-parceria-sintomatica-por-uma-escrita-plena\/","title":{"rendered":"A parceria sintom\u00e1tica por uma escrita plena"},"content":{"rendered":"<p>Fernanda Marra<br \/>\n<a href=\"mailto:dizamarra@gmail.com\">dizamarra@gmail.com<\/a><br \/>\n(62) 98143-0493<\/p>\n<p>\u00c0 leitura das cartas de Joyce para Nora, vem se juntar esta outra: a carta que Andr\u00e9 Gorz, escritor vienense, filho de m\u00e3e cat\u00f3lica e pai judeu, escreveu \u00e0 esposa inglesa, Dorine, ap\u00f3s 58 anos ao seu lado. A carta \u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o acerca dessa parceria amorosa e longeva, que o escritor foi capaz de fazer ao fim da vida, quando reconhece que n\u00e3o apenas viveu um encontro amoroso, mas que ele foi para si a causa.<\/p>\n<p>Antes de Dorine, o desejo de Andr\u00e9 estivera ancorado na fantasia de escrever para n\u00e3o existir. O autor explicita a op\u00e7\u00e3o que fizera pelo uso da terceira pessoa em seus textos: \u201cA terceira pessoa me mantinha \u00e0 dist\u00e2ncia de mim mesmo, me permitia elaborar, numa linguagem neutra, codificada, um retrato quase cl\u00ednico do meu jeito de ser e de funcionar\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. A carta a Dorine \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o dessa escrita, cuja forma exige que o sujeito se implique no dizer. Dizer \u201ceu\u201d \u00e9 poss\u00edvel na medida em que o autor est\u00e1 diante dessa outra, sua parceira no sintoma e na vida.<\/p>\n<p>Reconhecendo os revezes e revezamentos que fazem consistir esse relacionamento, a carta sobrevive ao casal e nos chega noticiando o encontro que se escreveu a despeito da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual. Para o homem, Dorine \u00e9 a estrangeira que o faz se sentir em casa: \u201cCom voc\u00ea, eu estava em outro lugar; um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo. Voc\u00ea me dava acesso a uma dimens\u00e3o de alteridade suplementar\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Por outro lado, a mulher parece haver encontrado no parceiro silencioso e obcecado pela escrita a liberdade para se exprimir e transitar pelo mundo dedicando-se ao teatro, \u00e0s leituras, ao trabalho de secretari\u00e1-lo e acompanh\u00e1-lo ativamente pelo mundo.<\/p>\n<p>Vale conferir a hist\u00f3ria desse amor pelas linhas que o escritor deixou como um testemunho de que o encontro sim escreve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> GORZ, Andr\u00e9. <em>Carta a D.: Hist\u00f3ria de um amor<\/em>. Trad. Celso Azzan Jr. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 65-66.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Ibid<\/em>, p. 16.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Marra dizamarra@gmail.com (62) 98143-0493 \u00c0 leitura das cartas de Joyce para Nora, vem se juntar esta outra: a carta que Andr\u00e9 Gorz, escritor vienense, filho de m\u00e3e cat\u00f3lica e pai judeu, escreveu \u00e0 esposa inglesa, Dorine, ap\u00f3s 58 anos ao seu lado. 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