{"id":12494,"date":"2022-09-01T07:09:18","date_gmt":"2022-09-01T10:09:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12494"},"modified":"2022-09-01T07:09:18","modified_gmt":"2022-09-01T10:09:18","slug":"homens-e-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/homens-e-mulheres\/","title":{"rendered":"HOMENS E MULHERES"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12514\" aria-describedby=\"caption-attachment-12514\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12514 size-full\" style=\"font-size: 16px;\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/arranjos_extra_002_003_003.png\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"570\" height=\"308\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12514\" class=\"wp-caption-text\">Fonte pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fonte pixabay<\/p>\n<h6><strong>Silvia Tendlarz (EOL\/AMP)<\/strong><\/h6>\n<p>No <em>Semin\u00e1rio<\/em> 18, Lacan afirma que homem e mulher s\u00e3o significantes, feitos do discurso, que est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com o semblante. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o se ponha em jogo o real do gozo, mas n\u00e3o se trata de uma distin\u00e7\u00e3o puramente anat\u00f4mica. Freud coloca uma distin\u00e7\u00e3o entre masculino e feminino, em uma oposi\u00e7\u00e3o entre atividade, do lado do masculino, e passividade, do lado do feminino, em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de falo. Em contrapartida, Lacan prop\u00f5e dois tipos de gozo que determinam as posi\u00e7\u00f5es do sujeito no lado masculino ou feminino: um gozo masculino e um gozo feminino &#8220;n\u00e3o todo&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao falo. Do lado feminino das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se esteja em rela\u00e7\u00e3o ao falo, mas n\u00e3o toda. Por outro lado, nenhuma dessas posi\u00e7\u00f5es \u00e9 exclusiva aos homens ou \u00e0s mulheres, mas depende da posi\u00e7\u00e3o do sujeito. A explos\u00e3o do g\u00eanero contempor\u00e2neo produz inova\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas para nomear esses estilos de gozo pelos quais os sujeitos se reconhecem. Portanto, os seres falantes inclu\u00eddos no discurso, se distribuem em posi\u00e7\u00f5es sexuadas que correspondem \u00e0 sua experi\u00eancia de gozo.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> A cl\u00ednica dos sexos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O falo, enquanto significante do gozo \u00e9 um semblante por excel\u00eancia. O v\u00e9u com o qual se apresenta d\u00e1 conta disso. Na dial\u00e9tica entre ser e ter, torna-se uma fun\u00e7\u00e3o frente \u00e0 qual os sexos s\u00e3o distribu\u00eddos. O semblante \u00e9 uma mistura de imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico em oposi\u00e7\u00e3o ao real. A natureza est\u00e1 cheia de semblantes e n\u00e3o se confundem com o real. Da mesma forma que o semblante nos permite questionar o que \u00e9 um homem e o que \u00e9 uma mulher.<\/p>\n<p>A assun\u00e7\u00e3o do sexo, em Lacan, concerne a uma antinomia estrutural. Jacques-Alain Miller ressalta que, a princ\u00edpio, aparece uma amea\u00e7a sobre a vertente masculina, e uma priva\u00e7\u00e3o sobre a feminina, de acordo com a leitura freudiana de &#8220;An\u00e1lise Terminal e Intermin\u00e1vel&#8221;. Em seguida, aparece a separa\u00e7\u00e3o entre o sexo biol\u00f3gico e o &#8220;consentimento&#8221; que o sujeito d\u00e1 a essa sexua\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. A assun\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do sujeito \u00e0 sua sexua\u00e7\u00e3o, pelo que &#8220;fazer-se ser&#8221; concerne, primeiro, a uma identifica\u00e7\u00e3o. Por isso, se pergunta: &#8220;Sob que condi\u00e7\u00f5es um sujeito pode proferir um \u2018[eu] sou\u2019 na ordem sexual?&#8221;\u00a0 Isso deixa aberta uma cl\u00ednica da diversidade sexual.