{"id":13161,"date":"2024-07-31T18:42:13","date_gmt":"2024-07-31T21:42:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?p=13161"},"modified":"2024-07-31T18:42:13","modified_gmt":"2024-07-31T21:42:13","slug":"arte-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/arte-e-cultura\/","title":{"rendered":"ARTE E CULTURA"},"content":{"rendered":"<p>Para esta edi\u00e7\u00e3o do MNEMIS, os integrantes da Comiss\u00e3o de Arte e Cultura, Let\u00edcia Rosa e Rodrigo Oliveira entrevistaram duas artistas que far\u00e3o parte da Exposi\u00e7\u00e3o Corpo, M-E-M-\u00d3-R-I-A, sendo elas Fab\u00edola Menezes e Rosana Paste, respectivamente. Confira o que elas contaram sobre seus trabalhos e suas vidas entrela\u00e7adas com a arte.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>SOBRE A ARTISTA FAB\u00cdOLA MENEZES<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Comiss\u00e3o de Arte e Cultura das V Jornadas da EBP-SLO<\/h6>\n<figure id=\"attachment_13162\" aria-describedby=\"caption-attachment-13162\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13162\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_004-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_004-300x214.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_004.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13162\" class=\"wp-caption-text\">T\u00edtulo: &#8220;Das presen\u00e7as que se fazem aus\u00eancia ou das aus\u00eancias presentes&#8217;<br \/>Tinta acr\u00edlica sobre mdf, 2010<br \/>30x40cm<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>LR: <\/strong>Para voc\u00ea, por que a Arte?<\/p>\n<p><strong>FM: <\/strong>Apesar de parecer clich\u00ea, acredito que a Arte me salva todos os dias e me traz o sentimento de pertencimento neste mundo. Sempre fui uma pessoa que se sentia um \u201cpeixe fora d\u2019\u00e1gua\u201d, e esse sentimento vem desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Filha \u00fanica por parte de m\u00e3e, aprendi a brincar sozinha e a criar o meu universo particular. Minha m\u00e3e sempre me incentivou com os materiais de desenho e gibis, ent\u00e3o eu tinha por h\u00e1bito cotidiano desenhar e ler. Na adolesc\u00eancia queria estudar Medicina, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel, ent\u00e3o, tardiamente, ap\u00f3s ter meus dois filhos fui fazer Artes Pl\u00e1sticas como gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No desenho e na pintura retomei aspectos que me permeavam desde a inf\u00e2ncia, e na conclus\u00e3o de curso, busquei em meu trabalho final abordar o tema da morte a partir da busca da colora\u00e7\u00e3o do corpo morto no tom de pele de meus retratados.<\/p>\n<p>O \u201cisso j\u00e1 foi\u201d de Roland Barthes, fazia presen\u00e7a nos retratos que pintei, a partir da ideia de permitir ao retratado se ver \u201cmorto\u201d na contram\u00e3o epicurista, a partir da colora\u00e7\u00e3o de sua pele: p\u00e1lida, fosca e amarronzada. Como se fosse poss\u00edvel o retrato morrer no lugar do retratado, quase como num \u201cretrato de Dorian Gray\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_13163\" aria-describedby=\"caption-attachment-13163\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13163\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_005-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_005-209x300.jpg 209w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_005.jpg 435w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13163\" class=\"wp-caption-text\">T\u00edtulo: Corpo-casa<br \/>T\u00e9cnica mista sobre papel, 2024<br \/>29,7x42cm<\/figcaption><\/figure>\n<p>Minha pesquisa sobre a morte se estendeu no mestrado e ampliou-se tamb\u00e9m sobre o morto e o morrer nas fotografias mortu\u00e1rias realizadas em Juazeiro do Norte, Cear\u00e1. E, por fim, no doutorado me reaproximei do antigo sonho da medicina e acabei por entrar num programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Anatomia na USP. Todo o meu percurso art\u00edstico esteve envolto com a capacidade que a Arte possui de se expandir em diversos territ\u00f3rios de conhecimento, e, por isso, considero que ela me salva todos os dias, porque me traz sentido naquilo que a vida n\u00e3o d\u00e1 conta.<\/p>\n<p><strong>LR:<\/strong> Como Corpo e Mem\u00f3ria se relacionam com o seu desenvolvimento art\u00edstico?