{"id":11965,"date":"2022-04-05T08:07:29","date_gmt":"2022-04-05T11:07:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11965"},"modified":"2022-04-05T08:07:29","modified_gmt":"2022-04-05T11:07:29","slug":"entrevista-com-o-artista-taigo-meireles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/entrevista-com-o-artista-taigo-meireles\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Artista Taigo Meireles"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Por Giovanna Quaglia<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_11970\" aria-describedby=\"caption-attachment-11970\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11970\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/boletim002_002-280x300.jpg\" alt=\"Taigo Meireles \u201cBeatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d, 2011.\" width=\"280\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11970\" class=\"wp-caption-text\">Taigo Meireles<br \/>\u201cBeatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d, 2011.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Reparou na obra de arte que inspirou o designer do cartaz, o boletim eletr\u00f4nico e a cria\u00e7\u00e3o do teaser das III Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste?<\/p>\n<p>\u201c<em>Beatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria<\/em>\u201d \u00e9 o nome da obra realizada, em giz pastel seco sobre papel, por Taigo Meireles<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> em 2011.<\/p>\n<p>Taigo Meireles \u00e9 pintor, nascido em Bras\u00edlia, no Distrito Federal, e criado na cidade sat\u00e9lite de Ceil\u00e2ndia. Come\u00e7ou a desenhar e pintar ainda crian\u00e7a. Cursou artes visuais no Instituto de Artes da Universidade de Bras\u00edlia (UNB). Fez mestrado e foi professor da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes.<\/p>\n<p>Confira, abaixo, os pontos centrais da entrevista<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a> realizada por Giovanna Quaglia (EBP\/AMP) com Taigo Meireles para essa segunda edi\u00e7\u00e3o do boletim <em>Arranjos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o de um artista<\/strong><\/p>\n<p><strong> M.<\/strong> \u2013 \u201cEssa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta, \u00e9 algo latente&#8230; Porque \u00e9 o repert\u00f3rio mesmo, a maneira como a gente percebe, como os artistas aparecem, como eles surgem. De repente, tem uma crian\u00e7a ali brincando e passam-se alguns anos, ela est\u00e1 l\u00e1 propondo coisas, desenvolvendo uma percep\u00e7\u00e3o particular do mundo, das quest\u00f5es. Ent\u00e3o, essa forma\u00e7\u00e3o, da maneira como eu entendo, como eu sinto essa coisa do artista, \u00e9 algo que se d\u00e1 lentamente. Como uma esp\u00e9cie de tempo para a forma\u00e7\u00e3o de um coral: coisas que se desenvolvem lentamente e que, numa conjun\u00e7\u00e3o de in\u00fameros fatores, \u00e0s vezes at\u00e9 muito dif\u00edceis de acontecer, convergem num lugar espec\u00edfico e numa pessoa espec\u00edfica. Muitos artistas em potencial n\u00e3o levaram adiante essa necessidade de express\u00e3o nem suas habilidades para isso. Ent\u00e3o, para que haja uma obra \u2013 e quando eu falo obra, eu penso num conjunto e num conte\u00fado consistente \u2013 muitas coisas precisam convergir, externa e internamente, coisas que dependem de mim e outras coisas sobre as quais eu n\u00e3o tenho tanto controle. Mas \u00e9 basicamente isso, em termos gerais\u201d.