<\/p>\n<p>Lacan faz uma constata\u00e7\u00e3o, no <em>Semin\u00e1rio<\/em> 18: &#8220;N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esperar, em absoluto, pela fase f\u00e1lica para distinguir uma garotinha de um menininho, j\u00e1 que, muito antes, eles n\u00e3o s\u00e3o, de forma alguma, semelhantes. &#8220;Para Freud, a distin\u00e7\u00e3o se radicava em sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao falo, mas Lacan se separa da dial\u00e9tica f\u00e1lica introduzindo a categoria de semblante: \u00e9 uma distin\u00e7\u00e3o de semblantes. Na idade adulta, o destino dos falasseres se divide entre homens e mulheres, al\u00e9m disso, n\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 homem por si mesmo, mas define o homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher e vice-versa. N\u00e3o h\u00e1 nada na natureza das coisas que nos permita extrair essas defini\u00e7\u00f5es de homem ou de mulher da totalidade da experi\u00eancia falante.<\/p>\n<p>Em &#8220;A L\u00f3gica da Fantasia&#8221;, Lacan retorna \u00e0 frase &#8220;Voc\u00ea \u00e9 minha mulher&#8221; para indicar que n\u00e3o basta diz\u00ea-lo para continuar sendo seu homem, pois o pertencimento n\u00e3o esclarece absolutamente nada sobre o homem ou a mulher.<\/p>\n<p>Na realidade, homem e mulher s\u00e3o significantes com os quais as crian\u00e7as s\u00e3o designadas ao nascer, semblantes por excel\u00eancia, que repercutem em sua imagem e ficam em confronta\u00e7\u00e3o com o real do gozo sexual. Essa partilha faz com que o comportamento do menino possa ser interpretado como o que faz as vezes de homem e d\u00e1 \u00e0 menina sinais de que ele o \u00e9. &#8220;Fazer as vezes de&#8221; est\u00e1 na dimens\u00e3o do semblante. Esses semblantes que recebem, operam de diferentes formas nas identifica\u00e7\u00f5es sexuadas e determinam a partilha entre as posi\u00e7\u00f5es feminina e masculina nas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, primeiramente pensadas como identifica\u00e7\u00f5es sexuadas.<\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller, em seu texto &#8221; <em>En direcci\u00f3n a la adolescencia<\/em> &#8220;, afirma que h\u00e1 uma intromiss\u00e3o do adulto na crian\u00e7a, h\u00e1 uma antecipa\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adulta na crian\u00e7a. Daniel Roy examina esta afirma\u00e7\u00e3o e diz: &#8220;A crian\u00e7a ser\u00e1 conduzida a ser distinguida e a se distinguir menino ou menina, em fun\u00e7\u00e3o do semblante constitu\u00eddo na idade adulta, segundo outra l\u00f3gica e outra economia de gozo, daquela que prevalece na inf\u00e2ncia&#8221;. Em seguida, enfatiza que essa partilha na inf\u00e2ncia \u00e9 posta \u00e0 prova com a confronta\u00e7\u00e3o com o gozo que faz com que os sujeitos se reconhe\u00e7am em sua diversidade.<\/p>\n<p>A sexua\u00e7\u00e3o coloca em jogo uma atribui\u00e7\u00e3o que vem do Outro e um consentimento que permite que seja efetiva. Isso n\u00e3o absorve a causa da sexua\u00e7\u00e3o que firma suas ra\u00edzes no enigma do real.<\/p>\n<p>Lacan retoma, no Semin\u00e1rio 18, a cerim\u00f4nia da corte. H\u00e1 animais que fazem uma cerim\u00f4nia particular para que o macho atraia a f\u00eamea e, a partir disso, ocorre a c\u00f3pula. No reino humano as coisas n\u00e3o funcionam da mesma maneira. Os homens n\u00e3o necessariamente cortejam, e, \u00e0s vezes, s\u00e3o bastante descorteses, como, por exemplo com o estupro, que objeta esse funcionamento do semblante. O estupro se torna uma passagem ao ato que atravessa o semblante para acessar o corpo do outro e ultraj\u00e1-lo, violent\u00e1-lo. Ao contr\u00e1rio, a paix\u00e3o amorosa \u00e9 justamente o semblante passar \u00e0 cena a corte amorosa. Esta \u00e9 a primeira aproxima\u00e7\u00e3o que faz Lacan \u00e0 partilha sexuada pela via do semblante.<\/p>\n<p>Mais tarde, ele diz: &#8220;Para o homem, nessa rela\u00e7\u00e3o com a mulher, \u00e9 precisamente a hora da verdade&#8230; uma vez que, no que diz respeito ao gozo sexual, a mulher est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de apontar a equival\u00eancia entre o gozo e o semblante&#8221;.