{"id":12895,"date":"2024-04-01T12:25:31","date_gmt":"2024-04-01T15:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?p=12895"},"modified":"2024-04-03T08:30:31","modified_gmt":"2024-04-03T11:30:31","slug":"editorial-boletim-mnemis-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/editorial-boletim-mnemis-0\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Mnemis #00"},"content":{"rendered":"<h6>Ary Farias<br \/>\nCoordenador da Comiss\u00e3o de Boletim das V Jornadas SLO<\/h6>\n<blockquote><p>\u2026 e o corpo, que \u00e9 m\u00e1quina de ex\u00edlios,<br \/>\ndestampa em n\u00f3s a inunda\u00e7\u00e3o que \u00e9 pura sede.<br \/>\nE cada qual bebe o seu rio.<br \/>\nSalgado Maranh\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12898 size-full\" style=\"color: #9e9e9e; font-size: 18.465px;\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/imagem001.png\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/imagem001.png 341w, https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/imagem001-300x198.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/p>\n<p>Eis aqui o MNEMIS, o Boletim das V Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Este encontro ter\u00e1 por tema Corpo e Mem\u00f3ria, estratos inerentes ao falasser cujo elo ou amarra\u00e7\u00e3o tomaremos por Tra\u00e7o. Portanto, corpo\u2014mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nosso boletim ao ser batizado com um significante que alude apenas o vi\u00e9s mnem\u00f4nico, n\u00e3o constr\u00f3i uma tend\u00eancia, uma parcialidade\u2026 apenas toma por subentendido que a mem\u00f3ria, necessariamente, se ancora num corpo, se espraia em seus tecidos. O corpo compreendido pela psican\u00e1lise \u00e9 o corpo sob os efeitos da infec\u00e7\u00e3o da linguagem, logo, dado \u00e0 rotina do sintoma (mem\u00f3rias seletas) e do gozo.<\/p>\n<p>Se Lacan, no Semin\u00e1rio 4, p\u00f4de dizer que \u201ctodas as pertin\u00eancias do corpo entram em jogo e s\u00e3o transformadas por seu advento no significante\u201d, podemos derivar da\u00ed tamb\u00e9m a presen\u00e7a constante da mem\u00f3ria, n\u00e3o s\u00f3 como registro fiel dos fatos, mas sobretudo servindo tamb\u00e9m aos arranjos delirantes com que cada sujeito escreve sua mitologia individual. Nesse sentido, podemos admitir que a mem\u00f3ria figura como suporte privilegiado do significante, incluindo a\u00ed o S1, que embora inacess\u00edvel, funciona como proje\u00e7\u00e3o retroativa, c\u00e1lculo e eixo orbital do enxame significante que traduz uma exist\u00eancia. Isso corrobora que mesmo naqueles casos em que a mem\u00f3ria eclode como pura ressurrei\u00e7\u00e3o da cena, mesmo ali, o significante nunca estar\u00e1 alijado, uma vez que ocupa o n\u00facleo estrutural do fen\u00f4meno mn\u00eamico.<\/p>\n<p>Assim sendo, o fato memor\u00e1vel ou memorizado resulta de um registro significante operado na esteira da linguagem, ao mesmo tempo em que representa a suspens\u00e3o da sua exist\u00eancia. Essa coes\u00e3o \u00edntima entre a conting\u00eancia, o imagin\u00e1rio e o significante, de algum modo, desconcertam a anatomia e faz pulsar o corpo, esse lugar onde a mem\u00f3ria assola e insiste. A essa condi\u00e7\u00e3o incoerc\u00edvel, sobretudo no obsessivo, Lacan, em dado momento, apontou seus efeitos com o que chamou de \u201ctirania da mem\u00f3ria\u201d, estabelecendo a\u00ed a condi\u00e7\u00e3o elementar do que temos por estrutura, ou seja, na reverbera\u00e7\u00e3o mn\u00eamica, institui-se para cada sujeito um paradigma de gozo e la\u00e7o.<\/p>\n<p>Enfim, de um modo geral, essa ser\u00e1 a perspectiva que reservamos para chamar a comunidade anal\u00edtica ao trabalho, um modo de convocar uma conversa\u00e7\u00e3o e alavancar construtos te\u00f3ricos necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica, que sempre se apresenta com pontos de irresolu\u00e7\u00e3o candentes. Erige-se dessa condi\u00e7\u00e3o a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o permanente, uma vez que devemos dispensar a tenta\u00e7\u00e3o de que podemos \u201cprevalecer de uma forma\u00e7\u00e3o acabada\u201d. A psican\u00e1lise figura como um contraponto ao imediatismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>As V Jornadas da SLO acontecer\u00e3o em setembro na cidade de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Adotamos para compor esse boletim, MNEMIS ZERO, al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es preambulares e a apresenta\u00e7\u00e3o de todas as pessoas envolvidas nesse trabalho, o texto fundante que \u00e9 o Argumento produzido por Cl\u00e1udia Murta, Coordenadora dessas Jornadas. E, como deve ser todo Argumento, um convite e, ao mesmo tempo, uma b\u00fassola. Uma proposi\u00e7\u00e3o que busca envolver e aspira fundar um desejo. No caso, n\u00e3o um desejo qualquer, mas um desejo assinado, fruto de uma transfer\u00eancia de trabalho, um dos nomes do amor.<\/p>\n<p>\u00c9 isso!<\/p>\n<p>Aqui o MNEMIS ZERO!<\/p>\n<p>Que seus olhos sejam atendidos!<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ary Farias Coordenador da Comiss\u00e3o de Boletim das V Jornadas SLO \u2026 e o corpo, que \u00e9 m\u00e1quina de ex\u00edlios, destampa em n\u00f3s a inunda\u00e7\u00e3o que \u00e9 pura sede. E cada qual bebe o seu rio. Salgado Maranh\u00e3o. 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