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria com a arte<\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013 \u201c<\/strong>Eu nasci em Bras\u00edlia e passei minha inf\u00e2ncia na periferia. Ent\u00e3o, afastado desse ambiente, atmosfera e paisagem que sempre permearam o universo dos artistas. Cidades estabelecidas, cidades antigas, onde h\u00e1 uma efervesc\u00eancia por tradi\u00e7\u00e3o. Grandes cidades. Bras\u00edlia n\u00e3o, Bras\u00edlia nunca p\u00f4de oferecer isso nesses termos. Ent\u00e3o, voc\u00ea acaba indo buscar atrav\u00e9s das m\u00eddias, dos livros. Surge alguma coisa e voc\u00ea vai atr\u00e1s. Na minha \u00e9poca, tinham bancas de revista, tinha um livro ali, algo que apontasse para as artes. Sempre me interessei pela tradi\u00e7\u00e3o, pelas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas da renascen\u00e7a, desde crian\u00e7a. (&#8230;) Eu tive acesso \u00e0 arte atrav\u00e9s de ateli\u00eas, de pequenos ateli\u00eas de professores de artes, mas sem aquelas pretens\u00f5es art\u00edsticas. Na fam\u00edlia, um tio materno e minha av\u00f3 paterna pintavam. Foi assim que se deu. Eu dei continuidade por mim mesmo. Depois eu ingressei na Universidade, onde tive contato com a grande teoria e cr\u00edtica da hist\u00f3ria da arte\u201d.<\/p>\n<p><strong>Persist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013 \u201c<\/strong>Voc\u00ea precisa do \u00edmpeto, de um desejo impar\u00e1vel, de uma disposi\u00e7\u00e3o em sacrificar certas ordinariedades, certas estruturas sociais, certos modos de vida e certas percep\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea precisa abrir m\u00e3o e sacrificar isso se voc\u00ea pretende alcan\u00e7ar algo de expressivo, algo que possa expressar-se com alguma contund\u00eancia, com alguma eloqu\u00eancia. A forma\u00e7\u00e3o de um artista passa por a\u00ed, por uma disciplina. A pintura \u00e9 a pr\u00e1tica, o campo, a pr\u00e1tica da disciplina. Ela exige tudo de voc\u00ea, te exige integralmente. E \u00e9 claro que, mesmo vivendo no mundo contempor\u00e2neo \u2013 como a gente conhece bem, tendo que lidar com todas as outras atividades, com todas as outras demandas \u2013 voc\u00ea precisa abrir m\u00e3o disso, para se dedicar a uma produ\u00e7\u00e3o, pois voc\u00ea vai encontrando meios e vislumbrando possibilidades muito lentamente. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma paci\u00eancia fora do comum para a contempla\u00e7\u00e3o, para a pr\u00e1tica e o exerc\u00edcio exaustivos, da pintura, no meu caso. \u00c9 um trabalho, um exerc\u00edcio de contempla\u00e7\u00e3o e um exerc\u00edcio pr\u00e1tico, de factura mesmo, de execu\u00e7\u00e3o. Para a forma\u00e7\u00e3o de um artista, isso \u00e9 indispens\u00e1vel: a disciplina e a vontade de uma busca pela verdade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ser artista<\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013 <\/strong>\u201cHoje n\u00f3s vivemos em um mundo repleto, prolixo de personalidades art\u00edsticas, que podem ser burladas facilmente. Ent\u00e3o, pululam \u2013 por todos os universos virtuais, as redes virtuais \u2013 personalidades art\u00edsticas. Voc\u00ea realizar uma obra \u00e9 outra hist\u00f3ria. A pintura \u00e9 uma esp\u00e9cie de chamamento, \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma esp\u00e9cie de encontro com uma necessidade metaf\u00edsica que precisa se realizar. Eu vejo dessa forma. Eu estou falando da minha experi\u00eancia. Minha experi\u00eancia \u00e9 essa: existe algo que precisa ser alcan\u00e7ado atrav\u00e9s de uma obra e da pr\u00e1tica dessa obra. E por que a gente faz isso? Por que a gente insiste em fazer isso? Por que a gente se sacrifica tanto em fazer e deixa de fazer