\u00a0 Seu lugar como objeto de gozo, para onde se dirige o homem, assegura-lhe este lugar. Por outro lado, a mulher como verdade tamb\u00e9m mostra a ele do que \u00e9 feito seu semblante. E ent\u00e3o, ele continua: &#8220;Procure a mulher&#8230; para obter a verdade de um homem, seria bom saber qual \u00e9 sua mulher. Ent\u00e3o, torna-se ent\u00e3o, o lugar de &#8220;<em>pesa-persona<\/em>&#8220;. Para a mulher \u00e9 diferente, posto que ela tem uma grande liberdade em rela\u00e7\u00e3o ao semblante. Ela, inclusive, chegar\u00e1 a dar peso a um homem que n\u00e3o tem nenhum.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o deslocamento do interesse de Lacan pelo falo como um significante de gozo ao objeto <em>a,<\/em> como mais de gozo, e ao trabalho sobre o falo como semblante, nos semin\u00e1rios seguintes, ele introduz a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica como uma fun\u00e7\u00e3o de gozo. Tr\u00eas termos permanecem em rela\u00e7\u00e3o ao falo: a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, o gozo f\u00e1lico e o falo como semblante.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o que inscreve tanto o gozo (vertente positiva) quanto a castra\u00e7\u00e3o (vertente negativa). Sua escrita, F<sub>x<\/sub>, retoma a fun\u00e7\u00e3o proposicional da l\u00f3gica moderna de Frege. Assim, escreve o gozo sexual f\u00e1lico como uma fun\u00e7\u00e3o proposicional com um \u00fanico argumento que representa o sujeito como sexuado. A vari\u00e1vel &#8220;x&#8221; se aloja no furo da fun\u00e7\u00e3o e indica que x se inscreve na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. As distintas articula\u00e7\u00f5es entre os quantificadores, as nega\u00e7\u00f5es e a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica d\u00e3o lugar \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas de sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No primeiro ensino de Lacan, o falo era um significante que permitia estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, uma partilha sexual, o enlace entre os corpos, na medida em que \u00e9 o \u00fanico s\u00edmbolo, no inconsciente freudiano, para os dois sexos. Da\u00ed que, por exemplo, em &#8220;A significa\u00e7\u00e3o do falo&#8221; ele coloca a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos junto aos impasses gerados pelos mal-entendidos da dial\u00e9tica f\u00e1lica.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica dos sexos, o efeito do significante f\u00e1lico &#8220;faz intervir um parecer na rela\u00e7\u00e3o sexual, o que sup\u00f5e dar uma fun\u00e7\u00e3o essencial ao semblante para o que ainda n\u00e3o chama a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual&#8221;, diz Miller. Ser o falo \u00e9 ser o semblante e ter o falo \u00e9 possuir um semblante. Da\u00ed que, &#8220;trata-se de um semblante cuja fun\u00e7\u00e3o do lado do homem consiste em proteger o ter e, do lado da mulher, para mascarar a falta de ter&#8221;. Essa an\u00e1lise coloca a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos no registro da com\u00e9dia.<\/p>\n<p>Lacan se pergunta se h\u00e1 ou n\u00e3o gozo do corpo do Outro, e responde que, na realidade, se goza do pr\u00f3prio corpo e do objeto que est\u00e1 alojado no Outro. O falo como semblante, ent\u00e3o, se torna um obst\u00e1culo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual. Ao n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 um furo no real, n\u00e3o h\u00e1 qualquer significante que possa inscrever a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos. Do lado homem, h\u00e1 um significante que \u00e9 o falo, mas, do lado da mulher, nenhum significante pode nome\u00e1-la, por isso, A mulher, como universal, n\u00e3o existe. Em seu lugar est\u00e3o os discursos que estabelecem o la\u00e7o social, as rela\u00e7\u00f5es regradas com o Outro.