{"id":13098,"date":"2024-07-04T07:28:39","date_gmt":"2024-07-04T10:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?p=13098"},"modified":"2024-07-04T08:09:40","modified_gmt":"2024-07-04T11:09:40","slug":"psicanalise-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/psicanalise-e-arte\/","title":{"rendered":"Psican\u00e1lise e Arte"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-13100\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/mnemis003_002.jpg\" alt=\"\" width=\"698\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/mnemis003_002.jpg 698w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/mnemis003_002-300x129.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><\/p>\n<p><strong>Psican\u00e1lise e Arte<\/strong><\/p>\n<h6>Alberto Murta (AME EBP\/AMP).<\/h6>\n<p><em>\u00a0<\/em>Logo no in\u00edcio do cap\u00edtulo XVI do livro 19 intitulado: &#8230;<em>Ou<\/em> <em>pior, <\/em>Lacan nos adverte de um certo logro, escamoteio, presente na produ\u00e7\u00e3o de uma obra de arte. A cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica n\u00e3o d\u00e1 conta do n\u00famero <em>Um<\/em> comandando o brotamento de uma obra. Por qu\u00ea? Para ele, o produto de um artista esquece a emerg\u00eancia desse Um? Tentando acompanhar a orienta\u00e7\u00e3o proposta por Lacan, ser\u00e1 que a manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 regida pelos imperativos atualizados pelo discurso do mestre? Ou mesmo, a produ\u00e7\u00e3o de um artista faz valer uma certa mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao S<sub>1<\/sub>?<\/p>\n<p>Nesse contexto sou enviado ao eixo tem\u00e1tico das V Jornadas: Arte e Psican\u00e1lise. E, por conseguinte, uma grande indaga\u00e7\u00e3o se assanha na conex\u00e3o <em>Corpo e Mem\u00f3ria<\/em> quando caminhamos no campo da produ\u00e7\u00e3o do artista e que foi operacionalizada num certo momento do ensino de Lacan. Acrescento que Lacan, sempre esteve preocupado com as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, chegando mesmo a se interrogar se n\u00e3o tem uma incid\u00eancia do <em>Um<\/em> na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Ser\u00e1 que a emerg\u00eancia de uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica prov\u00e9m do <em>Um<\/em>?<\/p>\n<p>Na nossa contemporaneidade n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para o artista se desvencilhar do comando. Ao mando de quem, brota uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica? N\u00e3o se desvencilhando da ordena\u00e7\u00e3o do S<sub>1<\/sub>, \u00e9 poss\u00edvel promover o surgimento desses S<sub>1<\/sub>? Lacan, no cap\u00edtulo inaugural intitulado: <em>Do uso l\u00f3gico do sinthoma ou Freud com Joyce<\/em>, do livro 23, alude a uma passagem que evidencia o lado f\u00e1lico de Joyce dizendo: \u201cfoi sua arte que supriu sua firmeza f\u00e1lica. E \u00e9 sempre assim. O falo \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o do que chamei de <em>esse parasita<\/em>, ou seja, o pedacinho de pau em quest\u00e3o, com a fun\u00e7\u00e3o da fala. \u00c9 nisso que sua arte \u00e9 o verdadeiro fiador de seu falo.\u201d Sob essas condi\u00e7\u00f5es, como o artista produz objeto <em>a<\/em>?<\/p>\n<p>Insisto ainda na mesma quest\u00e3o, qual \u00e9 a incid\u00eancia do <em>Um<\/em> quando o artista cria a sua obra? Estamos convictos que n\u00e3o podemos nos esconder face a esta incid\u00eancia do <em>Um<\/em> no \u00e2mbito da produ\u00e7\u00e3o de uma determinada obra de arte. Faz necess\u00e1rio se servir, mais uma vez, do momento do ensino proposto por Lacan em que ele estabelece uma distin\u00e7\u00e3o entre o saber psicol\u00f3gico e o saber psicanal\u00edtico. Parece-me que a diferen\u00e7a entre a Psicologia e a Psican\u00e1lise nos interessa, em muito. Por qu\u00ea? Porque o saber psicol\u00f3gico n\u00e3o leva em conta o Real em jogo. Ela, a Psicologia, procura satur\u00e1-lo, tamponar quaisquer que sejam \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es deste Real. Na ocorr\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 extra\u00e7\u00e3o do objeto pequeno <em>a<\/em> do campo do Outro na Psicologia. N\u00e3o h\u00e1 a cis\u00e3o de <em>a<\/em> e <em>A<\/em> nela.