{"id":12140,"date":"2022-05-18T10:26:18","date_gmt":"2022-05-18T13:26:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12140"},"modified":"2022-05-18T10:26:18","modified_gmt":"2022-05-18T13:26:18","slug":"editorial-boletim-arranjos-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/editorial-boletim-arranjos-04\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Arranjos #04"},"content":{"rendered":"<h6><strong><em>Por Renata Tavares Imperial \u2013 Coordenadora da Comiss\u00e3o do Boletim Arranjos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_12104\" aria-describedby=\"caption-attachment-12104\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12104 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/boletim_004_001-300x224.png\" alt=\"\u00a0A Idade Madura. Camille Claudel.1898.\" width=\"300\" height=\"224\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12104\" class=\"wp-caption-text\">A Idade Madura. Camille Claudel.1898.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O segundo Eixo Tem\u00e1tico das III Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste Oeste,<strong> <em>Parcerias sintom\u00e1ticas<\/em><\/strong>, \u00e9 o tema que norteia a escrita dos textos que comp\u00f5em este Boletim Arranjos #4.<\/p>\n<p>Cristiano Pimenta, no argumento deste Eixo, publicado no Boletim Arranjos #1, faz considera\u00e7\u00f5es fundamentais para pensarmos este tema, dentre elas destacamos aqui dois pontos: a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o Outro e a rela\u00e7\u00e3o com o corpo vivo e sexuado, o pr\u00f3prio e o do outro. Em ambos, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o real e o gozo. Neste sentido, o conceito de <em>parceiro-sintoma<\/em> forjado por Miller acentua e articula a rela\u00e7\u00e3o do sintoma com o real, e aponta que alguma parceria com este \u00e9 poss\u00edvel, na medida em que \u201co sujeito lacaniano \u00e9 impens\u00e1vel sem um parceiro\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Partimos da seguinte constata\u00e7\u00e3o elaborada por Miller: \u201cSe ele [sintoma] \u00e9 da ordem do real, trata-se de um real bem particular, j\u00e1 que seria real para Um e, portanto, n\u00e3o para o Outro. Como se sabe, \u00e9 pr\u00f3prio ao real que s\u00f3 se o aborde um a um, e dessa constata\u00e7\u00e3o decorrem in\u00fameras consequ\u00eancias. (&#8230;) Considerar que h\u00e1 sintoma para cada um dos que falam significa dizer que, no n\u00edvel da esp\u00e9cie humana, h\u00e1 um saber que n\u00e3o se inscreve no real. No n\u00edvel da esp\u00e9cie que fala, n\u00e3o h\u00e1 inscri\u00e7\u00e3o no real de um saber que diga respeito \u00e0 sexualidade, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 nesse n\u00edvel o que chamamos de \u2018instinto\u2019, que leva, de forma invari\u00e1vel e t\u00edpica para uma esp\u00e9cie, rumo ao parceiro\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Esta \u00e9 a visada da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, portanto, esta \u00e9 a via que abordaremos os mal-estares vivenciados na cl\u00ednica. Algumas perguntas comparecem, dentre elas: quais as sa\u00eddas para os impasses diante da indetermina\u00e7\u00e3o do parceiro sexual, uma vez que n\u00e3o podemos contar com o instinto?<\/p>\n<p>A despeito da impossibilidade de estabelecer uma parceria sexual instintiva e harm\u00f4nica, uma vez que, segundo Miller (2000), \u201co sexo n\u00e3o \u00e9 exitoso em tornar os seres humanos, os <em>parl\u00eatres<\/em>, parceiros, (&#8230;) apenas o sintoma \u00e9 bem-sucedido quanto a isso\u201d <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, em psican\u00e1lise, supomos uma parceria com o sintoma, ou seja, \u201ca experi\u00eancia anal\u00edtica mostra que \u00e9 o sintoma de um que entra em conson\u00e2ncia com o sintoma do outro\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. O que implica a parceria com o sintoma? Quais as resson\u00e2ncias, na cl\u00ednica, com a proposta milleriana de <em>parceiro-sintoma<\/em>?<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m apostamos que o amor seja uma via poss\u00edvel para mediar uma parceria, uma vez que, pelo gozo, ficar\u00edamos solit\u00e1rios, por conta de sua condi\u00e7\u00e3o autoer\u00f3tica e aut\u00edstica. Esta \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o dada por Lacan em sua c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o \u201cs\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d, ou seja, na condi\u00e7\u00e3o de ser falante perdemos o acesso direto ao gozo, portanto, necessitamos do amor para alcan\u00e7\u00e1-lo. Em outros termos, S\u00f4nia Vicente, afirma que \u201cdesde sempre, o <em>falasser<\/em> tenta dar conta da sua rela\u00e7\u00e3o com o Outro, dar conta da sua parceria sintom\u00e1tica. Referir-nos ao parceiro sintoma \u00e9 afirmar que aquilo pelo que o <em>falasser<\/em> se interessa, procura, \u00e9 o gozo, a partir do Outro. Isso