{"id":12465,"date":"2022-08-23T07:21:02","date_gmt":"2022-08-23T10:21:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12465"},"modified":"2022-08-23T07:21:02","modified_gmt":"2022-08-23T10:21:02","slug":"semblantes1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/semblantes1\/","title":{"rendered":"Semblantes[1]"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12456\" aria-describedby=\"caption-attachment-12456\" style=\"width: 572px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12456\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/arranjos008_005.jpg\" alt=\"Fonte @elapartiu\" width=\"572\" height=\"712\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12456\" class=\"wp-caption-text\">Fonte @elapartiu<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong><em>Por Adriana Gomes Pessoa<\/em><\/strong><\/h6>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>Miller inicia o artigo Mulheres e Semblantes I<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, com a quest\u00e3o se existe uma afinidade especial entre Mulheres e Semblantes. Contudo, para responder ele afirma:<\/p>\n<p>\u201cTalvez seja mais esclarecedor tomar o avesso desse tema que nos \u00e9 dado, pois efetivamente ele existe; observamos, nas mulheres, um \u00f3dio muito especial ao semblante\u201d.<\/p>\n<p>Semblantes? S\u00e3o os que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de velar o nada, numa fun\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o, afirma Miller. \u201cO semblante consiste em fazer crer que h\u00e1 algo ali onde n\u00e3o h\u00e1\u201d. Por isso a f\u00f3rmula \u2018n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u2019 implica que, no n\u00edvel do real, s\u00f3 h\u00e1 semblantes, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>As mulheres, referindo-se as f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, se situam em parte submetidas a l\u00f3gica f\u00e1lica, e parte n\u00e3o-toda. Miller<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> afirma, que no lugar supostamente ocupado pela mulher encontra-se o vazio. Um vazio ocupado pelos semblantes, pelas m\u00e1scaras, \u201cm\u00e1scaras do nada\u201d. H\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o dos semblantes com o feminino, no que diz da l\u00f3gica das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m do falo.<\/p>\n<p>Supondo que os semblantes s\u00e3o sustentados pelos la\u00e7os sociais e culturais de uma \u00e9poca, pode-se afirmar que, o que antes ordenavam os modos de gozo e semblantes, na atualidade n\u00e3o responde mais as novas formas de vivenciar a puls\u00e3o, em especial sobre a diferen\u00e7a sexual, e as chamadas, no senso comum, quest\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Diante da insufici\u00eancia do semblante do Pai, para responder as quest\u00f5es das diferen\u00e7as do significante do sexual homem ou mulher, Lacan introduz a cl\u00ednica do sinthoma. Cl\u00ednica borromeana, do gozo, da dimens\u00e3o do gozo do corpo, cujo paradigma se sustenta na experi\u00eancia e no encontro com o real, na dimens\u00e3o do ter. O corpo se torna uma subst\u00e2ncia gozante para al\u00e9m da dial\u00e9tica imagin\u00e1ria do falo. O corpo como estranho e, ao mesmo tempo, de mais particular ao sujeito, e seu modo de gozo, \u201clocalizado\u201d fora da linguagem.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio 20, Mais ainda, Lacan apresenta uma figura cujos v\u00e9rtices s\u00e3o RSI, numa equival\u00eancia do real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Nesta figura, ele tamb\u00e9m situa o semblante sobre o que se dirige do simb\u00f3lico ao real, ou seja, partindo em busca do real, o simb\u00f3lico se depara com o semblante. No Semin\u00e1rio 19, Lacan havia postulado o semblante como sendo a possibilidade de lidar com o real do sexo, com o que escapa da linguagem do registro simb\u00f3lico \u2013 o gozo. Afirma Lacan<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> que \u201co gozo s\u00f3 se interpela, s\u00f3 se evoca, s\u00f3 se suprema, s\u00f3 se elabora a partir de um semblante, de uma apar\u00eancia\u201d. E, a oposi\u00e7\u00e3o entre semblante e real que interessa \u00e0 psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Nesta oposi\u00e7\u00e3o podemos situar a rela\u00e7\u00e3o das mulheres com os semblantes. Algo do semblante falha na miss\u00e3o imposs\u00edvel de abordar o real. E o que ocorre do lado