outras coisas na vida, de seguir outra carreira, de viver de outra forma, para viver essa experi\u00eancia? Porque tem alguma coisa a\u00ed. Tem alguma coisa nessa experi\u00eancia que \u00e9 n\u00e3o somente a realiza\u00e7\u00e3o de certos desejos e fixa\u00e7\u00f5es. Vai para muito al\u00e9m disso, porque te proporciona uma experi\u00eancia est\u00e9tica de alto n\u00edvel. Tamb\u00e9m, claro, consequentemente, uma obra pode proporcionar uma experi\u00eancia est\u00e9tica de alto n\u00edvel a um terceiro. Porque ela \u00e9 algo sempre feito diante desse outro, sempre na expectativa, mesmo imagin\u00e1ria, mesmo virtual. Algo que \u00e9 interno, algo que era oculto por uma s\u00e9rie de impossibilidades, atrav\u00e9s da disciplina, da t\u00e9cnica e do \u00edmpeto, se torna uma obra e, de repente, alcan\u00e7a outra pessoa. Eu vejo dessa forma\u201d.<\/p>\n<p><strong>Inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013<\/strong> \u201cA inspira\u00e7\u00e3o, a essa altura, \u00e9 algo long\u00ednquo: depender da inspira\u00e7\u00e3o. Eu trabalho no ateli\u00ea todos os dias. Acordo cedo e vou trabalhar. \u00c0s vezes, adentro a noite trabalhando. Essa coisa que a gente entende por inspira\u00e7\u00e3o eu chamo de vida interior. \u00c9 a capacidade de, interiormente, espelhar certas quest\u00f5es profundas, certas imagens, certos fen\u00f4menos profundos \u2013 com profundidade, na verdade \u2013 aos quais voc\u00ea se exp\u00f5e, aos quais voc\u00ea est\u00e1 sens\u00edvel. Muitas pessoas s\u00e3o inspiradas, muitas pessoas s\u00e3o sens\u00edveis, mas s\u00f3 isso n\u00e3o basta. \u00c9 preciso conseguir verter isso atrav\u00e9s de uma performance f\u00edsica e uma capacidade t\u00e9cnica, verter isso em uma express\u00e3o, buscando um tipo de eloqu\u00eancia, de di\u00e1logo com esse outro. Ent\u00e3o \u00e9 onde essa coisa converge: uma hipersensibilidade, uma capacidade de espelhar esses fen\u00f4menos e uma capacidade de verter isso a um meio espec\u00edfico, no meu caso, a pintura. Estou sens\u00edvel sempre. Assim, claro, que voc\u00ea faz um recorte de mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Custo de uma cria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013<\/strong> \u201cPara que uma obra s\u00e9ria se d\u00ea, tem um custo muito alto, um custo emocional alt\u00edssimo. Eu mesmo fico exausto depois de concluir ou durante a execu\u00e7\u00e3o de uma obra, de uma s\u00e9rie, porque isso exige muito, n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, n\u00e3o s\u00f3 um esfor\u00e7o t\u00e9cnico, \u00e9 um esfor\u00e7o emocional. Ent\u00e3o isso, de alguma forma, \u00e9 o conte\u00fado de uma obra. (&#8230;) S\u00e3o obras de f\u00f4lego, precisam de uma disposi\u00e7\u00e3o. Uma disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica para realizar. Voc\u00ea precisa movimentar, trabalha em p\u00e9, \u00e9 um exerc\u00edcio tremendo. Mas, enfim, \u00e9 a maneira de imprimir essa organicidade, que \u00e9 o que interessa hoje em dia numa obra diante de tanta digitaliza\u00e7\u00e3o, de tanta virtualidade. Acho que a experi\u00eancia com a obra de arte, com a pintura, com a escultura, fica cada vez mais rica, com o retorno \u00e0 realidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>A presen\u00e7a da arte <\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013 \u201c<\/strong>H\u00e1 um conceito a\u00ed que \u00e9 caro \u00e0 pr\u00f3pria pintura: a presen\u00e7a. A presen\u00e7a, ela \u00e9 assim, ela muda tudo, \u00e9 uma outra ordem de experi\u00eancia. Repito, cada vez mais cara, cada vez mais extinta, por conta da