quer dizer que, entre <em>falasseres<\/em>, tanto na posi\u00e7\u00e3o feminina quanto na posi\u00e7\u00e3o masculina, h\u00e1 sintoma\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Ainda com esta autora, em seu texto <em>Quando o ideal de amor faz sintoma<\/em>, que encontrar\u00e3o neste Boletim, aprendemos que, com a experi\u00eancia de an\u00e1lise, o <em>falasser<\/em> pode se haver com seu gozo e, mais ainda, \u201capreender que s\u00f3 h\u00e1 gozo do corpo pr\u00f3prio e da sua fantasia\u201d, bem como viver \u201cum novo amor, (&#8230;) o que Lacan aspira como \u2018amor mais digno\u2019\u2013 amar o seu tra\u00e7o-letra \u2013 seu <em>sinthoma<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Agradecemos a S\u00f4nia Vicente pela autoriza\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o de seu texto neste Boletim. Esperamos que os leitores fa\u00e7am um bom uso de suas articula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>Seguindo na via aberta por Miller, os textos deste Boletim Arranjos #4 abordam as <em>parcerias sintom\u00e1ticas <\/em>por diferentes caminhos, mas tendo como fio condutor o conceito <em>parceiro-sintoma,<\/em> em articula\u00e7\u00e3o com a contemporaneidade quando o parceiro n\u00e3o \u00e9 mais o Outro, na medida em que vivemos em tempos em que o Outro n\u00e3o existe<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, o que, consequentemente, eleva o parceiro ao \u201cz\u00eanite social\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Uma \u00faltima considera\u00e7\u00e3o, com tom de convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura deste quarto Boletim, bem como \u00e0 escrita dos trabalhos a serem apresentados nas Jornadas: se tomamos como orienta\u00e7\u00e3o o que Miller (2000) elabora, \u201cse h\u00e1 sintoma, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 saber no real sobre a sexualidade. Se h\u00e1 sintoma, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 uma aus\u00eancia de saber no real que diga respeito \u00e0 sexualidade\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, isto implica que, para a psican\u00e1lise, n\u00e3o existe um saber que esteja dado, que basta prov\u00e1-lo e aplic\u00e1-lo cientificamente, como \u00e9 a proposta da ci\u00eancia. Isto tamb\u00e9m n\u00e3o quer dizer que a psican\u00e1lise n\u00e3o possua um saber, mas, sim, que este saber ter\u00e1 que ser constru\u00eddo por cada um que se submeta \u00e0 experi\u00eancia anal\u00edtica, seja como analista ou como analisante. Neste sentido, esperamos que cada leitor deste Boletim seja instigado a testemunhar seu querer saber singular sobre as <em>parcerias sintom\u00e1ticas<\/em> vivenciadas em sua cl\u00ednica e ou em seus estudos, e assim contribuir com o tema de nossas Jornadas o <em>Mist\u00e9rio da Sexua\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Desejamos um bom uso deste Boletim!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MILLER, J-A., A teoria do parceiro. Em: <strong>Os circuitos do desejo na vida e na an\u00e1lise<\/strong>. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (orgs.) \u2013 Contra Capa Livraria, 2000, p. 164.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Idem , p.154<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Idem, p.189.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, p.154.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> VICENTE, S. <strong>Quando o ideal de amor faz sintoma<\/strong>. Em: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie, Ano 7, N\u00famero 19, mar\u00e7o 2016, p. 01.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Idem, p. 06.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> MILLER, J-A. El partenaire-s\u00edntoma. Ciudad Aut\u00f3noma de Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Miller em seu texto <em>Uma fantasia <\/em>fala do objeto <em>a<\/em> elevado ao z\u00eanite social.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> MILLER, J-A., A teoria do parceiro. Em: <strong>Os circuitos do desejo na vida e na an\u00e1lise<\/strong>. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (orgs.) \u2013 Contra Capa Livraria, 2000, p. 154-155.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renata Tavares Imperial \u2013 Coordenadora da Comiss\u00e3o do Boletim Arranjos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O segundo Eixo Tem\u00e1tico das III Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste Oeste, Parcerias sintom\u00e1ticas, \u00e9 o tema que norteia a escrita dos textos que comp\u00f5em este Boletim Arranjos #4. Cristiano Pimenta, no argumento deste Eixo, publicado no Boletim Arranjos #1, faz considera\u00e7\u00f5es fundamentais para pensarmos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-12140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12140"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=12140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}