{"id":12501,"date":"2022-09-01T07:12:19","date_gmt":"2022-09-01T10:12:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12501"},"modified":"2022-09-01T07:12:19","modified_gmt":"2022-09-01T10:12:19","slug":"editorial-boletim-arranjos-extra-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/editorial-boletim-arranjos-extra-2\/","title":{"rendered":"EDITORIAL BOLETIM ARRANJOS EXTRA #2"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12516 size-full\" style=\"font-size: 16px;\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/arranjos_extra_002_003_001.png\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"612\" height=\"401\" \/><\/h6>\n<p>Fonte pixabay<\/p>\n<h6><strong>Por <\/strong><strong>H\u00edtala Gomes <\/strong><\/h6>\n<p>Bem-vindos a mais um Boletim Arranjos, dessa vez, numa edi\u00e7\u00e3o Extra!<\/p>\n<p>Estamos cada vez mais perto das Jornadas de trabalho da SLO, e percebemos a necessidade de fazer um boletim mais epist\u00eamico e orientador. O que n\u00e3o seria poss\u00edvel sem a colabora\u00e7\u00e3o da Cristina Drummond, com seu texto \u201cO mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o\u201d, e da Silvia Tendlaz, com o texto \u201cHomens e Mulheres\u201d. Ambos foram utilizados nas atividades preparat\u00f3rias, e s\u00e3o de uma clareza e import\u00e2ncia fundamentais.<\/p>\n<p>Cristina inicia o seu texto tentando esclarecer os conceitos orientadores das Jornadas, Mist\u00e9rio e Sexua\u00e7\u00e3o. O termo mist\u00e9rio para Lacan se aproxima da maneira como gozo e o sistema do Outro podem se manter juntos, enquanto o termo sexua\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o esteja presente no dicion\u00e1rio brasileiro, diz respeito a algo da sexualidade, que aparece em muitos outros discursos. Existe um x que n\u00e3o tem correspond\u00eancia entre o simb\u00f3lico da linguagem e o real, a partir da sexua\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Se inicialmente, para Lacan, \u00e9 por meio do complexo de castra\u00e7\u00e3o, que se instala no sujeito uma posi\u00e7\u00e3o inconsciente, que o permite se identificar ao tipo ideal do seu sexo, em 1970 ele anuncia um al\u00e9m do \u00c9dipo, fazendo uma virada significativa e importante na teoria. Trata-se agora, de um encontro com um real diante do qual o sujeito trabalha para se arranjar. A sexualidade deixa de ser pensada como identifica\u00e7\u00e3o com os ideais masculinos e femininos e passa a ser pensada a partir de uma decis\u00e3o do sujeito, por meio da escolha de gozo.<\/p>\n<p>De acordo com Drumond: <em>\u201cA posi\u00e7\u00e3o que o sujeito toma desde sua inf\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao fator sexual constitui o g\u00e9rmen de sua diferen\u00e7a absoluta, a qual n\u00e3o se enra\u00edza na segrega\u00e7\u00e3o. Nem hetero, nem homo, nem trans, todo falasser experimenta em seu corpo que n\u00e3o h\u00e1 objeto adequado para a puls\u00e3o e que n\u00e3o existe nem complementaridade nem harmonia sexual entre os seres infectados pela linguagem\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Existem arranjos, contingentes e sintom\u00e1ticos, sustentados mais por uma amarra\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica do que por uma solu\u00e7\u00e3o de sexua\u00e7\u00e3o. E uma quest\u00e3o que Cristina nos convoca a pensar \u00e9: Como cada um aprendeu a fazer com o que tocou t\u00e3o cedo seu corpo falante?<\/p>\n<p>Em seu texto ela relembra e traz novamente em cena alguns casos cl\u00ednicos de Freud (Hans, homem dos ratos, homem dos lobos) apontando como a assun\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o sexuada \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o ou uma defesa diante do real sexual. Lacan, ensina ainda, a partir de sua leitura de Gide, que nem tudo est\u00e1 decidido aos cinco anos de idade, e que a constru\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o desejo e com o outro continua na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Por meio da topologia, Lacan ensina e ajuda a pensar que a amarra\u00e7\u00e3o do gozo com a al\u00edngua e o corpo ter\u00e1 que ser feita por cada sujeito, como solu\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Cristina marca que a diferen\u00e7a sexual s\u00f3 se atinge pela via l\u00f3gica, e cabe ao analista n\u00e3o apenas saber ler essa l\u00f3gica, mas tamb\u00e9m, acompanhar suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O texto da Silvia Tendlarz, complementa e esclarece o tema da sexua\u00e7\u00e3o. De uma maneira muito clara, acess\u00edvel e precisa, ela explora este tema t\u00e3o complexo e importante.