{"id":12133,"date":"2022-05-18T10:26:19","date_gmt":"2022-05-18T13:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=12133"},"modified":"2022-05-18T10:26:19","modified_gmt":"2022-05-18T13:26:19","slug":"das-parcerias-amorosas-ao-misterio-do-inconsciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/das-parcerias-amorosas-ao-misterio-do-inconsciente\/","title":{"rendered":"Das parcerias amorosas ao mist\u00e9rio do inconsciente"},"content":{"rendered":"<h6><strong><em>Por Renato Carlos Vieira (EBP\/AMP)<\/em><\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_12107\" aria-describedby=\"caption-attachment-12107\" style=\"width: 663px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-12107\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/boletim_004_004.png\" alt=\"Foto de Renato Carlos Vieira\" width=\"663\" height=\"497\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12107\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Renato Carlos Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lacan, em \u201cmais, ainda\u201d, nos diz que o real \u00e9 o mist\u00e9rio do corpo falante, \u00e9 o mist\u00e9rio do inconsciente. Diz tamb\u00e9m que o ser falante n\u00e3o \u00e9 a linguagem. O ser falante \u00e9 bem outra coisa. Ele habita a linguagem e tem um corpo. Um corpo que se goza (1).<\/p>\n<p>Por outro lado, do ponto de vista da estrutura da linguagem o inconsciente, ao n\u00e3o se reduzir a ela, aponta para o mist\u00e9rio do corpo falante e, por conseguinte, do pr\u00f3prio inconsciente, isto \u00e9, o real sem sentido (1).<\/p>\n<p>Para Lacan, a an\u00e1lise \u00e9 revela esse ponto nodal pelo qual a pulsa\u00e7\u00e3o do inconsciente est\u00e1 ligada \u00e0 realidade sexual.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio sobre os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise Lacan anuncia que, para al\u00e9m do inconsciente ser estruturado como uma linguagem, a realidade do inconsciente \u00e9 sexual \u2013 \u201ca realidade do inconsciente \u00e9 a realidade sexual\u201d (2).<\/p>\n<p>Esse enunciado subverte o ensino de Lacan e o leva a examinar mais de perto a realidade sexual do inconsciente. Nessa perspectiva, chegamos a algo novo sobre a sexualidade feminina: \u201c[&#8230;] do lado de \u023a mulher, \u00e9 de outra coisa que n\u00e3o do objeto <em>a <\/em>que se trata no que vem em supl\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe\u201d (1).<\/p>\n<p>Logo, mais al\u00e9m do mito edipiano, indagamos sobre o que vela os muros (dos <em>amuros<\/em>) do amor.<\/p>\n<p>Sabemos que, no final do ano de 1971 e no in\u00edcio de 1972, Lacan retorna ao Hospital Sainte-Anne para uma s\u00e9rie \u201cconversas\u201d sobre \u201cO saber do psicanalista\u201d. Nesse mesmo per\u00edodo, na pra\u00e7a do <em>Panthe\u00f3n<\/em>, no \u00e2mbito da Faculdade de Direito, ele ditava o Semin\u00e1rio \u201c&#8230;ou pior\u201d.<\/p>\n<p>As conversas de Lacan em Sainte-Anne aconteceram na capela do hospital. Foi l\u00e1 que ele proferiu a celebre frase \u201cestou falando com as paredes\u201d [murs] (3).<\/p>\n<p>Chama aten\u00e7\u00e3o o fato de as paredes circundarem um vazio. Logo, isso nos leva a pensar que tem algo <em>a<\/em> mais nas cartas de amor do que o rid\u00edculo que nos chama aten\u00e7\u00e3o o poeta Fernando Pessoa ou o sentido que o senso comum sup\u00f5e no amor.<\/p>\n<p>Na capela do hospital Sainte-Anne, Lacan nos convida a segregar o sentido com um certo vigor pois, segundo ele, o sentido \u201c\u00e9 uma pequena borboleta acrescentada a esse objeto <em>a<\/em> com que cada um de voc\u00eas tem sua liga\u00e7\u00e3o particular\u201d (3).<\/p>\n<p>Sendo assim, somos levados a questionar sobre o que h\u00e1 de enigm\u00e1tico e indecifr\u00e1vel nas cartas de amor.