<\/p>\n<p>Apresenta-se, ent\u00e3o, uma antinomia entre o gozo e o Outro. Quando o homem goza, o faz autoeroticamente com seu \u00f3rg\u00e3o, sem entrar em rela\u00e7\u00e3o com o corpo do Outro. As mulheres, ao gozarem, t\u00eam a solid\u00e3o como <em>parceira,<\/em> pois, com seu gozo feminino, ficam em rela\u00e7\u00e3o ao Outro gozo, n\u00e3o ao falo. Agora, se a experi\u00eancia de gozo deixa os amantes sozinhos, ent\u00e3o, como entrar em rela\u00e7\u00e3o com o Outro? A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do amor. O gozo dos corpos, sexual, est\u00e1 especificado por um impasse. Isso o leva a formular que <em>n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>, que \u00e9 imposs\u00edvel escrev\u00ea-la.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> As f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Lacan aborda as identifica\u00e7\u00f5es sexuadas, no <em>Semin\u00e1rio<\/em> 20, atrav\u00e9s das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o que tiveram um tempo de desenvolvimento conceitual antes de serem nomeadas como tal. Primeiro fala de &#8220;identifica\u00e7\u00f5es sexuais&#8221; ou &#8220;fatos do discurso&#8221;, depois de &#8220;valores sexuais produzidos pelo discurso&#8221;. Em <em>Mais, ainda,<\/em> ele retorna \u00e0s &#8220;supostas identifica\u00e7\u00f5es sexuais&#8221; ou \u00e0s &#8220;defini\u00e7\u00f5es&#8221; poss\u00edveis, da parte chamada homem e a parte chamada mulher, brindadas pela linguagem quando apresenta as f\u00f3rmulas. Mais tarde, utiliza a express\u00e3o &#8220;f\u00f3rmulas qu\u00e2nticas da sexua\u00e7\u00e3o&#8221; como s\u00e3o geralmente conhecidas, embora tamb\u00e9m utilize a express\u00e3o &#8220;op\u00e7\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o sexuada&#8221;. Os seres falantes se distribuem nos valores sexuais apresentados pelas f\u00f3rmulas, fora de seu sexo biol\u00f3gico. A express\u00e3o &#8220;f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o&#8221; mostra mais claramente a escolha do sexo pelo ser falante, que se distingue, por sua vez, da escolha de objeto.<\/p>\n<p>Ele as escreve da seguinte forma:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\">Necess\u00e1rio \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 $<sub>x<\/sub> &#8211; F<sub>x<\/sub>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 -$<sub>x<\/sub>-Fx \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Imposs\u00edvel<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Poss\u00edvel \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 $<sub>x<\/sub> F<sub>x<\/sub>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 -&#8220;<sub>x <\/sub>F<sub>x<\/sub>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contingente<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O lado esquerdo corresponde ao Um, pr\u00f3prio \u00e0 posi\u00e7\u00e3o masculina, \u00e0 l\u00f3gica f\u00e1lica, e o direito, \u00e9 o da abertura ao Outro, pr\u00f3pria da posi\u00e7\u00e3o feminina. No <em>Semin\u00e1rio<\/em> 20, Lacan coloca que as mulheres podem situar-se, tanto do lado da l\u00f3gica f\u00e1lica, quanto em seu mais al\u00e9m, a partir do gozo suplementar que podem experimentar. Da mesma forma, alguns homens, por exemplo, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, com o gozo m\u00edstico, podem estar em rela\u00e7\u00e3o com o Outro, do lado feminino.<\/p>\n<p>Lacan usa o quadril\u00e1tero de Arist\u00f3teles para explicar as posi\u00e7\u00f5es masculina e feminina. Mas, em vez de partir do universal para falar da exist\u00eancia, parte da exist\u00eancia para fundar o universal. Coloca a exist\u00eancia do Um que diz n\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o castra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o pai da horda primitiva, que n\u00e3o \u00e9 castrado e que goza de todas as mulheres. O Um da exce\u00e7\u00e3o, do lado masculino, \u00e9 necess\u00e1rio para que todos estejam castrados igualmente. Essa exce\u00e7\u00e3o, o &#8220;ao menos um que n\u00e3o&#8221;, n\u00e3o \u00e9 um universal, \u00e9 uma exist\u00eancia necess\u00e1ria que possibilita a exist\u00eancia do homem como valor sexual. O