experi\u00eancia com o virtual. Inclusive, as crian\u00e7as que nascem por esses anos de agora, j\u00e1 come\u00e7am sua experi\u00eancia, a forma\u00e7\u00e3o da sua percep\u00e7\u00e3o, do seu acervo de experi\u00eancias, atrav\u00e9s das telas. Ent\u00e3o, existe a\u00ed uma esp\u00e9cie de substitui\u00e7\u00e3o: a virtualidade sobre a realidade. Os efeitos disso s\u00e3o muito evidentes na vida de muitos jovens. Muitos j\u00e1 devem viver atrav\u00e9s das telas, n\u00e3o querem se movimentar e n\u00e3o querem fazer nada. (&#8230;) Ao ir a uma exposi\u00e7\u00e3o, o artista pode apresentar um conjunto. A pessoa pode fazer um <em>tour<\/em>, pode olhar uma ao lado da outra. A quest\u00e3o da escala tamb\u00e9m existe e isso muda tudo. Ao inv\u00e9s de estar vendo uma tela pelo celular, voc\u00ea a v\u00ea numa escala real e isso te oferece outra experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Do texto a uma obra art\u00edstica <\/strong><\/p>\n<p><strong> M. \u2013<\/strong> \u201cQuando se trata de um texto, voc\u00ea precisa da habilidade de interpretar, \u00e9 claro, e as imagens mentais v\u00e3o se formando \u00e0 medida que voc\u00ea avan\u00e7a no texto, na leitura. A imagem, a pintura \u00e9 imperativa, no sentido de ser imediata. A imagem se imp\u00f5e de uma s\u00f3 vez. Voc\u00ea pode at\u00e9 fazer uma leitura das partes, mas tem um \u201c<em>que<\/em>\u201d de instant\u00e2neo, que se apresenta por inteiro, diferentemente do texto. (&#8230;) Voc\u00ea acaba extraindo algo. Uma obra se constr\u00f3i dessas experi\u00eancias, de uma esp\u00e9cie de aura po\u00e9tica que flutua. Se voc\u00ea, em um texto, tem a narrativa, a descri\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Enfim, voc\u00ea tem uma s\u00e9rie de sensa\u00e7\u00f5es que surgem, num momento ou noutro das narrativas. Voc\u00ea tem essa experi\u00eancia, essas sensa\u00e7\u00f5es, essa coisa que est\u00e1 acima, flutuando acima das representa\u00e7\u00f5es, da proposta do texto, da hist\u00f3ria em si. Toda hist\u00f3ria tem um clima, uma atmosfera, de modo que te oferece sensa\u00e7\u00f5es diversas. Enfim, neste ponto foi que eu entrei na hist\u00f3ria da Beatriz, nesse conjunto\u201d.<\/p>\n<p><strong>A obra nas jornadas<\/strong><\/p>\n<p><strong>T M \u2013<\/strong> \u201cFicou muito bonito o trabalho de design do cartaz, gostei bastante. Essa obra faz parte de um conjunto de desenhos, pastel seco sobre pap\u00e9is, aparece carv\u00e3o nas outras obras, mas \u00e9 desenho e \u00e9 sobre papel. \u00c9 um conjunto chamado <em>\u201cBeatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d<\/em>. Eu tinha um livro de sonetos do Dante<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>: \u201cVita Nuova\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Nele, Dante, na juventude, j\u00e1 citava Beatriz, essa figura, esse arqu\u00e9tipo, essa imagem emblem\u00e1tica feminina que aparece para os poetas e artistas sob algum nome, algum signo. Para Dante, essa imagem \u00e9 Beatriz, que reaparece na pr\u00f3pria \u201c<em>Divina Com\u00e9dia<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Isso gerou um movimento interno, uma esp\u00e9cie de excita\u00e7\u00e3o por essa imagem, por essas refer\u00eancias que saem de um grande autor, de um grande artista. Enfim, existe uma tradi\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00f5es sobre a <em>\u201cDivina Com\u00e9dia\u201d<\/em> e \u00e9 claro que o desenho est\u00e1 muito pr\u00f3ximo dessa tradi\u00e7\u00e3o e das ilustra\u00e7\u00f5es, de modo que foi um mote, um disparador para que eu mergulhasse nisso como tema