<\/p>\n<p>Sabemos, que \u201co amor demanda o amor\u201d (1). Contudo, em \u201cmais, ainda\u201d, Lacan sublinha que h\u00e1 uma falha de onde parte a demanda de amor e que, para localizar algo que seja capaz de \u201cresponder pelo gozo do corpo do Outro\u201d, ele evoca o que h\u00e1 de \u201ctra\u00e7os no amuro\u201d. Em outras palavras, daquilo que \u201caparece em signos bizarros no corpo\u201d (1).<\/p>\n<p>Observa-se que Lacan indica uma clivagem da parede. Ele afirma que h\u00e1 alguma coisa instalada na frente (a fala e a linguagem) e por tr\u00e1s <em>isso<\/em> trabalha (4). Isso nos remete \u00e0 dimens\u00e3o da economia do gozo do ser falante, ou seja, aquilo que \u00e9 sustentado pelo real como imposs\u00edvel de fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual entre os seres falantes.<\/p>\n<p>Entre os homens e as mulheres a coisa n\u00e3o vai \u2013 h\u00e1 um muro \/ amuro. Isso \u00e9 o que constitui o fundo da vida, diz Lacan (1). Por\u00e9m na perspectiva dos efeitos da linguagem, nesse registro, a coisa vai assim mesmo \u2013 \u201cgra\u00e7as a um certo n\u00famero de conven\u00e7\u00f5es, de interdi\u00e7\u00f5es, de inibi\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o efeitos da linguagem\u201d. Os homens, as mulheres e as crian\u00e7as [tudo que faz coletividade] n\u00e3o s\u00e3o mais do que significantes (1).<\/p>\n<p>Um homem n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um significante, afirma Lacan. Ele procura uma mulher por interm\u00e9dio de um discurso, mas nela &#8211; por ser a mulher n\u00e3o toda &#8211; h\u00e1 sempre alguma coisa que escapa ao discurso (1).<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico demonstra que no <em>discorrente<\/em> da linguagem a mulher s\u00f3 entra em fun\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o sexual enquanto m\u00e3e (1). Por\u00e9m, isso n\u00e3o passa de uma supl\u00eancia desse n\u00e3o-todo sobre o qual repousa o gozo da mulher. Esse gozo que a faz em algum lugar ausente de si mesma, ausente enquanto sujeito, e a leva encontrar, como rolha, esse <em>a <\/em>que ser\u00e1 seu filho (1)<\/p>\n<p>Por outro lado, se a rela\u00e7\u00e3o sexual entre um homem e a mulher (xRy) pudesse escrever-se de maneira sustent\u00e1vel num discurso, o homem sempre entraria nela como um significante enquanto tendo rela\u00e7\u00e3o com o gozo f\u00e1lico, isto \u00e9, mediante a castra\u00e7\u00e3o (1).<\/p>\n<p>Portanto, a rela\u00e7\u00e3o entre o homem e a mulher s\u00f3 se sustenta mediante um discurso e tudo escapa a\u00ed pois, no que concerne \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, \u201cvoc\u00eas n\u00e3o poder\u00e3o jamais escrev\u00ea-la &#8230; com um verdadeiro escrito enquanto aquele que, da linguagem, se condiciona por um discurso\u201d (1).<\/p>\n<p>Sabemos que no ensino cl\u00e1ssico de Lacan o gozo estava segregado pelo amor em favor do desejo. Por\u00e9m, em seu ultim\u00edssimo ensino Lacan desloca o gozo do campo das transgress\u00f5es. O corpo se goza, ele \u00e9 \u00edndice da ex-sist\u00eancia da subst\u00e2ncia gozante. Temos a\u00ed, segundo Miller, o <em>cogito<\/em> lacaniano [<em>je suis donc se jouit<\/em>] derivado de um gozo opaco do sintoma imposs\u00edvel de negativar (5).<\/p>\n<p>Lacan no Semin\u00e1rio \u201cos quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise\u201d \u00e9 categ\u00f3rico ao dizer que \u201c\u00e9 no n\u00edvel da puls\u00e3o que o estado de satisfa\u00e7\u00e3o deve ser retificado\u201d (2).