necess\u00e1rio funda o poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Do lado feminino, falta essa exce\u00e7\u00e3o e isso produz o n\u00e3o tudo em expans\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica como conjunto aberto. Isso n\u00e3o significa que as mulheres n\u00e3o possam inscrever-se do lado macho: \u00e9 contingente que uma mulher esteja do lado do falo ou por fora. Como a mulher n\u00e3o est\u00e1 essencialmente ligada \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, ela apresenta tanto uma duplicidade, quanto certa indetermina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao falo, n\u00e3o toda em rela\u00e7\u00e3o ao falo.<\/p>\n<p>Nesta partilha sexual n\u00e3o h\u00e1 uma total oposi\u00e7\u00e3o entre o &#8220;todo&#8221;, o &#8220;para todos&#8221;, e o &#8220;n\u00e3o toda&#8221;. Trata-se mais de uma partilha. O n\u00e3o toda da mulher faz com que seja essencialmente dual, porque n\u00e3o existe a exce\u00e7\u00e3o que assegure o universal.<\/p>\n<p>Miller aponta, em <em>1234,<\/em> que, do lado masculino, ao se incluir o universal afirmativo e o particular negativo como existencial excepcional \u2013 que s\u00e3o contradit\u00f3rios no quadril\u00e1tero de Arist\u00f3teles \u2013, h\u00e1 certa impossibilidade de verificar a identidade sexual. Do lado feminino n\u00e3o h\u00e1 nenhum significante que diga o que \u00e9 a Mulher. Esses valores sexuais, em cada caso, tanto do lado do homem, quanto do lado das mulheres, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es com a impossibilidade de assegurar a identidade sexual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um Outro<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12496 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/arranjos_extra_002_003_001.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"94\" \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os seres falantes se dividem em todo e n\u00e3o todo. Do lado do Um, encontramos o falo, um sujeito que est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao gozo f\u00e1lico e que busca, do lado do Outro, o objeto <em>a<\/em> tentando entrar em rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 a constru\u00e7\u00e3o da fantasia na rela\u00e7\u00e3o sujeito\/Outro. Isto se situa do lado macho das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o. As mulheres tamb\u00e9m t\u00eam acesso a Outro gozo. Mas os seres falantes contam com o significante f\u00e1lico, s\u00e3o sujeitos, e t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o objeto <em>a<\/em>. A dissimetria se estabelece porque, do lado feminino, do lado do Outro, essa exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe e marca a emerg\u00eancia do &#8220;n\u00e3o toda&#8221;, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria aristot\u00e9lica.<\/p>\n<p>Do lado masculino, a ele est\u00e1 reservada a castra\u00e7\u00e3o, juntamente com gozo f\u00e1lico. O homem, na medida em que enfatiza a presen\u00e7a da condi\u00e7\u00e3o fetichista na escolha do objeto, est\u00e1 &#8220;perversamente orientado&#8221;: ele toma a mulher como objeto causa de seu desejo. Do lado feminino, est\u00e1 a divis\u00e3o, o gozo suplementar, que \u00e9 um gozo aberto, ilimitado, que tem um matiz louco e enigm\u00e1tico. Ela pode condescender ao semblante do objeto <em>a<\/em> para poder produzir o amor e o desejo no <em>partenaire<\/em>, na medida em que ela mostra alguma flexibilidade ao fantasma masculino, sem desprender-se da a\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio fantasma. A \u00eanfase est\u00e1 colocada no fazer-se amar que confere a vertente erot\u00f4mana do fazer-se amar das mulheres. Por outro lado, Eric Laurent indica que o gozo feminino \u00e9 um acontecimento de corpo que transborda a ela, uma certeza que n\u00e3o pode compartilhar.