{"id":13155,"date":"2024-07-31T18:33:41","date_gmt":"2024-07-31T21:33:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?p=13155"},"modified":"2024-07-31T18:33:41","modified_gmt":"2024-07-31T21:33:41","slug":"eixos-tematicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/eixos-tematicos\/","title":{"rendered":"EIXOS TEM\u00c1TICOS"},"content":{"rendered":"<p>Nossa convidada especial nestas V Jornadas, Marina Recalde, respondendo a uma pequena provoca\u00e7\u00e3o da equipe editorial do MNEMIS, nos brinda com um fragmento preliminar do que lhe ocorre a partir do tema proposto: Corpo, M-E-M-\u00d3-R-I-A. O resultado voc\u00eas poder\u00e3o acompanhar abaixo. Em poucas linhas, Marina, acende a promessa do que podemos esperar da sua participa\u00e7\u00e3o e incendeia o desejo de que setembro chegue logo. Confira!<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13156 alignnone\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_002-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_002-300x300.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_002-150x150.jpg 150w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/menumis004_002.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marina Recalde (EOL\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite para participar deste boletim sobre um tema t\u00e3o apaixonante para mim como o do Corpo e da Mem\u00f3ria. O tema me pareceu uma excelente escolha, primeiramente colocando o corpo e, em seguida a m-e-m-\u00f3-r-i-a.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, colocar o corpo em primeira inst\u00e2ncia j\u00e1 implica uma posi\u00e7\u00e3o: para poder falar de mem\u00f3ria, \u00e9 preciso ter um corpo. N\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3ria sem corpo.<\/p>\n<p>E, por sua vez, colocar os hifens entre as letras, me fez pensar que talvez tenha sido a forma que encontraram, os que pensaram o t\u00edtulo, para evidenciarmos que a mem\u00f3ria n\u00e3o pode ser pensada como um todo, somente em seus tra\u00e7os, impactos, fragmentos. Nossa mem\u00f3ria \u00e9 isso: fragmentos de gozo que impactaram nosso corpo. A mem\u00f3ria nunca \u00e9 total.<\/p>\n<p>Nietzsche, em algum momento, prop\u00f4s imaginar \u201cO caso extremo de um homem que perdeu a for\u00e7a de esquecer, algu\u00e9m que foi condenado a ver, em toda parte, um vir-a-ser. Esse homem n\u00e3o seria mais capaz de acreditar em sua pr\u00f3pria exist\u00eancia; vendo todas as coisas flu\u00edrem separadamente em pontos m\u00f3veis, ele se perderia, assim, nessa corrente de vir-a-ser.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Alguns dizem que Borges n\u00e3o podia desconhecer este fragmento (era um grande leitor de Nietzsche) quando escreveu, em uma noite insone, o Funes, o memorioso. N\u00e3o sabemos se sim, o certo \u00e9 que, tanto para um quanto para outro, a impossibilidade de esquecer \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o. E Nietzsche acrescenta algo mais: Esse homem n\u00e3o seria mais capaz de acreditar em sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Para crermos em nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 preciso que nossa pr\u00f3pria mem\u00f3ria seja fragmentada. Talvez os hifens nos lembrem que o esquecimento \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como bem colocam no argumento, \u00e9 Freud quem situa entre a percep\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia, os tra\u00e7os sucessivos de mem\u00f3ria, constituindo o inconsciente. Corpo e mem\u00f3ria se entrela\u00e7am por estes tra\u00e7os. E este \u00e9 o corpo ao qual Lacan vai se referir quando coloca que os tra\u00e7os significantes afetam o corpo, mas, fundamentalmente, o constituem.<\/p>\n<p>Temos umas Jornadas pela frente.<\/p>\n<p>Conversaremos sobre isto e sobre os casos atuais em que \u00e9 dif\u00edcil a organiza\u00e7\u00e3o de um corpo. O que tamb\u00e9m torna muito dif\u00edcil a interven\u00e7\u00e3o do analista l\u00e1, onde algo desta organiza\u00e7\u00e3o e da inscri\u00e7\u00e3o falhou em seu ponto fundamental e os sintomas, enquanto forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, escasseiam.<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o por Bartyra Ribeiro (EBP\/AMP).<br \/>\nCoordenadora da Comiss\u00e3o de Tradu\u00e7\u00e3o das V Jornadas da EBP-SLO.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Nietzsche, F. Sobre a Utilidade e a Desvantagem da Hist\u00f3ria para a Vida, inconsidera\u00e7\u00f5es Extempor\u00e2neas, Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Lu\u00eds Mota Itaparica. S\u00e3o Paulo: Hedra, 2017.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa convidada especial nestas V Jornadas, Marina Recalde, respondendo a uma pequena provoca\u00e7\u00e3o da equipe editorial do MNEMIS, nos brinda com um fragmento preliminar do que lhe ocorre a partir do tema proposto: Corpo, M-E-M-\u00d3-R-I-A. 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