<\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 paradoxal, afirma Lacan. Ela coloca em jogo a categoria do imposs\u00edvel \u2013 o real da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual. Por\u00e9m, ao final de seu ensino, ele nos adverte a respeito da verdade mentirosa. Em outras palavras, no que tange a miragem da verdade, \u201cda qual s\u00f3 se pode esperar a mentira\u201d (6), Lacan afirma que n\u00e3o h\u00e1 outro limite a n\u00e3o ser a satisfa\u00e7\u00e3o que marca o fim da an\u00e1lise. Para isso, \u00e9 preciso suportar que o desejo \u2013 n\u00e3o o sujeito \u2013 seja sempre insatisfeito.<\/p>\n<p>Com efeito, um novo amor poderia surgir a partir do movimento do ser falante em admitir o objeto pulsional sem a pretens\u00e3o de fazer dele algo seu e obter satisfa\u00e7\u00e3o sem atingir seu alvo. Em outras palavras, a satisfa\u00e7\u00e3o poderia neste caso contornar o vazio ocupado pelo objeto <em>a<\/em> para, como disse Lacan, \u201cse ter uma ideia sadia do amor\u201d (3).<\/p>\n<p>Sabemos que o amor faz signo e ele \u00e9 sempre rec\u00edproco. Por outro lado, em se tratando do gozo do corpo n\u00e3o h\u00e1 reciprocidade (1).<\/p>\n<p>Parece que temos aqui, na distin\u00e7\u00e3o entre a reciprocidade patrocinada pelo amor e a n\u00e3o reciprocidade do gozo, um pequeno esbo\u00e7o do mist\u00e9rio que indica a n\u00e3o exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, mediante a ex-sist\u00eancia de um gozo opaco do sintoma.<\/p>\n<p>Quando se olha mais de perto para a reciprocidade do amor o que se v\u00ea s\u00e3o as devasta\u00e7\u00f5es (1). Por outro lado, o gozo sempre nos coloca uma quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMais, ainda, \u00e9 o nome pr\u00f3prio dessa falha de onde, no Outro, parte a demanda do amor\u201d (1). Em s\u00edntese, a falha produz, no Outro, a demanda do amor.<\/p>\n<p>Com efeito, vem do <em>amuro<\/em> aquilo que, de maneira n\u00e3o necess\u00e1ria e n\u00e3o suficiente, \u00e9 capaz de responder pelo gozo do corpo do Outro (1).<\/p>\n<p>Amuro, \u00e9 o que aparece em signos bizarros nos corpos. S\u00e3o caracteres sexuais que v\u00eam do al\u00e9m, como se fosse um g\u00e9rmen que n\u00e3o tem uma estrutura de linguagem. Eles se incorporam no corpo que leva seus tra\u00e7os. \u201cH\u00e1 tra\u00e7os no amuro. S\u00e3o apenas tra\u00e7os\u201d (1).<\/p>\n<p>Esses tra\u00e7os colocam o ser do corpo na dimens\u00e3o do sexo: \u201co ser do corpo \u00e9 sexuado, mas \u00e9 secund\u00e1rio\u201d (1).\u00a0 A experi\u00eancia demonstra, prossegue Lacan, que n\u00e3o s\u00e3o desses tra\u00e7os que dependem o gozo do corpo. H\u00e1 um mist\u00e9rio inconsciente entre o Um (que s\u00f3 se sustenta pela ess\u00eancia do significante) e algo que se prende ao ser e, por tr\u00e1s do ser, ao gozo\u201d (1).<\/p>\n<p>A partir da periquita que se enamora de Picasso, especificamente pelo colarinho de sua camisa, Lacan demonstra como funciona, pela via da identifica\u00e7\u00e3o, as parcerias amorosas: \u201ca periquita se identificava com Picasso vestido\u201d (1).<\/p>\n<p>Da mesma forma, isso acontece com tudo o que diz respeito ao amor. Ama-se os semblantes, mas quando se olha para l\u00e1 mais de perto, veem-se as devasta\u00e7\u00f5es. O h\u00e1bito ama o monge e \u00e9 por isso que eles s\u00e3o apenas um. Dito de outro modo, \u201co que h\u00e1 sob o h\u00e1bito, e que chamamos de corpo, talvez seja apenas esse resto que Lacan chamou de objeto <em>a\u201d<\/em>. \u201cO que faz aguentar-se a imagem, \u00e9 um resto\u201d derivado dos signos bizarros no corpo que faz o ser sexuado. (1).<\/p>\n<p>A experi\u00eancia anal\u00edtica d\u00e1 como testemunho o fato de que tudo gira ao redor do gozo f\u00e1lico e que a mulher s\u00f3 se define por uma posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-toda no que se refere ao gozo f\u00e1lico (1).