<\/p>\n<p>Lacan parte da ideia de que <em>A <\/em>mulher n\u00e3o existe, n\u00e3o existe qualquer significante que possa nomear o conjunto de todas as mulheres, n\u00e3o h\u00e1 um universal, e apresenta dois vetores: por um lado, se dirige ao falo, n\u00e3o est\u00e1 fora da l\u00f3gica f\u00e1lica, mas tamb\u00e9m pode ter uma rela\u00e7\u00e3o com o significante da falta do Outro, com o Outro gozo, \u00e9 n\u00e3o toda.<\/p>\n<p>No <em>Semin\u00e1rio<\/em> 20, Lacan coloca o gozo suplementar na mulher, que n\u00e3o \u00e9 complementar ao f\u00e1lico, \u00e9 um gozo da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual. Aqui tamb\u00e9m inclui o amor ext\u00e1tico dos m\u00edsticos, como Santa Teresa ou S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. &#8220;A mulher tem um gozo adicional em rela\u00e7\u00e3o ao falo que \u00e9 suplementar&#8221;, diz Lacan. Mas, &#8220;N\u00e3o \u00e9 verdade que n\u00e3o esteja de todo, est\u00e1 completamente a\u00ed, mas h\u00e1 algo mais&#8230;\u00a0 H\u00e1 um gozo mais al\u00e9m do falo. H\u00e1 um gozo dela, dessa que n\u00e3o existe e nada significa. H\u00e1 um gozo seu sobre o qual, talvez nada saiba, ela mesma, a n\u00e3o ser que o sente. Isso, sim, ela sabe, e sabe quando acontece. Isso n\u00e3o acontece com todas&#8221;. Ser mulher n\u00e3o \u00e9 necessariamente ter um gozo suplementar, pode acontecer ou n\u00e3o. Isso n\u00e3o deve ser confundido com a &#8220;pretensa frigidez&#8221;, posto que esta quest\u00e3o &#8220;est\u00e1 coberta pelo que se chama de pequenas considera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deixaram de causar devasta\u00e7\u00f5es&#8221; na medida em que se busca um gozo clitoridiano. \u00a0A quest\u00e3o da frigidez \u00e9 epist\u00eamica, algumas sentem e outras n\u00e3o, elas sabem ou n\u00e3o t\u00eam um saber acerca do que seja esse gozo que experimentam e n\u00e3o sabem o que \u00e9.<\/p>\n<p>Do lado dos m\u00edsticos, indica que, assim como S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, o macho pode colocar-se do lado do n\u00e3o-todo. &#8220;H\u00e1 ali, homens que est\u00e3o t\u00e3o bem quanto as mulheres. S\u00e3o coisas que acontecem.&#8221;<\/p>\n<p>Eric Laurent ressalta que a experi\u00eancia de gozo pode apresentar-se como uma presen\u00e7a inef\u00e1vel, ao mesmo tempo que uma aus\u00eancia devido a uma falta de representa\u00e7\u00e3o, por isso se inscreve em uma s\u00e9rie que inclui \u00eaxtase, o transe ou o &#8220;arrebatamento&#8221;, de acordo com a palavra usada por Marguerite Duras em seu livro <em>O arrebatamento de Lol V. Stein<\/em> (1964). &#8220;No \u00eaxtase, o sujeito n\u00e3o pode dizer nada. Ele \u00e9 isso, sem imagem e sem representa\u00e7\u00e3o&#8221;. Tamb\u00e9m indica que este termo vem da m\u00edstica para designar uma forma de \u00eaxtase na qual a alma se sente captada por Deus como uma for\u00e7a superior que n\u00e3o pode resistir.<\/p>\n<p>Ao examinar a partilha sexual, J.-A. Miller indica que, do lado masculino parece uma &#8220;fantasia puro gozo&#8221;, porque reduz o Outro ao objeto <em>a<\/em>, juntamente com um gozo do pr\u00f3prio corpo, silencioso, fechado. Lacan chama essa dire\u00e7\u00e3o para o objeto de &#8220;ato de amor&#8221;. &#8220;Fazer o amor, como indica o nome, \u00e9 poesia, mas h\u00e1 um abismo entre a poesia e o ato. O ato de amor \u00e9 a pervers\u00e3o polimorfa do macho&#8221;. Do lado macho, aparece o sujeito barrado; do lado do Outro, o objeto <em>a<\/em> e, assim, se escreve a fantasia. Frente ao gozo fechado masculino, do lado feminino, a abertura ao Outro funciona como uma exce\u00e7\u00e3o a esse gozo autista. A &#8220;fantasia puro amor&#8221; corresponde \u00e0 vertente erot\u00f4mana do fazer-se amar, nas mulheres, que produz todo tipo de devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos gozos feminino e masculino, Miller diz: &#8220;Do lado macho, aprendemos o estatuto autista de gozo, mas, gra\u00e7as ao lado feminino, aprendemos que o gozo est\u00e1 profundamente relacionado com o significante do Outro barrado [S(\u023a)].&#8221;\u00a0 A sexualidade feminina como abertura ao Outro permite ser uma exce\u00e7\u00e3o frente a esse gozo autista atrav\u00e9s do amor e produz uma mistura de gozo com o amor.