<\/p>\n<p>Eis o desafio \u00e9tico quando o ensino de Lacan avan\u00e7a: desvalorizar o buraco deixado pelo simb\u00f3lico e, elevar este registro simb\u00f3lico ao <em>semblante<\/em>. Ora, se h\u00e1 uma inadequa\u00e7\u00e3o do Simb\u00f3lico e do Real, neste momento do ensino de Lacan, como ir al\u00e9m dos semblantes? O corpo, tema das nossas Jornadas, ser\u00e1 que o corpo n\u00e3o entra em jogo? Deparei-me com o testemunho de Carolina Koretsky. Ele foi impelido a uma conversa em um dos encontros da comiss\u00e3o cientifica por um membro dela. Olhamos o que emerge neste testemunho e interpenetra com o tema das nossas Jornadas: CORPO, M-E-M-\u00d3-R-I-A<em>.<\/em> No primeiro momento vou cit\u00e1-la:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">\u00c9 o resto de uma \u201cobstina\u00e7\u00e3o\u201d que me trouxe at\u00e9 aqui e, apesar do imposs\u00edvel que reside nesta transmiss\u00e3o, pois nada, nenhuma palavra, nenhuma imagem, ser\u00e1 capaz de restituir o momento preciso e exato em que as palavras fundam um corpo.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Nesse trecho, brota o significante <em>corpo<\/em> e, no in\u00edcio da cita\u00e7\u00e3o o significante <em>resto<\/em>. \u00c9 o <em>corpo<\/em> um <em>resto de significante<\/em> que deve ser lido como imposs\u00edvel de abord\u00e1-lo? Por que Lacan nos conduz a trabalhar os restos sintom\u00e1ticos freudiano para pensarmos o acontecimento de corpo como momento conclusivo de uma experi\u00eancia psicanal\u00edtica? Ca\u00edmos assim, mais uma vez, na \u201cA an\u00e1lise finita e a infinita\u201d de Freud. Por sua vez, ele sempre falou de alguns restos, como incur\u00e1veis, que insistem em permanecer num curso de uma an\u00e1lise. Nas palavras dele:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\">&#8230;de modo que na configura\u00e7\u00e3o definitiva podem continuar existindo restos das antigas fixa\u00e7\u00f5es da libido. Em \u00e1reas diferentes podemos detectar a mesma coisa. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma das acep\u00e7\u00f5es equivocadas ou das supersti\u00e7\u00f5es humanas que n\u00e3o tenha deixado restos, que n\u00e3o continue entre n\u00f3s hoje.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Os restos sintom\u00e1ticos coroam a caminhada freudiana como opacos e fechados que n\u00e3o posso mais decifr\u00e1-los e, por conseguinte, eles resistem \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. Como faz\u00ea-los <em>ex-sistir<\/em> no momento conclusivo da experi\u00eancia de an\u00e1lise? Tentando parcialmente responder: todos n\u00f3s sabemos que o <em>sinthoma<\/em> n\u00e3o se ultrapassa, ele, o <em>sinthoma<\/em>, s\u00f3 se repete de maneira traum\u00e1tica. Queremos compartilhar e, por conseguinte, ampliar uma conversa com as poss\u00edveis apresenta\u00e7\u00f5es dos trabalhos que ser\u00e3o endere\u00e7ados a comiss\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>[1] Koretzky, C. Partir\/arriv\u00e9es. In: <em>Revue de Psychanalyse \u2013 La Cause du D\u00e9sir<\/em>, n. 116. Paris: Navarin \u00c9diteur, p. 199.<\/h6>\n<h6>[1] Freud, S. A an\u00e1lise finita e a infinita. In: <em>Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017. (331)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psican\u00e1lise e Arte Alberto Murta (AME EBP\/AMP). \u00a0Logo no in\u00edcio do cap\u00edtulo XVI do livro 19 intitulado: &#8230;Ou pior, Lacan nos adverte de um certo logro, escamoteio, presente na produ\u00e7\u00e3o de uma obra de arte. 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