{"id":12135,"date":"2022-05-18T10:26:19","date_gmt":"2022-05-18T13:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12135"},"modified":"2022-05-18T10:26:19","modified_gmt":"2022-05-18T13:26:19","slug":"sobre-o-parceiro-sintoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/sobre-o-parceiro-sintoma\/","title":{"rendered":"Sobre o parceiro-sintoma"},"content":{"rendered":"<h6><strong><em>Por Paulo S\u00e9rgio Silva<\/em><\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_12106\" aria-describedby=\"caption-attachment-12106\" style=\"width: 662px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12106\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/boletim_004_003.png\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"662\" height=\"497\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12106\" class=\"wp-caption-text\">Fonte pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Freud, como sabemos, come\u00e7ou pelo sintoma. N\u00e3o se tratava de medi-lo pelo ideal de uma sa\u00fade mental sempre problem\u00e1tico. O que o orientava era uma pr\u00e1tica com esse sintoma hist\u00e9rico. Exatamente o que se passa com o sujeito quando ele est\u00e1 em pane ou impossibilitado de express\u00e3o. Freud viu a\u00ed os limites do poder da fala e com eles as dificuldades de capta\u00e7\u00e3o de si mesmo e do objeto. Inaugura, assim, um modo de debater sobre a \u201cdoen\u00e7a\u201d e a \u201ccura\u201d. Esta parece advir do pr\u00f3prio sintoma uma vez que ela precisa da ren\u00fancia ao objeto de elei\u00e7\u00e3o. A \u201cdoen\u00e7a\u201d parece ligada \u00e0 tentativa de evitar tal limita\u00e7\u00e3o. Esta que o pr\u00f3prio complexo de \u00c9dipo vai chamar de castra\u00e7\u00e3o uma vez que o acesso \u00e0 atividade sexual vai passar por uma ren\u00fancia ao desejo origin\u00e1rio.<\/p>\n<p>O sintoma neur\u00f3tico \u00e9, assim, produzido pela recusa da coer\u00e7\u00e3o exigida para o acesso \u00e0 vida sexual. Ao mesmo tempo em que causa inibi\u00e7\u00e3o ou ang\u00fastia, ele alimenta um gozo chamado pr\u00e9-genital centrado no corpo, mais precisamente em seus orif\u00edcios, e que pode ser, pela fixa\u00e7\u00e3o neles, um obst\u00e1culo \u00e0 cura. Em \u201cO mal-estar na Cultura\u201d, Freud evidencia essa incapacidade do homem de ter uma sexualidade menos problem\u00e1tica, incerta, amb\u00edgua e conflituosa. Assim, o lugar do sintoma se desloca para ocupar a posi\u00e7\u00e3o de dizer sobre as condi\u00e7\u00f5es gerais de nossas possibilidades de acesso ao sexo.<\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller (1998), em \u201cO Osso de uma An\u00e1lise\u201d, nos provoca a pensar sobre essa quest\u00e3o sintom\u00e1tica. Lacan, a princ\u00edpio, acreditou que a articula\u00e7\u00e3o significante seria independente de qualquer refer\u00eancia ao corpo. Este primeiro Lacan pensou ser poss\u00edvel dispensar a refer\u00eancia ao corpo e enfatizar a letra escrita, um funcionamento de l\u00f3gica de significante pura. Inicialmente, ele situou o corpo na ordem imagin\u00e1ria, o do est\u00e1dio do espelho. No inconsciente, o corpo apenas como simbolizado. Neste sentido, obtemos a\u00ed uma satisfa\u00e7\u00e3o puramente significante, um gozo sem o corpo, obtemos o reconhecimento. Assim, o sujeito deveria reconhecer o Outro para ser reconhecido por ele. \u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o procurada no simb\u00f3lico de maneira diferente daquela encontrada no corpo. Neste sentido, o sintoma seria definido como falta de reconhecimento, falta de satisfa\u00e7\u00e3o significante. O reconhecimento como satisfa\u00e7\u00e3o do sujeito como falta-a-ser advinda do Outro da fala.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 introduzido no ensino de Lacan por uma necessidade. A necessidade que a libido cobra da refer\u00eancia ao corpo. Em Freud, o que atende a esta quest\u00e3o \u00e9 o conceito de puls\u00e3o, por dizer sobre as zonas do corpo e dos objetos do pr\u00f3prio corpo que se perdem. Objeto oral, anal&#8230; O corpo entra no ensino de Lacan relacionado ao objeto <em>a<\/em>. O corpo mortificado pelo significante e que deixa lugar para restos que escapam \u00e0 mortifica\u00e7\u00e3o. O objeto <em>a<\/em> vem completar o sujeito do corpo mortificado, que \u00e9 o elemento decisivo da fantasia.<\/p>\n<p>Em seguida, podemos pensar que, para que haja gozo, \u00e9 preciso o corpo. S\u00e3o esses os dois efeitos do significante sobre o corpo: a mortifica\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o do mais-de-gozar.<\/p>\n<p>Mais enf\u00e1tico do que o significante tenha um efeito de mortifica\u00e7\u00e3o sobre o corpo \u00e9 que ele tenha uma incid\u00eancia de gozo sobre o corpo. Esse \u00e9 propriamente o sintoma para Lacan. Que o significante se refere ao corpo e isto se d\u00e1 na modalidade do sintoma. Lacan sustentava a defini\u00e7\u00e3o de sujeito como falta-a-ser e fazendo entrar o corpo vivo na psican\u00e1lise ele o refez para <em>falasser<\/em>. Isto \u00e9, o sujeito mais a subst\u00e2ncia gozante. Tamb\u00e9m o conceito de grande Outro entra em quest\u00e3o e temos a perspectiva do parceiro-sintoma. \u00c9 realmente uma mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o. O Outro, com o parceiro-sintoma, n\u00e3o \u00e9 mais um corpo esvaziado de seu gozo, \u00e9 um corpo vivo. Que o Outro do c\u00f3digo continue funcionando, tudo bem, mas ao n\u00edvel sexual n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o significante entre esse Um e o Outro. A tese que sustenta essa perspectiva \u00e9 a de que o parceiro-sintoma se torna o osso de uma cura. Assim \u00e9 que o parceiro sup\u00f5e que o Outro se torne o sintoma do <em>falasser<\/em>, quer dizer, um meio de seu gozo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/h6>\n<p>FREUD, S. Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud, vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1996.<\/p>\n<p>MILLER, J-A. O osso de uma an\u00e1lise + O inconsciente e o corpo falante. Rio de Janeiro: 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo S\u00e9rgio Silva Freud, como sabemos, come\u00e7ou pelo sintoma. 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