{"id":12249,"date":"2022-06-11T10:35:38","date_gmt":"2022-06-11T13:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12249"},"modified":"2022-06-11T10:35:38","modified_gmt":"2022-06-11T13:35:38","slug":"as-psicoses-e-seus-sexos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/as-psicoses-e-seus-sexos\/","title":{"rendered":"As psicoses e seus sexos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12225\" aria-describedby=\"caption-attachment-12225\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12225\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/002.png\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12225\" class=\"wp-caption-text\">Fonte pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong><em>F\u00e1bio Paes Barreto (EBP\/AMP)<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>Quando colocamos em debate o sexo na psicose, a problem\u00e1tica do corpo est\u00e1 posta em quest\u00e3o logo de sa\u00edda. Se o neur\u00f3tico pode contar com um corpo que d\u00e1 suporte ao sintoma, na psicose o problema \u00e9 bastante distinto, trata-se dos esfor\u00e7os para se forjar um corpo ou uma pr\u00f3tese corporal poss\u00edvel. Se o falasser n\u00e3o est\u00e1 inscrito na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, em que medida pode ele sorver do gozo sexual, f\u00e1lico propriamente dito? Ou alguma amarra\u00e7\u00e3o contingente pode lograr, dentre outros aspectos, algo que se aproxime da fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica? As supl\u00eancias pela via do sinthoma s\u00e3o paradigm\u00e1ticas nesse aspecto. Mas, ao contr\u00e1rio do que acontece com os artistas e os \u201cloucos liter\u00e1rios\u201d (James Joyce, Samuel Becket, Rousseau), essa n\u00e3o \u00e9 a modalidade de estabiliza\u00e7\u00e3o mais frequente. Coloca-se, assim, o problema de como o analista pode secretariar o psic\u00f3tico rumo a uma estabiliza\u00e7\u00e3o por uma outra via \u2013 a da compensa\u00e7\u00e3o, como prop\u00f5em Augustin M\u00e9nard e Jean-Claude Maleval. O sexo, no \u00e2mbito da foraclus\u00e3o do Nome-do-Pai, tamb\u00e9m est\u00e1 sob a premissa do empuxo-\u00e0-mulher. A feminiza\u00e7\u00e3o na psicose, podemos tomar como um empuxo \u00e0 mulher toda, \u00e9 dizer, um empuxo ao Outro gozo (ou o gozo d\u2019A mulher). O franqueamento para o Outro Gozo sem incorrer num desencadeamento franco da psicose \u00e9 algo que novamente traz \u00e0 baila a cl\u00ednica da estabiliza\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica \u2013 uma cl\u00ednica, por excel\u00eancia, feita de enodamentos, desenodamentos e de manipula\u00e7\u00e3o dos n\u00f3s. Dessa s\u00e9rie, culmina o real da rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe. Para Joyce, prop\u00f5e Lacan no Semin\u00e1rio 23, a rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 poss\u00edvel na conting\u00eancia do sinthoma. Mas, essa ex-sist\u00eancia n\u00e3o acontece sem particulares: est\u00e1 l\u00e1, por exemplo, a marca da <sub>0<\/sub>. E na esteira dela, o modo como Joyce consegue se haver com uma mulher \u2013 Nora \u00e9 tomada por ele muito menos na vertente do desejo do que do gozo, haja vista as cartas pornogr\u00e1ficas que o marido lhe enviava. Podemos, ainda, depreender que, para o falasser inscrito na car\u00eancia do pai, a voca\u00e7\u00e3o em fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual pode desembocar no del\u00edrio franco, em se tratando de uma psicose desenodada.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno trans parece realizar, na cultura, o desejo de dispor de uma mulher com p\u00eanis ou uma mulher toda. Nos tempos da autodesigna\u00e7\u00e3o sexual, como um psic\u00f3tico pode se dizer trans, homo, h\u00e9tero, cis ou trans, uma vez que foi constitu\u00eddo, para sempre, em torno de uma <em>Aussto\u00dfung<\/em> fundamental? Como bricolar uma supl\u00eancia ou compensa\u00e7\u00e3o a produzir efeitos de amarra\u00e7\u00e3o nos tr\u00eas registros \u2013 no imagin\u00e1rio, um corpo poss\u00edvel; no simb\u00f3lico a fun\u00e7\u00e3o de nomea\u00e7\u00e3o e de estabiliza\u00e7\u00e3o da cadeia significante; e no real, de regula\u00e7\u00e3o, aparelhamento e localiza\u00e7\u00e3o do gozo \u2013 e, por consequ\u00eancia, poder ocupar um lugar na t\u00e1bua da sexua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tais questionamentos v\u00eam a reboque de provoca\u00e7\u00f5es, que buscam estimular e franquear caminhos para os colegas da EBP se colocarem na empreitada dos trabalhos a serem apresentados, conforme o eixo tem\u00e1tico 3 \u2013 O sexo nas psicoses, das III Jornadas da EBP\/Leste-Oeste \u201cOs Mist\u00e9rios da Sexua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e3os \u00e0 obra e que tenhamos excelentes produ\u00e7\u00f5es!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1bio Paes Barreto (EBP\/AMP) Quando colocamos em debate o sexo na psicose, a problem\u00e1tica do corpo est\u00e1 posta em quest\u00e3o logo de sa\u00edda. 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