<\/p>\n<p>Ela inicia o texto apontando que n\u00e3o se trata da distin\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica, enquanto Freud distinguia masculino e feminino quanto a atividade\/passividade, Lacan prop\u00f5e dois tipos de gozo que determinam as posi\u00e7\u00f5es do sujeito, o gozo masculino e o gozo feminino. Por\u00e9m, nenhuma dessas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o exclusivas dos homens ou das mulheres, mas s\u00e3o dependentes das posi\u00e7\u00f5es do sujeito.<\/p>\n<p>Esse texto tem uma abertura e um questionamento para se pensar a cl\u00ednica da diversidade sexual, atrav\u00e9s da pergunta que ela mesmo nos coloca e nos convoca: <em>&#8220;Sob que condi\u00e7\u00f5es um sujeito pode proferir um \u2018[eu] sou\u2019 na ordem sexual?&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Antes de mais nada, \u201chomem\u201d e \u201cmulher\u201d s\u00e3o significantes designados \u00e0s crian\u00e7as quando elas nascem, semblantes que s\u00e3o confrontados com sua imagem e com o real do gozo sexual. Ela retoma, assim, o que Miller havia apontado no seu texto \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d, que existe uma antecipa\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adulta na crian\u00e7a. Isto \u00e9, a sexua\u00e7\u00e3o marca uma atribui\u00e7\u00e3o que vem do Outro e ainda, para um consentimento que ir\u00e1 efetiv\u00e1-la.<\/p>\n<p>Silvia trabalha de uma forma muito objetiva e transmite muita clareza ao desenvolver as \u201cf\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 por meio das \u201cf\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o\u201d, que Lacan distingue a escolha do sexo pelo ser falante, da escolha do objeto. Se do lado do homem existe um gozo f\u00e1lico, e ele est\u00e1 \u201cperversamente orientado\u201d, do lado da mulher h\u00e1 uma divis\u00e3o desse gozo, e se inclui a\u00ed, um gozo suplementar, ilimitado. Ser mulher n\u00e3o \u00e9 ter um gozo suplementar, isso pode acontecer ou n\u00e3o. Pelo lado feminino, o gozo n\u00e3o possui um estatuto autista, mas est\u00e1 completamente relacionado com o significante do Outro barrado.<\/p>\n<p>Em todo ser falante existe um gozo opaco e fora de sentido, efeito do acontecimento de corpo. De acordo com Silvia:<em> \u201c<\/em><em>A partilha entre masculino e feminino dos seres que falam, n\u00e3o se sobrep\u00f5e ao binarismo homem e mulher, e n\u00e3o estabelece qualquer reciprocidade.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Como podem perceber, o boletim est\u00e1 imperd\u00edvel. Os textos se complementam, esclarecem a teoria e nos ajudam a pensar sobre um tema t\u00e3o delicado e necess\u00e1rio nos tempos atuais. \u00c9 importante apoiar-se nas refer\u00eancias de Lacan para entender a solu\u00e7\u00e3o encontrada por cada um diante do mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o, como cada sujeito aprendeu a se virar com o real que tocou seu corpo falante. Isso d\u00e1 tamb\u00e9m um espa\u00e7o aos discursos atuais de g\u00eanero, dando lugar para novas interroga\u00e7\u00f5es e por que n\u00e3o, para novas respostas?<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte pixabay Por H\u00edtala Gomes Bem-vindos a mais um Boletim Arranjos, dessa vez, numa edi\u00e7\u00e3o Extra! Estamos cada vez mais perto das Jornadas de trabalho da SLO, e percebemos a necessidade de fazer um boletim mais epist\u00eamico e orientador. 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