{"id":12469,"date":"2022-08-23T07:24:01","date_gmt":"2022-08-23T10:24:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12469"},"modified":"2022-08-23T07:24:01","modified_gmt":"2022-08-23T10:24:01","slug":"entrevista-com-elisa-alvarenga-sobre-o-eixo-tematico-4-as-formulas-da-sexuacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/entrevista-com-elisa-alvarenga-sobre-o-eixo-tematico-4-as-formulas-da-sexuacao\/","title":{"rendered":"Entrevista com Elisa Alvarenga sobre o Eixo tem\u00e1tico 4 \u2013 As F\u00f3rmulas da Sexua\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12454\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/arranjos008_003.jpg\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"426\" height=\"224\" \/><\/p>\n<p><strong>Fonte pixabayGabriel Caixeta: Qual a import\u00e2ncia dessa formula\u00e7\u00e3o de Lacan sobre a sexua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elisa Alvarenga<\/strong>: Essa formula\u00e7\u00e3o da sexua\u00e7\u00e3o de Lacan ela \u00e9 muito importante para pensar a contemporaneidade e a diversidade sexual que se apresenta na juventude, n\u00e3o s\u00f3 na juventude, mas na atualidade, com a multiplicidade de nomea\u00e7\u00f5es e de escolhas, tanto do ponto de vista das identifica\u00e7\u00f5es sexuais, quanto do ponto de vista da escolha de objeto.<\/p>\n<p>As f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, de Lacan, permitem pensar na maneira como o ser falante pode se posicionar como homem ou como mulher, ou com as nomea\u00e7\u00f5es que tem se escolhido atualmente, como n\u00e3o bin\u00e1rias, enfim, a s\u00e9rie toda das nomea\u00e7\u00f5es. Se pensarmos isso a partir de dois semblantes, dois significantes que existem na l\u00edngua, que s\u00e3o homem e mulher e, a partir do momento em que Lacan fala que existe mulher cor de homem e homem cor de mulher, isso significa que a identifica\u00e7\u00e3o sexuada n\u00e3o se d\u00e1 pela anatomia. Ent\u00e3o, quando Lacan escreve, com as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, lado do homem: para todo X phi de X, ou seja, a identifica\u00e7\u00e3o do lado f\u00e1lico da sexua\u00e7\u00e3o, ele postula que a\u00ed haveria a exce\u00e7\u00e3o e a regra para todo X. E, quando ele escreve do lado feminino: n\u00e3o todo X phi de X, observe bem que ele n\u00e3o escreve para todo X n\u00e3o phi de X, ou seja, para todo X n\u00e3o haveria castra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, Lacan n\u00e3o escreve isso. Lacan escreve: N\u00e3o para todo X phi de X, ou seja, n\u00e3o toda a sexua\u00e7\u00e3o se d\u00e1 a partir do falo. H\u00e1 uma parte da sexua\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m do falo. Ent\u00e3o, ele introduz, para cada ser falante, a possibilidade de passar pelo falo ou n\u00e3o passar pelo falo. E, ainda mais, passando pelo falo, de ir al\u00e9m do falo, que seria, ent\u00e3o, o lado feminino das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lacan n\u00e3o faz uma simetria entre o lado masculino e o lado feminino, mas ele abre a possibilidade de pensarmos a sexua\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da marca f\u00e1lica, que seria uma significa\u00e7\u00e3o a partir do Nome-do-Pai, a partir da met\u00e1fora paterna. Ent\u00e3o, a import\u00e2ncia da sexua\u00e7\u00e3o e das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o \u00e9 ir al\u00e9m do pai, ir al\u00e9m do patriarcado, ir al\u00e9m da sexualidade pensada a partir da refer\u00eancia masculina, paterna e f\u00e1lica. Ent\u00e3o, a possibilidade de pensarmos a sexualidade para al\u00e9m do \u00c9dipo, e para al\u00e9m das figuras do \u00c9dipo, e a partir da linguagem, a partir da incid\u00eancia do significante no corpo do ser falante. Ent\u00e3o, me parece uma import\u00e2ncia fundamental, porque, para cada ser, haver\u00e1 uma marca produzida pelo significante no corpo, ou seja, uma marca de gozo que vai se tratar de buscar e de circunscrever, a partir da an\u00e1lise de cada um. A sexua\u00e7\u00e3o tem a ver com essa marca, essas marcas dos significantes no corpo e a maneira como o sujeito conjuga as marcas significantes com aquilo que ele experimenta no corpo. A sexua\u00e7\u00e3o leva em conta, n\u00e3o apenas as marcas significantes, mas o gozo experimentado pelo ser falante no seu corpo.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Caixeta: Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a diferen\u00e7a entre sexualidade e sexua\u00e7\u00e3o na psican\u00e1lise?