<\/p>\n<p>Esses desenvolvimentos constituem a abertura ao trabalho e para generalizar o gozo que esse encontra no corpo e que havia sido colocado do lado feminino. Quando Lacan vai mais al\u00e9m da problem\u00e1tica da proibi\u00e7\u00e3o, mais al\u00e9m do \u00c9dipo, ele localiza o gozo feminino como exce\u00e7\u00e3o ao gozo f\u00e1lico, fora do <em>Penisneid<\/em>. Essa positiva\u00e7\u00e3o do gozo abandona a negativiza\u00e7\u00e3o articulada \u00e0 falta. O binarismo entre um gozo masculino e um gozo feminino permite a Lacan generalizar o gozo feminino at\u00e9 que seja transformado no regime de gozo como tal, n\u00e3o ed\u00edpico, que n\u00e3o tem a ver com a negatividade do desejo, e que se reduz ao acontecimento do corpo. Acontecimento de gozo independentemente da posi\u00e7\u00e3o feminina ou masculina. Dessa forma, h\u00e1 um resto de gozo que n\u00e3o corresponde \u00e0 dial\u00e9tica f\u00e1lica tamb\u00e9m nos homens. Lacan generaliza esse gozo mudo, descoberto na sexualidade feminina, que constitui um acontecimento de corpo que a transborda, e toma o estatuto de um gozo opaco ao sentido, tanto para os homens quanto para as mulheres.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, Lacan indica que a partilha que corresponde \u00e0s f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o n\u00e3o desaparece. De fato, no <em>Semin\u00e1rio<\/em> 21, Lacan afirma que n\u00e3o h\u00e1 aboli\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre os sexos, os dois sexos n\u00e3o se confundem. Al\u00e9m disso, amar uma mulher n\u00e3o d\u00e1 nenhuma garantia quanto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o sexual da pessoa que amo, nem da minha. O amor n\u00e3o d\u00e1 qualquer identidade sexual, identifica\u00e7\u00f5es sexuadas v\u00e3o por outra via e n\u00e3o produzem uma aboli\u00e7\u00e3o entre as diferen\u00e7as, entre as posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No curso &#8220;O Um sozinho&#8221;, J.-A. Miller indica que h\u00e1 Um, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, e h\u00e1 o corpo (35). Ent\u00e3o, fora da partilha sexuada, que tamb\u00e9m existe, n\u00e3o h\u00e1 dois sexos, mas h\u00e1 Um e o corpo. Primeiramente, h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do Um que \u00e9 corpo. O Um e o corpo, esse corpo que se tem e que tamb\u00e9m pode soltar, como no caso de Joyce. O ser que fala \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o do sujeito com o corpo, um corpo que se goza. &#8220;Sou a maneira como se goza&#8221;, diz Miller.\u00a0 \u00c9 um gozo opaco que exclui o sentido e que n\u00e3o pode ser simbolizado. Trata-se de uma extens\u00e3o que localiza, em todo ser falante um gozo opaco fora do sentido, que \u00e9 o efeito do acontecimento do corpo e que Lacan chama <em>de sinthome<\/em>. Isso n\u00e3o impede que, sobre esse gozo, se produza a inclus\u00e3o do ser falante nas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o e que produza uma partilha sexuada entre posi\u00e7\u00f5es masculina e feminina.<\/p>\n<p>A partilha entre masculino e feminino dos seres que falam, n\u00e3o se sobrep\u00f5e ao binarismo homem e mulher, e n\u00e3o estabelece qualquer reciprocidade. A partir do n\u00e3o-todo, cada elemento \u00e9 considerado pela sua singularidade, para constatar que n\u00e3o pode constituir-se um universal, exce\u00e7\u00e3o sem regra.<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Bartyra Ribeiro de Castro (EBP\/AMP)<br \/>\nRevis\u00e3o: Ord\u00e1lia Junqueira (EBP\/AMP)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte pixabay Silvia Tendlarz (EOL\/AMP) No Semin\u00e1rio 18, Lacan afirma que homem e mulher s\u00e3o significantes, feitos do discurso, que est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com o semblante. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o se ponha em jogo o real do gozo, mas n\u00e3o se trata de uma distin\u00e7\u00e3o puramente anat\u00f4mica. 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