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO gozo f\u00e1lico \u00e9 o obst\u00e1culo pelo qual o homem n\u00e3o chega a gozar do corpo da mulher, precisamente porque o de que ele goza \u00e9 do gozo do \u00f3rg\u00e3o\u201d (Lacan, 1985, p.15)<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] De um lado, o gozo \u00e9 marcado por esse furo que n\u00e3o lhe deixa outra via sen\u00e3o a do gozo f\u00e1lico. Do outro lado, ser\u00e1 que algo pode ser atingido, que nos diria como aquilo que at\u00e9 aqui \u00e9 s\u00f3 falha, hi\u00e2ncia, no gozo, seria realizado?\u201d (Lacan, 1985, p.16).<\/p><\/blockquote>\n<p>Com efeito, Lacan evoca a topologia, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 geometria, para tratar da dimens\u00e3o do gozo do corpo. Ele parte da premissa de que o gozo sexual \u00e9 f\u00e1lico e que ele n\u00e3o se relaciona com o (gozo do) Outro como tal (1).<\/p>\n<p>A linguagem que est\u00e1 fora dos corpos, ainda que ela os agite, faz com que o Outro, que se encarna como ser sexuado, exija que o \u201cser sexuado das mulheres n\u00e3o todas n\u00e3o passe pelo corpo, mas pelo que resulta de uma exig\u00eancia l\u00f3gica na palavra\u201d, e que cada mulher seja tomada uma a uma. Em outros termos, Lacan sustenta que \u201cessa exig\u00eancia do Um \u00e9 do Outro que ela sai\u201d (1).<\/p>\n<p>A mulher em seu corpo \u00e9 n\u00e3o toda como ser sexuado. Mas, no que tange \u00e0s articula\u00e7\u00f5es sobre o ser, Lacan diz que tudo o que se articulou sobre ele sup\u00f5e que se possa recusar-se o predicado e dizer o homem \u00e9, por exemplo, sem dizer o qu\u00ea. Isso significa que:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c[&#8230;] nada pode ser dito sen\u00e3o por contornos em impasse, demonstra\u00e7\u00f5es de impossibilidade l\u00f3gica, aonde nenhum predicado basta. O que diz respeito ao ser, ao ser que se colocaria como absoluto, n\u00e3o \u00e9 jamais sen\u00e3o a fratura, a rachadura, a interrup\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula <em>ser sexuado<\/em>, no que ser sexuado est\u00e1 interessado no gozo\u201d (Lacan, 1985, p.20).<\/p><\/blockquote>\n<p>Por fim, no que tange ao amor o que se diz \u00e9 que certamente \u201cn\u00e3o se pode falar dele\u201d. Pode-se falar da carta de amor, da declara\u00e7\u00e3o de amor, \u201co que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que a palavra de amor\u201d (1). O amor \u00e9 o que vem em supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe (1). Essa \u00e9 a via que nos leva ao deslocamento das parcerias sintom\u00e1ticas rumo \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o sob transfer\u00eancia do parceiro-sinthoma de cada um.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong><\/h6>\n<h6>1 Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.<\/h6>\n<h6>2 Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatros conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>3 Lacan, J. <em>Estou falando com as paredes: conversas na Capela de Sainte-Anne. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<\/h6>\n<h6>4 Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19: &#8230;ou pior. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/h6>\n<h6>5 Miller, J-A. <em>Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2011.<\/h6>\n<h6>6 Lacan, J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Carlos Vieira (EBP\/AMP) Lacan, em \u201cmais, ainda\u201d, nos diz que o real \u00e9 o mist\u00e9rio do corpo falante, \u00e9 o mist\u00e9rio do inconsciente. Diz tamb\u00e9m que o ser falante n\u00e3o \u00e9 a linguagem. O ser falante \u00e9 bem outra coisa. Ele habita a linguagem e tem um corpo. 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