das mulheres, na posi\u00e7\u00e3o feminina, \u00e9 que estas se deparam com uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com o nada. N\u00e3o h\u00e1 nada que diga da mulher, estando assim mais pr\u00f3ximas do real. Como Miller diz s\u00e3o \u201cmais amigas do real\u201d e com isto n\u00e3o se prestam facilmente a substitui\u00e7\u00e3o pelos semblantes. \u201cA verdadeira l\u00f3gica da posi\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 denunciar os semblantes<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio 18, Lacan articula e enfatiza a rela\u00e7\u00e3o do semblante com o discurso e o situa na dimens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o homem e mulher. Semblante como o que tenta dar conta do insuport\u00e1vel da disjun\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. Um recurso para operar com a aus\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, do real em jogo. No avan\u00e7o de seu \u00faltimo ensino Lacan introduz o parceiro-sinthome. Segundo Tendlarz<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cO percurso pertinentemente aos jogos de semblantes da dial\u00e9tica f\u00e1lica n\u00e3o desaparece, mas adquire uma nova significa\u00e7\u00e3o a partir dos elementos te\u00f3ricos que Lacan introduz em seguida. O falo \u00e9 definido, ent\u00e3o, como o gozo sexual, na medida em que est\u00e1 coordenado com um semblante, \u00e9 solid\u00e1rio de um semblante\u201d.<\/p>\n<p>Na atualidade, o contexto social nos coloca diante de uma diversidade sobre as diferen\u00e7as sexuais, e nisto se constituem novas parcerias sintomas de semblantes como seres falantes. N\u00e3o temos como prescindir dos semblantes. Condensado a escrita de Romildo Rego<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>:<\/p>\n<p>\u201cNo caso da parceria sexual, o pr\u00f3prio termo parceria, cont\u00e9m a ideia de parte, ou de parcializa\u00e7\u00e3o, os semblantes recobrem a impossibilidade de que os parceiros se completem. Ou seja, se a parceria \u00e9 necessariamente um conjunto de partes, se comp\u00f5em de alguma forma uma unidade, est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a separa\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 impl\u00edcita no pr\u00f3prio termo sexo, ou sexual\u201d.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise, hoje, mais ainda, fica a tarefa de se deparar com o real que nos interpela, e que faz vacilar os semblantes que ordenam la\u00e7o social civilizat\u00f3rio, comparecendo no real do sexo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. Mulheres e Semblantes. In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line. Ano1. <strong>N\u00ba<\/strong>1. Mar\u00e7o2010.<\/h6>\n<h6><sup>\u00a0<\/sup>LACAN, J. Semin\u00e1rio 20: Mais ainda. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed.1985<\/h6>\n<h6>MILLER, J.A. De la natureza de los semblantes. Buenos Aires. Paid\u00f3s.2002.<\/h6>\n<h6>TENDLARZ, S. As mulheres entre o amor, semblante e sinthoma. Arteira. Revis\u00e3o da psican\u00e1lise 5.\u00a0 Florianopolis.2013.<\/h6>\n<h6>REGO, R do R. O semblante permite a parceria. Rio de Janeiro. n\u00ba13, 2008.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Texto produzido como produto no cartel em curso do Semin\u00e1rio 18.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.A. Mulheres e Semblantes. In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line. Ano1. <strong>N\u00ba<\/strong>1. Mar\u00e7o2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.A. Mulheres e Sembalntes. In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line. Ano1. <strong>N\u00ba<\/strong>1. Mar\u00e7o2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.A. Mulheres e Semblantes. In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line. Ano1. <strong>N\u00ba<\/strong>1. Mar\u00e7o2010.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. Semin\u00e1rio 20:\u00a0 Mais ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,1985.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.A. De la natureza de los semblantes. Buenos Aires. Paid\u00f3s.2002.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 TENDLARZ, S. As mulheres entre o amor, semblante e sinthoma. Arteira.\u00a0 Revis\u00e3o da psican\u00e1lise 5.\u00a0 Florianopolis.2013.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 REGO, R do R. O semblante permite a parceria. 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