po\u00e9tico. Eu j\u00e1 vinha explorando essas imagens do nu feminino, a partir de modelos que utilizei. S\u00e3o sempre presentes, na minha produ\u00e7\u00e3o, a figura e, principalmente, esses modelos femininos. Foi a\u00ed que eu consegui cruzar essa abordagem do desenho, da execu\u00e7\u00e3o do tra\u00e7o, com um tema. E a\u00ed surgiu esse conjunto que \u00e9 \u201c<em>Beatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d<\/em>. \u00c9 um desenho que tem uma sensualidade, al\u00e9m de uma insist\u00eancia em sobrepor, em refazer o movimento de constru\u00e7\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o, que cria uma esp\u00e9cie de movimento latente na figura. Tamb\u00e9m, claro, evoca uma sensualidade, um erotismo, que est\u00e1 presente no pr\u00f3prio texto, na pr\u00f3pria po\u00e9tica da coisa: <em>\u201cBeatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d<\/em>. Foi isso, foi um conjunto de obras que eu gostei muito de realizar. Esses grafismos, essas sobreposi\u00e7\u00f5es voltaram a aparecer, inclusive, na <em>Imago<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>, que tem a figura e essas linhas, esses desenhos que sobrep\u00f5em a imagem, mas s\u00e3o linhas e desenhos que nascem da pr\u00f3pria imagem, criando uma segunda dimens\u00e3o, acima da original, um efeito expressivo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu achei curiosa a escolha que voc\u00eas fizeram dessa imagem [para compor a arte das Jornadas], por conta do contexto que evoca o erotismo, a sexualidade. Parte dos nus, essa figura feminina, evoca uma aura er\u00f3tica, sexual. Claro, eu achei que poderia oferecer uma camada po\u00e9tica, art\u00edstica para o texto, para propostas conceituais. Acho que isso \u00e9 rico demais. Gostei muito! (&#8230;) Acho interessante, muito ricas essas aproxima\u00e7\u00f5es, ainda mais quando a obra pode oferecer esse di\u00e1logo. Ent\u00e3o, foi muito bom. Eu agrade\u00e7o pelo convite, pela requisi\u00e7\u00e3o da obra e por estar participando. Muito bom!\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/taigomeireles.com\/<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Entrevista realizada em 21 de mar\u00e7o de 2022<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> A transcri\u00e7\u00e3o integral do \u00e1udio da entrevista foi feita por Jaqueline Coelho, Juliana Bressanelli L\u00f3ra, Lucas Fraga, Renata Tavares Imperial e Rosangela Ribeiro. Os recortes, destaques em t\u00f3picos e ordenamento do texto por Giovanna Quaglia.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Dante Alighieri (1265-1321) foi o maior poeta italiano da literatura medieval.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Alighieri, D. La Vita Nuova: Poems of Youth (Penguin Classics). Tradutor Barbara Reynolds 1971 (1292).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Alighieri, D. A Divina Com\u00e9dia. Escrita por volta de 1317 &#8211; 1319.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Exposi\u00e7\u00e3o com 34 pinturas de Taigo Meireles, no Centro Cultural Banco do Brasil \u2013 CCBB \u2013 Bras\u00edlia, realizada de 29 de junho a 19 de setembro de 2021.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Giovanna Quaglia Reparou na obra de arte que inspirou o designer do cartaz, o boletim eletr\u00f4nico e a cria\u00e7\u00e3o do teaser das III Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste? \u201cBeatriz no c\u00edrculo da lux\u00faria\u201d \u00e9 o nome da obra realizada, em giz pastel seco sobre papel, por Taigo Meireles[1] em 2011. 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