<\/p>\n<p><strong>FM: <\/strong>Para mim, o corpo \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de um estado de mem\u00f3ria, e no meu trabalho, esse corpo que vive e morre, que se desenvolve e se decomp\u00f5e \u00e9 a lembran\u00e7a constante do indiv\u00edduo que permanece ap\u00f3s a finitude. A aproxima\u00e7\u00e3o com a anatomia e a representa\u00e7\u00e3o do corpo descarnado, me permite ver cada linha, tra\u00e7o, volume, cor de um tecido biol\u00f3gico, que s\u00f3 funciona quando integrado a este corpo e possu\u00eddo de vida. O tempo da vida tamb\u00e9m existe na morte, quando este corpo se transforma em p\u00f3 ou mat\u00e9ria org\u00e2nica irreconhec\u00edvel.<\/p>\n<p>Cada corpo traz em si evid\u00eancias de uma exist\u00eancia que possui data de validade, e no desenho e pintura eu consigo perpetuar essa exist\u00eancia como um reflexo daquilo que j\u00e1 se foi. Como uma capacidade de congelar o tempo, estancar a deteriora\u00e7\u00e3o e permitir que a imagem viva al\u00e9m do tempo. Um devaneio sobre o poder da exist\u00eancia, que a Arte permite sem que eu me sinta no lugar da onipresen\u00e7a ou onisci\u00eancia. Um devaneio sobre ser criadora e criatura ao mesmo tempo e espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>SOBRE A ARTISTA ROSANA PASTE<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Comiss\u00e3o de Arte e Cultura das V Jornadas da EBP-SLO<\/p>\n<p><strong>RO: <\/strong>Como a arte entrou em sua vida?<\/p>\n<p><strong>RP: <\/strong>Nasci e vivi at\u00e9 os 18 anos em Venda Nova do Imigrante ES. Filha de agricultores, sempre tivemos o privil\u00e9gio de tradi\u00e7\u00f5es culturais nas diversas \u00e1reas: agricultura, manualidades, alimento, autossubsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste sentido fui criada num ber\u00e7o espl\u00eandido de significados. Por exemplo: o jeito de fazer canteiros na horta \u00e9 muito pl\u00e1stico, a maneira de lidar com a feitura das casas de pau a pique \u00e9 tamb\u00e9m muito rico de materiais e plasticidade etc. Neste sentido, quando adolescente, aos 16 anos, entendi que era esse meu lugar: ressignificar tudo que me foi dado e ampliar para o campo da arte. Foi assim que descobri o que faria para o resto de minha vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_13164\" aria-describedby=\"caption-attachment-13164\" style=\"width: 1612px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13164 size-full\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006.jpg\" alt=\"\" width=\"1612\" height=\"676\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006.jpg 1612w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006-300x126.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006-1024x429.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006-768x322.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_006-1536x644.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1612px) 100vw, 1612px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13164\" class=\"wp-caption-text\">(Exposi\u00e7\u00e3o \u201cEntre Camadas\u201d. Foto: Rosana Paste).<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>RO: <\/strong>Como sua vida entra em sua arte?<\/p>\n<p><strong>RP: <\/strong>Arte e vida n\u00e3o s\u00e3o coisas diferentes. Est\u00e3o atreladas e uma cria rizomas com a outra. Os pontos de fuga que aprendi a partir de meus estudos somam nesta busca infinita de estabelecer esse constante di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Acho que as resposta da primeira pergunta responde a segunda tamb\u00e9m&#8230;. meus materiais utilizados em minhas esculturas, as subjetividades, os conceitos est\u00e3o impregnados pela minha vida, exist\u00eancia e finitude.<\/p>\n<p>A arte n\u00e3o tem impregnados, mas o artista tem seu territ\u00f3rio. O meu territ\u00f3rio \u00e9 meu ch\u00e3o e meu peda\u00e7o de c\u00e9u que me acompanham onde eu estiver. E conhe\u00e7o desde que nasci.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para esta edi\u00e7\u00e3o do MNEMIS, os integrantes da Comiss\u00e3o de Arte e Cultura, Let\u00edcia Rosa e Rodrigo Oliveira entrevistaram duas artistas que far\u00e3o parte da Exposi\u00e7\u00e3o Corpo, M-E-M-\u00d3-R-I-A, sendo elas Fab\u00edola Menezes e Rosana Paste, respectivamente. Confira o que elas contaram sobre seus trabalhos e suas vidas entrela\u00e7adas com a arte. 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