{"id":12392,"date":"2022-07-25T16:45:03","date_gmt":"2022-07-25T19:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12392"},"modified":"2022-07-25T16:45:03","modified_gmt":"2022-07-25T19:45:03","slug":"entrevista-com-ary-farias-sobre-o-eixo-tematico-1-sexualidade-em-freud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/entrevista-com-ary-farias-sobre-o-eixo-tematico-1-sexualidade-em-freud\/","title":{"rendered":"Entrevista com Ary Farias sobre o Eixo tem\u00e1tico 1 \u2013 Sexualidade em Freud"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12381\" aria-describedby=\"caption-attachment-12381\" style=\"width: 468px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12381\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/arranjos007-002.png\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"468\" height=\"319\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12381\" class=\"wp-caption-text\">Fonte pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Gabriel Caixeta: Qual a import\u00e2ncia dessa formula\u00e7\u00e3o de Lacan sobre a sexua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ary Farias: <\/strong>Agrade\u00e7o a pergunta. Acho que essa \u00e9 uma quest\u00e3o que responderia toda a nossa Jornada. Como ela \u00e9 ampla ent\u00e3o eu vou me ater talvez a uma resposta um pouco preambular, introdut\u00f3ria, visto que n\u00f3s ainda teremos a participa\u00e7\u00e3o de nossos colegas que desenvolveram os outros eixos tem\u00e1ticos. Eu desenvolvi o primeiro eixo que \u00e9 a sexualidade em Freud. Te diria que essa perspectiva da sexua\u00e7\u00e3o para Lacan, para a cl\u00ednica que n\u00f3s enfrentamos hoje, ela \u00e9 nuclear. Uma vez que partimos do eixo que desenvolvi, que foi Freud, n\u00f3s iniciamos o racioc\u00ednio a partir de uma premissa, de uma l\u00f3gica f\u00e1lica, de uma quest\u00e3o ed\u00edpica. Essa foi a sexualidade desenvolvida por Freud. Evidentemente que essa sexualidade desenvolvida por Freud j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais conta de ler o que se efetiva hoje nos corpos, o que se efetiva nos la\u00e7os, a forma como as pessoas amam, a forma como as pessoas estabelecem os seus prazeres e por fim como cada corpo goza. Evidentemente que isso n\u00e3o \u00e9 uma dispensa aos princ\u00edpios freudianos uma vez que isso deveria ter como indispens\u00e1vel, n\u00f3s nunca iremos dispensar os princ\u00edpios. Ainda que o que n\u00f3s observamos, o que estou propondo, seja a verifica\u00e7\u00e3o clara do desenvolvimento, do avan\u00e7o que se teve a partir dessas premissas. N\u00e3o a dispensa! N\u00e3o desenvolvemos sem romper com os princ\u00edpios de Freud quando lan\u00e7ou essa quest\u00e3o da sexualidade que, historicamente n\u00f3s sabemos que Freud escandaliza o mundo com essa quest\u00e3o da sexualidade infantil, ou seja, quando ele rompe com esse conceito de ingenuidade infantil e vai dizer que h\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 uma sexualidade vigente e sim toda proliferada nesse corpo. N\u00f3s percebemos que isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. [&#8230;]\n<p><strong>Gabriel Caixeta: Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a diferen\u00e7a entre sexualidade e sexua\u00e7\u00e3o na psican\u00e1lise?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ary Farias: <\/strong>Eu me proponho a pensar, volto a dizer, de uma maneira muito introdut\u00f3ria que n\u00f3s pud\u00e9ssemos pensar a sexualidade como particularidades agrupadas, ou seja, a sexualidade como sendo os destinos das composi\u00e7\u00f5es do corpo, talvez um pouco ligada ainda a essa quest\u00e3o do g\u00eanero e do sexo. Ou seja, ainda muito freudiana essa quest\u00e3o da sexualidade. A quest\u00e3o da sexua\u00e7\u00e3o j\u00e1 seria ent\u00e3o essa verifica\u00e7\u00e3o que n\u00f3s observamos na nossa cl\u00ednica de que esses destinos pr\u00e9vios j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o conta de receber os anseios de prazer e de gozo desses corpos do contempor\u00e2neo, uma vez que, se pensarmos que um corpo, ele repercute essa infec\u00e7\u00e3o da linguagem, de como cada sujeito vai responder a essa infec\u00e7\u00e3o, como vai responder a essa febre, a essa composi\u00e7\u00e3o de desmesura que a linguagem causa na carne. Ou seja, por isso, n\u00f3s temos um corpo, um corpo desmesurado pela linguagem. N\u00e3o s\u00f3 desmesurado de uma maneira nefasta mas uma desmesura talvez at\u00e9 um pouco l\u00edrica, tem um pouco de tr\u00e1gico e de l\u00edrico nessa repercuss\u00e3o dessas afec\u00e7\u00f5es do corpo pela linguagem. Essa repercuss\u00e3o de linguagem que n\u00f3s conhecemos pelo codinome de falasser, ou seja, como cada sujeito responde a isso que \u00e9 tr\u00e1gico e ao mesmo tempo m\u00e1gico, que repercute a cultura, que repercute um momento s\u00f3cio-hist\u00f3rico que vivemos. Temos que lembrar que os corpos s\u00e3o sempre contempor\u00e2neos. Ainda que os corpos tenham algumas a\u00e7\u00f5es nost\u00e1lgicas, eles sempre respondem no contempor\u00e2neo, ainda que seja para neg\u00e1-lo. A proposta que fa\u00e7o \u00e9 pensarmos dessa forma.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Caixeta: Como o eixo tem\u00e1tico em quest\u00e3o toca no mist\u00e9rio da sexua\u00e7\u00e3o, tema das nossas jornadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ary Farias:<\/strong> Esse \u00e9 um mist\u00e9rio que \u00e9 paradoxal: ao mesmo tempo que ele se mant\u00e9m como insol\u00favel no aspecto do mist\u00e9rio, ele tamb\u00e9m tem um aspecto de evidencia\u00e7\u00e3o ineg\u00e1vel que s\u00e3o as repercuss\u00f5es no corpo, como n\u00f3s vivemos as repercuss\u00f5es do impulso em nosso corpo, como essa quest\u00e3o se mostra insol\u00favel, inevit\u00e1vel para todos n\u00f3s. Ou seja, como \u00e9 imposs\u00edvel tirar a refer\u00eancia nuclear do sexo para o falasser. A import\u00e2ncia reside nisso que me parece ser estrutural: a sexualidade como nuclear e a partir disso, desse n\u00facleo sexual, todas as repercuss\u00f5es de la\u00e7o e de como o sujeito vai se servir de seu corpo na rela\u00e7\u00e3o com o Outro, nas composi\u00e7\u00f5es amorosas, como ele vai tecer seu destino sempre nessa condi\u00e7\u00e3o de desamparo. E esse n\u00e3o precisa necessariamente produzir uma fobia pela vida, pelo contr\u00e1rio, talvez esse desamparo possa ser justamente o motor da inven\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 poss\u00edvel enquanto seres falantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriel Caixeta: Qual a import\u00e2ncia dessa formula\u00e7\u00e3o de Lacan sobre a sexua\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana? Ary Farias: Agrade\u00e7o a pergunta. Acho que essa \u00e9 uma quest\u00e3o que responderia toda a nossa Jornada. 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