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elisa Alvarenga:<\/strong> Quando a gente fala em sexualidade, eu logo penso em um cap\u00edtulo do Semin\u00e1rio 11 que se chama \u201cA sexualidade nos desfiladeiros do significante\u201d. Ent\u00e3o, de alguma forma, isso tem a ver com as marcas significantes produzidas no corpo, as identifica\u00e7\u00f5es sexuadas e a escolha de objeto. Em Freud, se a gente for pensar o texto cl\u00e1ssico que \u00e9 Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade, poder\u00edamos dizer que Freud pensa a sexualidade a partir das normas sociais, a partir da incid\u00eancia da lei paterna e das normas sociais. Tanto que, se formos ver as tr\u00eas partes dos Tr\u00eas ensaios, veremos que Freud vai tratar da sexualidade, a partir daquilo que se transmite, como a partir do \u00c9dipo e da castra\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00f3s teremos a interdi\u00e7\u00e3o e as transgress\u00f5es, as pervers\u00f5es sexuais, por exemplo, no cap\u00edtulo das transgress\u00f5es. Teremos as puls\u00f5es, as manifesta\u00e7\u00f5es pulsionais, e tudo isso poderia ser inclu\u00eddo no que se chama de sexualidade humana. Diferente da sexualidade dos animais, que seria um saber inscrito no corpo instintual. Ent\u00e3o, diferentemente do animal, o homem tem que fazer escolhas. O homem n\u00e3o sabe como fazer existir a rela\u00e7\u00e3o entre um sexo e o outro sexo, ou entre um ser falante e outro ser falante, o que Lacan chamou com a express\u00e3o \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o sexual entre os humanos n\u00e3o \u00e9 um saber instintual inscrito no corpo, e por isso, o homem vai ter que fazer escolhas.<br \/>\nA sexua\u00e7\u00e3o implica em uma escolha. Implica na maneira como o sujeito vai se virar com as suas identifica\u00e7\u00f5es e com as suas experi\u00eancias de gozo. A maneira como ele experimenta o gozo e vai de alguma forma tentar se virar, para al\u00e9m da marca f\u00e1lica, ou aqu\u00e9m da marca f\u00e1lica, como algu\u00e9m vai se virar com as marcas que o significante fez no seu corpo.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Caixeta: Como o eixo tem\u00e1tico em quest\u00e3o toca no mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o, tema das nossas jornadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elisa Alvarenga:<\/strong> Me parece que, o que a nossa jornada nos convoca a pensar, a maneira como os sujeitos que nos procuram para tratamento, ou para fazer uma experi\u00eancia de an\u00e1lise, como eles podem se virar com aquilo que os determina e, com aquilo que eles encontram como solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas para tratar os seus modos de gozo.<\/p>\n<p>A sexua\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o implica, como eu disse, em uma escolha. E essa escolha tem a ver com a maneira como o inconsciente se inscreve no corpo de cada um. Ent\u00e3o, pensar esse mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar a rela\u00e7\u00e3o de cada ser falante com o inconsciente, inconsciente real, enquanto marca de gozo produzida pelo significante no corpo. E, a maneira como esse inconsciente real pode ser endere\u00e7ado a um analista, se tornando, ent\u00e3o, o inconsciente transferencial. E, como essa experi\u00eancia de an\u00e1lise, na nossa jornada pode ser apresentada, pode ser trazida a partir de casos cl\u00ednicos. E, a partir de elabora\u00e7\u00f5es da teoria, a partir da pr\u00e1tica anal\u00edtica, como isso pode nos mostrar a maneira, a diversidade e a singularidade de cada caso, para al\u00e9m das particularidades estruturais e das particularidades cl\u00ednicas da nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte pixabayGabriel Caixeta: Qual a import\u00e2ncia dessa formula\u00e7\u00e3o de Lacan sobre a sexua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana? Elisa Alvarenga: Essa formula\u00e7\u00e3o da sexua\u00e7\u00e3o de Lacan ela \u00e9 muito importante para pensar a contemporaneidade e a diversidade sexual que se apresenta na juventude, n\u00e3o s\u00f3 na juventude, mas na atualidade, com a multiplicidade de nomea\u00e7\u00f5es&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-12469","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-arranjos","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12469\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12469"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=12469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}